Embora Vittoria e Elena tentem me tranquilizar, garantindo que tanto Diego quanto Alessandro tomarão a decisão mais benéfica para mim e para o clã, minha mente está repleta de emoções e sensações que não consigo controlar.
O sentimento de rejeição é o primeiro e mais complexo a ser gerenciado e, honestamente, não consigo compreender por que ele está no topo da minha lista de prioridades, quando há muito mais em jogo nessa história toda do que Alessandro sequer considerou.
Negação? Como poderia me sentir rejeitada por um indivíduo que nunca me garantiu nada além de proteção? Posso apenas estar delirando, mas a realidade é que esse sentimento não só é verdadeiro, como também controla tudo em mim.
– Casar? Claro que não, cara! – As palavras desprezíveis de Diego ressoam em um loop sem fim na minha mente, de modo que mal consigo escutar o que as duas mulheres dizem.
É evidente que eu nunca consideraria essa hipótese, mas, mesmo quando não se espera nada de alguém, ser rejeitado afeta algo muito profundo em nossa alma.
A sensação de não corresponder às expectativas de um homem como ele me domina.
Vittoria solicitou a Rosa que nos trouxesse um chá para nos tranquilizar. Ao sermos servidos, apenas assoprei o líquido quente, sentindo-o amargo descer pela minha boca.
Apenas respondi quando Alessandro disse que, se fosse o melhor para ele, ele convenceria Diego a se casar, mas não é isso que anseio.
Primeiramente, eu nunca pensei que viveria o suficiente para experimentar essa experiência de matrimônio. Em segundo lugar, não desejo que ninguém se prenda a mim por dever.
Vivi num ambiente familiar desagradável. Minha mãe se uniu a Mario por dever. Desde que me lembro, a tristeza daquela casa é algo que jamais desejo reviver, e foi isso que a mulher expressou, tentando de alguma forma me proporcionar conforto e segurança nas ações do seu companheiro.
Finalmente, após um longo período, o ruído das vozes se atenuou no escritório de Diego e, em seguida, a porta se abriu devagar.
Alessandro foi o primeiro a atravessar o assento de madeira com um sorriso quase involuntário nos lábios. O meu coração disparou sem que eu conseguisse conter. Estava ciente de que o meu destino estava traçado. Depois, notei os demais subchefes o acompanhando para fora e, nas minhas mãos, suor involuntário brotou.
Esperava por ele, desejava saber o que tinham decidido para mim, mas fui pego de surpresa quando Diego não apareceu.
Eles se despediram de mim de forma rápida e, após saudar e acompanhar Elena e Vittoria até a saída, agi como uma covarde, corri para o meu quarto e me entrinchei lá.
Fugi para evitar que Diego me revelasse o que foi decidido sobre o meu futuro. Optei por me iludir mais com a ilusão de segurança e proteção.
Logo que percebo que estou sozinha, deito-me nos lençóis macios da cama, exausta, desiludida e insegura. Existem tantos conflitos internos que me esgotam que acabam drenando todas as minhas energias, levando-me a adormecer mais rapidamente do que é habitual.
Horas mais tarde, ao despertar, sinto uma sensação atípica no peito. Como se algo em mim tivesse sido mexido enquanto eu estava adormecido.
Levanto lentamente. Tento esticar o corpo e afastar os pensamentos que persistem em permear minha mente.
Eu. Diego. Matrimônio. Insegurança. Incerteza. Tudo é tão louco que parece um sonho, mas tenho certeza de que é real. Morei muitos anos sob a tortura de Mario, a ponto de me perder em minha própria mente.
Percebo claramente o que é resultado das minhas ilusões ou o que realmente ocorreu. A questão é que eu me acostumei com as torturas físicas e psicológicas que Mario aplicava, sempre sabia o que esperar de cada uma delas. No entanto, não consigo prever o futuro que Alessandro impôs.
E se eles determinarem que eu devo me casar com Diego e eu for condenada à mesma vida que minha mãe levou ao lado de Mario?
A luz dourada da luz penetra delicadamente no quarto, filtrada pelas cortinas densas, proporcionando-me um sentimento de conforto. Contudo, a sensação de abandono que me acompanha desde que Alessandro sugeriu a possibilidade de um matrimônio entre mim e Diego persiste.
Depois de usar o banheiro, retorno à beira da cama e passo as mãos pelo rosto, tentando organizar minhas ideias.
Não sei como agir. Não consigo entender como gerenciar toda essa confusão.
O ruído de batidas suaves na madeira me afasta dos meus pensamentos. Depois, observar sua abertura gradual faz meu coração bater mais rápido. Eu tinha fechado a porta, porém tinha consciência de que provavelmente existiam cópias de todas as chaves da residência.
Vejo Rosa adentrando o quarto com uma bandeja em mãos.
– Oi. Trouxe seu jantar.
Com um aceno de cabeça, agradeço enquanto ela coloca a bandeja na mesa ao lado da cama. O aroma da sopa e do café recém-preparado invade o quarto, proporcionando um pouco de tranquilidade para a minha alma agitada.
Rosa me olha com uma expressão preocupada enquanto me analisa.
– Como você se sente, querida? – Ela questiona com uma voz delicada.
Respiro, buscando as palavras adequadas para expressar tudo o que se passa na minha mente.
– Perplexa – respondi, por fim, dando de ombros. Não tenho o hábito de conversar muito com ela, nem com ninguém, mas a falta de alguém para desabafar torna tudo mais complicado, então decido falar. – Não sei o que fazer.
Rosa se acomoda ao meu lado na cama, pousando a mão sobre o meu ombro.
