Os meses haviam passado em um piscar de olhos, e agora Clara estava a poucos dias de conhecer o pequeno Roberto. A ansiedade misturava-se com o alívio de saber que finalmente a longa jornada da gravidez estava chegando ao fim, mas o cansaço físico e emocional eram palpáveis.
Nas últimas semanas, Clara mal conseguia ficar sozinha. Sua família, antes um tanto distante, agora parecia unida por um laço invisível e inquebrável. Cleonice, que antes era resistente à ideia de um neto inesperado, estava sempre por perto, organizando tudo para a chegada do bebê. Roberto, seu pai, ficava encarregado de tarefas práticas, como montar o berço e arrumar o quartinho.
E Cíntia, como sempre, estava ao lado de Clara em todos os momentos, ajudando-a com as tarefas diárias e garantindo que ela não precisasse se preocupar com nada além de descansar.
Seus amigos também não a deixavam sozinha. Elisa e Renan se revezavam entre visitas para animá-la e ligações diárias para saber como ela estava.
Naquela manhã, Clara acordou com uma leve dor nas costas, algo que havia se tornado rotina nas últimas semanas. Ela se sentou na cama devagar, colocando as mãos na barriga inchada, sentindo o movimento do bebê.
— Bom dia, meu amor. — Murmurou, acariciando a barriga.
Enquanto ela se preparava para levantar, ouviu uma batida leve na porta. Era Cíntia.
— Entra, Cíntia.
A irmã abriu a porta com cuidado, carregando uma bandeja com café da manhã.
— Achei que você poderia querer comer antes de descer.
Clara sorriu, grata pelo cuidado.
— Obrigada, Cíntia. Você é um anjo.
Enquanto comia, elas conversaram sobre os preparativos para a chegada do bebê.
— O berço está montado, a mala para o hospital está pronta... O que mais falta? — Perguntou Cíntia, contando nos dedos.
— Acho que nada. Só falta ele decidir que é hora de nascer.
As duas riram, mas a ansiedade de Clara era evidente.
Mais tarde, enquanto Clara descansava no sofá, Elisa e Renan chegaram. Renan entrou com sua energia característica, segurando um buquê de flores.
— Para a mamãe mais linda e ansiosa que eu já vi!
Clara riu, pegando as flores e abraçando o amigo.
— Você é impossível, Renan.
Elisa sentou-se ao lado de Clara, segurando sua mão.
— Como você está se sentindo hoje?
Clara suspirou, ajustando a almofada nas costas.
— Inchada, dolorida e... preocupada.
— Preocupada? — Elisa perguntou, franzindo o cenho.
— Não consigo parar de pensar no parto. — Clara admitiu, sua voz tremendo um pouco. — Tenho medo de que algo dê errado.
Renan se ajoelhou na frente dela, segurando as mãos de Clara.
— Ei, nada vai dar errado. Você é forte, Clara. E você tem uma equipe médica incrível ao seu lado, sem falar na sua família e em nós.
Elisa assentiu, apertando a mão dela com mais força.
— Renan está certo. Vai ser difícil, mas você vai passar por isso, e logo estará com o pequeno Roberto nos braços.
Clara tentou sorrir, mas a preocupação ainda estava lá.
Naquela noite, depois que todos haviam ido embora, Clara estava sozinha em seu quarto. Sentada na cama, olhava para a mala pronta para o hospital e para o pequeno berço ao lado.
Ela colocou as mãos na barriga novamente, sentindo o bebê mexer.
— Espero ser boa o suficiente para você. — Disse em voz alta.
O pensamento de não sobreviver ao parto atravessava sua mente como uma sombra escura. Ela tentava afastá-lo, mas era impossível ignorar.
Pouco depois, Cleonice entrou no quarto, percebendo a expressão séria da filha.
— Você está bem, Clara?
Clara hesitou por um momento, mas finalmente respondeu.
— Só estou preocupada, mãe. Com o parto... com tudo.
