Missão secreta

Aki estava sentado na borda da fonte, calmamente afiando a lâmina de sombras que havia conjurado. Ele parecia completamente alheio ao movimento da praça, até que um grupo de jogadores se aproximou. Havia cinco deles: um guerreiro corpulento com uma enorme espada, uma maga de ar arrogante, um arqueiro, um clérigo, e um ladino.

"Você deve ser o tal Yamazaki Aki, o novato do primeiro andar," disse o guerreiro, cruzando os braços. Sua voz transbordava confiança. "Ouvi dizer que matou um boss secreto no primeiro andar. Impressionante... para um novato. Mas nós já chegamos ao quinto andar. Que tal se juntar a nós? Prometemos que aprenderá muito."

Os outros riram, claramente acreditando que estavam em um nível muito acima de Aki. A maga acrescentou, com um sorriso condescendente:

"Não é todo dia que alguém como você recebe uma oferta dessas. Devia se sentir honrado."

Aki olhou para eles por um breve momento, seus olhos frios e inexpressivos. Ele então voltou a focar na lâmina em suas mãos, respondendo calmamente:

"Chegar ao quinto andar não é grande coisa."

A reação foi instantânea. O guerreiro franziu a testa, seu rosto se contorcendo em irritação. A maga bufou, o arqueiro cerrou os punhos, e o clérigo e o ladino trocaram olhares desconfortáveis.

"O quê?!" o guerreiro rosnou, dando um passo à frente. "Acha que é melhor do que nós, novato? Talvez devêssemos mostrar como as coisas realmente funcionam por aqui."

Antes que qualquer um pudesse reagir, Aki levantou o olhar e liberou uma onda de pressão de mana esmagadora. A energia era tão intensa que o ar ao redor parecia ondular. O grupo de cinco jogadores caiu de joelhos imediatamente, como se o peso do mundo tivesse sido jogado sobre eles.

A praça inteira congelou. Os outros jogadores e comerciantes que estavam ao redor pararam o que faziam, arrepiados pela presença sufocante. Alguns deram passos para trás instintivamente, enquanto outros apenas observavam com os olhos arregalados.

"Vocês têm certeza que querem me irritar?" Aki perguntou, sua voz fria e afiada como uma lâmina.

O guerreiro, antes tão confiante, agora tremia. A maga mal conseguia levantar a cabeça, e os outros estavam igualmente paralisados pelo medo.

"N-não!" o clérigo gaguejou, e os outros rapidamente balançaram a cabeça em concordância. "P-perdão!"

Aki permaneceu em silêncio por alguns segundos, mantendo a pressão. Então, como se nunca tivesse liberado sua mana, ele a recolheu. A energia opressiva desapareceu, e os cinco jogadores sentiram o alívio imediato. Sem dizer mais nada, eles se levantaram e correram o mais rápido que puderam, fugindo da praça com os rostos pálidos.

Os espectadores ficaram em silêncio absoluto por alguns momentos, até que cochichos começaram a se espalhar.

"Ele os fez cair de joelhos só com sua presença..."

"Quem é esse cara?"

"Ele realmente é tudo o que dizem. Talvez até mais."

Aki voltou a sua atenção para a lâmina de sombras, como se nada tivesse acontecido. Ele não precisava da aprovação de ninguém ali, e a única coisa que importava era continuar a subir. Enquanto isso, os rumores sobre o "novato do primeiro andar" só aumentavam, ecoando pelas ruas da Cidade de Eos.

Enquanto Aki permanecia sentado à beira da fonte, ajustando calmamente sua lâmina de sombras, um som pesado de botas marchando ecoou pela praça. Ele ergueu os olhos com desinteresse, apenas para ver que havia sido cercado por guardas da cidade. Eles eram homens enormes, trajando armaduras completas e carregando lanças e espadas. Seus movimentos eram disciplinados, deixando claro que não eram amadores.

A multidão que ainda observava a cena afastou-se rapidamente, abrindo espaço para os soldados. Apesar da clara tensão no ar, Aki permaneceu impassível, como se a presença deles fosse um simples inconveniente.

Do meio do grupo, um homem mais alto e imponente avançou. Ele usava uma armadura reforçada com detalhes dourados, e uma longa capa vermelha balançava atrás dele. Seu rosto era severo, marcado por uma cicatriz que atravessava o lado esquerdo de sua mandíbula.

"Você é o responsável por essa onda de mana que sentimos na cidade?" perguntou o capitão, sua voz grave e autoritária. Apesar de sua postura confiante, ele não deixou de analisar cuidadosamente o jovem à sua frente.

"E se for?" Aki respondeu, sem levantar-se. Sua voz era fria, mas calma, carregada com uma confiança que parecia natural.

Os guardas apertaram as lanças, alguns trocando olhares inquietos. Eles claramente haviam sentido a pressão e sabiam que estavam diante de alguém muito além de suas capacidades. O capitão, no entanto, manteve a compostura.

