Capítulo 03 • Diego Marchese

– Por favor, não... eu preciso dela, da morte... – As palavras da menina ressoaram em minha mente como um eco sombrio, uma melodia dissonante que ressoa em minha alma já atormentada.

Desloco-me pelo corredor do hospital, enquanto aguardo a chegada da equipe médica responsável pelos primeiros socorros à menina.

Na quase sufocante escuridão daquela câmara subterrânea, suas preces ressoaram como um grito desesperado por liberdade, um eco de sofrimento que atingiu meu coração como uma lâmina afiada.

Por um instante, deixei-me levar pelo seu pedido, pensando que lhe conceder a morte seria uma bênção no final. No entanto, não sou uma pessoa tão generosa a ponto de colocar os anseios de outra pessoa acima dos meus.

E, naquele momento, ansiei pela sua existência. Diego Marchese, subchefe, visto por muitos como o incansável defensor da lealdade da 'Ndrangheta, me envolvi numa batalha interna, uma batalha de princípios e sentimentos que quase me destruíram completamente.

Nunca fui uma pessoa de expressar sentimentos publicamente. Na minha existência, a piedade é um privilégio que não podemos adquirir. No entanto, naquele instante, ao ver os olhos aterrorizados da menina e aquela expressão de angústia inexprimível, algo em mim se transformou.

Pela primeira vez em muitos anos, eu me permiti experimentar sentimentos que não a raiva, a ira e a fidelidade ao meu clã. Notei um fogo intenso se acender em meu peito, um fogo que me consumiu por dentro, um fogo que entendi ser... compaixão.

A recordação de quando a vi persiste em minha memória. Ela estava deitada no chão gelado e molhado, com os lábios costurados como se fizessem parte de uma extravagante obra artística. No entanto, seus olhos cintilavam com uma pequena chama de resistência que se recusava a se apagar, mesmo que ela expressasse o oposto em suas palavras.

Naquele instante, percebi que ela era distinta. Ela não é somente mais um alvo do mundo injusto em que habitamos. Ela é... singular. Uma pessoa que batalha pela sobrevivência, como ela, não poderia ser menos do que isso.

Portanto, realizei algo que nunca imaginei ser capaz, agi com misericórdia e egoísmo, e, pensando em nós dois, a deixei viver, mesmo quando Alessandro sugeriu que a matar seria conceder-lhe a liberdade que ela tanto almejava.

Esforçando-me para manter a mão firme, peguei a minha faca de combate e comecei a remover os pontos que a prendiam, um a um, como se estivesse rompendo as cadeias que a mantinham presa. E, ao abrirem os lábios num suspiro de alívio, eu a vi...

Foi realmente a primeira vez que a vi.

Os seus olhos parecem um imenso oceano, tão azuis quanto o céu de um dia de verão. Eles espelham a sua alma, uma alma marcada pela dor e pelo padecimento, mas também pela resiliência. Por um instante, me vi imerso naquele olhar, submerso num oceano de sentimentos que até então eu desconhecia.

E, naquela fração de segundo em que nossos olhos se cruzaram, eu tive a certeza... tive a certeza de que minha vida nunca mais seria a mesma. Por favor, essa sensação de segurança que se aproxima da insanidade está quase me levando ao colapso.

Atualmente, encontro-me no corredor frio e inóspito do hospital, ansioso por notícias sobre Antonella. Os meus pensamentos estão confusos, as minhas emoções em constante agitação. Não sei como gerenciar tudo isso.

Sou um homem de poucas emoções, mas ela... ela mexeu comigo de um jeito que não consigo compreender.

Sinto que ela é apenas uma menina, uma vítima das circunstâncias, a filha de um traidor destinada à morte, mas ainda assim, existe algo nela que me atrai, algo que ultrapassa o meu entendimento.

Será que estou apenas sentindo compaixão pelo estado em que ela se encontra ou existe algo mais? Algo que no momento não consigo entender.

Através do vidro transparente, consigo observar o quarto onde Antonella está sendo tratada. Os médicos estão em constante atividade ao seu redor, fazendo tudo ao seu alcance para atendê-la... para salvá-la.

Ela aparenta estar tão debilitada ali, tão pequena e suscetível. Ao vê-la dessa maneira, meu coração se contrai e uma corrente de determinação invade meu corpo.

Vou defendê-la, independentemente do preço.

Simultaneamente, uma vozinha interior sussurra que isso é um equívoco. Que devo preservar distância, que não devo me comprometer além do necessário com ela.

No entanto, sinto que já é muito tarde. Ela já se instalou em um local dentro de mim, ocupando um espaço que eu nem sabia que existia.

Parece que, no instante em que nossos caminhos se cruzaram, percebemos que, de algum modo, estávamos destinados a nos encontrar.

Eu a libertei das correntes que a mantinham sob a tortura de Mário, mas sei que ela continua encarcerada em outra forma de prisão, uma feita de dor e angústia, uma prisão mental.

Desejo ser o libertador dessa prisão, aquele que a auxiliará a alcançar a tranquilidade que tanto merece.

Por fim, os profissionais de saúde deixam o quarto e eu me aproximo, aguardando notícias. Eles me informam que Antonella está desnutrida, ferida; contudo, está lúcida, estável e livre de risco.

Respiro profundamente, consciente de que ainda há um longo percurso a percorrer até que esteja completamente recuperado.

Introduzo-me no quarto e me aproximo da cama onde Antonella se encontra. Quando você percebe minha presença, seus olhos se abrem lentamente, e além da dor, vejo um brilho de gratidão e reconhecimento em seu rosto debilitado.

– Diego... – sua voz soa como um murmúrio suave, porém carregado de emoção. – Obrigada...

Sento-me ao seu lado na cama de hospital, sem conseguir controlar meus impulsos, agarro a sua mão com a minha.

 – Antonella, você não tem que agradecer. Estou aqui por ti. – Queria acrescentar que estarei sempre ao teu lado, mas não consigo.

Ela fecha os olhos, aparentando um leve relaxamento, como se a minha presença proporcionasse conforto em meio a toda essa confusão, como se aceitasse e depositasse confiança na minha proteção.

Estou ao seu lado, observando-a em silêncio, com os olhos fechados. Talvez esteja adormecida, talvez esteja adormecida, talvez esteja acordada e tranquila refletindo sobre tudo o que lhe ocorreu.

Não sei o que o futuro nos reserva, mas uma coisa é certa: independentemente do que ocorra, eu estarei ao seu lado. Fiz essa promessa para mim e para ela e não vou descumpri-las.

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Comments

Luciene Santana

Luciene Santana

estou ansiosa pra encontrar Mário e ver o fim desse monstro

2024-12-23

1

Summer 🔥

Summer 🔥

Ahhhh, que lindo esse mafioso gostoso e romântico 🔥🔥🔥❤️❤️❤️

2024-12-07

1

Summer 🔥

Summer 🔥

Ahhhhh, seu gostoso 🔥🔥🔥🔥

2024-12-07

1

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1 Introdução
2 Prólogo • Antonella Rossi
3 Capítulo 01 • Antonella Rossi
4 Capítulo 02 • Diego Marchese
5 Capítulo 03 • Diego Marchese
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2
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