Besta prateada

Aki, ainda sujo de sangue ork, caminhava com passos firmes ao lado da mulher-lobo. Rubi o observava de canto de olho enquanto ajustava as roupas rasgadas que cobriam seu corpo. Mesmo com seu semblante sério e inexpressivo, ela conseguia sentir a força e o respeito que ele exalava apenas por estar presente.

"Você luta como um demônio," Rubi quebrou o silêncio, sua voz carregada de honestidade. "Minha tribo sempre paga suas dívidas, Aki Yamazaki. Por isso, vou seguir você até que eu possa retribuir o que fez por mim."

Aki não diminuiu o passo, mas lançou um olhar rápido na direção dela.

"Faça como quiser," ele respondeu com frieza, sua voz tão cortante quanto as lâminas de sombras que ele conjurava. "Mas não espere que eu vá te proteger ou ensinar alguma coisa."

Rubi sorriu de forma selvagem, mostrando seus caninos.

"Eu não preciso de proteção," ela respondeu com orgulho. "E você vai ver que ter uma guerreira lobo ao seu lado é mais útil do que imagina."

Ao atravessar os portões de Eos, Aki e Rubi atraíram olhares de todos os lados. O corpo ensanguentado de Aki, a figura bestial de Rubi e as jovens mulheres que haviam sido resgatadas compunham uma cena impressionante. O silêncio caiu sobre as ruas, e as pessoas abriram caminho enquanto o grupo avançava em direção à prefeitura.

Quando Aki empurrou as portas duplas e entrou no salão principal, o prefeito Adônis se levantou abruptamente de sua cadeira, seu rosto uma mistura de choque e alívio.

"Você… conseguiu?" Adônis perguntou, a incredulidade evidente em sua voz.

Aki não respondeu imediatamente. Ele deu um passo à frente, e as garotas resgatadas correram para seus familiares, que já aguardavam no salão. Lágrimas de alívio e alegria foram derramadas, enquanto agradecimentos eram dirigidos a Aki repetidamente.

"Missão cumprida," Aki disse simplesmente, cruzando os braços enquanto encarava Adônis.

O prefeito caminhou até ele, ainda impressionado.

"Eu achei que seria impossível para uma única pessoa, mas você… parece mais uma força da natureza do que um homem," ele comentou, balançando a cabeça. "As recompensas são suas, como prometido."

Adônis fez sinal para um assistente, que trouxe uma caixa contendo a armadura de escamas de dragão negro e o manto feito de pele de Fenrir, os homens transferiram os 10.000 ponto da torre a ele.

Aki aceitou os itens sem demonstrar emoção, mas seus olhos brilharam brevemente ao examinar a qualidade excepcional das recompensas.

Enquanto isso, Rubi observava tudo com uma expressão pensativa. Ela esperou até que os agradecimentos cessassem e o salão se esvaziasse, então se aproximou de Aki novamente.

"Você realmente não se importa com reconhecimento, não é?"* ela perguntou, cruzando os braços.

Aki deu de ombros.

"Reconhecimento não significa nada para mim. Só quero seguir em frente."*

Rubi inclinou a cabeça, intrigada.

"O que você está procurando? Poder? Dinheiro? Vingança?"

Aki olhou para ela, seus olhos rosados brilhando como brasas.

"Eu só quero me tornar forte o suficiente para proteger o que importa."

Rubi sorriu novamente, dessa vez com mais suavidade.

"Então somos parecidos," ela disse. "Minha tribo também valoriza a força, mas sempre junto com a honra. Vou te acompanhar até que essa dívida esteja paga, Aki Yamazaki. Não importa o que aconteça."

Aki olhou para ela por um longo momento antes de responder.

"Como quiser," ele disse finalmente. "Mas não me atrase."

Rubi apenas riu, a confiança dela inabalável.

"Você vai ver que eu não sou do tipo que fica para trás."

Enquanto os dois saíam da prefeitura, os habitantes de Eos os observavam com olhares de reverência e curiosidade. A lenda de Aki Yamazaki começava a se espalhar, e os rumores sobre o homem que enfrentara sozinho uma vila inteira de orks já estavam ganhando força.

Para Aki, porém, aquilo não significava nada. Ele olhou para Rubi e deu um breve aceno na direção do portão da cidade.

"Vamos. O próximo andar nos espera."

E assim, os dois começaram a caminhar, prontos para enfrentar os desafios que a Torre ainda lhes reservava.

Aki e Rubi caminhavam em silêncio pela trilha de terra que levava para fora de Eos. A lua cheia brilhava acima deles, lançando sombras longas e sinuosas pela estrada. Atrás deles, os passos apressados e sussurros baixos de um grupo numeroso ficavam cada vez mais próximos.

Rubi olhou de relance para Aki, sua expressão alerta.