Cleonice sentou-se ao lado dela, segurando suas mãos.
— Clara, eu sei que é assustador, mas você não está sozinha. Estamos todos aqui por você. E eu sei que você é forte.
Clara olhou para a mãe, sentindo uma onda de emoção.
— Obrigada, mãe.
Enquanto conversavam, Clara sentiu uma dor diferente, mais forte do que as anteriores. Ela se encolheu, fazendo Cleonice olhar para ela com preocupação.
— Está tudo bem?
— Acho que sim... — Disse Clara, tentando respirar fundo. — Deve ser só ele se mexendo mais forte.
Cleonice segurou o ombro da filha, preocupada.
— Se continuar, vamos ao hospital, está bem?
Clara assentiu, tentando manter a calma.
Enquanto a casa silenciava e Clara tentava dormir, ela sentiu mais movimentos do bebê. Cada pontada, cada mexida, era um lembrete de que a chegada de Roberto estava mais próxima do que nunca.
Com as mãos na barriga e o coração acelerado, Clara sussurrou:
— Estou pronta para você, meu amor.
...
Era madrugada quando Clara acordou com uma dor forte e aguda no abdômen. Ela respirou fundo, tentando aliviar o desconforto, mas a dor parecia piorar a cada minuto.
— Mãe! — Gritou Clara, com a voz trêmula.
Cleonice correu até o quarto, assustada, seguida por Cíntia e Roberto.
— O que aconteceu, filha? — Perguntou Cleonice, ajoelhando-se ao lado da cama.
— Está doendo... muito. — Disse Clara, apertando o lençol com força.
Roberto, mais prático, já pegava a chave do carro.
— Vamos ao hospital agora.
Cleonice e Cíntia ajudaram Clara a se levantar devagar, enquanto ela respirava profundamente, tentando suportar a dor.
No carro, o silêncio era quebrado apenas pelas respirações pesadas de Clara e pelos sussurros de Cleonice, tentando acalmá-la.
— Vai ficar tudo bem, minha filha. Respira.
Clara assentiu, mas a preocupação era evidente em seu rosto. Ela estava certa de que o pequeno Roberto estava prestes a chegar, e uma mistura de nervosismo e expectativa a envolvia.
Quando chegaram ao hospital, a equipe médica rapidamente a levou para a triagem. Enquanto Cleonice preenchia os papéis e Roberto tentava acalmar a si mesmo na sala de espera, Clara foi examinada por uma enfermeira e uma obstetra.
Depois de alguns minutos de avaliação, a obstetra sorriu gentilmente para Clara.
— Clara, seu bebê está bem. O que você está sentindo são contrações de treinamento, o que chamamos de Braxton Hicks. Não é trabalho de parto ainda.
Clara franziu o cenho, confusa.
— Mas a dor... é tão forte.
A médica segurou a mão dela, compreensiva.
— É normal para algumas mulheres. O corpo está se preparando para o grande momento. Mas, por enquanto, é um alarme falso.
Cleonice entrou na sala nesse momento, e Clara a olhou com lágrimas nos olhos.
— Não é agora, mãe.
Cleonice sorriu, aliviada por ser apenas um susto, mas abraçou a filha com força.
— Tudo bem, filha. Quando for a hora, você saberá.
A volta para casa foi silenciosa. Clara estava exausta e um pouco frustrada. Ela sentia que estava pronta para o parto, mas parecia que seu corpo queria testar seus limites antes do grande momento.
Quando chegaram, Cleonice ajudou Clara a voltar para o quarto.
— Tente descansar, querida. Você vai precisar de energia quando o momento chegar de verdade.
Clara assentiu, mas o desconforto nas costas e no abdômen a deixava inquieta.
Apesar do alívio por não ser o trabalho de parto, as dores continuaram incomodando Clara durante a noite. Ela se remexia na cama, tentando encontrar uma posição confortável, mas nada parecia funcionar.
