Clara estava sentada no banco traseiro do carro de Elisa, olhando pela janela com uma mistura de ansiedade e resignação. Ao lado dela, Renan fazia comentários leves, tentando aliviar a tensão, enquanto Flávia, no banco do passageiro, permanecia mais calada do que o habitual. Elisa, concentrada na direção, ocasionalmente olhava pelo retrovisor para Clara, com um sorriso encorajador.
— Vai dar tudo certo, Clara. Estamos todos aqui com você. — Elisa disse, tentando quebrar o silêncio que parecia preencher o carro.
Clara assentiu, mas não respondeu. Por mais que tentasse se convencer de que estava tudo bem, a ideia de ter contraído algo naquela noite ainda a consumia. Não apenas isso: o fato de mal lembrar os detalhes fazia com que o peso da incerteza fosse ainda maior.
Flávia lançou um olhar rápido para Clara, e seus lábios se curvaram em um sorriso um pouco forçado.
— É, Clara. Além do mais, quantas pessoas podem dizer que tiveram uma noite com alguém como... você descreveu? Ele parecia incrível.
Renan franziu a testa com o comentário e se virou para Flávia.
— Não acho que isso seja algo para se admirar, Flávia. Estamos aqui para apoiá-la, não para romantizar a situação.
Flávia fez um gesto de descaso, como se não entendesse por que Renan reagira daquela forma.
— Só estou dizendo que, sabe, ela teve sorte de ter uma história para contar.
Clara, perdida em seus próprios pensamentos, não percebeu o tom de inveja nas palavras de Flávia, mas Renan percebeu claramente. Ele cruzou os braços e desviou o olhar, sua expressão mais fria.
Chegando à clínica, os quatro foram imediatamente atendidos. Clara preencheu os papéis com mãos trêmulas, enquanto Elisa se sentava ao lado dela e apertava sua mão.
— Clara, estamos aqui com você, não importa o resultado. — Elisa disse com sinceridade.
Flávia tentou acrescentar algo, mas Renan interrompeu antes que ela pudesse falar.
— E, de qualquer forma, saber é sempre melhor do que ficar na dúvida.
Pouco depois, uma enfermeira chamou o nome de Clara, e ela se levantou, sentindo o coração acelerar. Elisa a acompanhou até a sala, enquanto Renan e Flávia esperavam na recepção.
O exame foi rápido, mas o momento pareceu eterno para Clara. Quando terminou, a médica explicou que os resultados estariam prontos em algumas horas.
— Tente não se preocupar muito. — Disse a médica, com um sorriso gentil. — Vamos entrar em contato assim que tivermos os resultados.
Clara assentiu e voltou para a sala de espera, onde os amigos aguardavam ansiosos.
Enquanto esperavam, decidiram tomar café na lanchonete ao lado da clínica. Renan, tentando animar o grupo, puxou o celular do bolso e começou a procurar algo.
— Clara, você disse que o nome dele era Leonardo, certo? E ele era bem marcante?
— Sim... por quê? — Clara perguntou, ainda nervosa.
Renan virou a tela do celular para ela.
— Olha isso. Leonardo Arezzo. CEO da Arezzo Construtora. Ele é conhecido. É esse o cara?
Clara sentiu o estômago revirar quando viu a foto. O olhar intenso, os cabelos escuros e o rosto marcante. Não havia dúvida.
— É ele. — Disse, sua voz quase um sussurro.
Elisa arregalou os olhos, enquanto Flávia parecia visivelmente surpresa, mas também com uma expressão que Renan imediatamente identificou como inveja.
— Meu Deus, Clara. Você ficou com Leonardo Arezzo? — Elisa perguntou, incrédula.
Clara balançou a cabeça rapidamente, como se tentasse afastar os pensamentos.
— Não importa. Não quero pensar nisso. Ele é famoso, e eu... eu sou só eu. Foi uma noite. Nada além disso.
— Mas, Clara... — Elisa começou a falar, mas foi interrompida.
— Por favor, Elisa. Prometam que não vão atrás disso. Eu só quero esquecer.
Renan colocou a mão no ombro dela.
— Não se preocupe. Ninguém aqui vai fazer nada que você não queira. Certo, pessoal?
Elisa assentiu, solidária, mas Flávia permaneceu em silêncio por um momento antes de murmurar:
— Claro.
