A luz suave do amanhecer entrava pelas frestas da janela do quarto do hospital, criando um ambiente sereno. Clara abriu os olhos devagar, ainda sentindo o corpo pesado e exausto pelo parto da noite anterior. Por um momento, não reconheceu onde estava, mas o som baixo de vozes familiares a trouxe de volta à realidade.
Seu olhar focou-se na cena à sua frente: seu pai, Roberto, estava sentado em uma cadeira próxima à janela, segurando com cuidado o pequeno Roberto nos braços. Sua expressão era uma mistura de fascínio e ternura, como se ele estivesse segurando o maior tesouro do mundo. Ao lado dele, Cíntia estava inclinada, observando o sobrinho dormindo com um sorriso encantado.
Clara tentou se sentar, mas uma pontada de dor a fez soltar um gemido baixo. Elisa, que estava de pé ao lado da cama, percebeu imediatamente.
— Clara! — Disse ela, animada, mas mantendo a voz suave para não acordar o bebê. — Você está acordada!
Cíntia e Roberto olharam em direção a Clara, e um sorriso largo se formou no rosto do pai dela.
— Olha só quem resolveu aparecer! — Disse ele, com um tom brincalhão. — Achamos que você ia dormir até o pequeno Roberto fazer um ano.
Clara soltou uma risada fraca, emocionada ao ver a cena.
— Papai... — Murmurou, a voz ainda fraca. — Ele está bem?
— Perfeito. — Respondeu Roberto, levantando-se devagar e caminhando até a cama para que Clara pudesse ver o bebê mais de perto.
O coração de Clara apertou ao olhar para o pequeno rosto adormecido, tão pacífico. Ele parecia tão frágil, tão perfeito.
— Ele é lindo... — Disse ela, com lágrimas nos olhos.
— Ele é mesmo. — Concordou Cíntia, aproximando-se e segurando a mão da irmã. — Você foi incrível, Clara.
Elisa tocou o ombro de Clara, sorrindo.
— Você tem uma força que eu admiro tanto.
Antes que o momento ficasse ainda mais emocional, Renan entrou no quarto com um ar de teatralidade. Ele abriu a porta devagar, espiando como se estivesse invadindo uma reunião secreta.
— Licença, senhoras e senhores. Eu soube que temos um novo membro da família, e estou aqui para supervisionar se ele está à altura da reputação.
Todos riram, e até mesmo Clara não conseguiu conter o sorriso. Renan caminhou até a cama, olhando para o bebê com falsa seriedade.
— Hmm, olhe para ele... Já tem um charme irresistível. Deve ter puxado à mãe.
Clara revirou os olhos, rindo.
— Renan, você nunca perde a oportunidade de fazer graça, não é?
Renan colocou a mão no peito, fingindo indignação.
— Clara, você me ofende! Estou apenas constatando a verdade.
Cleonice entrou no quarto logo em seguida, carregando uma pequena bandeja com um copo de suco e algumas frutas.
— Muito bem, Renan. Já fez sua piada do dia? Agora é hora de Clara se alimentar. — Disse ela, com um tom que misturava firmeza e carinho.
Ela colocou a bandeja ao lado da cama e olhou para Clara com olhos marejados.
— Você foi tão corajosa, minha filha. E agora temos esse presente. — Disse Cleonice, apontando para o bebê.
Clara engoliu em seco, sentindo um nó na garganta. Ela sabia que, nos últimos meses, sua relação com Cleonice havia sido complicada, mas naquele momento, tudo parecia ter mudado.
— Obrigada, mãe... Por estar comigo.
Cleonice segurou a mão de Clara e sorriu.
— Sempre estarei aqui, meu amor.
Roberto se aproximou mais e colocou o pequeno Roberto nos braços de Clara com cuidado. Assim que ela o segurou, sentiu uma onda de amor avassaladora.
— Oi, meu pequeno... — Disse ela, com a voz trêmula. — Sou eu, sua mamãe.