"Estamos sendo seguidos," ela murmurou. "Pelo cheiro, há pelo menos uns vinte. Humanos, provavelmente assassinos."

Aki não parecia surpreso. Ele continuou andando calmamente, as mãos enfiadas nos bolsos, até que eles estivessem a uma boa distância da cidade. Quando considerou que estavam longe o suficiente para não atrair atenção indesejada, ele parou abruptamente no meio da trilha.

"Aqui está bom," ele disse, olhando por cima do ombro para Rubi.

Ela parou ao lado dele, as orelhas ligeiramente inclinadas para trás enquanto ouvia os movimentos do grupo. Os sussurros cessaram, e os bandidos emergiram das sombras da floresta. Eles estavam armados com espadas, facas e arcos, cada um deles exalando confiança ao cercar a dupla.

"Bem, bem," um dos homens disse, aparentemente o líder. "Dois pombinhos andando sozinhos pela trilha. Devem estar carregados de tesouros depois de lidarem com aqueles orks."

Aki virou-se lentamente, os olhos brilhando em um tom frio e calculista. Ele encarou o líder, mas falou com Rubi.

"Me mostre o orgulho do seu clã, Rubi."

Ela sorriu, seus dentes afiados refletindo a luz da lua.

"Com prazer."

Antes que os bandidos pudessem reagir, Rubi avançou como uma flecha. Seus movimentos eram rápidos e precisos, um borrão prateado na escuridão. Suas garras afiadas rasgavam armaduras de couro e carne com facilidade, e os gritos de dor ecoavam pela floresta enquanto ela dilacerava um após o outro.

"Ela é um monstro!" um dos bandidos gritou, recuando.

Mas não havia escapatória. Rubi, em sua forma meio bestial, era um furacão de destruição. Seus olhos brilhavam com uma fúria selvagem, e suas presas cravavam fundo nos pescoços dos desafortunados que tentavam enfrentá-la.

Enquanto isso, Aki permaneceu parado, observando a cena com os braços cruzados. Ele não demonstrava nenhuma emoção, apenas avaliava os movimentos de Rubi, observando sua técnica e eficiência.

Um dos assassinos, desesperado, tentou se aproximar de Aki pelas costas, mas antes que pudesse levantar a espada, Aki virou a cabeça na direção dele. Apenas o olhar de Aki foi o suficiente para fazer o homem cair de joelhos, tremendo.

"Não seja tolo," Aki disse friamente, ignorando-o completamente enquanto o homem largava a arma e fugia.

Em poucos minutos, o chão da floresta estava coberto de corpos. Rubi respirava profundamente, seu peito subindo e descendo enquanto o sangue escorria de suas garras. Ela olhou para Aki, esperando alguma reação.

"Satisfeito?" ela perguntou, sua voz carregada de um orgulho feroz.

Aki caminhou até ela, passando pelos corpos com indiferença. Ele parou ao lado dela e deu um leve aceno.

"Você fez jus ao seu clã," ele disse simplesmente. "Continue assim, e talvez você prove ser útil."

Rubi riu, limpando o sangue de suas garras.

"Talvez você seja a melhor pessoa para pagar minha dívida," ela respondeu.

Os dois continuaram a caminhar pela trilha, deixando para trás os corpos dos desafortunados que ousaram desafiá-los. A lua continuava a brilhar acima deles, testemunhando o início de uma aliança sangrenta e poderosa.

A caminhada de Aki e Rubi pela trilha parecia tranquila depois do confronto com os bandidos e assassinos. Aki, com sua postura indiferente, mantinha os olhos focados à frente, enquanto Rubi, ainda animada pela luta anterior, caminhava ao seu lado, seus sentidos sempre alertas. A floresta ao redor dava lugar a terrenos mais abertos, com colinas e riachos brilhando sob o sol nascente. O cheiro metálico de sangue começava a se dissipar, mas a adrenalina ainda corria em suas veias.

Quando alcançaram a entrada da missão principal do segundo andar, uma grande planície dourada se revelou diante deles. Árvores brilhantes como ouro pontilhavam o horizonte, e o vento carregava um estranho cheiro doce e metálico. Assim que cruzaram o limite, uma notificação brilhou no sistema de ambos:

Missão: Mate 50 Ursos de Ouro.

Rubi ergueu uma sobrancelha, olhando para Aki.

— Ursos de ouro? Parece interessante. Aposto que eles vão ser bem resistentes.

Aki não respondeu de imediato, apenas observou a área ao redor. Sua expressão era a mesma de sempre, Ele ajustou levemente o manto sobre seus ombros, avaliando as condições do terreno.

— Não se distraia — foi tudo o que disse.

Rubi bufou, mas um sorriso travesso cruzou seu rosto.