— Isso não é normal... — Murmurou para si mesma, segurando a barriga.
Por volta das três da manhã, as dores ficaram mais intensas, fazendo Clara sentar-se na cama, suando frio.
— Mãe! — Chamou novamente, com a voz embargada.
Cleonice apareceu na porta, desta vez com um olhar ainda mais preocupado.
— Ainda está doendo?
— Sim. Não para.
Cleonice sentou-se ao lado dela, segurando sua mão.
— Vamos observar por mais um pouco. Se não melhorar, voltamos ao hospital.
Cíntia entrou no quarto com um copo de água, sentando-se do outro lado da cama.
— Respira, Clara. Vai passar.
Mas Clara sabia que algo estava diferente. As dores vinham em ondas, cada vez mais frequentes. Embora ainda estivesse incerta, uma sensação no fundo de sua mente dizia que o grande momento estava mais próximo do que todos imaginavam.
Apesar das dores constantes, Clara concordou em esperar até o amanhecer para ver se elas aumentariam. Cleonice e Cíntia se revezaram ao lado dela, enquanto Roberto espiava de tempos em tempos para se certificar de que tudo estava sob controle.
Enquanto o relógio marcava as horas lentas da madrugada, Clara fechava os olhos entre as dores, imaginando como seria o momento em que finalmente segurasse Roberto em seus braços.
Ela sabia que, quando chegasse a hora, seria difícil, mas também sabia que não estaria sozinha.
As horas da madrugada avançavam, mas para Clara, cada minuto parecia uma eternidade. As dores se tornavam cada vez mais intensas, como ondas que começavam suaves, mas logo ganhavam força, deixando-a sem fôlego. Sentada na cama, com as mãos apertando o lençol, ela lutava para manter a calma, mas o desconforto crescente parecia testar seus limites.
Cleonice estava sentada ao lado dela, segurando sua mão com força, mas a preocupação estava estampada em seu rosto.
— Respira, minha filha, respira. — Dizia, tentando manter a calma.
Clara fez um esforço para obedecer, mas a respiração vinha em soluços desiguais.
— Mãe, eu não sei... eu não sei se consigo. Está piorando... muito.
Cleonice olhou para Cíntia, que estava de pé ao lado da porta, pronta para chamar Roberto a qualquer momento.
— Cíntia, traz mais água pra ela. — Disse Cleonice, tentando manter-se útil, mas a tensão em sua voz era evidente.
Cíntia correu para a cozinha, mas enquanto estava fora, Clara teve outra contração que a fez gritar, o som ecoando pelo quarto e fazendo Cleonice apertar ainda mais sua mão.
— Mãe! Dói muito... muito! — Gritou Clara, lágrimas escorrendo pelo rosto.
Cleonice sentiu o coração apertar. Ela sabia que o parto era um momento difícil, mas ver sua filha tão jovem passar por aquilo parecia um pesadelo.
— Calma, meu amor. Vamos superar isso juntas. Eu estou aqui. — Disse, enquanto acariciava o cabelo de Clara.
As contrações continuavam, cada vez mais próximas. Clara mal tinha tempo de recuperar o fôlego antes que outra onda de dor a atingisse. Sua testa estava coberta de suor, e as mãos tremiam enquanto ela tentava segurar o ritmo da respiração.
— Mãe, por favor... faz parar... eu não aguento mais. — Disse, entre soluços.
Cleonice sentiu as lágrimas encherem seus próprios olhos, mas engoliu o choro, decidida a ser forte por Clara.
— Vai passar, Clara. Você é forte. Só mais um pouco, minha filha.
Roberto apareceu na porta, preocupado com os gritos da filha.
— Cleonice, precisamos levar ela ao hospital agora. Não podemos esperar mais.
Cleonice assentiu, mas antes que pudesse responder, Clara interrompeu com um grito mais alto, desta vez segurando a barriga com as duas mãos.
— Ai, meu Deus... tem algo diferente!
