Império do Deus Rei

Em um luxuoso hotel cinco estrelas em Moscou, o ambiente era de puro requinte. As janelas de vidro que iam do chão ao teto ofereciam uma vista panorâmica da cidade iluminada, com as luzes refletindo suavemente na neve que cobria os telhados e ruas. Dentro da suíte, Azaroth Vermilion estava sentado em uma cadeira de couro preto, observando o horizonte com um copo de vinho em mãos. Ele vestia um elegante terno negro, com detalhes rubros que lembravam sangue fresco, enquanto sua presença emanava uma aura de poder absoluto.

Do outro lado da sala, Harua Yamazaki, agora transformado em vampiro, estava encostado na parede com os braços cruzados. Ele parecia mais relaxado, mas seus olhos traiam a reverência e admiração que sentia por Azaroth. Seu cabelo negro reluzia sob a luz do enorme lustre de cristal no teto, e a transformação vampírica só havia acentuado seus traços fortes e imponentes.

— Irmão, me diga algo — Harua começou, com uma voz carregada de curiosidade e respeito. — Por que você odeia tanto os humanos? Foram os demônios que o traíram, que roubaram sua torre. O que os humanos têm a ver com isso?

Azaroth desviou o olhar da cidade e repousou o copo sobre a mesa ao lado, o vinho vermelho se destacando contra o cristal transparente. Ele suspirou profundamente, mas sua expressão permaneceu fria, inalterável.

— Eu não os odeio por causa do que os demônios fizeram — começou ele, sua voz grave e carregada de uma serenidade que era quase aterrorizante. — Mas depois de séculos vivendo entre eles, observando suas vidas insignificantes, algo ficou claro para mim.

Harua inclinou levemente a cabeça, seus olhos fixos em Azaroth.

— Eles se autodestruem — Azaroth continuou, sua voz agora carregada de desprezo. — Humanos são egoístas, gananciosos, incapazes de ver além de seus próprios interesses. Criam guerras por nada, destroem um planeta lindo, rico em vida e recursos, tudo por ganância. Eles matam uns aos outros, torturam seus iguais, abandonam crianças, exploram os mais fracos...

Azaroth fez uma pausa, seus olhos brilhando como rubis à medida que sua raiva aumentava.

— Esse mundo está condenado nas mãos deles.

Harua permaneceu em silêncio, digerindo as palavras. Ele sabia que Azaroth não era alguém que falava levianamente. O Deus Rei vampiro tinha séculos de experiência e uma perspectiva que nenhum humano poderia sequer começar a compreender.

— E é aí que você entra? — Harua perguntou, sua voz séria. — Para consertar isso?

Azaroth ergueu-se da cadeira, seu movimento tão gracioso quanto mortal. Ele caminhou lentamente até a janela, colocando as mãos atrás das costas enquanto olhava para a cidade mais uma vez.

— Eu já tomei a Rússia — ele declarou, sua voz fria, mas carregada de uma certeza imutável. — Aqui, sou visto como um salvador. Limpei o caos, bani os corruptos, criei ordem. Sob meu governo, as crianças não passam fome, os animais não são tratados como mercadorias, e a natureza é respeitada.

Harua aproximou-se, seus passos ecoando no chão de mármore. Ele sabia que Azaroth não era movido por compaixão, mas sim por um senso de ordem absoluta.

— Mas o restante do mundo ainda está mergulhado no caos — Azaroth continuou, seus olhos fixos em algum ponto distante. — E ele também precisa ser meu.

Harua sorriu levemente, reconhecendo a ambição avassaladora de seu irmão. Ele não via nisso um sinal de arrogância, mas de inevitabilidade.

— Você realmente acredita que pode dominar tudo? — Harua perguntou, quase desafiador, mas com um tom de lealdade.

Azaroth finalmente se virou para encará-lo, seus olhos brilhando com um poder que parecia infinito.

— Não é questão de acreditar, Harua. É questão de saber.

Harua assentiu, um brilho predatório surgindo em seus próprios olhos vermelhos.

— Se isso significa seguir você até o fim, então eu o farei. O sangue que agora corre em minhas veias exige isso.

