Jantar de noivado

Os dias que se seguiram à descoberta dos desvios foram intensos na construtora Arezzo & Filhos. Leonardo, com o apoio de seu pai, Arlindo, e de uma equipe de advogados especializados, dedicou-se completamente a reunir todas as provas necessárias contra Roberto, o sócio que traía a empresa e desviava milhões para suas contas pessoais. Agora, era o momento decisivo: confrontar Roberto e removê-lo da sociedade.

Na manhã de sexta-feira, a sala de reuniões da empresa estava preparada para o embate. Leonardo entrou com passos firmes, carregando uma pasta volumosa cheia de documentos. Ao seu lado, estavam os advogados liderados por Raul Menezes, um dos especialistas em direito corporativo mais renomados do país. Arlindo estava sentado à cabeceira da mesa, com uma expressão dura, e Marcelo, o outro sócio da empresa, observava tudo atentamente, visivelmente tenso.

Pouco depois, Roberto entrou, seu semblante carregando a habitual arrogância. Ele cumprimentou os presentes com um sorriso falso e sentou-se, cruzando as pernas e os braços com um ar de superioridade.

— Alguém pode me explicar por que essa reunião foi convocada com tanta urgência? — Ele perguntou, a voz carregada de sarcasmo.

Leonardo, que estava em pé ao lado da mesa, não perdeu tempo.

— Roberto, sabemos de tudo. — Disse, colocando a pasta sobre a mesa com firmeza.

Roberto arqueou as sobrancelhas, mas manteve o tom descontraído.

— Tudo? Tudo o quê, exatamente?

Leonardo abriu a pasta e começou a distribuir documentos para os presentes.

— Sabemos que você desviou dinheiro da empresa durante os últimos dois anos. Usou contratos falsos para justificar os pagamentos e enviou os fundos para contas offshore registradas em seu nome.

Roberto deu uma risada curta, claramente desconfortável, mas tentando esconder isso.

— Isso é ridículo. Essas acusações não têm fundamento.

Leonardo manteve o olhar fixo nele, os olhos frios como gelo.

— Nós temos todas as provas, Roberto. Cada transação, cada contrato fictício, cada pagamento. Tudo leva diretamente a você.

Marcelo, que estava folheando os documentos, olhou para Roberto com incredulidade.

— Eu não queria acreditar quando me disseram. Roberto, como você pôde? Nós confiamos em você!

— Eu não fiz nada disso! — Roberto exclamou, levantando-se abruptamente. — Isso é um golpe! Uma tentativa de me tirar da empresa!

Raul Menezes, o advogado-chefe, interveio calmamente, mas com firmeza.

— Senhor Roberto, as evidências falam por si. Temos registros bancários, notas fiscais falsas e até mesmo e-mails que você enviou autorizando os pagamentos para essas contas.

Ele empurrou um dossiê grosso na direção de Roberto.

— Tudo está aqui. E, se necessário, isso será levado à justiça.

Roberto folheou os documentos rapidamente, sua expressão mudando de arrogância para pânico.

— Vocês não podem fazer isso comigo! — Ele gritou, virando-se para Arlindo. — Arlindo, nós somos sócios há anos! Como pode acreditar em algo assim?

Arlindo levantou-se, apoiando as mãos na mesa. Sua voz, normalmente calma, agora era carregada de decepção.

— Eu acreditava em você, Roberto. Mas as provas são incontestáveis. Você traiu não apenas a mim, mas também nossa empresa, nossos funcionários e nossos clientes.

— Isso é uma conspiração! — Roberto insistiu, gesticulando descontroladamente.

Leonardo deu um passo à frente, a voz firme.

— Conspiração? O que você chama disso? — Ele apontou para um dos documentos. — Essa transferência aqui? Três milhões enviados para uma conta em um paraíso fiscal. Isso foi você, Roberto. E temos a assinatura digital para provar.

O silêncio caiu na sala enquanto Roberto tentava desesperadamente pensar em uma defesa.

Raul Menezes quebrou o silêncio.

— Senhor Roberto, temos duas opções para apresentar. A primeira: você se retira voluntariamente da sociedade, devolve o dinheiro desviado e assinamos um acordo de confidencialidade para proteger a imagem da empresa.

— E a segunda? — Roberto perguntou, com a voz tremendo.

