Embora o amanhecer seja suave, meu coração ainda carrega o fardo dos pensamentos agitados da noite passada. Minhas noites de sono foram perturbadas e meu sono agitado.
Mal abri os olhos e notei que a porta do meu quarto estava sendo aberta quase em silêncio. Estou vigilante, mas me tranquilizo ao perceber que é Rosa. Ela me dá um sorriso e, com sua habitual delicadeza, se aproxima de mim.
– Olá, querida, pensei que já estivesse desperta.
– Bom dia, Rosa. – Sento-me à sua frente e a observo. Ao contrário dos dias anteriores, ela não possui uma bandeja de café da manhã em suas mãos. – Não tive uma boa noite de sono.
– Penso que há muitas coisas ocorrendo simultaneamente na sua vida, mas tudo vai se ajeitar. – Seu sorriso me traz um pouco de conforto e faço o possível para retribuir. – O Senhor Diego está te esperando para o café da manhã. – Sua voz é suave, mas a mensagem é clara, devo me arrumar e descer o quanto antes.
Repetidas vezes, pisco os olhos para afastar a luz suave que penetra pelas cortinas do quarto.
Sinto um aperto no estômago ao recordar o que ocorreu na noite anterior. O beijo de Diego, suas palavras, a promessa subentendida do que nos aguardava a partir de agora. Na minha mente, tudo está fresco, como um turbilhão de sentimentos que me deixa confusa.
– Está à minha espera? – Minha voz sai rouca, carregada de incertezas, além do cansaço resultante de uma noite mal dormida.
Ela ri, um sorriso que sempre me proporciona uma sensação de tranquilidade. Gradualmente, estou me sentindo mais seguro na companhia de Rosa. Com sua maneira serena e afetuosa, ela tem me auxiliado a superar esses momentos desafiadores, sempre com uma palavra amável para mim.
– Sim, querida. – Ela se abaixa, analisando minuciosamente meu rosto. – Você aparenta estar mais exausta do que o habitual. Você se sente bem?
Estou com vontade de desabafar, de compartilhar com ela a confusão em minha mente e as consequências das escolhas que fiz. No entanto, apenas balanço a cabeça para tranquilizá-la, pois ainda não consigo depositar total confiança nas pessoas. Apesar de todos terem me garantido proteção, para mim, ainda é complicado depositar confiança.
– Foi apenas uma noite complicada. – Estou tentando sorrir, mas sinto que não consigo ocultar a verdade.
Ela simplesmente concorda, porém seu semblante demonstra claramente que está expressando muito menos do que realmente sinto.
– Vou descer e informar ao Senhor Diego que você está se arrumando. – Ela me auxilia a levantar da cama, seu toque não me causa desconforto, é até mesmo reconfortante.
Gradualmente, essas pessoas estão me auxiliando a desmantelar as barreiras que criei e a recuperar minha normalidade.
Tomo um banho rápido e visto qualquer roupa que encontre no novo guarda-roupa que Diego me forneceu. Percebo um crescimento simultâneo de ansiedade e expectativa em mim.
O que Diego deseja de mim? Como irei lidar com você após o que ocorreu ontem entre nós dois? Depois de escovar os dentes, desço as escadas devagar, cada movimento sendo um esforço consciente para manter a serenidade.
Ao chegar à sala de jantar, encontro Diego sentado à mesa, com a cabeça baixa e os olhos fixos em um jornal que ele segura em suas mãos. Quando me aproximo, ele levanta o olhar e, por fim, nossos olhos se cruzam.
– Bom dia, Antonella. – A sua voz é decidida, mas há algo que me faz tremer internamente.
– Olá, Diego. – Sento-me à mesa, esforçando-me para regular a respiração. Rosa apresenta-me um prato com ovos cozidos e murmuro um agradecimento.
– Você conseguiu dormir bem? – Diego me olha com atenção antes de falar.
– Não muito. Muitas coisas na cabeça. – Quase me diverti com a ironia da sua pergunta, porém, balanço a cabeça em negação e opto por responder de maneira sincera.
No entanto, sinto que ele entenderia se eu mentisse, pois percebo quando ele concorda, compreendendo perfeitamente o que estou tentando expressar.
– Temos que discutir o que ocorreu ontem. – Meu coração dispara, mas tento manter a serenidade.
– Sim, é necessário.
Ele deixa o jornal de lado, remove os óculos de leitura e se inclina levemente para a frente, seus olhos agora voltados para mim.
