O avião pousou suavemente no Aeroporto Charles de Gaulle, em Paris. Enquanto os passageiros recolhiam suas bagagens e se preparavam para desembarcar, Sofia ajustava os óculos escuros no rosto, tentando disfarçar a expressão nervosa. Não queria ser reconhecida por alguém que pudesse, de alguma forma, reportar sua viagem a Leonardo ou sua família.
— Finalmente chegamos. — Disse Rose, com um sorriso radiante, ao pegar a mala de mão do compartimento acima de suas cabeças.
Sofia olhou para ela e sorriu levemente, mas ainda sentia uma ponta de culpa.
— Sim, finalmente. — Respondeu, sua voz mais contida do que o habitual.
Ao saírem do avião, Rose passou o braço pelo dela, um gesto que Sofia prontamente interrompeu.
— Não aqui. — Disse Sofia, olhando ao redor, preocupada.
Rose revirou os olhos, mas recuou.
— Você precisa relaxar, Sofia. Ninguém aqui sabe quem você é.
— Não é tão simples assim. — Sofia murmurou enquanto caminhavam em direção à área de táxis. — Se alguém souber disso... tudo que construímos pode desmoronar.
Rose parou, segurando-a pelo braço com delicadeza, mas firme o suficiente para fazer Sofia olhar para ela.
— Tudo que você construiu. — Corrigiu Rose, com uma expressão séria. — Porque a única coisa que eu construí foi uma relação com você, Sofia. E parece que isso não vale nada comparado ao seu medo de ser descoberta.
Sofia suspirou profundamente, afastando-se levemente.
— Não diga isso, Rose. Você sabe que eu amo você. Mas minha vida é complicada.
— Complicada porque você permite. — Respondeu Rose, soltando o braço dela.
O táxi as levou até um hotel boutique elegante no centro de Paris. Assim que chegaram, Sofia ficou encarregada do check-in enquanto Rose admirava o local com entusiasmo. O quarto reservado era luxuoso, decorado em tons suaves de dourado e creme, com uma varanda que oferecia uma vista encantadora da Torre Eiffel ao longe.
Assim que entraram no quarto, Rose jogou sua mala na cama e começou a explorar o espaço, enquanto Sofia se aproximava da janela, olhando para o horizonte.
— É perfeito. — Disse Rose, colocando os braços ao redor da cintura de Sofia.
Sofia se deixou envolver por alguns segundos, mas logo afastou-se suavemente.
— Você sempre diz isso.
Rose olhou para ela, com um misto de diversão e frustração.
— E é verdade. Toda vez que estamos juntas, é perfeito. O problema é que essas perfeições são sempre tão... curtas.
Sofia fechou os olhos, tentando não deixar o peso da verdade atingi-la.
— Eu sei. — Disse, com a voz baixa. — Mas é o que temos agora.
Rose sentou-se na cama, cruzando as pernas e observando Sofia com cuidado.
— E por quanto tempo isso vai ser o suficiente para você?
Sofia virou-se para encará-la, os olhos cheios de emoções conflitantes.
— Não sei, Rose. Eu não sei.
Rose suspirou e levantou-se, aproximando-se novamente.
— Então, por que não esquece tudo isso, pelo menos por esses dias? Estamos em Paris, Sofia. Ninguém aqui se importa com quem você é ou com quem eu sou. Vamos apenas aproveitar.
Sofia olhou para ela por um momento antes de finalmente relaxar um pouco.
— Você tem razão. — Disse, sorrindo levemente. — Vamos aproveitar.
Mais tarde, as duas decidiram sair para jantar em um pequeno bistrô próximo ao hotel. Sofia estava mais relaxada, rindo das histórias que Rose contava sobre sua infância. Por um momento, ela conseguiu esquecer o peso de sua vida em casa, o noivado com Leonardo e o plano de seus pais para salvar a família financeiramente.
Enquanto caminhavam pelas ruas iluminadas de Paris depois do jantar, Rose segurou a mão de Sofia, e desta vez, ela não recuou. O vento fresco da noite parecia varrer suas preocupações, mesmo que apenas temporariamente.