— A segunda — Raul continuou, a voz firme — é levarmos isso à justiça. Isso significaria um processo penal por fraude e desvio de fundos, além de uma exposição pública que destruiria não apenas sua carreira, mas também sua reputação.

Roberto ficou em silêncio por alguns instantes, olhando ao redor da sala. Ele sabia que estava encurralado.

— Vocês querem me expulsar da empresa que eu ajudei a construir? — Ele murmurou.

— Você fez isso sozinho, Roberto. — Disse Marcelo, balançando a cabeça.

Arlindo interveio novamente, a voz agora mais controlada.

— Roberto, a decisão é sua. Mas quero deixar algo claro: não vou permitir que você destrua o legado da Arezzo & Filhos.

Depois de alguns minutos de silêncio pesado, Roberto finalmente desabou na cadeira, derrotado.

— Tudo bem. — Ele disse com a voz baixa. — Eu aceito o acordo.

Raul Menezes entregou os papéis necessários, e Roberto assinou com mãos trêmulas. A reunião terminou, e Roberto saiu da sala sem olhar para trás.

Leonardo se sentou, finalmente relaxando após dias de tensão. Arlindo olhou para ele com um misto de orgulho e cansaço.

— Você fez um trabalho impecável, filho.

— Não foi só meu esforço, pai. Raul e a equipe foram fundamentais.

Marcelo assentiu, ainda parecendo abalado.

— Eu nunca imaginei que Roberto fosse capaz de algo assim. Mas estou feliz que resolvemos isso antes que fosse tarde demais.

Leonardo respirou fundo, olhando pela janela da sala de reuniões. O problema estava resolvido, mas as cicatrizes da traição permaneceriam.

— Agora, temos que reconstruir. E tenho que admitir que foi desgastante.

Arlindo assentiu, olhando para o filho com o semblante mais relaxado.

— Esse tipo de situação sempre é, mas você lidou bem. Roberto fez as escolhas dele, e nós protegemos a empresa.

Leonardo respirou fundo, sabendo que a conversa prática havia terminado, mas que outra questão aguardava sua atenção. Ele olhou para o pai, hesitando por um momento antes de falar.

— Pai, sobre o jantar de hoje à noite...

Arlindo ergueu uma sobrancelha, inclinando-se levemente para frente.

— O jantar de noivado com a Sofia?

Leonardo assentiu lentamente.

— Sim. Eu só queria lembrar você. Sei que você não é o maior fã dela, mas seria importante que você comparecesse.

Arlindo riu baixinho, ajustando os óculos enquanto olhava para o filho.

— Leonardo, eu não tenho nada contra a Sofia. Ela é uma garota educada, bonita e de boa família. Mas, para ser bem sincero, acho que ela é muito mimada e infantil.

Leonardo desviou o olhar, sentindo um peso no estômago.

— Ela pode ser um pouco... exigente às vezes, mas o relacionamento dela comigo é estável. — Ele disse, como se estivesse tentando convencer a si mesmo. — São três anos juntos. Não é pouca coisa.

— Três anos não significam que será um casamento feliz. — Arlindo rebateu com calma, mas seu tom era firme.

Leonardo passou as mãos pelo rosto, como se tentasse afastar as dúvidas que começavam a surgir.

— Pai, temos um relacionamento duradouro. Ela me conhece, sabe como é minha vida, entende as exigências da empresa. Acho que temos o que é necessário para dar certo.

Arlindo observou o filho em silêncio por alguns instantes antes de fazer a pergunta que realmente o preocupava.

— Mas você a ama, Leonardo?

Leonardo congelou. A pergunta parecia simples, mas ecoava em sua mente como uma dúvida que ele não queria enfrentar. Ele tentou responder, mas as palavras não vieram.

Arlindo percebeu o silêncio do filho e suspirou profundamente.

— Eu imaginei que essa seria sua resposta.

— Não é isso. — Leonardo finalmente disse, mas sua voz estava hesitante. — Eu... Sofia é importante para mim. Nós estamos juntos há tanto tempo, e ela é...

— Confortável? — Arlindo completou, cruzando os braços.

Leonardo o olhou, surpreso com a precisão das palavras.

— Talvez. Mas isso é algo ruim? Não é isso que a maioria das pessoas busca? Uma relação estável, previsível?