– Antonella, – sua voz se torna grave – compreendo que é muita informação para você assimilar e não desejo te sobrecarregar. No entanto, se optamos por prosseguir com o plano em conjunto, é necessário agir e fazer as engrenagens funcionarem.
Sinto a tensão se intensificar. Inspiro profundamente, esforçando-me para manter a serenidade.
– O que isso implica? – pergunto, pois preciso compreender exatamente como vamos nos comportar a partir de agora. – O que devemos fazer agora? – Minha voz sai mais firme do que eu esperava e o olhar seguro de Diego é... tranquilizador.
– Inicialmente, eu hesitei em aceitar a sugestão de Alessandro, pois apresenta riscos para você. Contudo, reconheço que esta é, de fato, a nossa melhor oportunidade para capturar Mário o mais breve possível. – Ele faz uma pausa, tomando um gole de café antes de prosseguir. – Para isso, precisamos demonstrar a ele que o casamento é autêntico, que estamos comprometidos de verdade e, é claro, tornar nosso envolvimento público.
– Como vamos proceder? – Inclino-me levemente para a frente, a preocupação e a ansiedade se intensificando rapidamente dentro de mim.
– Começaremos comunicando a Alessandro sobre nossa decisão. – engoli em seco, pois estar novamente frente ao Boss pode ser intimidador, afinal, nunca sei o que esperar dele. – Depois, anunciaremos nosso noivado ao restante do clã. – Diego fala de maneira tranquila, como se estivesse debatendo uma estratégia de negócios simples, e não um matrimônio.
A nossa união!
– Quando vamos realizar isso?
– Alessandro será informado da nossa decisão ainda hoje pela manhã. Em relação aos demais integrantes, é necessário decidir com ele a maneira mais eficaz de realizar as coisas. – A impessoalidade em suas palavras me atinge diretamente.
O que eu realmente desejava? Que tal ele despertar pela manhã com um ramalhete de flores nas mãos e um olhar de amor? Sim, sim, sim. Possivelmente era isso que eu aguardava de Diego ou de qualquer pessoa com quem eu viesse a me casar. Afinal, viver como minha mãe viveu vai me desestabilizar.
– Ok. – Falo baixo e cubro meu rosto com a xícara de café para que minhas expectativas não sejam tão evidentes.
– É necessário demonstrar aos integrantes do clã que estamos verdadeiramente unidos. O fato de já morarmos juntos vai facilitar, mas agora teremos que compartilhar nossa rotina e participar das atividades do clã como um casal.
A perspectiva de ter que interagir com outros indivíduos me surpreende e sinto meu coração bater mais forte. Estou verdadeiramente pronta para isso? Como posso compartilhar minha vida tão profundamente não só com Diego, mas com todos os integrantes da nossa organização?
Ele nota minha hesitação e agarra minha mão na mesa, seu toque é firme, porém suave.
– Eu compreendo, Antonella. – Sua voz é suave. – Mas asseguro que estarei ao seu lado em cada instante. Não estamos realizando isso somente pelo clã, estamos também agindo em seu benefício. No entanto, também precisamos garantir que isso funcione entre nós dois. Como mencionei, estarei ao seu lado em todas as circunstâncias e não permitirei que nada te prejudique.
Sinto o temor dominar minhas reflexões. A verdade nos olhos de Diego é incontestável, contudo, ainda existem tantas dúvidas em mim... é muita coisa para digerir de uma só vez.
– Diego, eu... – Minha voz sai embargada e ele aperta minha mão com mais força, me encorajando a prosseguir. – Eu quero tentar prosseguir, de verdade. No entanto, ainda estou receoso. Medo de errar, receio de sofrer novamente.
– Compreendo, Antonella. – Ele se inclina levemente, seu olhar suavizando sutilmente. – Estou ao seu lado, em cada etapa da jornada. Vamos realizar isso em conjunto.
– Tudo bem, Diego. – Minha voz parece insegura, mesmo tentando passar uma falsa tranquilidade.
Ele sorri discretamente, um pequeno sorriso em seus lábios que acelera meu coração. Pela primeira vez desde que toda essa loucura começou a se manifestar em minha mente, sinto que estamos realmente avançando, juntos, conforme ele mesmo expressou. Isso, mesmo diante de todos os receios e dúvidas, me proporciona a segurança necessária para prosseguir.