Mesmo assim, Renan não deixou de notar a hesitação em sua voz.
Algumas horas depois, voltaram à clínica para pegar os resultados. Clara sentiu o coração bater descompassado enquanto esperava pela enfermeira. Quando finalmente foi chamada, os quatro a seguiram até a sala de atendimento.
A enfermeira segurava um envelope, sua expressão neutra.
— Clara, os resultados dos exames foram negativos para doenças sexualmente transmissíveis.
Clara soltou um suspiro de alívio, sentindo as lágrimas escorrerem. Elisa imediatamente a abraçou, enquanto Renan sorria aliviado.
— Mas... — A enfermeira continuou, interrompendo a celebração.
Clara congelou, o coração acelerando novamente.
— Seu beta-HCG está alterado. Isso significa que pode haver uma gravidez em curso.
Clara arregalou os olhos, sentindo o chão desaparecer sob seus pés.
— Grávida? — Ela repetiu, a voz mal saindo.
— Não é uma confirmação ainda. — Explicou a enfermeira. — Mas recomendamos que você faça um exame mais específico para confirmar.
A sala ficou em silêncio. Elisa segurou a mão de Clara com força, enquanto Renan parecia processar o que acabara de ouvir. Flávia tinha uma expressão indecifrável, mas Renan viu um lampejo de algo que parecia satisfação antes que ela recuperasse a postura.
Clara olhou para os amigos, com lágrimas escorrendo pelo rosto.
— O que eu vou fazer?
— Vamos lidar com isso juntos. — Disse Elisa, a voz cheia de determinação.
Renan colocou a mão no ombro dela.
— Você não está sozinha, Clara.
Mas, por dentro, Clara sentia como se o mundo tivesse virado de cabeça para baixo.
Clara saiu da clínica em silêncio, o vento frio da tarde acariciando seu rosto enquanto as palavras da enfermeira ainda ecoavam em sua mente. "Seu beta-HCG está alterado. Isso significa que pode haver uma gravidez em curso."
Ela caminhava ao lado de Elisa, Renan e Flávia, mas era como se estivesse sozinha em outro mundo, presa na espiral de pensamentos caóticos e medos que começavam a surgir.
Elisa, percebendo o estado de Clara, que mal conseguia erguer os olhos do chão, segurou seu braço com delicadeza.
— Clara, acho que precisamos ter certeza disso o quanto antes. Vamos até uma farmácia e compramos um teste de gravidez. É rápido e vai nos dar uma direção.
Clara parou, levantando o olhar cheio de dúvidas e angústia para a amiga.
— Elisa... e se for verdade? Eu não posso... — Sua voz falhou, e ela balançou a cabeça, lutando para conter as lágrimas.
— Primeiro precisamos saber. — Elisa respondeu com firmeza, segurando o ombro da amiga. — Depois pensamos no que fazer.
Renan assentiu, apoiando Elisa.
— Isso mesmo. É melhor enfrentar isso de uma vez do que viver nessa dúvida.
Flávia, embora concordasse, parecia mais distante, seu olhar ocasionalmente perdido em Clara.
— Vai ser melhor assim, Clara. É só um teste, mas você precisa fazer.
Com isso, o grupo seguiu para a farmácia mais próxima. Renan foi o primeiro a entrar e, sem hesitar, pegou dois testes de gravidez da prateleira. Enquanto isso, Clara ficou ao lado de Elisa, incapaz de entrar no estabelecimento, seus pensamentos ainda girando em torno do que sua vida poderia se tornar se estivesse grávida.
Pouco depois, eles chegaram à casa de Elisa. O ambiente acolhedor e organizado não parecia combinar com a tormenta emocional que Clara sentia. Elisa guiou Clara até o banheiro e colocou os testes em suas mãos.
— Vai dar tudo certo. — Elisa disse, embora sua própria preocupação fosse evidente.
Clara fechou os olhos por um momento, respirando fundo antes de entrar no banheiro e fechar a porta. A sensação de devastação parecia aumentar enquanto ela fazia o teste, as mãos trêmulas, o coração batendo forte.
Minutos depois, saiu do banheiro com o primeiro teste na mão. Elisa, Renan e Flávia aguardavam ansiosamente na sala. Clara colocou o teste sobre a mesa e se sentou, sem coragem de olhar para o resultado.
Elisa pegou o teste, examinando-o com cuidado. Seu rosto ficou sério, e ela olhou para Clara.