Cíntia voltou correndo com o copo de água, mas parou no meio do caminho ao ver a expressão de Clara.
— O que foi? — Perguntou, com o rosto pálido.
Clara olhou para Cleonice com os olhos arregalados, sentindo algo quente escorrer pelas pernas.
— Mãe... minha bolsa estourou.
Cleonice arregalou os olhos, sentindo o pânico misturado com alívio.
— Roberto, liga pro hospital! Agora!
Roberto saiu correndo para buscar as chaves do carro enquanto Cíntia ajudava Clara a se levantar. A cama estava parcialmente molhada, e Clara tremia ao perceber que o grande momento havia chegado.
— É agora, mãe... É agora. — Disse Clara, com a voz cheia de medo e expectativa.
Cleonice abraçou a filha, segurando-a firme.
— Sim, meu amor. Vamos te levar ao hospital. Vai dar tudo certo.
Roberto ajudou a colocar Clara no carro enquanto Cíntia segurava a mão dela o tempo todo, murmurando palavras de encorajamento. Cleonice sentou-se no banco de trás com Clara, segurando sua cabeça e limpando o suor de seu rosto com um lenço.
— Respira, minha filha. Lembra do que a médica falou. Inspira... expira...
Clara tentava, mas as dores vinham tão fortes que tudo parecia uma nuvem de confusão.
— Eu não vou conseguir... está doendo demais! — Disse, chorando.
Cleonice segurou o rosto da filha, olhando-a nos olhos.
— Vai sim, Clara. Você vai conseguir. Estamos todos aqui com você.
Quando chegaram ao hospital, uma equipe médica já estava esperando, avisada por Roberto no caminho. Clara foi colocada em uma cadeira de rodas, enquanto Cleonice e Cíntia a acompanhavam, sem desgrudar dela.
— Respira, Clara. Você é forte. — Disse Cleonice, enquanto Clara era levada para a sala de triagem.
A médica que a examinou confirmou o que todos já suspeitavam.
— O trabalho de parto começou. Vamos levá-la para a sala de parto agora.
Clara olhou para Cleonice com medo nos olhos.
— Mãe, fica comigo... por favor.
Cleonice apertou a mão da filha, sentindo o coração apertar, mas tentando ser a fortaleza que Clara precisava.
— Eu não vou a lugar nenhum, meu amor. Estou com você até o fim.
Na sala de espera do hospital, Roberto caminhava de um lado para o outro, incapaz de esconder o desespero. Ele parava ocasionalmente, sentava-se, colocava as mãos na cabeça, mas logo levantava de novo, andando em círculos como se isso pudesse resolver algo.
— Meu Deus, por favor, proteja minha filha. — Murmurava, sem perceber que estava falando em voz alta.
Cíntia, ao lado dele, segurava o celular com as mãos trêmulas. Havia acabado de ligar para Elisa e Renan, explicando a situação.
— Eles estão vindo, pai. Devem chegar a qualquer momento.
— E se algo der errado, Cíntia? — Perguntou Roberto, com os olhos marejados. — Ela é tão jovem, tão frágil...
Cíntia colocou a mão no ombro do pai, tentando transmitir alguma calma.
— Vai dar tudo certo, pai. A Clara é forte. Ela vai conseguir.
Mas, por dentro, Cíntia também estava assustada. Ela tentava manter a compostura, sabendo que a mãe e a irmã precisavam dela forte naquele momento.
Enquanto isso, dentro da sala de pré-parto, Clara estava deitada, segurando a mão de Cleonice com tanta força que os dedos da mãe começaram a doer, mas Cleonice não reclamou.
— Mãe... está doendo muito. Eu não consigo... não consigo. — Disse Clara, entre lágrimas, enquanto outra contração a atingia.
Cleonice olhou para a filha, vendo o medo nos olhos dela. Respirou fundo, tentando encontrar as palavras certas.
