Capítulo 14 • Antonella Rossi

Todo o meu corpo se arrepia, o quarto está vazio no momento, apenas a respiração de Diego e a minha preenchem o eco vazio do ambiente.

Depois do beijo, experimento uma combinação de sentimentos tão forte que me deixa atônita. A sensação real do que acabamos de partilhar ainda persiste no toque dos seus lábios nos meus.

Ele se distanciou apenas alguns centímetros e, mesmo assim, o calor do seu corpo parece me envolver, suas mãos continuam agarradas ao meu pescoço, como se precisasse assegurar que estou suficientemente perto.

– A partir deste momento, você é minha! – Sinto o peso das suas palavras, bem como a ausência que impõe em seguida.

– Diego... – murmuro seu nome ao vê-lo se levantar da cama e, posteriormente, se distanciar.

Tenho consciência de que estou vinculada a ele, a esse acordo proposto pelo nosso Chefe, mas pela primeira vez em minha vida, sinto-me livre. Assim como o apelido que Diego me deu 'meu pequeno pássaro', livre para voar. É assim que Diego deseja que eu me sinta, conforme percebi em suas palavras e ações.

Ele não deseja que eu seja aprisionada neste acordo da mesma forma que estive confinada em uma cela por todos esses anos. Diego me deu a chance de escolher... e eu... optei por me casar com ele.

Não consigo compreender como consigo mudar entre tantos sentimentos em um intervalo de tempo tão breve.

Assim que Diego me libertou, senti-me amedrontada, temerosa e insegura quanto ao meu futuro. Pouco tempo depois, fui tomada por um sentimento de gratidão. Depois, veio o sentimento de pertença, como se finalmente estivesse integrando algo que era uma decisão minha.

A surpresa com a proposta de Alessandro foi rapidamente substituída pelo sentimento de rejeição. Este último, eu nem sequer tinha o direito de experimentar. No entanto, foi impossível não me sentir rejeitada pela recusa implícita de Diego e agora, após o seu beijo, sinto-me inundada de desejo.

Sim, o beijo que ele acabou de me dar despertou em mim um desejo que eu nunca imaginei sentir por alguém na minha existência.

Eu tinha repulsa por homens, era o que eu sentia por Mário e todos ao seu redor. Vários dos seus seguranças insistiam que, quando Mário se cansasse de brincar comigo, seria a minha vez. Eu entendia perfeitamente o que diziam, pois Mário ameaçou me entregar a eles para que me usassem como mulher. Só de imaginar viver algo assim, eu tremia completamente.

– Boa noite, Antonella – Diego se despede ao chegar à porta do meu quarto, embora eu deseje que ele fique um pouco mais, para me auxiliar a compreender tudo o que estou experimentando. Não suplico que permaneça, mas peço que me auxilie a processar todos esses sentimentos conflituosos que me acometem como uma tempestade.

Passo muito tempo imóvel, olhando para a porta do quarto, que agora está fechada. O meu coração pulsa irregularmente dentro do peito. As minhas mãos ficam levemente trêmulas e sinto uma corrente de calor percorrer o meu rosto.

Nunca pensei que experimentaria algo semelhante, ainda mais por Diego. Ele é forte e resoluto, mas também carrega o fardo das suas obrigações, da proteção aos que ama, da fidelidade ao clã e, agora, o fardo de estar ao meu lado.

Desço até a janela, que se transformou em um refúgio para mim, minha ligação com o mundo exterior desde que fui resgatada. Cruzo os braços e encaro o céu sombrio.

As estrelas piscam no céu, alheias à agitação que se desenrola dentro de mim. Mantenho o controle da respiração, tentando tranquilizar meu coração e minha mente. No entanto, é um desafio, pois o que agora reconheço sentir por Diego é uma explosão de sentimentos que me deixa sem chão.

Temo as emoções que ele provoca em mim. Inquieto-me com o que isso representa para mim, para nós, para o nosso futuro compartilhado.

Tento raciocinar, enxergar as coisas sob um novo ponto de vista, porém não consigo. O que me vem à mente é o calor do seu corpo ao meu lado, o toque dos seus lábios, a intensidade do seu olhar.

Então? Como irei gerenciar tudo isso que está ocorrendo? Como vou gerenciar isso? Encosto a testa no vidro gelado da janela, procurando alguma clareza interna. Os pensamentos se movem em minha cabeça como um turbilhão.

O beijo de Diego foi mais do que uma simples demonstração de posse, foi um desejo, uma promessa e uma declaração de que estou confiante de que essa conexão entre nós se concretizará.

No entanto, percebo que ele me lembrou que nossa circunstância é delicada e arriscada, e que estamos adentrando um território desconhecido para mim e para ele.

Retorno à cama, porém o sono não chega. Estou deitada, olhando para o teto, tentando absorver tudo. Os flashes do beijo retornam: a firmeza do seu domínio, a determinação no olhar, a forma como ele me controlou.

O beijo em todos os pormenores. Cada instante está registrado na minha memória, tecendo uma rede de emoções que não consigo desfazer.

Estou tentando acalmar minha respiração, conforme a orientação da psicóloga e do psiquiatra, mas isso não tem surtido efeito. Diego deixou claro que o nosso matrimônio seria autêntico, e não uma encenação como pensei inicialmente.

