Os céus se tornaram negros como breu, e o ambiente foi tomado por um silêncio que parecia pesar no peito de todos. A calmaria antes da segunda onda era ainda mais opressora do que o combate anterior. Aki caminhava pela área devastada, com os olhos fixos no horizonte, enquanto Levi se aproximava, trazendo consigo a mesma expressão fria, mas com uma intensidade inquisitiva.
— "Seichiro e Harua desapareceram logo após o término da primeira onda," disse Aki, cortando o silêncio. "Você os viu? Algo sobre o comportamento deles parecia estranho."
Levi, que limpava o sangue seco de sua lâmina, ergueu o olhar.
— "Não vi nada, mas Seichiro estava estranho, ele provavelmente está tramando algo maior do que imaginamos."
Aki parou por um momento, fitando Levi com um olhar penetrante.
— "Harua não é do tipo que simplesmente desaparece em momentos como esse. Ele sempre foi disciplinado, sempre teve uma visão clara de sua missão."
— "E, no entanto, aqui estamos," respondeu Levi, cruzando os braços. "Talvez você devesse aceitar que algumas coisas estão fora do seu controle. Vamos focar no presente agora, depois pensamos neles."
Antes que Aki pudesse responder, uma nova notificação brilhou no ar, suspensa por um sistema invisível que parecia engolir o mundo inteiro.
"Segunda Onda do Tutorial. Objetivo: Eliminar 700.000 Maldições. Aviso: Maldições são seres etéreos. Apenas magia pode feri-los."
O texto pairou no ar por longos segundos, e o impacto foi instantâneo. Um murmúrio de pânico percorreu os sobreviventes, enquanto Aki franziu a testa e apertou os punhos.
— "Magia..." murmurou ele, virando-se para Shigen. "Evacue todos que não têm habilidades mágicas. Eles serão inúteis contra maldições. Não podemos arriscar mais vidas desnecessárias."
Shigen olhou para o filho por um breve momento, assentiu e começou a organizar a retirada. "Deixe isso conosco. Cuide do que está por vir."
Enquanto Shigen liderava os não usuários de magia para fora da área, o ar começou a vibrar, e portais negros se abriram ao redor da torre. De dentro, formas espectrais e distorcidas emergiram, cada uma irradiando uma aura de pura malícia. As maldições eram sombras etéreas, seus corpos envoltos em um brilho púrpura sombrio, e seus olhos brilhavam com fome e desprezo.
O caos começou imediatamente. As maldições moviam-se como o vento, intangíveis, passando pelas balas e lâminas como se fossem meras ilusões. Mas quando tocavam um humano, a dor era real. Elas se agarravam às vítimas, arrancando suas almas com um grito agonizante, deixando corpos vazios para trás.
Leon, que estava no meio da evacuação ao lado de Marcos, viu um grupo de maldições cercar os sobreviventes. Seus olhos brilharam com determinação, e ele não hesitou. Levantou a mão, conjurando sua manipulação de almas para enfrentar os inimigos etéreos, habilidade que ele despertou no momento que viu a torre devido a sua linhagem.
— "Corram! Eu seguro eles!"
Marcos parou, hesitando por um momento. "Você vai morrer se ficar aqui sozinho, deixa de ser maluco seu inglêsde merda!"
Leon olhou para ele com um sorriso sereno. "Se eu morrer, ao menos saberei que foi por algo maior do que eu. Vá, agora!"
Enquanto Marcos corria com os outros, Leon enfrentava as maldições com uma ferocidade impressionante. Suas habilidades psíquicas e controle sobre almas permitiam que ele destruísse várias delas de uma só vez, mas o número era esmagador. Cada ataque drenava sua energia, e ele sabia que não poderia continuar por muito mais tempo.
Uma maldição maior emergiu do portal, uma entidade massiva que parecia ser a líder daquele grupo. Leon, já exausto, concentrou tudo o que tinha em um último ataque, criando uma explosão de energia que destruiu dezenas de maldições ao seu redor. Porém, no processo, ele ficou vulnerável. A maldição maior avançou, atravessando seu peito com uma garra espectral.
