Capítulo 18 • Antonella Rossi

Estou exausta, porém contente com as realizações de hoje e com o que consegui organizar até agora. Cada pormenor do jantar de noivado está em andamento ou finalizado.

Me sinto aliviada por finalmente ter tudo resolvido. Amanhã, a equipe de decoração escolhida por Vittoria começará a montar as estruturas.

Depois de um extenso banho aquecido, coloco uma roupa aconchegante e decido ir para a sala, onde tenho a intenção de aguardar Diego. Trago o meu notebook comigo, assim posso continuar a trabalhar enquanto aguardo por ele.

Desejo compartilhar com ele sobre a visita de Vittoria e Elena, e gostaria de ouvir sua perspectiva sobre os preparativos e as escolhas que fizemos, de uma forma um tanto inocente. Sinto a necessidade de incluir Diego nesta fase, pelo menos para que ele esteja informado sobre como tudo ocorrerá.

Ao entrar na sala, a casa está em silêncio e tranquilidade. Ainda fico impressionado com a diferença dela em relação à casa onde morei desde que nasci. A luz suave das lâmpadas proporciona um espaço confortável e me acomodo no sofá, cruzando as pernas na espuma macia e apoiando o notebook sobre elas.

Os meus pensamentos retornam a certos momentos do dia, às gargalhadas e orientações das meninas, o desejo que tive de realmente fazer parte daquilo tudo e, finalmente, as minhas próprias dúvidas.

Os minutos passam devagar e meus olhos exploram a sala, contemplando cada pormenor da decoração que ainda é novidade para mim. Questiono-me se Diego apreciará o que realizamos até agora e se ele concordará com todas as escolhas que fizemos.

Aproximadamente duas horas mais tarde, finalmente, escuto o ruído de carros se aproximando e, pouco tempo depois, os passos dele ressoam no corredor, fazendo meu coração bater mais rápido.

Diego adentra a sala e seu semblante expressa surpresa ao me reconhecer.

Antonella? - Alguns instantes atrás, pensei que seria apropriado compartilhar com ele os preparativos para o nosso jantar de noivado. Atualmente, sinto-me não somente insegura, mas também inocente diante do homem com quem vou me casar.

- Olá Diego. - Pego o computador e me posiciono.

- Ocorreu algo?

Não, eu apenas estava à sua espera.

- Estou à sua espera? - Seu olhar analisa cada cantinho do meu.

- Sim. - Minha voz sai mais suave do que eu imaginava. - Eu gostaria de apresentar o que decidimos até agora e saber se você deseja algo específico para o jantar de noivado.

- Entendo. - Ele desabotoa a gravata e remove o primeiro botão da sua camisa\, me hipnotizando com um gesto simples. - Antonella? - Minhas bochechas ardem ao perceber que ele estava falando comigo sem que eu percebesse.

- Peço desculpas\, me distraí. - Ele sorri timidamente\, ciente da razão precisa da minha distração. - O que você disse?

- Disse que vou me banhar e que descerei em seguida. Rosa pode nos servir o jantar? Estou com fome. - Ele me olha de frente a frente e eu me questiono silenciosamente a que tipo de fome ele se refere.

- Sim\, é claro - exclamo ansiosa\, escondendo uma mecha de cabelo atrás da orelha. - Vou fazer isso agora. - Apresso-me para a cozinha\, deixando-o na sala antes que a situação se agrave.

Meu Deus, observei Diego como se fosse um pedaço de carne suculenta bem à minha frente. Estou com a mão no peito, pois sinto que meu coração está prestes a atravessar minha caixa torácica e saltar para fora.

Depois de dialogar com Rosa e solicitar que ela prepare o jantar, retornei à sala tentando manter a serenidade enquanto espero a chegada de Diego.

Respiro profundamente, tentando acalmar meu coração agitado e me recosto no sofá. Retomo o meu notebook para revisar algumas notas enquanto aguardo Diego terminar o banho. No entanto, não consigo me focar em nada e acabo lendo a mesma linha várias vezes sem êxito.

Não tardarei a ouvir a ressonância dos seus passos no corredor. Nos anos em que estive encarcerada, a audição tornou-se o sentido mais aguçado para mim. Parece que estou habituada a antecipar o perigo quando ele está mais perto.

Quando ele volta, está mais relaxado, usando uma camisa básica e jeans, os cabelos ainda molhados do banho. Em poucos segundos, eu capto cada pormenor, até mesmo o sorriso meio desconcertado ao perceber a minha atenção. Ele se aproxima, estendendo a mão em minha direção.

