Leonardo sentava-se na ponta da longa mesa de mogno, em um dos luxuosos escritórios da sede da construtora Arezzo & Filhos. O relógio na parede marcava quase dez da noite, e o ar no ambiente era denso, carregado de tensão. Arlindo Arezzo, seu pai e fundador da construtora, estava encostado no canto da sala, esfregando as têmporas enquanto analisava uma pilha de documentos.
— Isso é inaceitável, Leonardo! — Arlindo exclamou, jogando uma pasta sobre a mesa. — Anos de trabalho, de suor, para sermos traídos assim por alguém em quem confiamos!
Leonardo mantinha uma expressão séria, mas seu olhar era frio, calculista. Ele tinha passado as últimas horas cruzando números, rastreando transações e montando o quebra-cabeça que confirmava o que ele temia: um dos dois sócios da construtora estava desviando dinheiro há meses.
— As evidências são claras, pai. É o Roberto. As transferências coincidem exatamente com os projetos que ele gerenciava. Ele criou contratos falsos para empresas inexistentes e desviou milhões para contas offshore.
Arlindo bufou, andando de um lado para o outro na sala.
— Eu sempre desconfiei da ambição do Roberto, mas nunca pensei que ele fosse capaz disso. E o Marcelo? Ele está envolvido?
— Não parece, pelo menos não diretamente. — Leonardo respondeu, passando as mãos pelo cabelo. — Mas precisamos ter cuidado. Se isso vazar para a imprensa antes que tomemos uma atitude, será um escândalo. O nome da Arezzo será arrastado na lama, e nossos acionistas vão nos abandonar.
Arlindo parou e olhou fixamente para o filho.
— O que sugere, então?
Leonardo se levantou e caminhou até o enorme painel de vidro que dava vista para a cidade iluminada. Respirou fundo antes de responder.
— Primeiro, precisamos suspender todos os projetos sob supervisão do Roberto. Isso nos dá tempo para minimizar os danos e impedir novos desvios. Depois, confrontamos ele com as provas que temos. Se ele colaborar e devolver o dinheiro, podemos evitar levar isso à justiça e à mídia.
— E se ele não colaborar? — Arlindo perguntou, cruzando os braços.
Leonardo virou-se, o rosto implacável.
— Então não teremos escolha. Vamos denunciá-lo. Mas antes disso, precisamos proteger a empresa. Tenho um contato em um escritório de advocacia que pode nos ajudar a reestruturar os contratos e blindar os nossos ativos.
Arlindo suspirou pesadamente, sentando-se na cadeira de couro.
— Não posso acreditar que chegamos a esse ponto. A Arezzo sempre foi um símbolo de integridade.
— E continuará sendo, pai. — Leonardo disse, com determinação. — Nós vamos superar isso.
O silêncio pairou por um momento, enquanto os dois homens absorviam a gravidade da situação. Arlindo pegou um copo de uísque que estava na mesa e o girou entre os dedos.
— E quanto a Marcelo? Ele precisa saber disso.
Leonardo hesitou antes de responder.
— Vamos incluí-lo amanhã. Mas não antes de termos tudo pronto. Se ele não está envolvido, não queremos dar a ele motivos para se sentir traído por desconfianças precipitadas.
Arlindo assentiu lentamente, e então, com um suspiro, levantou o copo.
— À Arezzo. Que esse seja apenas mais um obstáculo no caminho.
Leonardo ergueu seu próprio copo.
— À Arezzo.
Os dois brindaram em silêncio, mas Leonardo sabia que aquilo era apenas o começo. O confronto com Roberto seria delicado, e qualquer erro poderia custar não só a reputação da empresa, mas também a estabilidade financeira da família.
Depois da reunião, enquanto Leonardo dirigia de volta para casa, uma mensagem no celular chamou sua atenção. Era de um amigo próximo, convidando-o para sair naquela noite.
“Boate Kiss hoje. Você precisa relaxar um pouco.”
Ele hesitou por um momento. Sabia que a situação na construtora exigia toda sua atenção, mas também precisava de uma pausa, algo para aliviar a mente. Finalmente, respondeu:
“Estarei lá.”
