– Então, Diego, tomamos uma decisão. Vamos nos unir em casamento.
Cacete, suas palavras me acertam profundamente.
– Tem certeza disso, Antonella? – questiono para confirmar se entendi corretamente o que ela disse.
– Sim, estou certa. Se for necessário para a proteção do nosso clã, estou pronta para me casar contigo.
Caralho, se ela não tivesse sido tão quebrada antes de encontrá-la, eu seria capaz de dobrar a garota sobre os meus joelhos e lhe dar umas boas palmadas na bunda. Ela fala como se casar comigo fosse uma obrigação.
Que porcaria, que obrigação!
Não há hesitação ou incerteza em sua voz, ela está segura de sua escolha. No entanto, Antonella não tem ideia do impacto que essa decisão teria em sua vida. Certamente, ela não faz ideia.
– Antonella, tire um momento para refletir. – Travo a mandíbula e minha voz é de advertência. Sei que ela compreende, pois ela arregala os olhos levemente. – Entendo que deseja auxiliar, mas isso é insano, você não está levando em conta as consequências. Não me refiro apenas aos perigos que enfrentará, mas... se nos unirmos de fato, não será uma farsa para atingir um objetivo.
As minhas frases reverberam no quarto, enchendo o ambiente com uma tensão tangível. Sim, garota, se você aceitar essa porcaria que Alessandro sugeriu, será real, eu a tomarei para mim em todos os aspectos, sou muito territorialista para simular um matrimônio.
Por fim, ela parece compreender a magnitude da sua escolha e as consequências para nós dois. Antonella me olha, como se não acreditasse no que tinha ouvido.
Aperto os olhos em resposta à sua pergunta: "Sim, Antonella, se essa for a sua decisão final, vamos nos casar de verdade. Eu a tornarei minha. Não seremos uma fraude para atingir um objetivo".
Putz, não é só ela que foi surpreendida. Eu mal consigo acreditar no que acabei de declarar, mas tenho certeza de que é verdade. Não seria capaz de viver uma mentira com algo tão significativo como um matrimônio.
– Diego, você está sugerindo... um casamento real?
O silêncio permeia o ambiente enquanto ela parece assimilar a situação em sua totalidade. União. Matrimônio. Nós dois, juntos.
A proposta é completamente absurda, uma resposta radical a um problema significativo, e não me refiro apenas ao problema de Mário, mas a tudo que isso implicará para nós dois.
No fundo, reconheço que Alessandro está correto, porém isso não ameniza a minha ira. A partir de Alessandro. De mim também, pois, de maneira um tanto confusa, sinto como se ele tivesse abreviado um caminho que eu iria seguir de forma natural.
Assumi a responsabilidade pela proteção de Antonella e estou pronto para não permitir que nada lhe aconteça. O uso dela como isca apenas nos manterá vigilantes e prontos para o ataque, pois quando Mário descobrir que Antonella está comigo, ele virá buscá-la, não há dúvida disso.
– Sim, Antonella, eu jamais viveria uma falsidade com algo tão relevante e, sobretudo, com alguém como você. – Expresso o que a minha mente clama.
– Uma pessoa como eu? Diego, eu... não sei. – Sua voz é um murmúrio, quase ausente no clima tenso que nos cerca. – Isso é... isso é uma decisão muito importante.
Me aproximo devagar, deslizando pelos lençóis, com o olhar focado no seu rosto.
– Sei que é. Não quero que sinta pressão para fazer isso funcionar. Aceitar o que Alessandro sugeriu será uma jornada irreversível. – Toco seu rosto, incapaz de me conter. Porra, ao tocar sua pele, sinto-me como um louco à beira de um precipício.
Antonella me olha, seus olhos refletem uma combinação de dúvida e desilusão. É possível observar a batalha interna dela, uma batalha entre o que ela anseia e o que ela considera correto.
– Diego, eu entendo. Eu compreendo as repercussões. – A sua voz é segura, porém há um ligeiro tremor e ela desvia o olhar do meu.
Inspiro profundamente, buscando as palavras adequadas para expressar o que sinto. No entanto, ela está me vendo como uma coisa que não sou. Não sou o protagonista da sua narrativa. Sou o antagonista e me sinto confortável nesse papel.