– Perfeito. – Ele solta a minha mão e se acomoda na cadeira. – Bem, como eu havia mencionado anteriormente, vamos iniciar comunicando nossa decisão a Alessandro. Vou informá-lo que estamos nos dirigindo à sua residência. Depois, discutiremos os pormenores da oficialização entre nós. Deveremos nos preparar para as questões e coordenar as respostas que forneceremos aos integrantes do clã. Certamente, muitos questionarão essa união repentina, mas é necessário demonstrar que estamos realmente comprometidos.
– Ok. – Concordo, mesmo estando extremamente nervosa, escondo minhas mãos debaixo da mesa, pois elas tremem incessantemente.
Concluímos a refeição matinal em silêncio. Após algum tempo me observando, como se precisasse ter certeza de que estou me nutrindo adequadamente, e após aguardar que Rosa me entregue as medicações e vitaminas que tenho consumido com frequência, Diego se levanta, sinalizando que o nosso café da manhã foi oficialmente finalizado.
Sigo sua trajetória, ainda com a ansiedade me sufocando no peito. Diego me olha com curiosidade, como se estivesse à procura de indícios de que estou realmente pronta para prosseguir com o nosso plano.
Inspiro profundamente, tentando iludir tanto ele quanto os meus nervos. Embora ainda sinta medo, sei que essa é a nossa melhor oportunidade para encontrar Mário e, finalmente, encontrar um pouco de tranquilidade.
– Vou me arrumar. - pronuncio.
Diego me acompanha com o olhar enquanto me afasto da sala de jantar.
Quando subo as escadas, experimento uma combinação de determinação e nervosismo. Além de toda a circunstância que já é bastante delicada, é necessário me preparar mentalmente para o encontro com o meu superior. Ele é imprevisível e, quando estou na sua companhia, fico tensa.
No meu quarto, tomo um novo banho, pois todo o meu corpo sua, mesmo no frio de San Lucca. Escolho uma roupa mais elegante, transmitindo confiança e seriedade.
Em parte, os anos que passei com minha mãe e irmãs foram úteis para isso. Ela sempre nos instruiu sobre como deveríamos nos apresentar à sociedade e aos integrantes do nosso clã.
Ao longo de muitos anos ao seu lado, aprendi a ser a mulher ideal para uma vida de aparências. Eu e minhas irmãs fomos educadas para apenas seguir os nossos maridos.
Não, esta não é a existência que sonhei para mim e espero que Diego entenda. Penteio os cabelos e os amarro em um rabo de cavalo, depois aplico um pouco de maquiagem para ocultar as marcas e os indícios de fadiga.
Ao me olhar no espelho, já não reconheço a menina rachada, mas sim uma mulher, preparada para lidar com o que está por vir. Compreender que estarei com Diego me dá um pouco mais de confiança.
Subo as escadas e me deparo com Diego à minha espera na sala. Ele me olha como se não estivesse convencido de que sou eu ali.
"Sim, Diego, também tenho a habilidade de usar uma máscara para servir aos nossos interesses". – Reflito. Diego, desde que me resgatou, só viu a menina frágil, quebrada e com medo.
No entanto, sempre ouvi que para ser esposa de um homem influente, a mulher precisa estar no mesmo nível. Embora essa lição seja válida apenas para a perspectiva externa, dentro de casa, devemos ser inferiores aos nossos maridos. No entanto, estou determinada a não me permitir ser dessa maneira.
Não me permitirei ser manipulada, sou uma sobrevivente, lutei pela minha existência até este ponto e prosseguirei lutando enquanto tiver forças.
– Antonella, você está maravilhosa. – Ele se aproxima e seus olhos ficam mais profundos para mim.
– Agradeço! – exclamo, sentindo um calor no coração.
Permito-me crer que suas palavras são genuínas e não fazem parte do nosso espetáculo. Diego coloca a mão sobre a minha coluna e me guia para fora de sua residência.
Ao volante, meu coração dispara com o receio de ser novamente exposta. Sinto-me arrastada para fora da minha zona de conforto, afastada da casa onde me sinto protegida, mas reconheço que é imprescindível.
– Está pronta? – Ele questiona ao estacionar em frente à mansão, que presumo ser de Alessandro, percebo um breve brilho de preocupação em seus olhos.
– Estou pronta! – Respondo com determinação, mesmo com meu coração ainda pulsando forte pelo medo.
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Atualizado até capítulo 49
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