Diego me olha silenciosamente. Inquietação. Receio. Segurança. Os seus olhos azuis, agora mais perto de mim, estão repletos de sentimentos contraditórios e apenas esses são os que consigo compreender.
Por um instante, sinto-me perdida em seu olhar, como se buscasse algo mais profundo em sua alma. No entanto, ele rapidamente percebe e se afasta de mim.
Diego, de maneira eficaz, oculta seus sentimentos, impedindo-me de entender o que ele realmente pensa ou sente, se é que realmente sente algo neste momento.
– Antonella, podemos dialogar? – ele questiona, sua voz ecoando forte no quarto quieto.
Assinto com a cabeça, incapaz de formar qualquer palavra em minha boca, desde que ele entrou neste quarto, as palavras parecem ter se evadido de mim.
Após tudo o que experimentei, já não sou mais um indivíduo que fala. Mário alcançou seu objetivo através das inúmeras sessões de tortura em que costurou meus lábios. No entanto, agora, perante Diego e toda a expectativa que me atormenta, sinto-me como uma criança aprendendo a expressar seus sentimentos através das palavras. Sinto necessidade de falar, de expressar o que sinto.
Noto o ambiente mais tenso, o quarto que me cedeu em sua residência e onde me abriguei nos últimos dias, tornando-se tão sufocante quanto silencioso.
Pela primeira vez nos últimos anos, o silêncio me causa desconforto. Diego me permite observar a batalha em seus olhos, uma batalha entre o que ele deseja e o que Alessandro quase cobrou de nós dois.
– Antonella, peço desculpas. – Ele é o primeiro a romper o silêncio, sua voz soa rouca e carregada de tensão. – Eu não queria que as coisas se desenrolassem dessa maneira. Eu... não desejo e não irei te obrigar a fazer nada.
Permaneço imóvel diante dele, sem conseguir formular palavras, mesmo desejando falar. O meu coração está pulsando forte, minha mente está confusa com um turbilhão de ideias.
Qual é a minha responsabilidade? O que desejo realizar?
– Entendo o quão complicado isso deve ser para você. – Diego prossegue, com a voz baixa. – No entanto, eu não posso simplesmente...
Ele interrompe a fala, sua expressão parece meio torta, talvez ansiosa. Por um instante, nossos olhares se cruzam e, naquele momento, eu consigo enxergar a verdade em suas expressões.
Ele não deseja tal coisa. Ele não tem interesse em casar-se comigo.
A carga dessa constatação cai sobre mim como uma avalanche, me deixando sem ar. O meu coração dispara. A angústia da rejeição, aliada à amargura da circunstância, é quase insuportável.
No entanto, eu não tenho essa prerrogativa, não posso me sentir abandonada por alguém que me acolheu como Diego fez.
– Compreendo. – Minha voz soa como um murmúrio, quase imperceptível até para mim mesma. – Eu compreendo, Diego.
Ele me fita por um instante, seus olhos azuis atentos me examinando minuciosamente. Existem muitas coisas que desejo expressar, muitas perguntas que desejo fazer, mas as palavras parecem escapar de mim e ele parece perceber.
– Eu apenas queria que você soubesse... – Ele inicia a frase, mas, subitamente, interrompe, como se não conseguisse achar as palavras adequadas.
Ficamos quietos por um longo instante, imersos em nossas próprias reflexões. O fardo da circunstância parece esmagador, ameaçando nos absorver completamente.
Diego finalmente murmura, sua voz quase imperceptível. - Peço desculpas por colocá-la nessa situação. No entanto, não posso obrigá-la a se casar comigo, pois o que Alessandro sugeriu, apesar de ser a opção mais lógica, implica em você e não posso permitir que se arrisque dessa maneira.
Observo-o brevemente, tentando entender as emoções que se manifestam em seu rosto. Existe algo em seus dizeres que não consigo entender?
– O que você quis dizer com me colocar na linha de frente? – questiono, tentando compreender o significado disso.
– Posso? – Ele aponta para a borda da minha cama e, quando percebo, ele me encara com firmeza antes de iniciar a explicação do raciocínio de Alessandro.