— Clara, escuta. Eu passei por isso duas vezes. Uma delas foi quando você nasceu. Eu sei o quanto dói, mas você é forte. E essa dor vai passar. Vai valer a pena quando você segurar o Roberto nos braços.
Clara chorou mais, balançando a cabeça.
— E se algo der errado? E se eu não conseguir?
Cleonice segurou o rosto da filha com as duas mãos, olhando-a nos olhos com firmeza.
— Você vai conseguir. Eu estou aqui com você. Nós vamos superar isso juntas.
A médica entrou nesse momento, observando Clara com cuidado.
— Vamos dar mais uma olhada, Clara. Quero ver como estamos progredindo.
Depois de examiná-la, a médica olhou para Clara e Cleonice com um sorriso encorajador.
— Boa notícia: os dez centímetros de dilatação estão completos. Está na hora de levar você para a sala de parto.
A equipe médica preparou rapidamente Clara para o parto. Ela foi colocada em uma maca e levada para a sala de parto, enquanto Cleonice segurava a mão da filha o tempo todo.
— Estou aqui, Clara. Não vou sair do seu lado. — Repetia Cleonice, enquanto tentava manter a calma para não passar sua própria ansiedade para a filha.
Quando chegaram à sala, Clara foi vestida com a roupa apropriada para o parto, e Cleonice também recebeu uma vestimenta esterilizada para acompanhá-la. A sala estava bem iluminada, com uma equipe de enfermeiros e médicos preparada.
— Certo, Clara. — Disse a médica com um tom calmo, mas firme. — Agora precisamos que você comece a fazer força quando eu avisar. Vai ser difícil, mas estamos aqui com você.
Clara começou a seguir as instruções da médica. Cada vez que ela fazia força, a dor parecia insuportável, como se todo o seu corpo estivesse sendo puxado ao limite.
— Isso, Clara, muito bem. Mais uma vez! — Disse a médica, enquanto Cleonice apertava a mão da filha, incentivando-a.
— Mãe, dói muito! Eu não consigo! — Clara gritou, com o rosto vermelho de esforço.
— Você consegue, meu amor. Você já está tão perto. Continua. — Respondeu Cleonice, com a voz firme, mas os olhos cheios de lágrimas.
Clara tentou novamente, reunindo toda a força que tinha, mas parecia que o bebê não queria nascer.
— Por que ele não sai? Tem algo errado? — Perguntou Clara, com o olhar cheio de medo, enquanto lágrimas escorriam pelo rosto.
A médica olhou para ela com calma, tentando tranquilizá-la.
— Está tudo bem, Clara. O bebê está em posição, mas pode levar um pouco mais de tempo. Continue fazendo força quando eu pedir.
Clara assentiu, mas o desespero tomava conta dela. Cleonice segurou o rosto da filha novamente, olhando-a diretamente nos olhos.
— Clara, escuta. Você é mais forte do que pensa. Não deixa o medo te dominar agora. Pensa no seu filho. Ele está quase aqui, esperando por você.
Clara respirou fundo, enxugou as lágrimas com a manga do roupão e tentou novamente. A dor parecia maior a cada tentativa, mas ela não desistiu.
Depois de várias tentativas frustradas, a médica olhou para Clara novamente.
— Clara, eu sei que está difícil, mas preciso que você me dê mais uma boa força. Está bem?
A sala de parto estava em completo movimento. Enfermeiras ajustavam equipamentos, a médica verificava a dilatação e as contrações de Clara continuavam cada vez mais próximas e intensas. Clara, com o rosto molhado de suor e lágrimas, segurava a mão de Cleonice com força, quase como se dependesse disso para continuar.
— Mãe, por favor... — murmurou, a voz embargada pela dor.
— Eu sei, minha filha, eu sei. Vai passar, eu prometo. — Respondeu Cleonice, tentando esconder o próprio desespero ao ver a filha sofrendo tanto.