— Se fosse possível... você ficaria aqui comigo para sempre? — Perguntou Rose, olhando para Sofia com intensidade.
Sofia hesitou antes de responder.
— Eu ficaria. — Disse suavemente. — Mas não é tão simples assim.
— Sempre "não é tão simples". — Rose respondeu com um leve sorriso triste. — Talvez um dia você perceba que a única coisa complicada é o medo que você tem de ser feliz.
Sofia parou, olhando para Rose. As palavras dela atingiram algo profundo dentro dela, mas Sofia sabia que ainda não tinha coragem suficiente para enfrentar tudo o que isso significava.
— Vamos voltar para o hotel. — Disse Sofia, desviando o olhar.
Rose não insistiu. Apenas segurou sua mão novamente enquanto caminhavam de volta.
Nos dias seguintes, Sofia tentou aproveitar ao máximo a viagem. Entre passeios, jantares e momentos íntimos com Rose, ela sentiu uma felicidade que raramente experimentava em sua vida com Leonardo. Mas, ao mesmo tempo, o peso da culpa e a realidade de sua situação não a deixavam completamente.
Enquanto fazia as malas para voltar, Rose observava Sofia em silêncio. Quando a viu parar por um momento e olhar para o anel de noivado em sua mão, Rose finalmente quebrou o silêncio.
— Você vai mesmo continuar com isso, não vai?
Sofia olhou para ela, os olhos marejados.
— Eu não tenho escolha.
— Sempre tem escolha, Sofia. — Rose respondeu suavemente, mas com firmeza. — Só espero que, quando decidir, não seja tarde demais.
A viagem terminou, mas Sofia sabia que as emoções e os conflitos internos que sentia estavam longe de acabar.
Sofia retornou de Paris com a mesma elegância e um sorriso impecável. Assim que chegou, manteve o papel de noiva dedicada, relatando aos pais os "detalhes" da viagem com as amigas: passeios por boutiques de luxo, cafés charmosos e caminhadas pelas ruas de Paris. O que não mencionou, claro, era que cada momento especial que descrevia havia sido vivido ao lado de Rose.
Amélia estava radiante com o retorno da filha. Assim que Sofia entrou pela porta, foi recebida com um abraço caloroso da mãe.
— Minha filha, que bom que você voltou! Estava contando os dias para te ver.
Sofia retribuiu o abraço, escondendo a ponta de culpa que sentia.
— Foi uma viagem incrível, mãe. Mas é bom estar de volta.
Eduardo surgiu logo em seguida, cumprimentando-a com um aperto de mão firme.
— Precisamos aproveitar agora, Sofia. O casamento está cada vez mais próximo, e há muito o que fazer.
Sofia sorriu forçadamente, assentindo.
— Eu sei, pai. Vou cuidar de tudo.
Por fora, Sofia mantinha o semblante confiante, mas por dentro, sentia-se cada vez mais perdida.
Os meses que se seguiram foram preenchidos com reuniões de casamento, provas de vestido e encontros rápidos com Leonardo. No entanto, cada interação com ele parecia mais distante e fria. Eles não se viam com frequência, e quando se encontravam, a conexão que um dia tiveram parecia um eco distante.
Em um jantar casual que Amélia insistiu em organizar, Sofia e Leonardo sentaram-se lado a lado, mas a conversa foi quase inexistente.
— E então, Leonardo, como está o trabalho? — Eduardo perguntou, tentando aliviar o silêncio constrangedor.
— Ocupado, como sempre. — Respondeu Leonardo, sem muito entusiasmo.
Sofia olhou para ele, tentando puxar assunto.
— Talvez pudéssemos tirar um tempo para nós antes do casamento. Uma viagem rápida, só para relaxar.
Leonardo sorriu, mas foi um sorriso vazio.
— Podemos ver isso depois que os projetos na empresa estiverem sob controle.