Isso indica que ele está pronto para me incorporar completamente em sua vida, não apenas para me proteger, como inicialmente planejado. E o meu? Estou preparada para tal? para expressar meu coração a alguém, depositar confiança e me entregar totalmente?

Recordo-me das suas palavras: 'A partir deste momento, você é minha'. Existe algo que me causa arrepios e é aterrador nessa afirmação.

Ser dele significa estar resguardado, mas também implica em renunciar a uma parte de mim e depositar total confiança em outra pessoa. Isso é algo que não consigo entender como realizar.

Mário destruiu a minha fé nas pessoas e não consigo descobrir como restabelecer isso em mim.

Percebo que o tempo está abrandando, a obscuridade do quarto parece apertar. Estou com vontade de agir, de realizar algo que acalme minha mente e coração.

Estou de pé e começo a percorrer o quarto, meus passos reverberando no silêncio. A cada minuto que ando de um lado para o outro, o espaço que ocupo na casa de Diego é um esforço para ordenar minhas ideias, buscando uma resposta para a minha desordem interior.

É inútil saber que ele está a duas portas de distância.

Após um longo período, retorno à cama e me deito novamente. Tento concentrar-me na respiração, contar até dez ou qualquer coisa que possa acalmar o coração acelerado. No entanto, tudo o que consigo recordar é de Diego, de como seus olhos me capturaram com uma combinação de determinação e desejo. E, acima de tudo, reflito sobre a sensação de segurança que isso me proporcionou.

A noite progride, alternando entre o sono e a vigília, imersa em reflexões. A profundidade dos sentimentos que me atormentam é aterrorizante, mas também é um sinal de que estou viva, capaz de sentir novamente, de que Mário não me destruiu totalmente.

E isso, de certa maneira, traz conforto.

Viro-me constantemente na cama, com os lençóis suaves entrelaçados nas minhas pernas. A recordação do beijo de Diego persiste em minha memória e ainda o sinto em meus lábios. Cada vez que revivo aquele instante, meu coração acelera.

A constância dos seus lábios, a segurança em suas palavras, a posse no seu toque... tudo isso me deixa perturbada.

Por fim, após um longo período, sinto o fardo do cansaço me envolver. Os meus olhos começam a se fechar e a última visão antes de adormecer é o céu estrelado visto pela janela, uma recordação de que, mesmo após tudo o que experimentei, ainda existe beleza no mundo.

Finalmente, encontro um pouco de tranquilidade.

No entanto, frequentemente acordo durante a noite, meus sonhos são perturbados pelas imagens de Diego, seus olhos profundos e seu toque possessivo, que se fundem com a imagem de Mário declarando que serei sempre o seu brinquedo e que ele virá me buscar.

Sempre que acordo, sinto o coração pulsar forte no peito, o medo tenta controlar os meus sentidos e, por isso, demoro para voltar a dormir. Só consigo encontrar paz quando a figura de Diego se sobrepõe à de Mário, sua garantia de proteção superando o temor que carrego do homem que me introduziu ao mundo.

Finalmente, quando a madrugada começa a ceder espaço aos primeiros raios de sol, sinto meus pensamentos começarem a se acalmar. A fadiga domina o medo e as dúvidas, e meu corpo finalmente adormece na cama, vencido pelo esgotamento físico e mental.

Fecho os olhos e deixo a luz e a tranquilidade da manhã me envolverem, encontrando um momento de tranquilidade. Desperto de forma profunda, sem ter sonhos ou pesadelos, encontrando a tranquilidade que tanto procurei durante a noite.

Por um instante, tudo parece estar em seu devido lugar, como se o mundo todo tivesse parado apenas para me proporcionar algumas horas de paz. E louvo a Deus por essa bênção.

Capítulos
1 Introdução
2 Prólogo • Antonella Rossi
3 Capítulo 01 • Antonella Rossi
4 Capítulo 02 • Diego Marchese
5 Capítulo 03 • Diego Marchese
6 Capítulo 04 • Antonella Rossi
7 Capítulo 05 • Diego Marchese
8 Capítulo 06 • Antonella Rossi
9 Capítulo 07 • Diego Marchese
10 Capítulo 08 • Antonella Rossi
11 Capítulo 09 • Antonella Rossi
12 Capítulo 10 • Diego Marchese
13 Capítulo 11 • Antonella Rossi
14 Capítulo 12 • Antonella Rossi
15 Capítulo 13 • Diego Marchese
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26 Capítulo 24 • Antonella Rossi
27 Capítulo 25 • Diego Marchese
28 Capítulo 26 • Antonella Rossi
29 Capítulo 27 • Diego Marchese
30 Capítulo 28 • Antonella Rossi
31 Capítulo 29 • Mário Rossi
32 Capítulo 30 • Diego Marchese
33 Capítulo 31 • Antonella Rossi
34 Capítulo 32 • Diego Marchese
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37 Capítulo 35 • Diego Marchese
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43 Capítulo 41 • Diego Marchese
44 Capítulo 42 • Diego Marchese
45 Capítulo 43 • Antonella Rossi
46 Capítulo 44 • Antonella Rossi
47 Capítulo 45 • Diego Marchese
48 Capítulo 46 • Antonella Rossi
49 Capítulo 47 • Diego Marchese
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Atualizado até capítulo 49

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2
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