Diego suspira, procurando as palavras adequadas para descrever a complexa situação em que nos encontramos. Os seus olhos cruzam com os meus, repletos de incertezas, mas também de uma proteção e zelo que me deixam fascinado.
– Alessandro pretende usar você como isca para seduzir Mário. Ele está convencido de que é a melhor estratégia para atrair o adversário para fora do esconderijo e, por fim, capturá-lo. Contudo, eu... não posso permitir que isso ocorra, não irei te sacrificar dessa maneira.
A sua voz é segura, repleta de uma resolução que me deixa sem ar. Ele está pronto para enfrentar o Boss em minha defesa, mesmo que isso implique em desafiar as diretrizes diretas do líder do nosso clã.
Oh, meu Deus, não consigo expressar a importância que isso tem para mim.
– Então... ele deseja que eu me case com você para atrair Mário? – Minha indagação é um murmúrio, quase imperceptível até para mim mesma. Realmente, a concepção é tão absurda quanto acertada.
Diego concorda, com um semblante sério.
– Certo. Ele está convencido de que é o único meio de nos trazer mais rapidamente até ele. No entanto, eu... não posso deixar que isso ocorra. Não posso colocar a sua vida em risco dessa maneira.
Os seus olhos azuis permanecem fixos em mim, repletos de uma intensidade que me deixa sem palavras. Existe algo ali, algo que não consigo compreender completamente, mas que me provoca inquietação.
– Então, o que decidiremos? – Minha voz é insegura, expressando a incerteza que me consome internamente. – Você se casaria, sacrificaria sua vida pelo bem do clã?
Estou perdida, sem saber qual é a melhor escolha para nós, para o nosso clã, a quem devo a minha liberdade atual. Seria eu capaz de me doar por todos? Seria um sacrifício se casar com Diego?
– Antonella, eu daria a minha vida pela organização, não é isso que está em jogo?
– Então, a questão sou eu?
– Não especificamente você, mas a sua proteção.
– Você me protegeria?
– Com a minha vida, se for preciso. – Sinto o efeito das suas palavras me atingindo como um raio.
– Então, Diego, tomamos uma decisão. Vamos nos unir em casamento.
Diego aparenta surpresa com a minha escolha, seus olhos azuis se ampliam progressivamente, como se não estivesse à espera de que eu aceitasse essa insanidade.
Contudo, uma expressão de determinação atravessa seu semblante, transformando a surpresa em resolução.
– Tem certeza, Antonella? – A voz dele é séria.
Sinto com a cabeça, com a minha mente clara e determinada.
– Sim, estou certa. Se for necessário para a proteção do nosso clã, estou pronta para me casar contigo.
Ele me fita por um instante, como se buscasse entender se estou falando a sério. Então, um sorriso suave se forma em seus lábios, um sorriso repleto de contentamento e algo mais que não consigo discernir.
Sinto meu coração se aquecido, embora ainda exista uma parcela de mim que tenha receio do que estamos a ponto de realizar. No momento, opto por confiar nele, em Alessandro e nos demais.
Permanecemos calados por um instante, nossos olhares se cruzam em uma conversa silenciosa. Existem muitas coisas que desejo dizer e expressar, mas as palavras parecem insuficientes diante da magnitude do desafio que teremos que encarar.
Sim, tenho receio do que está por vir, mas também estou resoluta em colaborar com o que for preciso para que Mário seja detido o mais rápido possível. Um indivíduo como ele não pode continuar circulando livremente por aí.
Enquanto ele não for capturado, todos nós corremos risco. Eu já estive em suas garras e não quero que ninguém mais do clã sofra a mesma queda. Estou pronta para me entregar, se isso garantir a segurança de todos nós.
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Atualizado até capítulo 49
Comments
Maria Luiza Chagas Da Silva Santos
não demore muito a postar capitulos, estou anciosa, Diego e Antonella, merecem ser feliz, e ela que tem que torturar o Mário.
2024-12-09
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Nilvan Coiote
estou amando a história
2024-12-24
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