Leon caiu de joelhos, sangue escorrendo de sua boca, mas mesmo assim sorriu.
— "Pelo menos... vocês estão seguros," murmurou, olhando na direção de Marcos e os outros.
Marcos, ao ver Leon cair, gritou de dor e raiva, mas foi forçado a continuar correndo, arrastado por Shigen. O corpo de Leon desapareceu em meio às sombras das maldições, mas sua coragem não foi esquecida.
No campo de batalha, Aki, Belzebu, Yuki e Nick ficaram para enfrentar o que restava das maldições. Aki olhou para os portais, seu rosto inexpressivo, mas seus olhos queimavam com determinação.
— "Sem mais baixas desnecessárias. Acabamos com isso agora."
Belzebu sorriu, suas garras crescendo enquanto sua aura demoníaca começava a se manifestar. "Finalmente, algo divertido."
Yuki ergueu as mãos, círculos mágicos de fogo girando ao seu redor enquanto sua voz ecoava em cantos antigos. Nick, por sua vez, já estava cercado por raios dourados e azuis, sua magia de 10º círculo rugindo como uma tempestade viva.
Aki respirou fundo, fechando os olhos por um momento antes de liberar sua forma demoníaca. Chifres surgiram em sua testa, e suas asas negras se abriram com força, espalhando uma energia avassaladora. Belzebu seguiu o exemplo, sua transformação demoníaca trazendo uma aura escarlate e chamas infernais.
As maldições avançaram em massa, mas o grupo restante estava pronto.
Yuki lançou magias de fogo de 7º círculo, criando tempestades de chamas que consumiam dezenas de maldições de uma vez, seus gritos ecoando no ar enquanto eram incineradas. Nick, com relâmpagos e luz, cortava o céu e destruía as maldições com precisão devastadora. Seus ataques eram como um julgamento divino, implacáveis e impossíveis de escapar.
Aki e Belzebu lideraram o ataque direto. Aki movia-se com uma velocidade e força sobre-humanas, cortando as maldições com suas garras e dissipando-as com sua pura aura demoníaca. Belzebu, por sua vez, era uma força imparável, esmagando tudo em seu caminho com brutalidade e eficiência.
— "Isso é tudo que têm?" gritou Belzebu, rindo enquanto destruía uma maldição maior com um único golpe.
Mesmo assim, o número de maldições parecia interminável. Cada vez que uma caía, mais emergiam dos portais, suas presenças etéreas cobrindo o campo de batalha como uma praga.
A luta estava longe de acabar, mas o grupo restante sabia que não poderia recuar. Com cada ataque, cada feitiço e cada golpe, eles estavam dispostos a pagar qualquer preço para proteger o que restava da humanidade. E mesmo diante de 700.000 maldições, não havia espaço para medo.
A batalha continuava caótica. As maldições se moviam como sombras vivas, atravessando o campo e drenando a vida de qualquer um que não tivesse magia suficiente para resistir. Aki, no centro de tudo, movia-se como um furacão de destruição, suas garras dilacerando as formas etéreas enquanto sua aura demoníaca os rasgava em pedaços. Porém, no meio da carnificina, algo chamou sua atenção.
No chão, cercado por resquícios de maldições dissipadas, estava o corpo de Leon Hendrigson. Sem vida.
Aki parou. Foi como se o mundo ao seu redor tivesse ficado mudo. As maldições ainda o atacavam, suas garras cortando sua carne e arrancando pedaços de sua pele. Ele sentia a dor, mas não reagia. Lentamente, ele caminhou em direção ao corpo de Leon, ignorando tudo ao seu redor. Cada passo parecia mais pesado, como se o peso da perda começasse a sufocá-lo.
Quando finalmente chegou ao corpo, ajoelhou-se. A figura de Leon, que sempre carregava um sorriso e uma determinação inabalável, agora era apenas um cadáver frio. Parte de seu peito estava dilacerada, e seu rosto, outrora cheio de vida, agora parecia sereno em sua morte.
Aki estendeu a mão, tentando segurar Leon. Mas, ao tocá-lo, o corpo começou a se desfazer em partículas douradas, como cinzas ao vento. Ele tentou agarrá-lo, mas era inútil. Tudo o que restou foi o vazio.