Arlindo balançou a cabeça, um sorriso cansado surgindo em seus lábios.

— Previsível não é amor, Leonardo. Estabilidade não é suficiente para sustentar um casamento.

Leonardo abriu a boca para argumentar, mas fechou-a novamente. A dúvida que ele tentava evitar estava clara agora, como uma sombra que não podia ignorar. Ele gostava de Sofia, gostava da companhia dela, mas amor? Não sabia se essa era a palavra certa.

— Pai, eu... preciso desse jantar. Preciso disso para organizar as coisas.

Arlindo assentiu, percebendo que o filho não estava pronto para confrontar a verdade ainda.

— Tudo bem, filho. Eu estarei lá esta noite. Mas quero que você pense seriamente sobre o que quer para o seu futuro. Casamento não é só um compromisso social ou financeiro. É algo muito mais profundo.

Leonardo ficou em silêncio, absorvendo as palavras do pai.

— Eu vou pensar sobre isso.

Arlindo levantou-se, colocando uma mão no ombro do filho.

— Faça isso, Leo. Você merece mais do que uma vida sem paixão.

Quando o pai saiu da sala, Leonardo permaneceu sentado, perdido em pensamentos. A pergunta ainda ecoava em sua mente: Eu amo Sofia?

Por mais que tentasse, não encontrava uma resposta clara.

Após a conversa com seu pai, Leonardo decidiu não ir diretamente para casa. Sentia-se inquieto, como se a dúvida plantada por Arlindo crescesse em seu peito como uma sombra pesada. Precisava de uma distração, de um amigo que pudesse ouvi-lo sem o peso das expectativas familiares. Decidiu, então, visitar Gustavo, seu melhor amigo desde a infância.

Chegando à casa de Gustavo, foi recebido com um sorriso caloroso.

— Leo! O que você está fazendo por aqui a essa hora? Achei que estaria em alguma reunião ou, sei lá, salvando o mundo dos negócios.

Leonardo riu, mas o som parecia vazio até para ele.

— Precisava de um tempo para respirar. — respondeu, entrando na sala e sentando-se no sofá.

Gustavo percebeu o semblante pensativo do amigo e sentou-se ao lado dele.

— Tudo bem com você? Está com uma cara meio... sei lá, derrotado.

Leonardo suspirou e balançou a cabeça.

— Não é nada disso. Só estou com a cabeça cheia. E tem o jantar de noivado hoje à noite.

— Noivado? — Gustavo arregalou os olhos, surpreso. — Então finalmente vai oficializar com a Sofia?

Leonardo assentiu, mas seu sorriso parecia forçado.

— Sim, estamos juntos há três anos. Faz sentido dar o próximo passo.

Gustavo inclinou-se para frente, cruzando os braços.

— Faz sentido? Leo, você está falando de casamento, não de um contrato comercial. Isso tem que ser mais do que “fazer sentido”.

Leonardo desviou o olhar, desconfortável com a sinceridade do amigo.

— Sofia é uma boa pessoa, Gus. Ela me entende, conhece minha rotina, está sempre ao meu lado.

Gustavo permaneceu em silêncio por um momento, analisando o amigo.

— Mas você a ama, Leo?

Leonardo abriu a boca para responder, mas as palavras não saíram. O silêncio dele foi suficiente para Gustavo.

— Você não precisa dizer nada. — Gustavo continuou, a voz agora mais séria. — Leo, eu te conheço desde sempre. E eu sei quando você está tentando se convencer de algo. Casar com Sofia porque “faz sentido” ou porque estão juntos há anos não é motivo suficiente.

— Não é isso. — Leonardo retrucou, tentando se justificar. — Eu acho que ela me ama. E não quero decepcioná-la.

Gustavo soltou um suspiro, recostando-se no sofá.

— E você vai passar o resto da sua vida tentando evitar decepcionar alguém? Isso não é justo nem com você, nem com ela. Casamento é sobre amor, não sobre evitar conflitos.

Leonardo ficou em silêncio, suas mãos apertando os joelhos enquanto olhava para o chão.

— Olha, não quero bancar o pessimista. Só quero que você pense bem antes de dar esse passo. — Gustavo disse, suavizando o tom. — Mas, independentemente do que decidir, estarei lá no jantar.

Leonardo olhou para o amigo, finalmente esboçando um sorriso genuíno.

