O amanhecer trouxe uma luz suave à casa de Clara, mas não aliviou o peso das emoções do dia anterior. Clara ainda estava no quarto, deitada na cama, com Elisa ao seu lado. A amiga havia insistido em ficar com ela depois da intensa discussão com Cleonice, temendo que Clara pudesse precisar de apoio durante a noite.
Mesmo assim, Clara não havia dormido muito. Passou boa parte da madrugada acordada, os pensamentos a torturando. A gravidez, a reação explosiva de sua mãe, o futuro incerto – tudo parecia esmagá-la.
— Você deveria comer alguma coisa. — Elisa disse suavemente, sentada ao lado da cama.
Clara balançou a cabeça, com os olhos fixos no teto.
— Não consigo, Elisa. Não agora.
Elisa suspirou, mas não insistiu. Sabia que Clara precisava de tempo, mas também sabia que, eventualmente, ela teria que enfrentar tudo.
Poucos minutos depois, uma batida leve soou na porta.
— Clara? Posso entrar? — Era a voz de Roberto.
Elisa olhou para Clara, que hesitou por um momento antes de murmurar:
— Pode entrar, pai.
Roberto abriu a porta lentamente e entrou no quarto, fechando-a atrás de si. Ele estava com uma expressão séria, mas seus olhos carregavam algo mais profundo: tristeza e preocupação.
— Elisa, você pode nos dar um momento? — Ele pediu educadamente.
Elisa assentiu, levantando-se.
— Estarei lá embaixo se precisar de mim, Clara.
Quando Elisa saiu, Roberto se aproximou da cama e sentou-se na beirada. Por alguns instantes, o silêncio tomou conta do quarto, até que ele respirou fundo e começou a falar.
— Clara, ontem à noite foi muito difícil para todos nós. — Ele começou, com a voz baixa e controlada. — Mas eu queria que você soubesse que... estou aqui para você.
Clara virou o rosto para ele, seus olhos já cheios de lágrimas.
— Pai, me desculpa...
Roberto balançou a cabeça, interrompendo-a suavemente.
— Não há o que desculpar, filha. Você não fez nada errado.
Ela sentou-se lentamente, abraçando os joelhos.
— Eu estraguei tudo...
— Não. — Roberto respondeu com firmeza. — Você cometeu um erro, mas isso não define quem você é. E muito menos o que você pode fazer daqui para frente.
Clara começou a chorar novamente, cobrindo o rosto com as mãos. Roberto se inclinou para frente, colocando uma mão reconfortante no ombro dela.
— Clara, eu sempre achei que, quando esse momento chegasse, seria diferente. — Ele admitiu, sua voz falhando levemente. — Achei que seria com alguém que te amasse, alguém que você confiasse. Não assim, bêbada, vulnerável...
Clara tirou as mãos do rosto e olhou para ele, surpresa pela sinceridade de suas palavras.
— Eu nunca quis que fosse assim, pai. Eu nem lembro de tudo...
— Eu sei, filha. — Ele disse, com tristeza. — É por isso que dói tanto. Porque eu sei que você merecia mais.
As lágrimas de Clara caíram com mais intensidade, e Roberto a puxou para um abraço apertado.
— Mas isso não significa que você não possa ter um futuro brilhante. — Ele continuou, a voz embargada. — Se você e essa criança precisarem de mim, farei o possível e o impossível para que fiquem bem.
Clara soluçou contra o ombro dele, sentindo um alívio misturado com culpa.
— Eu não sei se consigo fazer isso, pai. Eu tenho tanto medo...
— Você consegue. — Roberto disse, afastando-se apenas o suficiente para olhar nos olhos dela. — Você é minha filha. Eu sei o quão forte você é.
Ela tentou sorrir, mas era difícil.
— E a mamãe? Ela me odeia...
Roberto balançou a cabeça.
— Ela não te odeia, Clara. Ela está com raiva, está frustrada, mas isso vai passar. Ela te ama mais do que tudo, mesmo que não saiba demonstrar agora.