Por um momento, Aki ficou parado, olhando para suas mãos manchadas de sangue e cinzas. O vazio dentro dele, aquele que ele sempre carregou, parecia crescer. Ele fechou os olhos e murmurou, com uma voz baixa e carregada de um peso que raramente demonstrava:
— "Eu gostava de você, Sr. Hendrigson... Sua morte não será em vão."
Quando abriu os olhos novamente, algo havia mudado. Seu olhar estava mais frio, mais determinado. As maldições ao seu redor avançavam, mas ele não hesitou. Estendendo as mãos, sombras negras começaram a se reunir, girando ao redor de seus braços como serpentes vivas. A escuridão tomou forma, solidificando-se em duas lâminas de sombra, negras como a noite e pulsando com energia maligna.
Com um movimento rápido, Aki começou a avançar. As espadas de sombra cortavam as maldições como se fossem papel, cada golpe dissipando dezenas delas em uma única investida. Ele não parava. Não descansava. Seus movimentos eram precisos, brutais e inumanos.
Os drones que transmitiam a batalha para o mundo capturavam tudo. Milhões de espectadores assistiam, incrédulos, enquanto Aki enfrentava sozinho hordas de maldições. Os comentários online começaram a explodir:
— "É o aki? ele é muito foda!"
— "Ele não é humano... Não pode ser."
— "Ele está sozinho contra centenas de milhares e não para!"
Enquanto isso, no campo de batalha, Belzebu, Yuki e Nick também notaram a mudança.
— "O que aconteceu com ele?" perguntou Yuki, lançando uma explosão de fogo que consumiu uma dúzia de maldições.
Nick, que estava ao seu lado, respondeu enquanto raios de luz dourada brilhavam ao seu redor. — "Aki... ele perdeu alguém. Ele está lutando como se não tivesse mais nada a perder."
Belzebu apenas riu, mas havia uma ponta de respeito em sua voz. — "Esse garoto... Ele é um monstro. E, francamente, eu adoro isso."
Enquanto Aki avançava, o número de maldições começava a diminuir. Sua presença era tão avassaladora que até mesmo as maldições, que não possuíam medo ou consciência, pareciam hesitar em enfrentá-lo. Ele era incansável, cada golpe mais feroz do que o anterior. Seu corpo estava coberto de cortes e sangue, mas ele continuava.
Finalmente, quando os últimos portais começaram a fechar, Aki permaneceu no centro do campo de batalha, cercado por cinzas e fragmentos de maldições destruídas. Ele estava ofegante, suas espadas de sombra ainda brilhando em suas mãos. O mundo o assistia em silêncio, impressionado com a brutalidade e determinação do garoto.
Ele olhou para o céu, onde os drones ainda pairavam, e sussurrou para si mesmo:
— "Você não será esquecido, Leon. Nem você, nem ninguém que lutou e morreu por este mundo."
Aki então ergueu as espadas de sombra e cravou ambas no chão. Elas desapareceram lentamente, como fumaça ao vento. Ele virou-se e começou a caminhar de volta para onde os outros estavam, sua expressão inexpressiva, mas seus olhos ardendo com uma fúria silenciosa.
Mesmo com o término da segunda onda, todos sabiam que aquilo era apenas o começo. A verdadeira guerra estava apenas começando.
Enquanto o campo de batalha se acalmava, uma notificação luminosa apareceu diante dos olhos de todos que possuíam o sistema. As palavras brilhavam com intensidade, trazendo alívio e tensão ao mesmo tempo:
"Missão Concluída!"
"Segunda Onda Finalizada: 700.000 Maldições Eliminadas."
"Próxima Onda: Início em 1 hora."
"Prepare-se."
A mensagem se repetiu para todos os sobreviventes, e o campo ficou em um silêncio desconfortável, apenas quebrado pelo som do vento carregando as cinzas das maldições destruídas.
