Capítulo 13 – Mais Uma Pista

Os dias estavam passando lentamente, e Daniel e Ethan, apesar de ainda estarem fugindo, sentiam o peso do tempo se acumulando. O calor da busca pelos espelhos começava a apertar, e algo, como uma presença sombria, se arrastava por trás das suas descobertas. Embora os dois tivessem avançado, ainda não conseguiam se livrar da sensação de que estavam apenas tocando a superfície de algo muito maior e mais perigoso.

Daniel não conseguia parar de pensar no que Ethan lhe disse sobre sua irmã, Alice. A história estava intrinsecamente ligada aos mistérios que eles estavam tentando desvendar, mas, ao mesmo tempo, não conseguia compreender por que Alice havia desaparecido ou o que exatamente ela havia visto naquele espelho. Uma parte dele queria acreditar que tudo aquilo tinha algum sentido lógico, mas sabia que não havia lógica no que estavam vivendo.

Nos últimos dias, os dois haviam se refugiado em um vilarejo isolado. Um lugar afastado da civilização, onde o tempo parecia ter parado. As ruas estreitas estavam cobertas de uma névoa densa pela manhã, e as casas pareciam ser pouco mais do que esqueletos vazios. Daniel e Ethan se sentiam desconfortáveis, como se aquele lugar estivesse guardando segredos obscuros.

Ethan, como sempre, estava mais reservado do que nunca. Ele passava os dias estudando mapas antigos e fotografias dos espelhos enquanto Daniel tentava encontrar alguma conexão entre as pistas que haviam recolhido até agora. No entanto, algo não parecia certo. Havia um vazio em Ethan, algo que se aprofundava a cada dia, mas Daniel não conseguia alcançar.

Numa manhã chuvosa, depois de um longo período de silêncio, Ethan finalmente falou.

“Eu acho que encontrei o que estávamos procurando,” disse ele, sua voz sem emoção. “Uma antiga propriedade. Lá, os espelhos estão guardados. O que quer que esteja acontecendo, começa lá.”

Daniel olhou para ele, intrigado. “E o que acontece quando encontramos esses espelhos, Ethan? O que vai acontecer com a gente?”

Ethan o encarou, mas seus olhos estavam vazios, como se uma parte dele estivesse distante, perdida. “Não sei. Mas não podemos parar agora. Se não fizermos isso, tudo o que aconteceu... tudo o que perdemos, será em vão.”

E foi assim que eles partiram. Mais uma vez, estavam em movimento, com o coração pesado e a mente cheia de perguntas. A jornada os levou a uma região afastada, rodeada por densas florestas e montanhas. A propriedade era um antigo casarão que parecia em ruínas, coberto pela vegetação e pela decadência do tempo. Mas, como tudo na vida deles até aquele ponto, esse lugar estava longe de ser simples.

Quando chegaram, a neblina havia tomado conta do terreno, tornando a atmosfera ainda mais sombria e desconcertante. O casarão parecia abraçar o mistério de uma maneira que Daniel não conseguia descrever.

“É aqui que os espelhos estão,” Ethan murmurou, sua voz fria. “Vamos encontrar o que precisamos e terminar com isso.”

O interior do casarão estava em ruínas, com móveis quebrados e paredes desmoronadas, mas havia algo de peculiar no ar. O silêncio era profundo demais, e Daniel sentiu o peso de cada passo como se ele fosse o próximo a sucumbir àqueles corredores vazios.

Enquanto exploravam, algo os fez parar. Um leve som vindo do andar superior. Era suave, quase inaudível, mas suficientemente claro para alertá-los. Eles subiram as escadas com cuidado, a tensão pairando sobre eles como uma sombra.

Quando chegaram ao topo, o som parou. Mas algo na atmosfera mudou. Daniel sentiu um arrepio percorrer sua espinha. Então, quando viraram a esquina de um corredor, viram uma porta entreaberta.

E foi aí que a surpresa veio.

Uma mulher estava parada diante deles.

Ela tinha uma postura confiante, com os cabelos escuros e roupas simples, mas com algo em seu olhar que parecia ao mesmo tempo acolhedor e desconcertante. Não era o tipo de mulher que você encontraria facilmente, e Daniel teve a impressão de que ela estava ali esperando por eles.

"Daniel... Ethan," ela disse, com uma voz suave, mas firme. "Vocês estão mais perto do que pensam."