Clara respirou fundo, tentando absorver as palavras dele.
— Pai, obrigada... por estar aqui.
Roberto sorriu levemente, acariciando o cabelo dela.
— Sempre estarei. E agora, você precisa pensar no que fazer. Seja lá qual for sua decisão, eu estarei do seu lado.
Clara assentiu, sentindo uma pequena onda de esperança em meio à tempestade que enfrentava. O apoio incondicional de seu pai era exatamente o que ela precisava naquele momento.
Quando Roberto saiu do quarto, Clara permaneceu sentada por um tempo, processando a conversa. Apesar do medo e da incerteza, sentia-se um pouco menos sozinha.
Depois de conversar com Clara, Roberto desceu as escadas lentamente, sentindo o peso da situação. Ele sabia que precisava fazer algo para que a família se unisse nesse momento tão delicado. Ao chegar à cozinha, encontrou Cleonice ocupada preparando o café da manhã. O aroma de pão fresco e café preenchia o ar, mas não conseguia mascarar o clima pesado na casa.
Cleonice olhou para o marido por cima do ombro, percebendo sua expressão preocupada.
— Já terminou de falar com ela? — Perguntou com um tom levemente cortante.
Roberto suspirou, sentando-se à mesa.
— Sim. Tentei acalmá-la.
Cleonice continuou mexendo uma panela no fogão, mas seu silêncio era carregado de tensão.
— E? O que ela disse?
— Disse que está com medo, Cleo. E que não sabe como lidar com isso.
Cleonice largou a colher na pia com força, virando-se para ele.
— E como acha que nós devemos lidar com isso, Roberto? Nossa filha aparece grávida, sem nem saber quem é o pai direito, e quer que eu fique calma?
Roberto franziu o cenho, mantendo a voz controlada.
— Cleonice, você acha que ela planejou isso? Acha que ela queria estar nessa situação?
— Não sei o que ela queria! — Cleonice retrucou, cruzando os braços. — Mas o que aconteceu foi irresponsável. Ela colocou a vida dela de cabeça para baixo, e agora espera que a gente resolva tudo?
Roberto levantou-se, apoiando as mãos na mesa.
— Ela não está pedindo que resolvamos nada, Cleo. Ela só precisa de apoio, da nossa compreensão.
Cleonice riu amargamente, sua voz subindo.
— Compreensão? Você acha que estou sendo injusta? Que não estou preocupada com ela? É claro que estou! Mas isso não muda o fato de que ela cometeu um erro grave!
— Todos cometem erros, Cleo! — Roberto respondeu, sua voz também se elevando. — Você nunca errou? E se fosse você no lugar dela, como gostaria de ser tratada?
Cleonice ficou em silêncio por alguns segundos, mas sua expressão ainda era dura.
— Roberto, ela destruiu as chances de ter uma vida normal. Como ela vai criar essa criança? Como vai encarar a sociedade?
— Ela vai criar essa criança com a nossa ajuda, Cleonice! — Roberto respondeu firmemente. — Porque é isso que pais fazem.
Cleonice apertou os lábios, a frustração ainda evidente em seu rosto.
— Você fala como se fosse fácil...
Roberto suavizou o tom, aproximando-se dela.
— Eu sei que não é fácil, Cleo. Mas piorar as coisas com acusações e críticas não vai ajudar. Clara já está sufocada de culpa e medo. Ela precisa da gente agora mais do que nunca.
Cleonice desviou o olhar, os olhos começando a marejar.
— Eu só... Eu só queria que ela tivesse uma vida melhor do que a minha, Roberto. Que não cometesse os mesmos erros.
— E ela pode ter, Cleo. Mas isso só vai acontecer se estivermos ao lado dela. Se mostrarmos que ela não está sozinha.
Cleonice respirou fundo, finalmente deixando algumas lágrimas escaparem.
— Eu não sei se consigo, Roberto.
Ele segurou as mãos dela, olhando diretamente em seus olhos.