— Está positivo.
Clara sentiu o chão desaparecer sob seus pés.
— Não pode ser... — Murmurou, balançando a cabeça. — Não, isso deve estar errado.
— Clara, o teste é confiável. — Elisa tentou argumentar, mas Clara se levantou abruptamente.
— Eu preciso de mais certeza. Um exame de sangue. Isso pode estar errado!
Flávia soltou um suspiro, cruzando os braços.
— Clara, é muito difícil um teste desses estar errado. Se está positivo, é quase certeza.
Renan olhou para Flávia com uma expressão que beirava a irritação.
— Flávia, isso não ajuda.
— Eu só estou dizendo a verdade. — Ela retrucou com indiferença.
Clara começou a andar pela sala, passando as mãos pelos cabelos, sentindo como se estivesse sufocando.
— Isso não pode estar acontecendo. Eu não sei o que fazer. Meus pais... O que eu vou dizer a eles?
Elisa levantou-se rapidamente, indo até Clara e segurando suas mãos.
— Clara, respira. Vamos passar por isso juntas. Você não está sozinha.
Clara olhou para Elisa, mas as lágrimas já escorriam por seu rosto.
— Eu não sei como lidar com isso, Elisa. Eu não sei.
Renan também se levantou e colocou a mão no ombro de Clara.
— Ei, vamos resolver isso um passo de cada vez. Você não precisa tomar todas as decisões agora.
Apesar do apoio, Clara sentia-se completamente destruída. Tudo o que conhecia sobre sua vida estava prestes a mudar, e ela não sabia se teria forças para enfrentar o que estava por vir. A Decisão de Fazer o Exame de Sangue.
Clara finalmente assentiu, respirando fundo para tentar se recompor.
— Vamos fazer o exame de sangue amanhã. Preciso ter certeza absoluta antes de contar qualquer coisa.
Elisa a abraçou novamente, enquanto Renan olhava para Flávia, que observava a cena com uma expressão quase indiferente.
— Vai dar tudo certo. — Elisa disse, tentando transmitir segurança, embora ela mesma estivesse ansiosa.
Clara sabia que precisava de respostas, mas também sabia que, independentemente do resultado, sua vida nunca mais seria a mesma.
Após a devastadora revelação do teste de gravidez, Clara decidiu que precisava voltar para casa. Elisa, percebendo o estado frágil da amiga, insistiu em acompanhá-la.
Durante o trajeto, o silêncio entre as duas era pesado, mas cheio de cumplicidade. Clara olhava pela janela, os olhos ainda vermelhos das lágrimas, enquanto Elisa dirigia com cuidado. Ao chegarem em frente à casa de Clara, Elisa estacionou e virou-se para a amiga.
— Clara, você quer que eu entre com você? Posso ficar por um tempo se precisar.
Clara balançou a cabeça lentamente.
— Não, Elisa. Você já fez muito por mim hoje. Eu só... preciso de um tempo para pensar.
Elisa segurou a mão dela com firmeza.
— Seja qual for o resultado, lembre-se: você não está sozinha. Nós estamos aqui, eu estou aqui, e você vai superar isso.
Clara olhou para a amiga, os olhos cheios de gratidão misturada com tristeza.
— Obrigada, Elisa. Por tudo.
As duas ficaram em silêncio por alguns segundos antes de Clara abrir a porta do carro e sair. Ela acenou para Elisa, que esperou até que Clara entrasse em casa antes de ir embora.
Assim que Clara entrou em casa, encontrou sua mãe, Cleonice, sentada no sofá da sala. Ela estava dobrando roupas e levantou os olhos ao ouvir a porta abrir.
— Clara, já chegou? — Perguntou, mas sua expressão mudou rapidamente ao ver o rosto abatido da filha. — O que aconteceu?
Clara hesitou, sentindo o coração acelerar.
— Nada, mãe. Estou só cansada.
Cleonice deixou as roupas de lado e levantou-se, caminhando até Clara.
— Não me parece só cansaço. Você está pálida e... seus olhos estão vermelhos. Você estava chorando?
Clara desviou o olhar, evitando a insistência nos olhos da mãe.
— Não é nada sério, mãe. Só... coisas da faculdade.
Cleonice cruzou os braços, claramente não convencida.
— Clara, eu te conheço. Se tem algo errado, você pode me contar.