"Você parece ser forte," ele disse, ignorando o tom desafiador de Aki. "E por acaso, precisamos de alguém como você. O chefe da cidade deseja se encontrar com guerreiros habilidosos para discutir uma missão de importância vital. Está interessado?"

Aki analisou o homem por um momento. Esse era exatamente o desdobramento que ele esperava. Sem mudar sua expressão, ele simplesmente assentiu e levantou-se, ajustando o manto improvisado que usava.

"Conduza-me até ele."

O capitão fez um sinal para os guardas, que abriram caminho, e começou a caminhar na direção da prefeitura. Aki o seguiu em silêncio, sentindo os olhares curiosos e apreensivos da multidão nas costas.

A prefeitura era um prédio imponente, com colunas de mármore e portas duplas de madeira trabalhada. Guardas adicionais estavam posicionados ao longo da entrada, todos igualmente bem equipados. Ao entrar, Aki foi levado por corredores decorados com tapeçarias e estátuas até uma grande sala de reuniões.

Lá dentro, sentado em uma cadeira ornamentada, estava o prefeito da vila. Ele era um homem robusto, com cabelos grisalhos bem penteados e uma expressão séria. Sua vestimenta era luxuosa, mas prática, adequada a alguém que governava uma cidade como aquela.

Assim que Aki entrou, o prefeito levantou-se, cruzando as mãos atrás das costas.

"Então você é o jovem que chamou a atenção de meus guardas," disse ele, sua voz cheia de autoridade, mas sem arrogância. "Disseram-me que você possui habilidades extraordinárias. Precisamos de alguém como você para uma missão que pode definir o futuro de nossa vila... e, possivelmente, de todo o andar. Está disposto a ouvir?"

Aki inclinou a cabeça levemente, um sinal de que estava a ouvir, mas não disse nada. Ele sabia que o prefeito tinha algo grande em mente, e estava curioso para descobrir qual era o próximo desafio que o aguardava.

O prefeito observava Aki com um misto de ceticismo e curiosidade enquanto explicava a missão.

"Eu sou Adônis," começou ele, com uma voz firme e autoritária. "Prefeito desta vila e responsável por garantir a segurança de nossos cidadãos. Há uma tribo de orks nas florestas ao norte que têm causado grandes problemas. Estão roubando nosso gado e, pior, sequestrando nossas jovens moças. Isso não pode continuar."

Aki permaneceu em silêncio, seus olhos fixos no homem. Adônis continuou, cruzando os braços.

"Pretendemos formar um time de jogadores experientes para resolver isso. Precisamos de força e estratégia para enfrentar os orks em seus próprios domínios."

"Não precisa de um time," respondeu Aki calmamente, sua voz baixa, mas carregada de uma confiança inabalável. "Eu cuido disso sozinho."

Adônis ergueu uma sobrancelha, claramente duvidando das palavras do jovem. Apesar de ter ouvido rumores sobre o poder de Aki, ele achava difícil acreditar que alguém poderia lidar com toda uma tribo de orks por conta própria.

"Você é ousado, rapaz. Mas estamos falando de dezenas, talvez centenas de orks armados, que conhecem a floresta melhor do que qualquer um de nós." Ele hesitou, então acrescentou: "Ainda assim, estou disposto a apostar em sua confiança."

Ele sinalizou para um assistente que trouxe um contrato mágico para formalizar a missão.

"Se conseguir, a recompensa será de 10.000 pontos da Torre, uma armadura fina de escamas de dragão negro e um manto feito de pele de Fenrir. Essa é a melhor oferta que posso fazer."

Aki leu rapidamente os termos, então tocou no contrato com um dedo. Uma luz dourada brilhou brevemente, confirmando que ele aceitava a missão.

"Considere feito," disse Aki, virando-se para sair.

Adônis ainda parecia cético, mas permitiu que ele fosse.

Aki seguiu para a floresta sem qualquer preparação adicional. Ele não precisava de mapas ou guias; seus sentidos aguçados o levavam diretamente ao território dos orks. A densa vegetação parecia envolver tudo ao seu redor, e o som distante de tambores rítmicos começou a preencher o ar.

Ao se aproximar, Aki encontrou os primeiros sinais da presença dos orks: pegadas profundas no solo, árvores marcadas por lâminas e o cheiro característico de carne defumada. Ele sabia que estava perto.

A parada foi breve. Aki subiu em uma árvore alta, analisando o campo de batalha à sua frente. A vila ork era um conjunto caótico de cabanas rudimentares, cercadas por estacas afiadas. Vários orks estavam espalhados, alguns armados com machados e lanças, outros carregando escudos de madeira.

Havia uma grande fogueira no centro da vila, onde dois orks enormes estavam sentados, aparentemente líderes da tribo. Perto da fogueira, uma pequena jaula de madeira mantinha várias jovens presas.