Daniel ficou paralisado, seu coração acelerou instantaneamente. Algo nela parecia inexplicavelmente familiar. Ela estava ali, diante dele, mas não era apenas sua aparência que o tocava. Era como se ela tivesse feito parte de sua vida, uma memória que estava oculta nas profundezas de sua mente, algo que ele não conseguia acessar, mas que agora começava a emergir com força total.

“Aonde... Aonde eu te vi antes?” Daniel murmurou, seus olhos fixos nela.

A mulher sorriu suavemente, mas não havia alegria nesse sorriso. “Você não se lembra de mim, Daniel. Mas nós já nos encontramos. De várias maneiras.”

A fala dela atingiu Daniel com uma força inesperada. Ele sentiu como se estivesse sendo puxado para algo maior, um turbilhão de lembranças que se misturavam e se embaralhavam. Tentou procurar nos cantos de sua memória, tentando encontrar um rosto, uma situação, mas tudo estava turvo.

“Eu… não posso lembrar,” Daniel falou, mais para si mesmo do que para ela, seu cérebro tentando desesperadamente encaixar as peças.

A mulher o observou com uma calma perturbadora. “Eu sou uma parte de sua história, Daniel. Não posso dizer tudo agora, mas você vai se lembrar. E quando isso acontecer, você vai entender.”

"E você esteve observando a gente o tempo todo?" Daniel perguntou, ainda sem acreditar na situação. Sua voz soava tensa, cheia de desconfiança. "O que quer de nós?"

Ela não se apressou em responder. Olhou para ele por um longo momento, como se estivesse esperando que ele chegasse a uma conclusão. Então, com uma leve inclinação da cabeça, disse: “Eu sou a chave para tudo isso. A resposta que vocês procuram está mais perto do que imaginam. Só precisam entender.”

“Entender o quê?” Ethan perguntou, claramente agitado, com as mãos firmes nas laterais, quase pronto para atacar, mas havia algo em sua voz que denunciava o quanto ele estava incomodado.

A mulher sorriu, sua expressão agora mais suave, mais enigmática. “Entender que a verdade vai além de qualquer espelho. O que vocês estão buscando, o que estão tentando resolver, não se limita a simples reflexões. O jogo de espelhos... ele é apenas a porta. O que está do outro lado é muito maior.”

Daniel sentiu um calafrio percorrer sua espinha. Algo nela o desconcertava mais do que ele queria admitir. Ele não sabia por quê, mas sentia como se já tivesse visto aquela mulher antes, em um momento que não conseguia definir. Algo estava completamente errado, mas ele ainda não conseguia perceber o que era.

Ela deu um passo à frente, mais próxima de Daniel. Seus olhos estavam profundos, e a maneira como ela olhava para ele fez seu coração bater mais rápido.

“Eu fui quem os guiou até aqui. Sem saber, é claro. Mas agora, os espelhos estão em suas mãos. E a verdade sobre Alice, sobre o que aconteceu com ela, vocês só entenderão quando olharem profundamente o reflexo da alma.”

“Você está mentindo!” Ethan gritou, mas sua voz soava vacilante, como se ele estivesse começando a duvidar de tudo o que acreditava.

A mulher, então, deu um sorriso enigmático, quase como se estivesse satisfeita com a confusão que estava causando, e antes que Daniel pudesse reagir, ela se virou para a porta atrás dela, abrindo-a lentamente.

“É hora de encarar a verdade,” ela disse. “Entrem, se quiserem ver o que realmente está acontecendo.”

Com um último olhar, ela desapareceu pela porta, e o silêncio tomou conta do ambiente. Daniel e Ethan trocaram olhares, mais uma vez cheios de confusão e dúvida, mas ambos sabiam que tinham que seguir. O que quer que estivesse acontecendo, estava mais perto do que nunca. E agora, uma nova fase da busca começava.

Mas antes de entrarem, Daniel teve uma sensação estranha, como se algo estivesse errado. Ele olhou novamente para a mulher que acabara de desaparecer e, pela primeira vez, a lembrança veio. Era uma sensação forte e clara. Ela estava ali, mas ele a reconhecia... de seus pesadelos. Ela não era uma estranha. Ela estava conectada aos espelhos de um jeito que ele ainda não conseguia compreender.

Era ela. A mulher que ele havia visto em um reflexo distorcido, a mulher com um olhar vazio e cheio de segredos. Ela sabia algo sobre ele, e ele sabia que, de algum modo, a resposta estava dentro dela.

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Atualizado até capítulo 33

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