Clara mordeu o lábio, sentindo as lágrimas ameaçarem cair novamente. Por mais que quisesse desabafar, a ideia de contar à mãe que poderia estar grávida era assustadora demais.
— Está tudo bem, mãe. Eu só quero descansar.
Cleonice suspirou profundamente, mas decidiu não pressionar mais.
— Tudo bem, querida. Mas se precisar falar, estarei aqui.
Clara assentiu rapidamente e subiu as escadas, sentindo-se sufocada.
Assim que Clara entrou no quarto e fechou a porta, pensou que finalmente teria um momento sozinha para processar tudo o que estava acontecendo. Mas poucos minutos depois, uma batida leve na porta chamou sua atenção.
— Clara? — Era a voz de Cíntia, sua irmã mais nova.
— Entra. — Clara respondeu, tentando soar normal, mas sua voz falhou um pouco.
Cíntia entrou e fechou a porta atrás de si. Seus olhos jovens estavam cheios de preocupação.
— O que está acontecendo? A mãe está lá embaixo achando que você está doente.
Clara suspirou, sentando-se na cama e apoiando o rosto nas mãos.
— Eu não sei o que fazer, Cíntia.
A sinceridade crua na voz da irmã fez Cíntia sentar-se ao lado dela, colocando uma mão em seu ombro.
— Clara, o que aconteceu?
Clara levantou o rosto, as lágrimas já escorrendo novamente. Ela hesitou, mas finalmente decidiu desabafar.
— Eu acho que estou grávida.
Os olhos de Cíntia se arregalaram, mas ela não disse nada por um momento, processando o que acabara de ouvir.
— Grávida? Você tem certeza?
— Fiz um teste hoje. Deu positivo. Mas quero fazer um exame de sangue para ter certeza.
Cíntia ficou em silêncio, olhando para a irmã, antes de colocar um braço ao redor dela e puxá-la para um abraço apertado.
— Eu... não sei o que dizer, Clara. Mas, seja o que for, eu estou do seu lado.
Clara fechou os olhos, permitindo-se relaxar um pouco no abraço da irmã.
— E os nossos pais? Como vou contar para eles?
— A gente dá um jeito. — Disse Cíntia, com uma confiança que surpreendeu Clara. — Mas primeiro, vamos ter certeza. Depois, pensaremos em como lidar com isso.
Clara olhou para a irmã mais nova, sentindo-se um pouco mais aliviada com a presença dela.
— Obrigada, Cíntia.
Cíntia sorriu levemente, apertando a mão dela.
— Você sempre esteve lá por mim. Agora é minha vez de estar aqui por você.
As duas ficaram em silêncio por um momento, compartilhando a cumplicidade que só irmãs poderiam ter. Apesar de ainda se sentir devastada, Clara encontrou um pequeno conforto no apoio inabalável de Cíntia.
...
O jantar começou em silêncio. Roberto havia retornado do trabalho e estava na cabeceira da mesa, cansado, mas atento. Cleonice havia exigido que Clara estivesse presente, e agora a filha estava sentada à mesa, com um olhar vazio e distante. Ao lado dela, Cíntia olhava preocupada, percebendo a tensão crescente no ar.
Os talheres batiam nos pratos de forma ritmada, mas ninguém parecia realmente interessado em comer. Roberto, tentando aliviar o clima, foi o primeiro a falar.
— Clara, como foi o seu dia?
Clara ergueu os olhos, hesitante, e respondeu em um tom baixo.
— Foi normal.
Cleonice pousou o garfo sobre o prato com um som seco e cruzou os braços.
— Normal? — Ela repetiu, olhando diretamente para Clara. — Você acha que esse seu comportamento estranho nos últimos dias é normal?
Clara manteve o olhar fixo no prato, tentando conter a onda de ansiedade que começava a crescer dentro dela.
— Eu já disse que estou cansada, mãe.
Cleonice bufou, visivelmente irritada.
— Cansada? Clara, você voltou daquela noite completamente diferente. Desde então, mal fala com a gente, parece um fantasma dentro de casa. O que está acontecendo?
Clara apertou o garfo com força, sentindo o estômago revirar.
— Não é nada, mãe.
— Nada? — Cleonice rebateu, sua voz subindo um tom. — Você acha que estou cega? Não tente me enganar, Clara. Você não é a mesma desde aquela noite.