Faço uma escolha, da qual posso me arrepender até o fim dos meus dias nesta terra infeliz. Eu desfaço o toque delicado que fazia em sua pele, consciente de que ela precisa me ver como sou verdadeiramente.
– Antonella, eu não quero que você tome essa decisão por mim ou pelo clã. – Minha voz é dura. – Desejo que você tome essa decisão por ser o que deseja e não por acreditar que é o correto.
Ela me olha por um instante, como se tentasse decifrar a minha alma através do meu olhar. Não, querida, não encontrará nada positivo em mim.
Portanto, como se fosse a porra de uma mulher, e não a menina que encontrei ferida, à beira da morte, há menos de um mês, um sorriso pequeno e sutil surge no canto dos seus lábios.
– Diego, eu desejo isso. Quero fazer isso porque acredito que é o necessário para proteger o clã e também porque confio em você. – Sua voz é suave, mas carregada de uma certeza que me deixa sem ar. Não, ela não tem ideia do emaranhado em que se meteu. – Eu não confiaria em nenhum outro homem para entregar a minha vida.
Puta. Que. Pariu. Eu não mereço alguém como ela. Não sou digno de ter uma pessoa tão pura quanto Antonella ao meu lado. Contudo, azar o nosso, Alessandro nos jogou no olho desse furacão e agora sinto como se tivesse caminhado o tempo todo para estar exatamente aqui.
Os nossos olhares se cruzam, escorrego a mão até tocar o seu pescoço, sem delicadeza, mas com firmeza. Surpreende-me que ela não desvie o olhar enquanto a puxo para mim.
Inferno. Quando entrei neste quarto, meu objetivo era libertá-la do compromisso de se casar comigo, contudo, agora tudo o que mais anseio é mantê-la presa a mim.
Os nossos rostos permanecem a centímetros de distância, posso observar as marcas das cicatrizes em seus lábios e meu coração dispara de ódio, raiva e de emoções que não consigo descrever.
As nossas inspirações se fundem no ar carregado de tensão e algo que não consigo precisar exatamente, talvez um desejo. Deixo que a tensão entre nós se expresse como um fluxo de eletricidade entre nós a uma velocidade inimaginável, ela não consegue resistir e acaba desviando o olhar do meu.
Sinto o anseio de experimentar o que é proibido me dominar, o anseio de fazê-la compreender definitivamente o que significa aderir a essa farsa.
Seguro o seu queixo firmemente, forçando-a a levantar o rosto e olhar diretamente nos meus olhos. Desejo que Antonella compreenda que o futuro que aguarda não é um conto de fadas, mas um futuro incerto e arriscado.
Ela não se afasta e posso sentir o calor do seu corpo mais perto do meu, sua respiração me envolve como um afago, deixando-me instantaneamente rígido.
– Diego... – Sua voz soa quase como um murmúrio, Antonella está quase desorientada no espaço entre nós.
– Você será minha, ragazza. Para sempre será minha! – Minha voz sai baixa, um aviso sutil do que está por vir.
Ela não responde, porém seu olhar permanece firme. Não percebo medo naquele contexto, apenas uma aceitação resignada do papel que lhe foi praticamente imposto. Não aguardo uma resposta escrita e ajo de acordo com o que meus instintos determinam.
Com um movimento brusco, inclino o corpo para a frente e, sem hesitar, pego seus lábios num beijo que está longe de ser afetuoso. Desejo que ela interprete este beijo como um ato de autoridade, um sinal da minha posse sobre tudo que lhe diz respeito a partir de agora.
Os meus lábios apertam os seus com uma força que tira o seu ar. Para nós dois, é quase doloroso. Não existe suavidade, apenas uma combinação da vontade incontrolável que sinto com a força bruta que nos conecta.
No começo do beijo, percebi uma pequena hesitação em seus movimentos, mas mantive-a firme, colocando minha mão em sua nuca, mantendo-a no lugar.
É inevitável que o gosto amargo da dominação que lhe imponho preencha a minha boca. Ela precisa compreender claramente como será o futuro, depois de aceitar toda essa porcaria que nos cerca.
No entanto, bastam apenas alguns segundos para que ocorra algo imprevisto. Em meio à intensidade do instante, percebo sua entrega. Os seus lábios se expandem um pouco mais e atendem ao meu pedido com uma delicadeza que eu não estava à espera.