— Obrigado, Gus. Você não faz ideia do quanto isso significa para mim.

— Claro que faço. É pra isso que servem os amigos.

Após mais alguns minutos de conversa leve, Leonardo agradeceu a hospitalidade de Gustavo e decidiu que era hora de visitar outra pessoa importante: sua mãe.

Chegando à casa de sua mãe, Maria, Leonardo sentiu um conforto familiar ao ver as luzes acesas e a porta entreaberta, como se ela já esperasse por ele. Assim que entrou, encontrou-a na sala, com um livro aberto no colo.

— Meu filho! — Maria exclamou, levantando-se para abraçá-lo. — Que surpresa boa.

Leonardo a abraçou com força, sentindo o carinho incondicional que só uma mãe poderia oferecer.

— Decidi passar aqui antes de ir para casa. Precisava falar com você.

Maria sorriu e gesticulou para que ele se sentasse no sofá.

— Claro. Sobre o quê?

Leonardo hesitou por um momento antes de responder.

— Sobre o jantar de noivado hoje à noite.

Maria arqueou as sobrancelhas, fechando o livro e colocando-o de lado.

— Então é verdade? Você vai se casar com Sofia?

— Sim. — Leonardo respondeu, evitando o olhar direto da mãe. — Estamos juntos há três anos. Achei que era o próximo passo natural.

Maria inclinou-se levemente para frente, seus olhos cheios de uma preocupação gentil.

— Leonardo, eu sei que você valoriza estabilidade e compromisso. Mas casamento não é apenas uma questão de tempo ou lógica. É sobre amor, paixão... sobre querer dividir sua vida com alguém.

Leonardo suspirou, sentindo o mesmo aperto no peito que havia sentido ao conversar com seu pai.

— Sofia é importante para mim, mãe. Ela me entende, me apoia...

— Isso é suficiente? — Maria o interrompeu suavemente.

Leonardo a encarou, tentando encontrar uma resposta convincente, mas novamente, as palavras falharam.

— Eu sei que você acha que está fazendo a coisa certa. Mas, filho, se você não ama Sofia, não será justo com ela ou com você. — Maria continuou, segurando a mão dele. — Eu não tenho nada contra ela. Sofia é uma boa menina, mas sempre me pareceu...

— Mimada? — Leonardo completou, um sorriso cansado surgindo em seus lábios.

— Um pouco. — Maria admitiu, sorrindo também. — Mas o que me preocupa é que vocês não parecem se entender profundamente. O casamento não vai resolver isso.

Leonardo baixou os olhos, sentindo o peso das palavras da mãe.

— Pai disse algo parecido.

— E ele está certo. — Maria disse com firmeza. — Mas a decisão é sua. Só quero que você seja honesto consigo mesmo antes de dar esse passo.

Leonardo respirou fundo, processando tudo o que ouvira naquele dia. A dúvida em seu peito parecia maior do que nunca, mas ele não queria decepcionar Sofia. Afinal, ele acreditava que ela o amava de verdade.

— Eu vou seguir em frente, mãe. Não quero magoá-la.

Maria o olhou com ternura, mas não escondeu sua preocupação.

— Tudo bem, filho. Mas lembre-se: você merece ser feliz também.

Leonardo se levantou e a abraçou novamente antes de sair.

Enquanto dirigia para casa, a pergunta que Gustavo, Arlindo e Maria haviam feito ecoava em sua mente: Eu amo Sofia? Ele ainda não tinha uma resposta.

Leonardo ajeitou a gravata do smoking no espelho do quarto pela terceira vez, sentindo-se desconfortável. O traje que Sofia havia escolhido para ele era extremamente formal, exagerado para o que deveria ser um jantar de noivado simples. Era tudo muito "ela": glamouroso, extravagante, e um pouco fora de contexto. Mas, querendo evitar mais uma discussão, ele cedeu e vestiu a roupa.

Quando desceu pelo elevador até o estacionamento, entrou no carro e digitou a localização enviada por Sofia no GPS. A ansiedade começava a crescer enquanto dirigia pela cidade iluminada. Ao se aproximar do restaurante reservado, Leonardo notou que Sofia havia alugado o espaço inteiro. Do lado de fora, uma decoração elaborada, com flores e luzes em profusão, já indicava que aquilo estava longe de ser um jantar simples.