- Vamos. - Sua voz chega até mim num tom delicado e simultaneamente intenso\, olho para sua mão estendida e coloco o notebook de lado\, apoiando a minha palma sobre a dele. - Podemos conversar enquanto comemos.

Com os dedos entrelaçados e o coração pulsando forte, sigo-o, sentindo minha pele se aquecer ao sentir seu toque. Ele levanta a cadeira que está ao seu lado direito e, após me auxiliar, se acomoda na parte superior da mesa.

Abro os olhos assustada e me levanto rapidamente, recordando minha mãe e todos os seus ensinamentos. Quando estou prestes a servir o seu prato, ele me impede.

- Não é necessário\, Antonella. - Sua voz é delicada\, não é uma advertência. - Quando estivermos sozinhos\, você não precisa se comportar como uma esposa da Máfia\, eu não ligo para todas essas convenções inúteis.

Contrariando tudo o que experimentei e aprendi ao longo da minha vida, Diego se apresenta de forma distinta para mim, o que me deixa mais tranquila. Talvez possamos realmente nos dar bem juntos.

- Conte-me\, como estão os preparativos para o jantar? - Começa a conversa após nos servirmos. - Você consome vinho? - questiona após servir a própria taça.

- Nunca tinha bebido antes - admito\, e minhas bochechas ficam rosadas com a revelação tão inocente. Quem é a mulher que\, aos 24 anos\, nunca experimentou qualquer tipo de bebida alcoólica? Provavelmente só eu\, já que até os vinte anos fui impedida por Mário e\, posteriormente\, fui aprisionada por ele.

- Você deseja? - Coloque a garrafa sobre a minha taça sem derramar o líquido enquanto espero pela sua resposta.

– Posso? - Questiono por que Mário sempre afirmou que as bebidas não eram adequadas para mulheres, uma vez que modificavam os sentidos e as mulheres deveriam estar sempre atentas às necessidades de seus maridos. Minha mãe nunca bebia.

- Antonella\, você tem total liberdade. - Ele derrama o líquido\, me prendendo com seu gesto sutil. - Como já lhe disse anteriormente\, você não é uma escrava nesta casa\, mas sim minha hóspede\, dentro de alguns dias será minha camarada e\, em um mês\, minha esposa.

- Um mês? - Anoto a data que marcará o nosso matrimônio.

- Certo. Alessandro não quer esperar muito para oficializar nossa união\, tanto que já iniciei o processo hoje mesmo.

- E os meus documentos? - questiono\, pois não os tenho e nem poderia\, considerando a condição em que me encontrava.

- Não se preocupe\, já resolvi tudo. - Ele leva a taça à boca e eu retribuo o gesto\, esperando que a bebida provoque em mim o efeito que sempre li sobre ter e adormeça meus sentidos. - Agora\, conte-me sobre o jantar\, o que decidiram até agora e se precisa de algo mais.

- Então\, vamos começar pela decoração. – Sento-me na poltrona acolchoada e encaro-o\, esforçando-me para manter a voz firme enquanto resumio o processo até agora. – Vittoria e Elena vieram aqui hoje à tarde e nos auxiliaram bastante com sugestões. Na verdade\, já decidimos quase tudo. Por exemplo\, para os arranjos florais\, optamos por rosas brancas e vermelhas\, pois acredito que conferem um ar clássico e sofisticado ao mesmo tempo.

- Perfeitamente\, Antonella. E o menu?

Estou insegura por ter escolhido um menu mais diversificado, mesclando pratos italianos tradicionais com algumas alternativas mais refinadas.

- Ok\, em relação ao menu\, - elucido - teremos entradas de frutos do mar\, pratos principais de cordeiro e carne bovina\, além de sobremesas que mesclam receitas tradicionais e alternativas contemporâneas. Decidi manter um equilíbrio entre o tradicional e o sofisticado\, oferecendo bebidas alcoólicas e não alcoólicas\, além de incluir tudo o que Elena mencionou que homens e mulheres costumam consumir nesses eventos. – Faço uma pausa e prossigo. – A equipe de decoração que Vittoria sugeriu começará a montagem amanhã. Penso que esses são os aspectos mais relevantes\, mas gostaria de saber se você precisa de algo específico além do que já providenciei.

Diego me escuta atentamente, seu semblante permanece inalterado enquanto analisa cada pormenor do que estou a dizer.

- Parece ótimo. - Ele diz\, lançando um pequeno sorriso de canto que expressa aprovação. - Você realmente refletiu sobre tudo\, Antonella\, não há mais nada a ser adicionado. Tudo parece estar perfeitamente em ordem.