Azaroth deu um leve sorriso, algo raro, mas não desprovido de satisfação.

— Bom. Porque o que está por vir não será fácil. Os humanos vão resistir, as forças da Torre vão interferir, e mesmo outros vampiros podem tentar me desafiar.

— E eu estarei lá para esmagar qualquer um que se atreva a ficar no seu caminho — Harua respondeu, sua voz cheia de determinação.

Azaroth virou-se novamente para a janela, observando a vastidão do mundo que ele estava determinado a conquistar.

— Então prepare-se, Harua. Isso é apenas o começo.

A luz das estrelas iluminava a sala, lançando sombras que pareciam vivas, como se até mesmo o universo reconhecesse o poder e a determinação que emanavam daqueles dois. O futuro parecia inevitável, e com Azaroth no comando, a Terra estava prestes a ser moldada por uma nova ordem, uma onde ele reinaria absoluto.

Azaroth estava em silêncio, ainda observando as luzes da cidade, quando o som sutil de seu celular quebrou a tranquilidade. Ele tirou o aparelho do bolso interno do terno e leu a mensagem com olhos que, por um breve momento, brilharam em puro desdém.

A mensagem era do presidente da Rússia, agora um fantoche leal de Azaroth, transformado em zumbi para assegurar sua obediência. A mensagem era direta e urgente:

"Mestre, um grupo de demônios está atacando Moscou. Eles estão destruindo tudo e matando civis. Preciso de suas ordens."

Azaroth fechou o celular com calma, mas sua aura imediatamente se transformou em algo sombrio e ameaçador. Sua aversão aos demônios era absoluta, algo que transcendia até mesmo seu ódio pelos humanos.

— Demônios... — ele murmurou, quase para si mesmo, sua voz carregada de desprezo.

Harua, que estava sentado em um sofá próximo, notou a mudança na postura de Azaroth e imediatamente ficou em alerta.

— O que houve? — ele perguntou, levantando-se rapidamente.

— Demônios em Moscou — Azaroth respondeu, cada palavra carregada de fúria controlada. — Eles ousam causar caos no meu território.

Harua apertou os punhos, sentindo a tensão no ar. Ele sabia que, para Azaroth, os demônios não eram apenas inimigos; eram uma lembrança constante da traição que o afastou de seu trono na Torre.

— Vamos acabar com eles — Harua disse, com um sorriso predatório. — Não deixaremos que façam o que quiserem aqui.

Azaroth assentiu lentamente, já caminhando em direção à porta.

— Eles não terão essa chance.

Em poucos minutos, os dois estavam no topo do hotel, onde um helicóptero particular os aguardava. O piloto, outro servo transformado por Azaroth, estava pronto para levá-los diretamente ao coração de Moscou.

Durante o voo, o silêncio reinava, exceto pelo som das hélices cortando o ar. Azaroth estava sentado calmamente, mas a intensidade em seus olhos era inconfundível. Harua, ao seu lado, verificava as armas que carregava, embora soubesse que sua força vampírica seria mais do que suficiente para enfrentar os demônios.

— Irmão — Harua começou, quebrando o silêncio. — Você acha que são apenas demônios comuns?

Azaroth desviou o olhar da janela, fitando Harua com uma expressão fria.

— Não importa o que sejam. Eles vieram ao meu território e ousaram desafiar minha autoridade. Isso é suficiente para selar o destino deles.

O helicóptero começou a descer, aproximando-se de uma praça central onde o caos era evidente. Explosões iluminavam o céu, e gritos podiam ser ouvidos à distância. Vários edifícios estavam em chamas, e as ruas estavam repletas de destroços.

Quando pousaram, Azaroth e Harua desceram com calma, como se o caos ao redor fosse irrelevante para eles. Um grupo de civis em pânico correu em direção oposta, enquanto soldados tentavam organizar uma defesa contra as criaturas infernais.

No centro da destruição, um grupo de demônios estava reunido. Eles eram imponentes, com pele escura e chifres que brilhavam sob a luz das chamas. Suas garras gotejavam sangue, e seus olhos ardentes refletiam o puro caos que estavam criando.