Ele suspirou, estacionando o carro.

"Isso é exagerado demais..." Pensou, enquanto descia do veículo.

Ao entrar no restaurante, foi imediatamente recebido por uma decoração que mais parecia de um casamento de alto nível: arranjos florais imensos, mesas com toalhas de linho branco e talheres dourados, e um lustre enorme no centro do salão.

Sofia, de longe, era a visão mais chamativa. Vestia um vestido branco brilhante que lembrava um traje de gala, com pedras cintilantes que refletiam a luz do ambiente. Para Leonardo, parecia mais apropriado para um casamento do que para um jantar de noivado.

Ela sorriu radiante assim que o viu, correndo em sua direção com os braços abertos.

— Leo! Você está maravilhoso! — Ela exclamou, segurando as mãos dele.

Leonardo esboçou um sorriso forçado.

— Sofia... Isso tudo é um pouco demais, não acha?

Ela franziu a testa brevemente, mas logo recuperou o tom animado.

— De jeito nenhum! Esse é o nosso grande momento. Não podia ser algo simples. Vamos, venha se sentar.

Sofia o conduziu até a mesa principal, onde os pais dela, Amélia e Eduardo, já estavam sentados. Eles o cumprimentaram calorosamente, com sorrisos largos.

— Leonardo, você está impecável. — Amélia disse, analisando o traje.

— Sofia tem um ótimo gosto. — Eduardo comentou, levantando sua taça em um gesto de saudação.

Leonardo assentiu educadamente, mas por dentro sentia-se cada vez mais deslocado.

Alguns minutos depois, os pais de Leonardo chegaram. Maria e Arlindo vestiam roupas formais, mas nada comparado ao nível de sofisticação que Sofia havia imposto. Ao entrar, ambos trocaram olhares rápidos, claramente notando o exagero da decoração.

Maria foi a primeira a comentar, em um tom baixo, ao se aproximar do filho:

— Bem... isso é, no mínimo, extravagante.

Leonardo apenas deu um leve sorriso, preferindo não alimentar o comentário.

Arlindo apertou a mão de Eduardo e cumprimentou Amélia com um leve aceno, mantendo-se cordial, mas visivelmente desconfortável com o ambiente.

Por último, Gustavo chegou. Diferente dos outros, ele vestia algo muito mais casual, como se quisesse deixar claro que não compartilhava da mesma energia daquele evento. Assim que viu Leonardo, abriu um sorriso provocador.

— Leo, isso aqui é um jantar ou o Oscar? — Ele brincou, apertando a mão do amigo.

Leonardo soltou uma risada abafada, mas Sofia não parecia gostar da piada.

— Gustavo, é um jantar de noivado. Achei que fosse óbvio. — Ela respondeu, com o tom um pouco mais seco.

— Ah, claro. Como não percebi? Com esse lustre, essas flores... e o vestido digno de um tapete vermelho. — Gustavo retrucou, sem perder o tom sarcástico.

O clima ficou tenso por um momento, com Sofia lançando um olhar irritado para ele, mas Amélia interveio, tentando aliviar a situação.

— Vamos nos sentar. A comida será servida em breve.

Durante o Jantar: O Exagero nas Entrelinhas

Enquanto o jantar era servido, a conversa na mesa tentava manter um tom amigável, mas era impossível ignorar o desconforto que permeava o ambiente. Os pais de Leonardo evitavam comentar sobre a grandiosidade do evento, mas Maria lançou alguns olhares significativos para o filho, que ele entendeu perfeitamente.

Gustavo, no entanto, não conseguiu se conter.

— Sofia, isso tudo é... incrível. Mas me pergunto, vocês não estão exagerando um pouco? Afinal, é só um jantar de noivado.

Sofia, que até então estava radiante, lançou-lhe um olhar afiado.

— Exagerando? Gustavo, eu quis que esse momento fosse especial. Leonardo e eu merecemos o melhor.

— Ah, claro. E nada melhor do que um vestido que poderia ser usado no casamento real, certo?

— Gustavo! — Leonardo interveio, o tom levemente repreensivo.

— O que foi? Só estou dizendo o que todo mundo está pensando. — Gustavo retrucou, dando de ombros.

Sofia inclinou-se levemente para frente, claramente irritada.

— Se você veio aqui apenas para criticar, Gustavo, talvez devesse ter ficado em casa.