— Consegue, Cleo. Porque você é a mãe dela. E porque, no fundo, você a ama mais do que qualquer coisa.
Cleonice ficou em silêncio por alguns momentos, deixando as palavras do marido ecoarem em sua mente. Finalmente, ela assentiu lentamente, embora ainda relutante.
— Eu vou tentar, Roberto. Mas... não sei se vou conseguir mudar tudo de uma hora para outra.
— Ninguém está pedindo isso. — Roberto disse, apertando as mãos dela com suavidade. — Só precisamos dar um passo de cada vez, como família.
Cleonice enxugou as lágrimas rapidamente, tentando recuperar a compostura.
— Vou terminar o café. Pode levar para ela mais tarde, se quiser.
Roberto sorriu levemente, sentindo que havia dado o primeiro passo para restaurar a harmonia na casa.
— Obrigado, Cleo.
Enquanto ela voltava a preparar a comida, Roberto ficou observando-a por alguns segundos. Ele sabia que o caminho seria longo, mas estava determinado a unir a família novamente.
Depois de uma conversa intensa com Cleonice, Roberto observou a esposa terminar de preparar o café. Ele pegou a bandeja com cuidado, que tinha torradas, frutas e uma xícara de café com leite, e subiu as escadas até o quarto de Clara. Ele sabia que sua filha precisava de um incentivo para começar o dia e, acima de tudo, de um motivo para sair daquele quarto.
Bateu levemente na porta antes de entrar. Clara estava sentada na cama, com as pernas cruzadas e os olhos inchados de tanto chorar. Elisa estava ao lado dela, segurando a mão da amiga, como havia feito durante toda a manhã.
— Trouxe café para você. — Roberto disse, entrando com um sorriso encorajador. — Achei que precisava de algo para te dar energia.
Clara olhou para ele e tentou sorrir, mas sua expressão ainda estava carregada de tristeza.
— Obrigada, pai.
Roberto colocou a bandeja na mesinha ao lado da cama e sentou-se na beira dela. Ele observou a filha por um momento, como se tentasse encontrar as palavras certas para dizer.
— Clara, sei que ainda está tudo muito difícil, mas você precisa sair desse quarto.
Clara balançou a cabeça, olhando para o chão.
— Eu não consigo, pai. Cada vez que penso na mamãe... eu sinto que ela me odeia.
Elisa interveio, apertando a mão da amiga.
— Clara, você precisa enfrentar isso. Não pode se esconder para sempre.
— Elas estão certas. — Disse Roberto, com um tom suave mas firme. — A Cíntia está lá embaixo e deu para ver nos olhos dela que quer te apoiar. E sua mãe... bem, ela ainda está processando tudo isso, mas com o tempo, ela vai entender.
Clara suspirou profundamente, como se estivesse reunindo coragem. Finalmente, assentiu.
— Tudo bem, eu vou.
Elisa ajudou Clara a se levantar e a incentivou a se arrumar rapidamente. Logo, as três desceram juntas.
Na Sala: Tensão e Desentendimentos
Cíntia estava sentada no sofá, mexendo no celular, mas assim que viu Clara descer as escadas, largou o aparelho e lançou um olhar caloroso para a irmã.
— Que bom te ver fora do quarto. — Disse Cíntia, abrindo um sorriso.
Clara respondeu com um sorriso tímido, mas sentiu-se um pouco mais acolhida. No entanto, a atmosfera logo mudou quando Cleonice apareceu na sala, carregando uma toalha. Assim que seus olhos encontraram Clara, seu rosto endureceu.
Roberto percebeu a tensão no ar e decidiu intervir.
— Cleo, por que não aproveita para conversar com a Clara?
Cleonice bufou, cruzando os braços.
— Conversar? O que mais temos para conversar?
Clara deu um passo à frente, tentando mostrar arrependimento.
— Mãe, eu só quero...
— Só quer o quê, Clara? — Cleonice a interrompeu, a voz carregada de irritação. — Quer me convencer de que isso não é sua culpa? Que você não teve responsabilidade nenhuma?