Aki respirou fundo, sentindo o familiar peso de sua mana aumentando. Ele sussurrou para si mesmo: "Hora de acabar com isso."

Aki observava a vila ork enquanto sua mana fluía em ondas invisíveis, carregada de intenção. Apesar do número impressionante de inimigos — cerca de mil orks espalhados pela área — ele não demonstrou hesitação. O calor de seu corpo começou a aumentar enquanto ele manipulava internamente sua energia, preparando-se para o ataque.

Na jaula de madeira perto da fogueira, uma jovem prisioneira observava a movimentação na vila. Seus olhos azuis brilhantes refletiam um misto de raiva e resignação. Ela era alta, com traços bestiais evidentes: garras afiadas, caninos protuberantes e cabelos prateados que caíam em ondas selvagens. A jovem era de uma tribo de homens-lobo, conhecidos por sua ferocidade em combate, mas até ela sabia que enfrentar mil orks sozinha seria suicídio.

Ainda assim, algo despertou nela quando sentiu a pressão crescente de Aki. Seus olhos se fixaram no estranho que surgia entre as árvores como uma sombra, e por um momento, sua respiração falhou.

"Quem é esse…?" ela murmurou, agarrando as barras da jaula.

Aki saltou da árvore com uma precisão sobrenatural, caindo no meio de um grupo de patrulheiros orks que estavam a poucos metros da entrada da vila. Antes que pudessem reagir, ele cravou o punho no chão, liberando uma onda de choque de mana que despedaçou o solo e lançou os orks pelos ares. A poeira mal havia baixado quando Aki avançou, sua velocidade transformando-o em um borrão negro.

Um ork, segurando um machado enorme, tentou golpear Aki, mas ele desviou com um movimento mínimo, agarrando o braço do inimigo e o quebrando em um único movimento brutal. Antes que o ork pudesse gritar, Aki esmagou seu crânio com um chute poderoso.

A confusão começou a se espalhar pela vila. Orks corriam para pegar suas armas e organizar a defesa, mas Aki não deu tempo. Ele invocou sua magia de sombras, criando espadas finas e afiadas que flutuavam ao seu redor como serpentes mortais. Com um gesto, as lâminas dispararam em todas as direções, perfurando dezenas de orks de uma só vez.

Os orks eram guerreiros resilientes e numerosos, mas Aki era uma força imparável. Um grupo de orks gigantes, cada um com mais de dois metros de altura e armados com maças, avançou em formação. Eles rugiram enquanto atacavam, mas Aki os enfrentou de frente. Ele bloqueou o primeiro golpe com o antebraço, sua mana formando uma barreira invisível que dispersou o impacto.

Com uma combinação de socos e chutes, ele destruiu a formação. Cada golpe era devastador, esmagando ossos e pulverizando carne.

Ao fundo, a prisioneira bestial observava com fascínio. A cada movimento de Aki, sua força era evidente, mas o que mais a impressionava era a frieza com que ele executava os inimigos. Não havia hesitação, apenas eficiência brutal.

"Ele não é humano…" ela murmurou para si mesma, seus olhos brilhando com uma mistura de admiração e curiosidade.

A batalha atingiu um ápice quando os dois líderes orks se levantaram da fogueira. Um deles, carregando um machado colossal, rugiu enquanto corria em direção a Aki. O outro, um xamã, começou a conjurar uma magia poderosa, criando uma bola de fogo massiva no céu que iluminava toda a vila.

Aki desviou do machado do primeiro líder por um fio, girando e cortando o tendão da criatura com uma lâmina de sombras. O ork tombou de joelhos, mas antes que pudesse reagir, Aki perfurou seu coração com um golpe direto.

O xamã lançou a bola de fogo, mas Aki ergueu a mão e conjurou sua própria magia. Uma lança de gelo de 12° círculo atravessou a bola de fogo, despedaçando-a e congeconjurou a sua no lugar. Aki o finalizou com um chute poderoso, que fez o corpo congelado explodir em pedaços.

Com o último ork caído, a vila mergulhou em um silêncio inquietante. O chão estava coberto de corpos e sangue, e a fogueira central queimava alto. Aki estava coberto de ferimentos superficiais e sangue ork, sua respiração controlada, mas pesada. Ele olhou para a jaula, onde a prisioneira observava em silêncio.

"Você está livre," ele disse, caminhando em direção a ela.

Seus olhos se encontraram, e ela sentiu um arrepio percorrer seu corpo. Mesmo sem entender quem ele era ou de onde vinha, ela sabia que estava diante de algo muito além de sua compreensão.

"Quem é você?" ela perguntou, sua voz baixa, mas carregada de curiosidade.

"Aki Yamazaki," ele respondeu, abrindo a jaula com um golpe de sua lâmina de sombras. "Agora, vamos sair daqui."

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