Com o elogio, sinto um calor percorrer meu corpo e sorrio de volta, ganhando um pouco mais de confiança.

- Agradeço\, Diego. Desejava que tudo estivesse em perfeito funcionamento.

Ele se abaixa um pouco, sua expressão se tornando mais suave.

- Sei que tudo ficará bem\, especialmente ao observar que você está tratando tudo com cuidado.

- Não quero desapontá-lo. - Desvio o olhar\, inicialmente envergonhada pela confissão\, mas logo mordo os lábios na tentativa de conter a língua para não fazer perguntas além do necessário.

- O que deseja saber\, Antonella? - Ele questiona\, percebendo que estou hesitante em fazer uma pergunta. - Eu já disse que você não precisa ter cerimônia comigo\, pode falar o que quiser. - Eu já disse que você não precisa ter cerimônia comigo\, pode falar o que quiser.

- Apenas queria saber sobre a segurança\, se tudo está em ordem. - Desvio o olhar do seu\, primeiramente porque reconheço que essa não é uma responsabilidade minha\, e em segundo lugar\, porque entendo que homens não discutem esses temas com suas parceiras.

Surpreendentemente, ele estende a mão sobre a mesa e aperta delicadamente a minha. Diego me olha por um instante, seu semblante exibindo uma expressão de reflexão antes de me responder.

- Antonella\, não se preocupe com a segurança\, tudo está sob controle. - Ele fala com segurança\, tentando me tranquilizar. - Já designei os homens mais competentes para cuidar de tudo. Não há necessidade de se preocupar com nada\, está tudo bem?

Sinto-me, tentando me persuadir de que não tenho nada para me preocupar.

- Tudo bem\, Diego. - afirmo\, com sinceridade\, tentando afastar a preocupação.

Diego sorri, contente com a minha reação.

- E agora\, sobre o jantar de noivado. - Ele inicia\, voltando o foco para os preparativos\, como se quisesse me manter em um ambiente confortável\, e então enche novamente nossas taças. - Você mencionou todas as suas escolhas\, certo? - confirmo\, tomando mais um gole de vinho e notando que meu corpo parece mais relaxado a cada gole que tomo. - Suas escolhas foram perfeitas\, mas não esqueça de adicionar um elemento pessoal seu. Algo que simbolize você. Não se prenda apenas ao tradicional e ao que é esperado pelos outros\, mas também faça algo que você anseie.

Reflito brevemente. Um toque pessoal? O que poderia estar ocorrendo? Possivelmente algo que represente a minha nova existência, algo que ilustre a esperança que estou descobrindo mesmo em meio a toda essa confusão.

- Talvez... eu possa adicionar orquídeas brancas. - Proponho\, hesitante. - São delicadas\, mas também possuem força. Penso que são compatíveis com o que estou tentando estabelecer aqui.

Diego sorri, seu olhar se tornando mais suave.

- Exatamente\, Antonella. Então\, ele levanta sua taça em um brinde.

- Há mais alguma coisa que você gostaria de modificar? - Diego questiona ao terminarmos o jantar. O vinho é delicado e agradável\, e começo a me sentir mais relaxada\, até mesmo mais comunicativa.

- Sim\, de fato. - respondo\, recordando-me de um último detalhe. - A música. Selecionei algumas peças clássicas para a recepção\, mas gostaria de saber se você possui algum gosto particular.

Diego reflete por um instante.

- Aprecio a ideia de utilizar música clássica na recepção - ele afirma\, concordando. - Contudo\, podemos considerar a inclusão de algumas canções tradicionais italianas também.

Sorrio, considerando a sugestão ótima.

- Estou de acordo. Vou modificar a playlist para incluir algumas músicas clássicas. – Afirmo\, registrando mentalmente.

Após o jantar, faço uma pausa na sala para pegar o computador e subimos as escadas juntos. Ao chegar ao meu quarto, sinto-me mais serena e protegida.

Fecho a porta e inspiro profundamente, ponderando sobre o dia, o jantar e o que o futuro me reserva.

Embora frequentemente me sinta confusa com tantas transformações na minha vida e tenha receio de que Mário possa me encontrar e me prender novamente, sinto que estou seguindo a direção correta.

Apoio o laptop na mesa de trabalho e me acomodo na cama, fechando os olhos e permitindo que o cansaço finalmente me domine. Os dias seguintes serão extensos e cansativos.

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Miih Simão

Miih Simão

como ela ficou 4 anos dormindo em um chão frio não ficou doente compenomiunia ou morreu ficou louca estranho

2025-01-11

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3 Capítulo 01 • Antonella Rossi
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5 Capítulo 03 • Diego Marchese
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3
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