— Cleonice! — Roberto exclamou, tentando conter a esposa.
Clara sentiu as lágrimas começarem a escorrer pelo rosto novamente.
— Eu não planejei isso, mãe! Por favor, acredite em mim.
— Planejou ou não, você colocou a si mesma nessa situação! — Cleonice respondeu, levantando a voz.
— Isso já é demais. — Disse Elisa, posicionando-se entre Clara e Cleonice. — A senhora está sendo muito dura com a Clara. Ela já está devastada, e continuar atacando ela assim só vai piorar as coisas.
Cleonice voltou-se para Elisa com um olhar irritado.
— Isso não é da sua conta, Elisa. Você pode ser amiga da minha filha, mas não tem o direito de se meter na nossa família.
— Tenho o direito de proteger minha amiga. — Elisa respondeu com firmeza, encarando Cleonice. — E a senhora precisa entender que isso pode ter consequências graves. Clara já está sofrendo. Se continuar desse jeito, pode acabar afastando ela de vocês.
Cleonice ficou vermelha de raiva e apontou para a porta.
— Se você acha que sabe tanto assim, Elisa, então por favor, vá embora!
Elisa ficou em silêncio por um momento, mas então se virou para Clara e segurou suas mãos.
— Clara, eu vou embora agora porque não quero piorar as coisas, mas eu volto. Sempre que precisar, me chama.
Clara assentiu, com lágrimas escorrendo pelo rosto.
— Obrigada, Elisa.
Elisa lançou um último olhar sério para Cleonice antes de sair pela porta, deixando Roberto, Cleonice, Cíntia e Clara na sala.
Roberto virou-se para Cleonice, agora visivelmente irritado.
— Isso foi desnecessário, Cleo. Você está afastando todo mundo que quer ajudar a Clara.
— Eu só quero o melhor para ela, Roberto! — Cleonice retrucou. — Mas isso não significa que eu precise aceitar tudo com um sorriso no rosto.
— Isso significa que você precisa ser mãe. — Roberto respondeu firmemente.
Cleonice ficou em silêncio, olhando para Clara, que estava encolhida no sofá, chorando.
Cíntia sentou-se ao lado da irmã e abraçou-a.
— Clara, você não precisa carregar tudo isso sozinha.
Clara olhou para a mãe, ainda chorando, e murmurou:
— Mãe, me perdoa. Eu nunca quis decepcionar vocês.
Cleonice respirou fundo, finalmente sentando-se na poltrona. Seu rosto suavizou-se levemente, embora ainda carregasse um pouco de dureza.
— Eu só... não sei como lidar com isso, Clara. Mas não quero te odiar.
Roberto colocou a mão no ombro de Cleonice, incentivando-a a continuar.
— Vamos enfrentar isso juntos, como família.
Embora a reconciliação não estivesse completa, um pequeno passo havia sido dado. A sala ficou em silêncio enquanto cada um processava suas emoções, mas havia uma sensação de que, talvez, as coisas pudessem começar a melhorar.
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Atualizado até capítulo 65
Comments
Meire
Ela foi mulher pra ir cama com desconhecido bêbada, agora aguente as consequências.
A responsabilidade é dos dois, mais tarde ela vai colher o fel da escolha que está fazendo agora!
Quando filho começar a perguntar quem é o pai dele ou mesmo quando o Leonardo descobrir, pq vai, e trata-lá pior do que a mãe dela está fazendo agora!
2025-03-30
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Daisy Conceicao
aff! a Clara não faz outra coisa a não ser chorar,não tem atitude, se faz de coitada o tempo todo. tá ficando muito chata essa história aff! se acorda menina! dá a volta por com e para de se fazer de coitada
2025-01-10
3
Christy
Gente, eu estou achando essa história boa, mas confusa. O pai de Clara é o sócio do Leonardo? E se for, esse povo nunca se cruzou em lugar nenhum?
Estou lendo mais para tentar entender... rsrsrsrs
2025-01-20
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