Ela não está simplesmente concordando. Está engajado, mesmo que mostre certa surpresa.
Os seus lábios se entrelaçam mais aos meus, não de forma submissa, mas com uma aceitação hesitante e quase desafiadora. Contudo, há uma delicadeza em sua resposta, como se ela me confirmasse que está ciente de tudo e que aceita o seu destino comigo.
Ao perceber sua reação, sinto meu coração acelerar. Desejava dominá-la, sentir o domínio em minhas mãos e, simultaneamente, ter sua entrega. Sentir Antonella participando ativamente do beijo é viciante.
Os seus lábios são aquecidos e possuem um gosto que combina doçura com um toque de amargura, evidenciando a complexidade da sua situação e emoções.
Quando a soltamos, nossos olhos travam um embate silencioso. Ela suspira devagar, seus olhos ainda refletem uma tênue fagulha de desejo.
Ela me respondeu. Ela também tem um desejo por mim. A intenção do beijo era afastá-la, mas acabou nos unindo ainda mais nessa confusão. Sinto como se todo o cosmos diminuísse sua velocidade ao nosso redor, como se nada mais tivesse relevância além deste instante de pura conexão.
Não existe mais temor, dúvida ou incerteza, apenas nós dois, unidos, nos lançamos ao desconhecido de mãos dadas. A experiência de ter os lábios de Antonella em contato com os meus foi semelhante a um choque elétrico, um calor que se propagou por todo o meu corpo, inundando-me com um prazer nunca antes experimentado.
Não posso negar que é distinto de todas as experiências que já experimentei, uma combinação de anseio e incerteza que me deixou totalmente imóvel diante da pequena menina. Agora anseio marcá-la, reivindicá-la como minha de uma forma que transcende as palavras, o desejo do nosso líder, e ultrapassa o que é mais benéfico para a organização.
Antonella será minha, pois a amo e desejo que seja dessa maneira.
– A partir deste momento, você é minha! – Expresso, minhas palavras carregadas de um compromisso que sei que irei honrar, independentemente do preço.
Antonella não responde, apenas mantém o olhar fixo no meu, demonstrando que, mesmo diante das circunstâncias, ela também anseia por isso.
A nossa aliança foi selada com um beijo intenso e possessivo. Cada toque dos seus lábios nos meus ficaria marcado em minha memória, me recordando que, mesmo estando sempre no comando, sempre existiria espaço para o imprevisto. E, de repente, Antonella parece ter sido concebida especialmente para mim.
Não tenho ideia de quanto tempo passamos olhando nos olhos um do outro, mas quando finalmente nos distanciamos, ela está ofegante, seu coração palpita descontroladamente no peito, tão forte e intenso que consigo ouvir.
– Diego... – ela me chama ao me levantar da cama, mas não espero mais nada dela.
Recuo um passo. Ela mantém-se imóvel, inspirando profundamente, buscando retomar o controle sobre suas emoções agora agitadas.
Giro sobre os calcanhares e caminho em direção à porta, sinto o seu olhar fixo nas minhas costas. Seguro a maçaneta com firmeza, paro e lancei um último olhar para você, absorvendo cada nuance da sua expressão antes de partir.
– Adeus, Antonella – sussurro, antes de deixar o quarto e trancar a porta atrás de mim.
Abandonei-a, consciente de que o beijo deixaria uma impressão duradoura em nós dois. Antonella necessitaria de um período de isolamento para gerenciar os sentimentos recém-despertados, tal como eu.
A tranquilidade do meu quarto contrasta fortemente com a intensidade do instante que acabamos de compartilhar entre nós. Ao ir ao banheiro, não consigo evitar pensar que aquele beijo transformou tudo, iniciando uma nova dinâmica entre nós, com a qual ainda não consigo me adaptar.
Eu prometi que Antonella seria minha guardiã e guardiã, mas não tinha ideia do quão concreta essa promessa se tornaria. Em todos os aspectos, ela seria minha.
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Atualizado até capítulo 49
Comments
Nilvan Coiote
muito boa a história, parabéns autora
2024-12-24
1
Mavia Dantas
o amor está no ar /Angry/
2025-01-05
1