A resposta foi automática, como se ele estivesse mais preocupado em encerrar a conversa do que em considerar a ideia. Sofia abaixou o olhar para o prato, escondendo a decepção que sentia.
Naquela noite, em seu quarto, Sofia olhou para o anel de noivado em seu dedo. Ela se sentia sufocada. O casamento estava cada vez mais próximo, mas a conexão entre ela e Leonardo parecia desaparecer mais a cada dia.
"Por que continuo com isso?" Pensou, tirando o anel do dedo e observando-o contra a luz do abajur.
Rose havia lhe perguntado, em Paris, se ela ficaria ao lado dela para sempre. E embora Sofia quisesse desesperadamente dizer que sim, sabia que era uma promessa que não poderia cumprir.
Mas, e agora? O casamento parecia mais uma obrigação do que uma escolha. A pressão de seus pais, Eduardo e Amélia, era esmagadora. Eles dependiam desse casamento para salvar a família da ruína financeira.
"Eu não tenho escolha." Ela repetiu para si mesma, colocando o anel de volta no dedo, como se fosse um lembrete de suas responsabilidades.
No dia seguinte, Sofia estava na sala da mansão, ajustando detalhes do convite de casamento com sua mãe. Amélia parecia incansável, correndo entre telefonemas e reuniões com fornecedores.
— Você precisa ir à última prova do vestido esta semana. — Disse Amélia, enquanto anotava algo em sua agenda.
Sofia suspirou, massageando as têmporas.
— Mãe, podemos deixar isso para a próxima semana?
Amélia parou e olhou para ela, franzindo o cenho.
— Sofia, estamos a poucas semanas do casamento. Não podemos adiar nada.
— Tudo parece tão... exagerado. — Sofia murmurou, mais para si mesma do que para a mãe.
Eduardo entrou na sala naquele momento, segurando uma pasta de documentos.
— Exagerado? — Ele repetiu, colocando a pasta na mesa. — Sofia, você sabe o quanto este casamento é importante, não sabe?
— Sim, pai, eu sei. — Disse Sofia, tentando manter a calma.
Amélia cruzou os braços, observando a filha com atenção.
— Então por que parece tão desanimada?
Sofia hesitou, buscando as palavras certas.
— Eu só... não sei se estamos fazendo isso pelos motivos certos.
O rosto de Amélia endureceu imediatamente.
— Que tipo de pensamento é esse, Sofia? Claro que estamos fazendo isso pelos motivos certos. Leonardo é um homem incrível, e esse casamento vai unir duas famílias poderosas.
— E nos salvar da ruína, não é? — Sofia rebateu, sem pensar.
Eduardo estreitou os olhos para ela, mas não respondeu. Amélia, por outro lado, parecia chocada.
— Sofia, você sabe a situação da nossa família. Este casamento não é apenas uma união de negócios; é uma chance para você garantir um futuro estável.
Sofia bufou, cruzando os braços.
— Um futuro estável para quem, mãe? Para mim ou para vocês?
O silêncio que se seguiu foi ensurdecedor. Eduardo trocou um olhar com Amélia, que parecia prestes a responder, mas foi interrompida pela própria Sofia.
— Esquece. Vamos terminar os convites. — Disse ela, desistindo da discussão.
Nos dias seguintes, Sofia mergulhou nos preparativos do casamento, mas a dúvida continuava crescendo dentro dela. Cada interação com Leonardo, cada reunião com os pais, parecia apenas reforçar a sensação de que estava seguindo um caminho que não escolheu.
E embora ela soubesse que o tempo estava se esgotando, ainda não tinha coragem de fazer algo a respeito.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 65
Comments
Valdercina Rodrigues
Até agora não entendi a Sofia gosta de mulher ou de homem,
2025-01-04
2
Izabel Brandão Mendes
o ser humano realmente é o pior animal a mulher está apaixonada pela outra e continua insistindo em um casamento fadado ao fracasso /Silent//Silent/
2025-01-11
1
Luzia Ribeiro
o pior é o cara namorar ela por três anos e não perceber que ela gosta de mulher esse cara é um tapado
2025-01-25
0