Cada contração parecia mais forte que a anterior. Clara arqueava as costas, gemendo enquanto tentava encontrar forças para suportar.
— Está doendo demais! Não aguento mais! — Ela gritou, olhando para a médica com os olhos marejados.
A médica se aproximou, sua voz calma e firme.
— Clara, eu sei que parece interminável, mas você está progredindo. Ainda temos um pouco de tempo antes de poder começar o parto ativo. Respira comigo, está bem? Inspira... expira.
Clara tentou seguir as instruções, mas as dores interrompiam sua concentração.
Cleonice estava ao lado de Clara, mas por dentro, ela lutava contra a vontade de chorar. Cada gemido de dor da filha parecia um golpe direto em seu coração. Ela sabia o quanto o trabalho de parto podia ser difícil, mas ver sua menina passar por aquilo era mais do que poderia suportar.
Ela abaixou a cabeça, apertando a mão de Clara com força, enquanto uma lágrima escorria por seu rosto.
— Você é forte, Clara. Mais forte do que imagina. — Disse ela, tentando conter sua própria emoção.
Clara, entre as contrações, olhou para a mãe.
— Mãe, eu tenho medo. Medo de não conseguir.
Cleonice acariciou o rosto da filha com delicadeza.
— Você vai conseguir, minha filha. Eu sei que vai.
Enquanto isso, na sala de espera, Roberto estava sentado em uma cadeira desconfortável, com as mãos na cabeça e os cotovelos apoiados nos joelhos. Ele balançava levemente para frente e para trás, como se isso pudesse aliviar sua ansiedade.
— Por que está demorando tanto? — Ele murmurou para si mesmo, sem esperar uma resposta.
Cíntia, que estava ao lado dele, olhava preocupada para o celular.
— Pai, calma. Essas coisas levam tempo.
Roberto suspirou profundamente, passando a mão pelo rosto.
— Não suporto a ideia de que minha filha está lá dentro sofrendo e eu não posso fazer nada.
Cíntia colocou a mão no ombro dele, tentando transmitir um pouco de conforto.
— Ela está em boas mãos. A mamãe está lá com ela, e a equipe médica é excelente. Vamos confiar.
Nesse momento, Elisa e Renan chegaram, ambos visivelmente preocupados.
— Alguma notícia? — Perguntou Elisa, correndo para abraçar Cíntia.
— Ainda não. Só sabemos que ela foi para a sala de parto. — Respondeu Cíntia.
Renan sentou-se ao lado de Roberto, cruzando os braços.
— Ela vai conseguir, seu Roberto. Clara é forte. Mais forte do que ela mesma imagina.
Roberto apenas assentiu, tentando encontrar algum conforto nas palavras de Renan.
Clara sentiu outra contração intensa, seu corpo arqueando involuntariamente.
— Está piorando! — Ela gritou, apertando os olhos com força enquanto as lágrimas desciam pelo rosto.
A médica se aproximou novamente, segurando a mão dela com firmeza.
— Clara, seu corpo está fazendo exatamente o que precisa fazer. Você está indo muito bem. Continue respirando.
Cleonice segurou o rosto da filha, inclinando-se para que seus olhos se encontrassem.
— Minha filha, olha para mim. Eu estou aqui com você. Respira fundo, pensa no Roberto. Ele está quase aqui.
Clara tentou se concentrar nas palavras da mãe, mas a dor parecia consumir tudo ao seu redor.
— Eu não aguento mais... — Ela murmurou, sua voz enfraquecida.
— Você consegue, Clara. Só mais um pouco. — Disse Cleonice, com firmeza.
Depois de mais algumas horas, a médica examinou Clara novamente.
— Estamos quase lá, Clara. Você está progredindo bem, mas ainda não é hora de começar a empurrar.
Clara soltou um gemido frustrado, suas forças já no limite.
— Por que está demorando tanto? Por que ele não quer nascer?
A médica sorriu levemente, tentando tranquilizá-la.