— Relaxa, chefão. Não vou deixar você se divertir sozinho.

Enquanto caminhavam mais para dentro da planície, os dois começaram a ouvir o som pesado de passos no solo. Era um ritmo constante e poderoso, acompanhado pelo ocasional rugido grave que fazia o chão vibrar. Não demorou muito para que avistassem o primeiro urso de ouro. A criatura era imensa, facilmente ultrapassando cinco metros de altura quando em pé. Seu corpo parecia forjado de puro ouro, brilhando intensamente sob o sol. Seus olhos eram duas esferas rubras, e suas garras pareciam afiadas o suficiente para rasgar aço.

Rubi deu um passo à frente, flexionando os músculos enquanto deixava suas garras se alongarem — Vamos ver do que eles são feitos.

Ela avançou em um borrão, suas garras cravando-se profundamente no flanco do urso antes que ele pudesse reagir. O monstro rugiu em agonia, girando rapidamente e tentando acertá-la com uma pata massiva. Rubi esquivou-se com facilidade, suas garras rasgando o peito da criatura e expondo um brilho interno, como se um núcleo energético pulsasse dentro dela. Com um salto ágil, ela aterrissou nas costas do urso e cravou suas presas em sua nuca. Um momento depois, o urso desabou, morto.

Aki observou em silêncio, seus olhos acompanhando cada movimento de Rubi. Ele avaliava sua eficiência, notando como ela combinava força bruta com velocidade e agilidade.

— Um bom começo — ele murmurou, quase para si mesmo.

Mas enquanto Rubi lidava com um urso, outros surgiam na planície. Logo, dezenas deles estavam em campo, seus rugidos ecoando como trovões.

Aki deu um passo à frente, levantando uma das mãos. Sem dizer uma palavra, ele concentrou uma quantidade massiva de mana, criando uma onda de calor tão intensa que a grama dourada ao redor começou a murchar e queimar. Com um movimento brusco, ele liberou uma magia de fogo de alto nível, um círculo gigante de chamas negras que consumiu cinco ursos de uma vez, deixando apenas cinzas em seu caminho.

Rubi parou por um momento, observando a cena com uma expressão de surpresa.

— Você não se segura, né?

Aki não respondeu. Ele já estava avançando em direção a outro grupo de ursos, seus punhos envoltos em uma aura flamejante que queimava com intensidade crescente. Ele se movia como um furacão, golpeando cada urso com força suficiente para esmagar suas armaduras douradas e expor seus núcleos. Cada soco que desferia gerava uma explosão que fazia o solo tremer.

Rubi voltou à luta, mas era impossível não notar a diferença entre eles. Enquanto ela matava um urso após o outro com eficiência, Aki parecia uma força da natureza. Ele não apenas matava os ursos; ele os aniquilava. Em certo momento, ele pulou no ar, concentrando mana em sua mão direita antes de desferir um golpe tão poderoso que criou uma cratera no solo, derrubando vários ursos ao redor.

Rubi lidava com os ursos à sua maneira, usando sua velocidade para atacar em pontos vitais e evitar os golpes massivos das criaturas. Apesar da resistência dos ursos, ela parecia estar se divertindo. Seus movimentos eram fluidos e graciosos, mas cada golpe que desferia era carregado de brutalidade.

— Não fique com todo o crédito, chefe! — ela gritou enquanto decapitava mais um urso.

Aki, por outro lado, mantinha sua abordagem metódica e implacável. Quando os últimos ursos caíram, ele se ergueu do meio dos corpos dourados, o sangue metálico cobrindo suas roupas e pele. Rubi caminhou até ele, respirando pesado mas claramente satisfeita.

— Quantos você matou? — ela perguntou, erguendo uma sobrancelha.

Aki olhou para ela, seu rosto inexpressivo.

— Quatrocentos.

Rubi arregalou os olhos.

— Quatrocentos?! A missão só pedia cinquenta!

— Você matou trinta e oito — ele respondeu, ignorando o tom incrédulo dela. — Eles estavam no caminho.

Antes que Rubi pudesse responder, uma notificação apareceu diante deles.

Missão concluída.

Recompensas distribuídas.

Novo título adquirido: "Aniquilador de Ursos de Ouro".

Porta dourada desbloqueada: acesso ao terceiro andar.

Uma grande porta dourada surgiu no horizonte, suas dimensões colossais brilhando com uma luz quase cegante. Rubi olhou para a porta, depois para Aki.

— Você não para, né?

Aki apenas começou a caminhar em direção à porta, sua expressão inalterada. Rubi balançou a cabeça e o seguiu.

— Bem, acho que é melhor eu me acostumar. Não quero ficar para trás.

Ao atravessarem a porta, uma nova notificação apareceu no sistema:

Bem-vindo ao terceiro andar.

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