Elisa e Cíntia trocaram olhares emocionados, enquanto Renan, mesmo com sua natureza brincalhona, observava a cena em silêncio, respeitando o momento.
— Ele parece te reconhecer. — Comentou Cíntia. — Olha como ele se mexe quando você fala.
Clara olhou para o bebê, que se remexia suavemente em seus braços, como se estivesse tentando se aconchegar.
— Ele é perfeito... — Murmurou Clara, beijando a testa do filho.
O momento era tão cheio de amor que parecia congelar o tempo. Cada pessoa no quarto sentia a importância daquele instante, como se algo maior estivesse sendo selado.
Enquanto Clara segurava o filho nos braços, ela sentia um misto de emoções: alegria, alívio, e um toque de medo do que o futuro reservava. Mas, olhando para o pequeno Roberto, sabia que faria tudo o que fosse necessário para protegê-lo e dar a ele o melhor que pudesse.
— Ele já tem uma família incrível. — Disse Elisa, quebrando o silêncio. — E muita gente que vai cuidar dele com todo o amor do mundo.
Clara olhou para os amigos e a família ao seu redor, sentindo-se grata por não estar sozinha nessa nova jornada.
Por mais que ainda houvesse dúvidas e desafios pela frente, naquele momento, ela sabia que o amor que sentia pelo filho era mais forte do que qualquer medo.
Depois do momento inicial de emoção e felicidade compartilhada com sua família e amigos, Clara sentiu seu coração aquecer ao segurar o pequeno Roberto em seus braços. Ele se mexia suavemente, emitindo pequenos sons que faziam todos ao redor sorrirem. Era difícil acreditar que ele já estava ali, tão real e tão cheio de vida.
— Parece que ele está com fome. — Disse Cíntia, apontando para o bebê, que começava a movimentar os lábios e virar a cabecinha em busca de algo.
Clara olhou para o filho, e um instinto natural tomou conta dela. Sem hesitar, ajustou a posição do bebê em seus braços e começou a amamentá-lo. No início, ele parecia um pouco perdido, mas logo se acostumou, sugando com força, e Clara sentiu uma conexão indescritível.
— Ele sabe o que fazer, hein? — Disse Renan, rindo suavemente para quebrar a tensão.
Clara olhou para ele, revirando os olhos, mas com um sorriso nos lábios.
— Você faz graça de tudo, não é?
— É o meu trabalho. — Respondeu ele, piscando.
Cleonice, que estava ao lado da cama, olhava para Clara com olhos cheios de orgulho.
— Você está indo muito bem, meu amor. Amamentar pela primeira vez nem sempre é fácil, mas você está lidando como uma verdadeira mãe.
Clara sorriu, sentindo-se encorajada pelas palavras da mãe. Ela acariciou a cabecinha de Roberto enquanto ele se alimentava, sentindo uma onda de amor e responsabilidade se misturar dentro de si.
Enquanto todos se derretiam com o momento, a porta do quarto se abriu, e a médica entrou, acompanhada de uma enfermeira. Ela era uma mulher de meia-idade, com um semblante sério, mas gentil.
— Bom dia, família. — Disse a médica, analisando rapidamente o ambiente. — Vejo que o quarto está... movimentado.
Clara ergueu os olhos para a médica, sentindo um leve desconforto ao perceber o tom de repreensão em sua voz.
— É, eles vieram conhecer o bebê... — Respondeu Clara, tentando justificar.
A médica colocou as mãos nos quadris, olhando para todos no quarto.
— Sei que é um momento emocionante, mas precisamos lembrar que a paciente acabou de passar por um parto exaustivo. Ela precisa descansar, e o bebê também.
Cleonice foi a primeira a se pronunciar.
— Nós estamos sendo cuidadosos, doutora. Só queríamos estar aqui para apoiá-la.
— Eu entendo, senhora, mas há regras. — Disse a médica, com firmeza. — Somente uma acompanhante pode ficar no quarto. Os outros precisam dar espaço para a mãe descansar.
Renan fez uma expressão teatral de tristeza.