— Alguns bebês são assim, um pouco mais teimosos. Mas você está fazendo um ótimo trabalho.
Cleonice sorriu para Clara, tentando aliviar a tensão.
— Parece que ele puxou a mãe.
Clara conseguiu dar um pequeno sorriso, mesmo em meio à dor.
As contrações continuavam intensas, e Clara começou a sentir que seu corpo estava no limite.
— Mãe, estou com tanto medo... e se algo estiver errado?
Cleonice segurou o rosto da filha novamente, seus olhos cheios de determinação.
— Não tem nada errado, Clara. Ele só está esperando o momento certo. E você vai conseguir.
Clara assentiu, tentando encontrar forças nas palavras da mãe.
Na sala de espera, Elisa e Renan tentavam animar Cíntia e Roberto, mas a tensão era palpável.
— Está demorando tanto... — Murmurou Roberto, olhando para o relógio.
— Pai, calma. Essas coisas levam tempo. — Disse Cíntia, mas sua própria voz traía a ansiedade que sentia.
Elisa segurou a mão de Cíntia, tentando transmitir alguma calma.
— A Clara é forte. Ela vai passar por isso.
Renan, sentado ao lado de Roberto, suspirou profundamente.
— Estou rezando por ela. Sei que não pareço religioso, mas estou.
Depois de horas de espera e esforço, a médica voltou a examinar Clara. Cleonice segurava a mão da filha, que estava exausta, mas determinada.
— Estamos quase lá. A qualquer momento, vai ser hora de empurrar.
Clara olhou para a mãe, seu rosto pálido, mas cheio de determinação.
— Eu só quero que ele esteja bem...
Cleonice sorriu, enxugando o suor da testa da filha.
— Ele está, meu amor. E você também.
E assim, com o coração cheio de medo e esperança, Clara se preparava para enfrentar o momento mais intenso de sua vida.
O ambiente na sala de parto estava carregado de tensão. Clara, exausta e com o corpo trêmulo de dor, segurava a mão de Cleonice como se sua vida dependesse disso. A médica observava cada sinal, o suor escorrendo por sua testa enquanto tomava decisões rápidas.
— Clara, precisamos conversar. — Disse a médica, com um tom calmo, mas firme.
Clara mal conseguia responder, seus olhos estavam semicerrados pelo cansaço extremo. Cleonice inclinou-se, segurando o rosto da filha.
— Clara, olha para mim. A doutora precisa falar com você.
Clara fez um esforço para abrir os olhos e olhar para a médica.
— O que foi? — Perguntou, sua voz quase inaudível.
A médica respirou fundo, posicionando-se ao lado de Clara.
— O bebê está em uma posição que torna o parto normal muito difícil. Já esperamos o máximo que podíamos, mas agora precisamos fazer um parto assistido, com a ajuda de fórceps.
Cleonice arregalou os olhos, sentindo um nó no estômago, mas manteve-se ao lado da filha.
— O que isso significa? — Perguntou Cleonice.
— Significa que precisamos usar instrumentos para ajudar o bebê a sair com segurança. Pode ser desconfortável, mas é a melhor maneira de garantir que tudo termine bem.
Clara tentou assimilar as palavras, mas o medo era maior que tudo.
— Ele vai ficar bem? — Perguntou, com lágrimas escorrendo pelo rosto.
A médica segurou a mão dela, olhando diretamente em seus olhos.
— Sim, Clara. Estamos aqui para garantir que tanto você quanto o bebê fiquem bem. Mas precisamos agir agora.
Clara assentiu lentamente, sem ter forças para discutir ou questionar.
Enquanto isso, na sala de espera, Roberto continuava andando de um lado para o outro. Cíntia estava sentada, conversando baixinho com Elisa e Renan, tentando manter a calma.
Foi então que uma enfermeira entrou, trazendo a atualização.
— A equipe médica vai realizar um parto assistido com fórceps. É um procedimento seguro, mas necessário devido à posição do bebê.
