O som metálico reverberava pelas paredes da caverna, abafado pelas ondas que batiam na entrada. Daniel e Ethan trocaram olhares rápidos, ambos compartilhando o mesmo pensamento: eles não estavam sozinhos ali.
“Apaga a lanterna,” Ethan sussurrou, com um movimento rápido para cobrir o próprio espelho com um pano.
Daniel obedeceu, apagando a luz e sentindo a escuridão envolvê-los. O coração martelava em seu peito, e ele prendeu a respiração ao ouvir passos arrastados, lentos, ecoando do corredor por onde haviam entrado.
“Seja quem for, eles sabem que estamos aqui,” murmurou Ethan.
“E agora?” Daniel respondeu, lutando para controlar o pânico.
“Agora, ficamos quietos e esperamos. Eles podem não nos encontrar.”
Mas as palavras de Ethan mal haviam saído de sua boca quando um brilho fraco começou a aparecer no corredor, se aproximando lentamente. Daniel sentiu o corpo enrijecer. Era uma luz esverdeada, fraca e oscilante, como se emanasse de algo não natural.
“Isso é… o mesmo tipo de luz que vi no meu espelho,” Ethan disse, os olhos arregalados.
Daniel engoliu em seco. Não queria admitir, mas a luz o atraía. Parecia sussurrar algo inaudível, chamando-o para se aproximar. Por um momento, ele quase deu um passo à frente, mas Ethan agarrou seu braço.
“Não. Fica comigo,” disse Ethan, firme.
Antes que pudessem decidir o que fazer, a luz virou a esquina da entrada da caverna, revelando uma figura encapuzada. A pessoa segurava o que parecia ser um espelho menor, que irradiava a estranha luz verde.
Daniel sentiu o instinto de correr, mas algo o manteve parado – um medo paralisante misturado com curiosidade. Ele precisava entender o que estava acontecendo.
A figura parou no centro da sala, ergueu o espelho e olhou diretamente na direção deles. Daniel congelou, sentindo como se a pessoa pudesse vê-los através da escuridão, mesmo que estivessem escondidos.
Mas, antes que qualquer coisa acontecesse, Ethan puxou Daniel pela manga e correu para um túnel lateral que se ramificava da caverna principal.
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Os dois correram sem parar, as passagens estreitas ecoando com o som de seus passos. A lanterna de Ethan piscou enquanto eles atravessavam corredores que pareciam intermináveis.
Finalmente, chegaram a uma pequena abertura que dava para uma clareira escondida pela vegetação densa. O ar fresco encheu os pulmões de Daniel, mas ele não sentiu alívio.
“Quem era aquele?” Daniel perguntou, ofegante, apoiando as mãos nos joelhos.
“Não sei,” Ethan respondeu, olhando para trás como se esperasse ser seguido. “Mas aquela luz… já vi algo parecido antes.”
“Como assim?”
Ethan hesitou, mas então suspirou, como se estivesse cansado de guardar segredos. “Quando encontrei o primeiro espelho, vi uma figura assim. Não consegui chegar perto o suficiente para entender o que era, mas sei que está conectado a isso.”
“Então isso é maior do que só nós dois,” Daniel disse, mais para si mesmo do que para Ethan.
“Sim. E eu acho que eles não querem que a gente descubra o que esses espelhos significam.”
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O silêncio caiu entre eles. Daniel se afastou um pouco, sentindo o peso de tudo o que estava acontecendo. Ele se sentou em uma pedra próxima, os olhos fixos no chão. Tudo parecia sair do controle – as respostas que ele buscava estavam se multiplicando em mais perguntas, e o perigo parecia aumentar a cada passo.
Enquanto Ethan continuava a vasculhar os arredores, Daniel puxou seu próprio espelho e o segurou, encarando a superfície lisa. A visão do homem desconhecido ainda estava fresca em sua mente, mas o que o deixava mais inquieto era a frase no diário: “Onde um reflete, o outro observa.”
Ele se perguntou se aquele homem que vira no espelho – ou mesmo Ethan – seria alguém confiável. Algo em Ethan parecia genuíno, mas Daniel não podia ignorar a possibilidade de que ele também estivesse sendo manipulado.
Foi então que o espelho começou a brilhar novamente. A luz era diferente daquela do outro espelho – era uma luz dourada, suave, que iluminava apenas o rosto de Daniel. Ele olhou para a superfície e viu uma nova cena: uma biblioteca antiga, com estantes repletas de livros empoeirados e uma única vela acesa em uma mesa no centro.
Ao lado da vela, estava um caderno aberto, com uma página cheia de símbolos que ele reconhecia. No canto inferior, em letras pequenas, estava escrito algo que o fez prender a respiração:
"Somente um pode quebrar o ciclo."
A luz desapareceu tão rápido quanto veio, e o espelho voltou ao normal.
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“Daniel?” Ethan chamou, voltando para perto dele. “Você está bem?”
“Eu vi algo,” Daniel disse, olhando para o amigo. “Uma biblioteca. E uma frase… algo sobre um ciclo.”
Ethan franziu a testa. “Um ciclo?”
“Sim. Algo sobre quebrar o ciclo. Você sabe o que isso significa?”
Ethan ficou em silêncio por um momento, mas seus olhos revelaram que ele sabia mais do que estava disposto a dizer.
“Eu vi algo parecido, mas… nunca entendi o que significava,” ele admitiu.
Daniel se levantou, segurando o espelho com mais firmeza. “Então precisamos descobrir. Esse ciclo, o que quer que seja, tem a ver com esses espelhos. E se nós dois estamos presos nele, precisamos encontrar uma saída.”
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A conversa foi interrompida por um som distante, vindo da caverna de onde haviam saído. O som metálico estava de volta, mas desta vez mais alto, como se algo estivesse se aproximando.
“Eles estão nos seguindo,” Ethan disse, o tom de urgência em sua voz.
Daniel olhou para a floresta à sua frente. Ele sabia que poderia correr, mas também sabia que não podia continuar fugindo para sempre. A resposta estava ali, escondida em algum lugar, e ele precisava enfrentá-la.
“Ethan,” ele disse, voltando-se para o homem ao seu lado, “está pronto para continuar? Porque eu não vou parar até entender o que está acontecendo.”
Ethan hesitou por um momento, mas então assentiu. “Se você está dentro, eu também estou.”
Daniel segurou o espelho com mais força, sentindo o peso do objeto. Por mais que quisesse acreditar que estava no controle, a verdade era que o espelho estava guiando seus passos – e ele não sabia onde isso o levaria.
Enquanto os dois desapareciam na floresta, o som metálico ecoava mais uma vez, como um lembrete sinistro de que o mistério ainda estava longe de ser resolvido.
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Atualizado até capítulo 33
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