Maria limpou a garganta, tentando apaziguar a situação.

— Sofia, querida, acho que o Gustavo só está brincando. Não é mesmo, Gustavo?

— Claro, só brincando. — Ele respondeu, mas com um sorriso que sugeria o contrário.

A tensão diminuiu momentaneamente, mas o clima no restante do jantar permaneceu carregado.

Enquanto tudo isso acontecia, Leonardo sentia-se cada vez mais desconfortável. Ele observava Sofia rindo com os pais dela, completamente alheia ao que ele realmente sentia. A extravagância do evento, o comportamento dela, e agora, as alfinetadas de Gustavo, faziam sua mente ecoar com as palavras que ouvira mais cedo: Você realmente a ama?

Mesmo assim, Leonardo tentou afastar os pensamentos. Não queria decepcionar Sofia. Convencido de que ela o amava, ele decidiu continuar com o jantar, mesmo com o crescente peso em seu peito.

Mas no fundo, sabia que algo estava errado.

O jantar seguia, e Leonardo sentia o peso da ocasião em cada detalhe exagerado ao seu redor. A decoração opulenta, o vestido reluzente de Sofia, e os olhares de aprovação falsos dos pais dela o deixavam desconfortável. Mas agora chegava o momento mais esperado da noite: a oficialização do noivado.

Leonardo limpou a garganta e se levantou, chamando a atenção de todos à mesa. As conversas cessaram, e todos os olhos se voltaram para ele. Sofia sorriu de maneira radiante, ajustando levemente o cabelo enquanto parecia saborear o momento.

— Quero agradecer a todos por estarem aqui hoje. — Leonardo começou, segurando a pequena caixa de veludo no bolso. — Este é um momento muito especial para mim e para Sofia. Estamos juntos há três anos, e sinto que estamos prontos para dar o próximo passo em nossas vidas.

Os pais de Sofia sorriam orgulhosos, enquanto Maria e Arlindo o observavam com expressões neutras, mas atentos aos detalhes. Gustavo, com os braços cruzados, parecia conter um comentário sarcástico, mas permaneceu em silêncio por enquanto.

Leonardo olhou para Sofia, que mal conseguia conter a excitação. Ele abriu a pequena caixa de veludo, revelando um anel de diamante simples, mas incrivelmente belo. Não era chamativo ou exagerado como o ambiente ao redor, mas cuidadosamente escolhido por Leonardo, refletindo algo mais autêntico e íntimo.

— Sofia... — Ele começou, sua voz um pouco mais suave. — Você aceita se casar comigo?

Sofia levou as mãos ao rosto em uma reação ensaiada, suas unhas impecavelmente pintadas brilhando sob a luz do lustre.

— Sim, Leo! Claro que sim!

A mesa explodiu em aplausos, exceto por Gustavo, que soltou um leve assobio, que Leonardo ignorou.

Leonardo pegou o anel da caixa e segurou delicadamente a mão de Sofia para colocá-lo em seu dedo. No entanto, enquanto fazia isso, percebeu algo que o incomodou profundamente: o olhar de Sofia para o anel não era de admiração ou emoção, mas sim de uma breve faísca de decepção, quase desprezo.

Foi um momento rápido, mas Leonardo o percebeu claramente. Sofia logo disfarçou, recuperando o sorriso radiante, levantando a mão para exibir o anel para todos.

— É lindo! — Sofia exclamou, embora sua voz soasse levemente forçada.

— Ah, claro que é lindo! — Gustavo interrompeu, com um sorriso que claramente sugeria ironia. — Simples, elegante... exatamente o oposto do ambiente aqui.

Sofia lançou um breve olhar para ele, mas rapidamente voltou a sorrir para os outros convidados, decidindo ignorar o comentário.

— É perfeito, Gustavo. — Ela disse, em um tom doce que parecia conter uma ponta de provocação.

Maria, que observava tudo atentamente, trocou um olhar breve com Arlindo. Embora ambos tivessem sorrisos nos rostos, era evidente que compartilhavam o mesmo pensamento sobre o exagero e a superficialidade da noite.

Leonardo e Sofia se abraçaram para oficializar o noivado enquanto os convidados aplaudiam novamente. Sofia estava radiante, posando para fotos com os pais dela e exibindo o anel de maneira quase teatral.