Roberto parou imediatamente, o rosto pálido.
— Mas isso é perigoso? Minha filha vai ficar bem?
A enfermeira sorriu suavemente, tentando tranquilizá-lo.
— É um procedimento comum em casos como esse. A equipe médica está fazendo o melhor por Clara e pelo bebê.
Apesar das palavras tranquilizadoras, Roberto sentiu as pernas enfraquecerem. Ele sentou-se novamente, passando as mãos pelo rosto.
— Isso não devia estar acontecendo... Ela já sofreu tanto. — Disse ele, quase para si mesmo.
Renan colocou a mão no ombro de Roberto.
— Seu Roberto, eu sei que é difícil, mas ela é forte. Vai ficar tudo bem.
Cíntia segurou a mão do pai, tentando conter as próprias lágrimas.
— Ela vai conseguir, pai. Precisamos acreditar nisso.
Na sala de parto, a equipe começou a preparar Clara para o procedimento. A médica explicou cada passo com cuidado, enquanto Cleonice permanecia ao lado da filha, sussurrando palavras de encorajamento.
— Clara, está quase acabando. Ele vai estar nos seus braços em alguns minutos. — Disse Cleonice, enxugando o suor da testa da filha.
Clara, com os olhos pesados de exaustão, olhou para a mãe.
— Eu só quero que ele fique bem...
Cleonice apertou a mão da filha, tentando transmitir toda a força que ela precisava.
— Ele vai ficar bem. E você também.
Com o fórceps posicionado, a médica pediu que Clara fizesse força mais uma vez.
— Vamos, Clara. Você consegue. Essa é a última etapa.
Clara reuniu tudo o que restava de energia e empurrou com todas as suas forças. Sentiu uma dor intensa, mas também um alívio imediato.
— Isso, Clara. Só mais um pouco! — Incentivou a médica.
Cleonice começou a chorar, apertando ainda mais a mão da filha.
— Você está conseguindo, minha filha. Ele está vindo!
Depois de mais alguns segundos que pareceram uma eternidade, o som mais esperado ecoou pela sala: o choro de um recém-nascido.
— Ele chegou! — Disse a médica, segurando o bebê.
Clara tentou abrir os olhos, mas seu corpo estava tão exausto que tudo parecia turvo. Ela sentiu o peso do pequeno Roberto sendo colocado em seus braços por alguns segundos antes de desmaiar.
— Clara! — Gritou Cleonice, segurando a filha enquanto a equipe médica agia rapidamente para estabilizá-la.
Enquanto a médica verificava Clara, Cleonice olhou para o neto, que chorava vigorosamente em seus braços. Apesar do medo e da tensão, ela sorriu através das lágrimas, acariciando o pequeno rosto dele.
— Você é perfeito, meu anjo. A sua mãe vai ficar bem.
Na sala de espera, uma enfermeira entrou, anunciando a chegada de Roberto.
— O bebê nasceu, e está bem.
Roberto soltou um suspiro de alívio, caindo de joelhos enquanto agradecia baixinho. Elisa e Renan se abraçaram, emocionados, enquanto Cíntia sorria com lágrimas escorrendo pelo rosto.
Mas, apesar da alegria pela chegada do bebê, todos aguardavam ansiosos por notícias de Clara.
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Atualizado até capítulo 65
Comments
💙 Shofie
No meu nascimento, tiveram que usar esse instrumento, que me deixou com uma cicatriz na testa 🤦♀️
2025-01-06
0
gata
Gente parecia real, meu primeiro filho foi exatamente igual,teve que ser puxado a ferro ,por fim tiveram que bater na minha cara pra mim voltar, misericórdia 😢
2025-02-05
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Cintia Maria Lemos Tavares
Deus é mais angustia do cão por isso agendei as cesarianas e fui, Deus é mais de sentir tanta dor, fui plena e sair quase plena kkkk mas não sentir dor
2025-02-12
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