Seguir em frente, seria certo?

A luz suave da manhã invadia a caverna, projetando sombras delicadas nas paredes úmidas. A fogueira já havia se apagado, restando apenas algumas brasas que ainda brilhavam fracamente. Rubi acordou de repente, o coração acelerado, enquanto as memórias da noite anterior inundavam sua mente.

A imagem da fonte termal, a sensação de estar perto de Aki, o calor da vergonha quando percebeu que ele havia a vestido... Tudo veio à tona. Seus olhos arregalaram-se, e seu rosto começou a ficar vermelho novamente.

Ela se sentou devagar, olhando ao redor até encontrar Aki ainda deitado, dormindo serenamente. Aquela visão a deixou surpresa — Aki raramente parecia relaxado, e vê-lo assim, com a respiração tranquila e o rosto sereno, despertou algo nela.

"Ele realmente parece... bonito dormindo assim..." pensou Rubi, enquanto seus olhos não conseguiam desviar do rosto dele.

Sem perceber, ela começou a se mover lentamente em direção a ele, como se fosse atraída por uma força invisível. Cada passo a aproximava mais, até que, quando percebeu, seus lábios estavam a poucos centímetros dos dele.

Seu coração começou a bater descontroladamente.

"Eu não posso... O que estou fazendo?" ela pensou, mas seu corpo se recusava a obedecer.

Por um instante, o mundo ao redor pareceu desaparecer. Havia apenas Aki, a respiração calma dele, e a proximidade que fazia sua pele formigar. No final, ela não resistiu. Com os olhos fechados, ela o beijou suavemente, os lábios encostando nos dele por breves segundos que pareceram uma eternidade.

Quando se afastou, seu rosto estava em chamas de vergonha, e ela rapidamente se virou, fingindo que nada havia acontecido, as mãos tremendo e o coração disparado.

— Idiota... — sussurrou para si mesma, tentando acalmar a tempestade de emoções dentro dela.

Alguns minutos se passaram em silêncio, até que Aki se mexeu. Ele abriu os olhos lentamente, como se tivesse acabado de acordar. Seus olhos rosados encontraram os de Rubi por um breve momento.

— Bom dia. — disse ele, com sua voz calma e direta.

— B-bom dia... — Rubi respondeu, tentando soar natural, mas sua voz tremia levemente.

Aki se levantou com tranquilidade, esticou os braços e, como de costume, manteve sua expressão neutra.

— Vou até a fonte lavar o rosto.

— Certo... — Rubi respondeu rapidamente, desviando o olhar, ainda tentando esconder o turbilhão de emoções.

Aki caminhou até a fonte termal. Ao se ajoelhar e olhar para a água cristalina, seu reflexo o encarou de volta. Ele ficou ali por alguns segundos, observando a própria imagem, até que uma memória fresca da manhã surgiu em sua mente.

Ele havia estado acordado o tempo todo. Sentiu os lábios dela tocarem os seus, e agora, vendo seu reflexo, percebeu algo que raramente acontecia: seu rosto estava lentamente ficando vermelho.

Ele fechou os olhos por um instante, respirando fundo.

"Ela me beijou..." pensou, e por um breve momento, seu coração acelerou levemente.

Sua mente se voltou para Aurora. Ele sabia que ela queria que ele seguisse em frente, que ele encontra-se alguém, construísse uma nova vida, uma nova família. Mas será que ele merece isso.

Esses pensamentos sempre o deixavam em conflito, mas agora, ao pensar nisso, uma leve sensação de alívio o envolveu.

"Talvez... isso não seja errado."

Após lavar o rosto, Aki voltou para o acampamento com a mesma expressão neutra de sempre, como se nada tivesse acontecido. **Rubi o observava disfarçadamente**, mas seu rosto ainda estava levemente corado.

— Vamos? — perguntou Aki, sua voz calma e direta.

— S-sim, claro. — Ela respondeu, ainda tentando parecer natural, mas falhando miseravelmente.

Enquanto seguiam em direção ao portal para o próximo andar, Aki caminhava com sua postura firme e olhar direto, escondendo perfeitamente qualquer sinal de desconforto ou emoção. Já Rubi, por outro lado, lutava para disfarçar seus sentimentos, o rosto esquentando de tempos em tempos, enquanto olhava para ele de soslaio.

Ambos caminharam em silêncio, mas o ar entre eles parecia mais denso, carregado com algo novo. Finalmente, ao chegarem diante do portal, Aki olhou para ela e, com a mesma calma de sempre, estendeu a mão.

— Estamos prontos para o próximo desafio?

Rubi respirou fundo, tentando controlar as emoções que ainda borbulhavam dentro dela. Segurou a mão dele, firme.

— Sim. Vamos em frente.