— Então está claro que meu tempo aqui acabou. — Disse ele, levantando-se dramaticamente. — Mas vou voltar, pequeno Roberto. E prometo trazer um presente à altura.
Clara riu, mesmo com o leve constrangimento da situação. Cíntia também se levantou, pegando sua bolsa.
— Tudo bem, doutora. Vamos dar espaço para ela. Mas qualquer coisa, Clara, é só me ligar.
— Obrigada, Cíntia. — Disse Clara, sorrindo.
Após algumas despedidas rápidas, apenas Cleonice permaneceu no quarto com Clara e o bebê, como acompanhante oficial.
Depois que todos saíram, a médica aproximou-se de Clara e examinou o bebê rapidamente, verificando se estava tudo bem com ele e com a amamentação.
— Você está fazendo um ótimo trabalho, Clara. — Disse ela, com um tom mais suave. — Mas precisa descansar agora. O parto foi longo e exaustivo. Deixe o bebê no bercinho ao lado e tente dormir um pouco.
Clara assentiu, sentindo-se aliviada pelo tom mais compreensivo da médica. Quando Roberto terminou de mamar, Cleonice ajudou a colocá-lo no bercinho ao lado da cama. Ele parecia satisfeito, adormecendo rapidamente com a barriga cheia.
Cleonice ajustou os cobertores do bebê e depois olhou para Clara.
— Está tudo bem, meu amor?
Clara suspirou, sentindo o peso no corpo e a confusão na mente.
— Estou cansada, mãe, mas ao mesmo tempo não quero fechar os olhos. Tenho medo de que algo aconteça com ele.
Cleonice sorriu, sentando-se ao lado da cama.
— Isso é natural. Mas você precisa descansar. Eu estou aqui. Vou cuidar de tudo enquanto você dorme.
Clara olhou para a mãe, sentindo-se grata por sua presença.
— Obrigada, mãe. Por tudo.
Cleonice passou a mão nos cabelos de Clara, como fazia quando ela era criança.
— Eu sempre estarei aqui, Clara. Sempre.
Clara fechou os olhos, deixando o cansaço tomar conta. Sabia que, com sua mãe ao lado, ela e Roberto estariam seguros.
Enquanto ela dormia, Cleonice ficou sentada ao lado do bercinho, observando o neto com um olhar protetor. O silêncio do quarto foi preenchido pelo som suave da respiração de Clara e do pequeno Roberto, marcando o início de uma nova fase em suas vidas.
Quando Clara abriu os olhos novamente, sentiu o corpo um pouco mais revigorado, mas ainda cansado. Era tarde, e a luz suave que entrava pelas janelas do quarto do hospital criava um ambiente tranquilo. Ao virar a cabeça, ela notou que, ao lado do bercinho, não era Cleonice quem estava presente, mas seu pai, Roberto.
Ele estava sentado em uma cadeira ao lado do bebê, balançando-a suavemente enquanto olhava para o neto com um sorriso sereno. O coração de Clara se aqueceu com a cena. Era raro ver seu pai tão expressivo, mas, desde a chegada de Roberto, ele parecia estar mais aberto, mais emocional.
— Pai? — Disse Clara, sua voz ainda um pouco rouca.
Roberto olhou para ela imediatamente, seu rosto iluminando-se com um sorriso.
— Ah, minha menina! Você acordou. Como está se sentindo?
Clara tentou se ajeitar na cama, e Roberto prontamente se levantou para ajudá-la.
— Estou bem, pai. E a mamãe? — Perguntou, olhando ao redor.
— Sua mãe precisou ir para casa. Foi tomar um banho e cuidar um pouco das coisas lá. — Ele olhou para Clara com um sorriso caloroso. — Então, achei que era minha vez de ficar aqui com vocês.
Roberto voltou a sentar-se ao lado de Clara, com o pequeno Roberto ainda dormindo tranquilo no bercinho.
— Ele é incrível, não é? — Disse Roberto, olhando para o neto com admiração.
Clara assentiu, sentindo os olhos lacrimejarem.