Aki, ainda coberto de sangue seco e feridas, permanecia parado por um momento, respirando profundamente. Ele limpou as mãos na calça e se aproximou dos outros, com uma expressão que misturava cansaço e foco. Nick, Yuki e Belzebu estavam reunidos perto de um dos veículos de evacuação, ainda tentando recuperar o fôlego após a batalha intensa.
— "Uma hora," disse Aki, quebrando o silêncio. Sua voz era firme, mas carregava uma tensão palpável. "Temos uma hora até que isso comece de novo. Precisamos nos preparar. Dessa vez, não podemos permitir tantas baixas."
Nick, ainda exausto, assentiu enquanto conjurava uma pequena esfera de luz em sua mão, como se testar sua energia. — "Se as maldições foram tão difíceis, o que será que vem agora? Não temos nem ideia do que enfrentar."
Belzebu deu um passo à frente, cruzando os braços com um sorriso irônico. — "Pode ser qualquer coisa. Lúcifer não vai facilitar. Ele está testando cada fraqueza que temos, e, se fosse ele, traria algo ainda pior. Talvez algo que nenhum de nós possa lidar."
— "Chega de especulação," interrompeu Yuki, limpando o sangue do rosto. Seus olhos estavam sérios, mas a determinação brilhava neles. "Precisamos de uma estratégia. Não sabemos o que vem, mas sabemos que só magia ou habilidades especiais podem nos salvar."
Enquanto eles discutiam, o som de passos apressados chamou a atenção de todos. Shigen surgiu do horizonte, trazendo Marcos e alguns de seus homens armados. Eles pareciam exaustos, mas inteiros, o que já era mais do que muitos poderiam dizer.
— "Vocês seguraram bem," disse Shigen, com seu tom profundo e autoritário. Ele olhou para Aki e os outros com algo próximo de respeito. "Mas a próxima onda será diferente. Lúcifer não vai repetir os mesmos erros. Ele aumentará a dificuldade."
Marcos limpou o suor da testa e se apoiou em uma arma experimental que segurava. — "Essas maldições eram coisa de louco, mano. Se não fossem vocês, a gente tinha sido triturado. Agora, quero saber: o que diabos vem por aí?"
— "É isso que estamos tentando descobrir," respondeu Aki, olhando para o sistema como se esperasse uma resposta. "Maldições eram etéreas, algo que só magia podia tocar. O próximo passo lógico seria algo mais físico, mas..."
— "Mas também mais resistente," completou Shigen, cruzando os braços e franzindo o cenho. "Algo que combine força bruta e resistência mágica. Talvez demônios menores ou bestas infernais."
Belzebu, encostado em uma parede improvisada, riu baixinho. — "Não subestimem Lúcifer. Ele pode mandar algo que ninguém aqui previu. E se ele decidir jogar mentalmente conosco? Algo que nos destrua por dentro antes de nos atacar fisicamente?"
Marcos balançou a cabeça, olhando para o céu que começava a escurecer, embora fosse dia. — "É como um jogo. Um jogo onde a gente é a peça, e o tabuleiro muda toda hora. Mas a gente vai continuar. Não importa o que venha, não vamos morrer como cachorros."
Aki deu um passo à frente, olhando para todos com seu olhar característico de frieza e determinação. — "Independentemente do que vier, nós enfrentaremos. Juntos. E vamos vencer. Não porque somos os mais fortes, mas porque não temos outra escolha."
Shigen colocou uma mão pesada no ombro de Aki, um gesto raro de aprovação. — "É isso mesmo. E enquanto estivermos aqui, vamos lutar. Pelo mundo, pelas vidas que se foram e pelas que ainda podemos salvar."
Nick suspirou, soltando um pequeno sorriso. — "Então temos uma hora para recarregar, nos curar e nos preparar. Dessa vez, não haverá margem para erros."
Com isso, o grupo começou a se dispersar, cada um focado em se preparar para o que estava por vir. Apesar do medo e das incertezas, havia uma centelha de esperança. Eles sabiam que a batalha seria dura, mas também sabiam que estavam prontos para dar tudo de si.
E, no fundo, cada um deles sabia que a luta seguinte seria ainda mais brutal. A verdadeira guerra estava apenas começando.
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Atualizado até capítulo 28
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