Juntos, eles atravessaram o portal, prontos para enfrentar o décimo andar da Torre, mas cada um carregando no peito algo que nem mesmo as batalhas mais ferozes poderiam apagar: um sentimento novo, desconhecido, mas inegavelmente presente.

Ao atravessar o portal, uma voz familiar e mecânica do Sistema ecoou em suas mentes:

“Parabéns, jogadores! Vocês receberam 5.000 pontos da Torre por completarem o desafio do 9° andar. Vocês agora têm a opção de fundar uma guilda. Aproveitem bem sua estadia no 10° andar.”

Um clarão de luz os envolveu, e em segundos, Aki e Rubi foram teleportados para uma cidade majestosa, Atenas, a capital dos humanos que seguiam os deuses do Olimpo dentro da Torre. Edifícios de mármore branco brilhavam sob a luz dourada, e estátuas de divindades gregas estavam espalhadas por toda parte.

O fluxo de jogadores, comerciantes, e civis fazia da cidade um ponto de encontro movimentado. Logo, ao longe, uma sede da famosa guilda “Olimpo” podia ser vista. A guilda que dominava aquele andar e era composta por jogadores extremamente fortes.

Mas Aki não se importava com isso. Ele estava focado em outro objetivo. Ali, naquele andar, era onde ele finalmente se reuniria com os aliados que havia deixado para trás temporariamente. A missão deles estava prestes a entrar em um novo capítulo.

— Vamos comer algo. — Aki disse calmamente, olhando para Rubi.

— Ótima ideia. — respondeu ela, ainda tentando manter a normalidade depois das emoções intensas da última noite.

Eles caminharam até um pequeno café tradicional grego, com mesas ao ar livre, cercado por vasos de flores coloridas. O aroma de café fresco e pão assado preenchia o ar. Escolheram uma mesa próxima à entrada e pediram um café da manhã simples, mas delicioso: pão fresco, azeite, azeitonas, queijo feta e uma jarra de café preto forte.

Enquanto comiam em silêncio, aproveitando a tranquilidade momentânea, um elfo alto entrou no café. Seus cabelos loiros platinados caíam até os ombros, e seus olhos verdes brilhavam com uma confiança arrogante. Ele usava uma armadura leve, que deixava claro que era um jogador experiente.

O elfo olhou ao redor, até que seus olhos pousaram em Rubi. Um sorriso presunçoso surgiu em seus lábios. Ele se aproximou da mesa sem ser convidado e inclinou-se sobre Rubi.

— Olá, bela dama. — disse ele, ignorando completamente Aki. — O que uma mulher tão bonita faz com alguém como ele?

Rubi franziu o cenho, claramente desconfortável. Aki ergueu os olhos, sua expressão permanecendo inexpressiva.

— Ela está comigo. — Aki disse, a voz calma como sempre. — Peço que nos deixe em paz. Ela está incomodada.

O elfo riu com desprezo.

— E quem é você para me dizer o que fazer, garoto?

Antes que Aki pudesse responder, o elfo, movido pela arrogância, deu um tapa no rosto de Aki.

O café inteiro ficou em silêncio.

Mas o tapa... não causou absolutamente nenhum efeito em Aki. Ele permaneceu imóvel, como se nada tivesse acontecido. Seus olhos rosados encararam o elfo, frios como gelo.

Sem dizer uma palavra, Aki se levantou, pegou o elfo pelo rosto com uma única mão e o arrastou para fora do café. O elfo tentou resistir, mas a força de Aki era incomparável.

Do lado de fora, o movimento das ruas de Atenas parou por um momento quando as pessoas notaram o que estava acontecendo. Aki manteve o elfo preso pelo rosto, sua expressão inabalável.

— Você incomodou minha companheira. — disse ele calmamente, olhando nos olhos do elfo com uma neutralidade assustadora.

Então, sem qualquer hesitação, Aki fechou a mão com força, esmagando o crânio do elfo em uma explosão de sangue e ossos.

O corpo caiu sem vida no chão, deixando uma poça vermelha sob os pés de Aki. Ele olhou para o cadáver por um instante, depois simplesmente virou-se e voltou para o café.

Ao entrar novamente, Rubi o encarava com uma mistura de choque e admiração. Mas Aki agiu como se nada tivesse acontecido. Ele se sentou de volta à mesa, pegou uma azeitona e continuou a comer calmamente.

— O café está esfriando. — disse ele, indiferente, como se a morte que acabara de causar fosse um evento trivial.

Rubi, ainda corada, desviou o olhar para o prato, tentando se concentrar na comida.

— Certo... Claro...

Eles continuaram o café da manhã em silêncio, enquanto o mundo ao redor deles continuava a se mover, alheio à brutalidade casual que acabara de ocorrer. Para Aki, era apenas mais um dia dentro da Torre.

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