– Antonella, relaxe. Tudo se resolverá. Estamos todos aqui para te dar suporte. Acredite no nosso líder. Alessandro tem consciência do que faz.
Sorrio timidamente, grato pela demonstração de afeto.
– Eu entendo. Rosa, agradeço.
Por um instante, apenas o som delicado das nossas respirações preenche o ambiente.
– E o Diego? – Rosa questiona, finalmente rompendo o silêncio. – Peço desculpas se estou incomodando, mas eu escutei a conversa mais cedo. Como você se sente em relação a isso?
Trata-se de uma questão simples, porém que me deixa sem palavras. Como posso descrever a combinação de emoções que Diego provoca em mim? Ira, desapontamento, temor..., mas também algo mais intenso. Algo que ainda não consigo entender totalmente.
Pelo menos por enquanto.
– Eu... não sei. – murmuro, voltando o olhar para o chão. – Ele me causa um certo medo, mas simultaneamente, sinto-me protegida ao seu lado. – admito.
Rosa expressa compreensão, como se compreendesse exatamente o turbilhão de emoções que invadem minha mente.
– É entendível. Diego é... – ela interrompe as palavras e, posteriormente, completa a frase de maneira mais ampla – toda essa circunstância é complicada, Antonella.
Ofereço um sorriso amargo, concordando com suas afirmações.
– Complicado é um modo amável de expressar a questão.
Rosa ri, um som suave e tranquilizador que alivia um pouco da tensão que habita em mim. Uma indicação de que, de um jeito ou de outro, tudo se ajustará.
De fato, a sua situação é complicada, mas, conforme mencionei anteriormente, você não está isolada nessa confusão. Todos nós estaremos ao seu lado, de um jeito ou de outro, vocês encontrarão a solução mais adequada.
Sinto-me grata por sua sensibilidade.
Rosa, muito obrigado. Grato por tudo.
Ela dá um sorriso, uma expressão afável e repleta de calor.
- Obrigada\, minha querida. Agora\, alimente-se. Você precisará de energia para lidar com o que está por vir.
As declarações de Rosa ressoam no meu pensamento. Quando começo a me alimentar, tenho consciência de que preciso adquirir forças para lidar com o que o futuro pode me trazer.
Casamento? Diego? Nem nos meus sonhos loucos considerei algo assim, mas, agora que Alessandro propôs, talvez seja a decisão correta a tomar.
Mário sempre afirmou que eu era dele, que meu corpo e minha dor eram seus para sempre. Ele virá em minha direção e, se essa for a única maneira de conquistá-lo, estou pronta para arcar com o custo, independentemente do valor.
Contudo, não desejo que Alessandro obrigue Diego a se casar comigo. Da mesma forma que eu, ele deve estar perturbado com essa perspectiva. Nunca pensei em me encontrar nessa situação, minha existência na cela onde era mantida por Mario era um imenso vazio, sem espaço para aspirações ou planos futuros.
Diego me libertou, me recebeu e assumiu a responsabilidade pela minha proteção. Posso estar interpretando mal as coisas, convertendo a sua proteção em algo mais, mas não posso afirmar que a ideia de um casamento entre nós, como sugerida por Alessandro, me causa medo.
Diego é a única pessoa em quem confio, apesar de, internamente, guardar uma certa desconfiança por tudo o que experimentei. Penso que ele não seria capaz de me ferir, pelo menos não de maneira consciente.
Realmente me assustou a sua recusa. A maneira como ele rejeitou a possibilidade de matrimônio e se irritou com a simples ideia, deixou evidente que ele não me deseja como esposa.
Isso se tornou evidente para mim, para todos, e é por isso que não sei como irei gerenciá-lo a partir de agora. Sinto-me envolta em um ambiente de incerteza e ansiedade, sem ter certeza do que está por vir.
Ao terminar de beber o café, sinto o peso das palavras de Rosa ressoando em minha mente: "Você precisará de energia para lidar com o que está por vir". Ela está correta, porém, como consigo acumular forças para me manter estável quando tudo ao meu redor parece tão volátil, à beira de desmoronar?
O ruído delicado das batidas na porta interrompe minhas reflexões e, antes que eu consiga me manifestar, a porta se abre, expondo Diego parado no batente.
O seu olhar cruza o meu e, por um instante, existe algo no ar, algo impreciso entre nós. Uma tensão silenciosa invade o ambiente.
– Posso entrar? – Sua voz, ao mesmo tempo suave e firme, carrega um fardo que faz meu coração bater mais rápido, o fardo da sua escolha que afetará diretamente o meu futuro.
Sinto-me incapaz de emitir uma resposta verbal sem que minha voz se torne trêmula. Ele adentra o quarto e fecha a porta para trás, deixando-nos isolados na escuridão.
Sinto-me como uma presa aprisionada diante dele, sem conseguir escapar do seu olhar penetrante.
Não consigo entender sua decisão sobre o nosso futuro. Diego representa uma página em branco para mim. Nada se destaca em sua expressão facial.
Ele se aproxima devagar, como se também estivesse receoso da aproximação ou como se o gesto pudesse me intimidar. Os seus olhos azuis cruzam os meus e, por um instante fugaz, o mundo que nos rodeia parece se dissolver.
Ele e eu somos únicos, aprisionados em um universo alternativo de tensão e incerteza. Nossas expressões inalteradas, respiração controlada, um silêncio que clama.
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Atualizado até capítulo 49
Comments
Maria Luiza Chagas Da Silva Santos
estou apaixonada por essa história, vou ficar aguardando o final, não demore a postar, a ansiedade vai me matar /Bye-Bye/
2024-12-04
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