— É, pai. Ele é perfeito.
Roberto ficou em silêncio por um momento, como se estivesse escolhendo cuidadosamente as palavras. Depois, olhou diretamente para Clara.
— Clara, eu queria te dizer uma coisa. Sei que já falei antes, mas preciso repetir... Estou tão orgulhoso de você.
Clara piscou rapidamente, tentando conter as lágrimas.
— Pai...
— Não, me deixa terminar. — Disse ele, sorrindo. — Eu sei que as coisas não foram fáceis nos últimos meses. Sei que você enfrentou muito. Mas quero que você saiba que você é a mulher mais corajosa que eu conheço. E esse menino... Ele é muito sortudo por ter você como mãe.
Clara não conseguiu segurar as lágrimas dessa vez. Sentiu uma onda de emoções a inundar enquanto ouvia as palavras do pai.
— Obrigada, pai. Por tudo. Por estar aqui, por me apoiar... Eu nem sei como agradecer.
Roberto segurou a mão dela com firmeza.
— Não precisa agradecer, minha menina. É o que os pais fazem. A gente cuida, a gente protege. E eu estarei aqui para vocês dois, sempre.
Clara inclinou-se e abraçou o pai, sentindo-se profundamente grata por tê-lo ao seu lado naquele momento tão importante de sua vida.
Pouco depois, uma funcionária do hospital entrou com um carrinho de comida. Ela sorriu para Clara enquanto colocava a bandeja sobre uma pequena mesa ajustável.
— Aqui está, senhora. Sua refeição. É importante se alimentar bem para recuperar as forças.
Clara agradeceu e começou a comer enquanto Roberto continuava ao seu lado, observando o neto no bercinho. A comida estava simples, mas reconfortante, e Clara sentiu sua energia voltar aos poucos.
Logo depois que Clara terminou de comer, a médica que a acompanhava entrou no quarto. Ela carregava um pequeno caderno de anotações e um sorriso profissional no rosto.
— Boa tarde, Clara. Vejo que você está se recuperando bem. Agora, precisamos fazer mais alguns exames no pequeno Roberto para garantir que está tudo certo.
Clara assentiu, observando enquanto a médica cuidadosamente pegava o bebê no bercinho. Roberto se aproximou, visivelmente preocupado.
— Está tudo bem com ele, doutora? — Perguntou.
A médica sorriu, tranquilizando-o.
— Está tudo ótimo, senhor. Esses exames são de rotina, só para garantir que ele está saudável e se adaptando bem.
Clara observou enquanto a médica media o peso, verificava os batimentos cardíacos e fazia outros procedimentos simples. Roberto ficou ao lado dela, segurando sua mão, como se quisesse dar apoio tanto à filha quanto ao neto.
— Ele está perfeito, Clara. Forte e saudável. — Disse a médica, devolvendo o bebê ao bercinho.
Clara suspirou de alívio, sentindo-se grata por cada pequeno progresso que seu filho fazia.
— Obrigada, doutora.
A médica deu um sorriso caloroso antes de sair do quarto.
Com o bebê de volta ao bercinho e sua saúde confirmada, Clara sentiu uma paz tomar conta do quarto. Roberto colocou a mão no ombro dela e sorriu.
— Tudo vai ficar bem, minha menina. Você vai ver.
Clara olhou para o pai e depois para o pequeno Roberto, sentindo-se mais forte do que nunca. Ela sabia que ainda havia desafios pela frente, mas, com sua família ao lado, sentia que poderia enfrentar qualquer coisa.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 65
Comments
Sara Niziato
nossa até lembrei do meu parto! Mas diferente do Roberto Neto minha bebê fez um escândalo para fazer os exames HAHAHAH
2025-01-15
0
magaleantunes
ficou complicado no começo pois a Sr autora deu mesmo nome pra dois personagens sem explicação de quem era quem?
2025-01-13
0
Luisa Nascimento
Vai da tudo certo Clara. só confiar!👏👏
2025-02-15
0