Leonardo sabia que não era apenas um momento de diversão que buscava. Era uma forma de se preparar para o que vinha a seguir: enfrentar Roberto, proteger a Arezzo e, se necessário, reconstruir tudo do zero.
No caminho para casa, o som das notificações chamando atenção no painel do carro fez Leonardo desviar o olhar da estrada por um instante. Ele conectou o celular ao sistema do veículo e percebeu que tinha várias chamadas perdidas de sua namorada, Sofia. O nome dela piscava repetidamente na tela, acompanhado de mensagens cheias de pontos de exclamação.
Com um suspiro pesado, ele parou o carro em um acostamento e discou o número dela. Não demorou muito para que Sofia atendesse, mas sua voz do outro lado da linha não era a usualmente doce.
— Finalmente resolveu dar sinal de vida, Leonardo? O que você estava fazendo? Esqueceu que existo?
Leonardo esfregou a têmpora com uma mão enquanto segurava o celular com a outra.
— Sofia, eu estava em uma reunião importante com meu pai. Descobrimos um problema grave na empresa, e meu celular ficou desligado o dia todo.
— Ah, claro! — Ela respondeu, com sarcasmo. — Sempre a empresa, sempre o trabalho. E eu? Onde eu fico nisso tudo?
— Você sabe que não é assim, Sofia. Eu já expliquei como minha vida é exigente.
— Exigente demais para sequer me mandar uma mensagem? Nem que fosse só para dizer que estava vivo? — A voz dela subiu um tom, transbordando frustração.
Leonardo bufou, tentando manter a paciência.
— Eu não tinha como! Não posso largar tudo para atender o telefone no meio de uma crise.
Do outro lado da linha, o silêncio foi breve, mas cheio de tensão. Então, Sofia disse, com firmeza:
— Sabe de uma coisa, Leonardo? Eu cansei. Cansei de ser a última prioridade na sua vida. Se é assim que vai ser, melhor terminarmos de vez.
Aquelas palavras atingiram Leonardo como um soco. Ele tentou argumentar, mas Sofia não deu espaço.
— Não adianta, Leonardo. Não estou disposta a continuar desse jeito. Boa sorte com sua empresa. Adeus.
A ligação foi encerrada abruptamente, deixando Leonardo estático por alguns segundos. Ele apertou o volante com força, os dentes trincados enquanto sentia a raiva e o orgulho ferido tomarem conta.
— Ótimo. Só o que me faltava. — Murmurou para si mesmo.
Em vez de seguir para casa, ele desviou o caminho e decidiu ir direto para a boate. Sua cabeça estava a mil, e ele sabia que não conseguiria relaxar sozinho. Precisava de distração, de algo que tirasse aquele gosto amargo da discussão.
Chegando à Boate Kiss, Leonardo passou direto pela entrada, cumprimentando rapidamente o segurança que já o conhecia. O lugar estava lotado, a música alta reverberava nas paredes, e as luzes coloridas criavam um ambiente vibrante e intenso.
Seu amigo Gustavo o avistou do outro lado do salão e acenou. Leonardo se aproximou, recebendo um abraço amigável.
— Cara, finalmente apareceu! Achei que fosse dar para trás.
Leonardo forçou um sorriso, escondendo a fúria e a mágoa que o consumiam.
— Tinha muita coisa acontecendo hoje, mas estou aqui agora.
Sem dar detalhes, ele pediu um uísque duplo no bar. E depois mais um. E mais um. O álcool desceu quente, mas era exatamente o que ele precisava para amortecer os pensamentos. Gustavo tentou puxar conversa, mas Leonardo se manteve evasivo, sem querer compartilhar o ocorrido com Sofia.
Em determinado momento, já sentindo o álcool percorrendo suas veias, Leonardo se afastou do grupo e caminhou até o parapeito que dava vista para a pista de dança. Ele apoiou os braços na grade, segurando um copo de bebida, e deixou o olhar vagar pela multidão.
Foi então que seus olhos se fixaram em uma mulher.
Ela estava dançando no meio da pista, com movimentos fluidos e envolventes, a música parecendo ser uma extensão dela mesma. Seu cabelo brilhava sob as luzes, e algo em sua presença o cativou de imediato. Leonardo não piscava, incapaz de desviar o olhar.