Roberto olhou para Cleonice, tentando intervir.
— Cleo, pega leve. Clara parece estar passando por alguma coisa, mas talvez ela precise de tempo.
— Tempo? — Cleonice se virou para o marido, irritada. — Ela precisa é de uma conversa séria!
Cleonice voltou seu olhar penetrante para Clara, agora claramente decidida a obter uma resposta.
— Então, me diz, Clara. O que aconteceu naquela noite?
Clara levantou o olhar pela primeira vez, os olhos já brilhando com lágrimas contidas.
— Eu já disse que nada aconteceu. Por que você não acredita em mim?
Cleonice riu, uma risada curta e amarga.
— Porque eu te conheço. E porque você está mentindo. Você acha que engana quem? Está na cara que algo aconteceu, e você não quer contar.
— Porque não é da sua conta! — Clara respondeu, sua voz finalmente elevando-se, cheia de emoção.
A resposta foi um choque para todos à mesa. Cleonice piscou, surpresa pela explosão, mas logo sua expressão tornou-se mais dura.
— Não é da minha conta? Eu sou sua mãe, Clara! Tudo que acontece com você é da minha conta.
— Talvez eu não queira que seja! — Clara retrucou, agora com lágrimas escorrendo pelo rosto.
— Ah, então é assim agora? — Cleonice rebateu, levantando-se da mesa. — Você acha que pode sair por aí, fazer o que quiser, e não ter que nos dar satisfação?
— Eu não fiz nada! — Clara gritou, também se levantando, a voz cheia de desespero.
— Não fez? Então por que está agindo assim? — Cleonice insistiu, apontando um dedo para a filha. — Me diz, Clara. O que você fez naquela noite que te deixou assim?
Clara hesitou, olhando para o rosto furioso da mãe e sentindo-se encurralada. Ela queria gritar a verdade, mas o medo de decepcionar seus pais a paralisava.
— Você não vai dizer? — Cleonice pressionou. — Claro que não vai. É mais fácil se esconder no quarto e fingir que está tudo bem, não é?
— Você não entende! — Clara respondeu, a voz quebrando em meio às lágrimas.
— Então me faça entender! — Cleonice gritou, o rosto vermelho de frustração.
Roberto finalmente interveio, levantando-se da mesa.
— Chega, Cleo! Está claro que a Clara não quer falar agora. Não adianta gritar com ela.
Cleonice olhou para o marido, mas sua expressão continuava dura.
— E você acha que ignorar vai resolver? É assim que criamos nossas filhas? Fingindo que não vemos os problemas?
— Isso não é fingir! — Roberto rebateu. — É dar espaço. Ela vai falar quando estiver pronta.
Clara, no entanto, não esperou mais. Com lágrimas escorrendo e soluços começando a tomar conta, ela saiu correndo da sala, subindo as escadas e trancando-se no quarto.
Encostada na porta, Clara deslizou até o chão, abraçando os joelhos enquanto as lágrimas vinham em torrentes.
"Por que isso está acontecendo comigo?" Ela pensou, sentindo-se completamente desamparada.
As palavras de sua mãe ecoavam em sua mente, alimentando a culpa e o desespero. Ela queria contar, queria desabafar, mas o medo de decepcionar seus pais era sufocante.
Deitada na cama, Clara passou a noite inteira chorando, sentindo-se esmagada pela realidade que a cercava.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 65
Comments
Eluiza Dresseno
Olha na minha opinião sinceramente más a história está ficando chata Clara é muito infantil sua mãe pediu Para ela não beber sua amiga quando viu que ela estava bebendo muito também chamou atenção dela e agora está desesperado brigando com todos cresce Clara enfrente essa gravidez de cabeça erguida chega de chororó assuma a Sua escolha você escolheu beber e saí com o Eduardo
2025-01-11
11
Nilceia Rodrigues Garcia
Gente do céu! Esse Roberto é o mesmo sócio que roubou a empresa do Leonardo? Nada fica esclarecido e colocar nome de personagens igual, autora?
2025-01-07
5
Iza Cabral
a mãe e muito chata , não sabe conversar , sempre aos gritos querendo educar impondo sua vontade.
clara uma jovem sem vivência , bebeu quando não tinha costume e deu no que deu.
Flávia é uma amiga invejosa que ainda vai aprontar e fazer a clara sofrer muito.
2025-02-06
0