Por outro lado, Leonardo sentia uma mistura de emoções conflitantes. O breve olhar de desdém de Sofia para o anel, que ele havia escolhido com tanto cuidado, não saía de sua mente. Ele se perguntou se o anel era realmente o problema ou se aquilo era um reflexo de algo mais profundo.

Enquanto Sofia conversava animadamente com os pais e os fotógrafos contratados para o evento, Gustavo se aproximou de Leonardo e sussurrou:

— Tenho que admitir, Leo, o anel foi um ótimo toque. Elegante, mas direto. Pena que ela parece mais interessada no brilho do ambiente do que no significado.

Leonardo lançou um olhar de aviso para Gustavo.

— Não começa, Gus.

— Tudo bem, tudo bem. — Gustavo ergueu as mãos em rendição, mas sua expressão mostrava claramente que ele continuava cético em relação ao noivado.

Enquanto os convidados se envolviam em conversas e o jantar continuava, Leonardo sentou-se por um momento, tentando processar o que sentia. Por mais que quisesse convencer a si mesmo de que tudo estava certo, a dúvida no fundo de sua mente parecia maior do que nunca.

"Será que estou fazendo isso pelo motivo certo?" Pensou, enquanto observava Sofia posando para mais fotos.

Apesar das perguntas persistentes em sua mente, Leonardo decidiu focar no momento. Por mais que as incertezas o incomodassem, ele sabia que, por enquanto, precisava seguir em frente. Afinal, Sofia parecia genuinamente feliz — ou pelo menos, fazia parecer.

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Comments

Maria Núbia Dos Santos

Maria Núbia Dos Santos

Tomara que ele descubra logo que ela é apaixonada por outra pessoa. E que os pais dela estão falidos.

2025-02-01

0

Ana Karol Campos

Ana Karol Campos

mds, como alguém pode ser tão falso e hipócrita! mesmo com as provas na cara ainda nega e age indignado!!!🙄🙄🙄🙄🙄

2025-01-12

0

Silvia Souza Rodrigues

Silvia Souza Rodrigues

Mas é um banana mesmo, um ser manipulável!! Não sabe o que quer e deixa uma mulher dessa dirigir sua vida!!

2025-01-11

0

Ver todos
Capítulos
1 Boate
2 Descobertas
3 Noivado Forçado, Segredos
4 Leonardo Arezzo?
5 Jantar de noivado
6 Dúvidas
7 A confirmação
8 Pensamentos
9 Enfrentando
10 Bônus: Sofia
11 Uma noite de contrastes
12 Revelação
13 Possessividade
14 Reconforto
15 O parto
16 O Casamento
17 coincidências
18 O pequeno Roberto
19 O Vôo
20 Um casamento não tão perfeito
21 Uma notícia triste
22 Trabalho e Família
23 Um dia agitado
24 Encontrando refúgio
25 A Entrevista
26 Família
27 Um pequeno tagarela
28 As ruínas de Sofia
29 Uma manhã no parque aquático
30 Na casa de Henrique
31 A barganha
32 Leilão
33 O Encontro
34 A verdade diante de seus olhos
35 Uma pessoa indispensável
36 Atração, Segredos, Verdades vindo a tona
37 A pergunta inesperada
38 DNA
39 Preocupações e Segredos
40 A verdade
41 O peso da verdade
42 Um dia longe de tudo
43 Tudo prestes a ser revelado
44 Primeiro contato
45 Consequências
46 Inocência de criança
47 Mudança
48 A notícia viraliza
49 A véspera da ansiedade
50 Coletiva de imprensa
51 Constrangimentos
52 Tudo se encaixando
53 Admito. Estou apaixonada.
54 Uma noite de amor
55 Ruptura
56 Balançada
57 Duas grávidas?
58 Uma decisão, uma reação
59 Novo ciclo
60 Rotina de uma grávida
61 Uma grávida sendo mimada.
62 Casamento surpresa
63 O nascimento de Beatriz
64 Aniversário de Roberto Júnior, um momento especial em família
65 Um pequeno Bônus: Sofia
Capítulos

Atualizado até capítulo 65

1
Boate
2
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Noivado Forçado, Segredos
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Leonardo Arezzo?
5
Jantar de noivado
6
Dúvidas
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A confirmação
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Enfrentando
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O parto
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