Havia algo vagamente familiar naquela mulher, mas ele não conseguia identificar o quê. Ele permaneceu ali, imóvel, o olhar firme e intrigado, enquanto o som da música e a energia da boate desapareciam ao seu redor.
Era como se, por um instante, todo o restante não importasse.
Leonardo desceu os degraus que o separavam da pista de dança com passos firmes, apesar do efeito do álcool em seu corpo. Ele não tirava os olhos da mulher que havia capturado sua atenção, como se fosse guiado por uma força irresistível.
Clara, por sua vez, continuava dançando, agora mais entregue à música do que nunca. O calor da boate, a energia ao seu redor, e a leveza proporcionada pelas bebidas a faziam esquecer de tudo. Quando ela o percebeu se aproximando, seus olhares se cruzaram, e um arrepio percorreu sua espinha.
Sem dizer uma palavra, Leonardo parou à sua frente e a acompanhou na dança. Seus movimentos eram naturais, como se tivessem ensaiado aquilo antes. Clara sorriu, um sorriso despreocupado e levemente desafiador, enquanto ele se inclinava para dizer algo ao ouvido dela, a música abafando sua voz.
— Você dança bem.
— E você observa bem — ela respondeu, de forma provocativa, inclinando a cabeça para ele.
A proximidade entre os dois era eletrizante. Clara sentia o perfume dele misturado ao cheiro do álcool e da noite. Leonardo, por sua vez, estava hipnotizado pelo sorriso e pela energia contagiante dela.
— Você vem sempre aqui? — Ele perguntou, tentando manter a conversa casual.
Clara riu, uma risada leve que foi quase perdida no som da música.
— Hoje é a primeira vez. E você?
Leonardo hesitou, mas deu de ombros, o álcool em seu sistema tornando suas respostas despreocupadas.
— Talvez seja a última, ou talvez não.
Eles continuaram a dançar, os corpos próximos demais para ser casual. Quando Clara tropeçou levemente, Leonardo a segurou pela cintura, e seus olhos se encontraram novamente, cheios de algo mais profundo do que simples atração.
— Vamos sair daqui? — Ele sugeriu, a voz rouca e os olhos ardentes.
Clara o olhou, considerando por um breve momento. Sua mente estava enevoada pela bebida, mas, ao mesmo tempo, uma parte dela gritava que essa era a noite de esquecer tudo.
— Vamos.
Eles saíram da boate de forma apressada, ignorando os olhares curiosos ao redor. Clara sentiu o ar fresco da noite tocar sua pele quente, mas não teve tempo para refletir sobre nada. Leonardo chamou um táxi, e eles entraram, trocando olhares e sorrisos discretos durante o trajeto.
O destino? Um motel discreto e próximo.
Assim que chegaram, os dois mal tiveram paciência para atravessar a recepção. No quarto, as luzes suaves e o silêncio do lugar criaram o cenário perfeito para o desejo que já não conseguiam conter.
Leonardo segurou o rosto de Clara com ambas as mãos, seus lábios se encontrando em um beijo intenso e cheio de urgência. Eles se livraram das roupas enquanto avançavam pelo espaço, os corpos se explorando com fervor.
Foi uma noite que ambos viveram intensamente, sem hesitações ou arrependimentos, como se o amanhã não existisse.
Depois do envolvimento apaixonado, a exaustão tomou conta. Clara adormeceu primeiro, sua respiração calma indicando um sono profundo. Leonardo ficou acordado por mais alguns instantes, observando-a ao seu lado. Algo nela parecia estranhamente familiar, mas ele não conseguiu identificar o que era.
Pouco depois, ele também sucumbiu ao sono, enquanto a noite escondia o que o destino ainda reservava para os dois.
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Atualizado até capítulo 65
Comments
Luisa Nascimento
Eita porra é o pai de Clara!😨
2025-02-12
0
Doraci Bahr
não acredito que o Roberto é o pai dela
2025-01-31
1
Cristiane Paes Fagundes
o pai da Clara?
2025-01-16
1