Ao notar a chegada de Azaroth e Harua, um dos demônios, maior que os outros, soltou uma gargalhada trovejante.

— Ora, ora, quem diria que o grande Azaroth Viria nos receber pessoalmente?

Azaroth permaneceu impassível, avançando lentamente até ficar a poucos metros do demônio que falava.

— Você cometeu dois erros fatais — ele disse, sua voz baixa, mas carregada de autoridade. — Primeiro, ousou invadir o meu território. Segundo, ousou dizer meu nome sem permissão.

O demônio riu novamente, mas sua risada foi interrompida quando Azaroth liberou uma fração de sua aura. O peso esmagador da presença do Deus Rei Vampiro fez o chão tremer, e os demônios menores começaram a recuar instintivamente.

Harua, ao lado de Azaroth, sorriu, mostrando os caninos.

— É hora de mostrar a eles por que ninguém desafia o Reino de Azaroth.

Azaroth ergueu uma mão, e o ar ao seu redor começou a brilhar com uma energia carmesim. Num piscar de olhos, ele disparou contra o líder dos demônios, acertando-o com uma força tão avassaladora que o lançou contra um prédio, que desmoronou instantaneamente.

Harua avançou em seguida, movendo-se com velocidade vampírica. Ele rasgava os demônios menores com suas garras, sua força e agilidade deixando um rastro de destruição.

— Fracos demais — Harua zombou, enquanto arrancava a cabeça de um dos demônios com um único movimento.

Azaroth, por sua vez, caminhava lentamente em direção ao líder caído. O demônio tentou se levantar, mas antes que pudesse reagir, Azaroth o agarrou pelo pescoço, levantando-o do chão como se fosse um boneco de pano.

— Diga-me, quem os enviou? — Azaroth exigiu, seus olhos brilhando com uma luz ameaçadora.

O demônio tentou resistir, mas sob a força esmagadora de Azaroth, acabou cedendo.

— Foi... Foi Bael! Ele quer enfraquecer o mundo antes de reivindicar a Torre para si!

Azaroth apertou o pescoço do demônio com mais força, quebrando-o como se fosse nada. Ele deixou o corpo cair ao chão, e então olhou para Harua, que acabara de finalizar o último dos demônios menores.

— Bael — Azaroth repetiu, com um sorriso frio. — Parece que teremos um alvo interessante em breve.

Harua limpou as mãos ensanguentadas em um pedaço de tecido e sorriu.

— Espero que ele esteja preparado para lidar conosco.

Com Moscou segura e os demônios eliminados, Azaroth e Harua voltaram para o helicóptero. Mas ambos sabiam que essa batalha era apenas um prelúdio para algo muito maior.

Azaroth e Harua retornaram ao hotel luxuoso em silêncio, suas roupas ainda marcadas pela batalha contra os demônios em Moscou. Apesar do serviço impecável que o local oferecia, o ar estava pesado, refletindo as preocupações que pairavam sobre os dois vampiros. Assim que entraram na ampla suíte presidencial, decorada com mármore polido e lustres de cristal, Azaroth dirigiu-se à janela, com as mãos cruzadas atrás das costas, olhando novamente para a cidade que ele já havia reivindicado como sua.

Harua, por outro lado, jogou-se em uma das poltronas de couro próximo ao bar, servindo-se de um copo de vinho.

— Bael, hein? — Harua começou, girando o copo antes de beber. — Ele não é apenas um demônio qualquer. Estamos falando de um Arque Duque do Inferno.

Azaroth permaneceu imóvel, sua postura rígida.

— Eu sei quem é Bael. Um dos nobres mais influentes no inferno. Ele comanda legiões de demônios, tem controle sobre a guerra, estratégias e corrupção. — Ele fez uma pausa, virando-se para Harua. — E agora ele quer reivindicar a Terra como seu campo de jogos.

Harua arqueou uma sobrancelha, intrigado.

— Por que a Terra? Ele já não tem poder suficiente no Inferno?

Azaroth soltou um suspiro pesado, suas feições endurecidas.

— A resposta é simples: a Torre de Lúcifer. Quem controla a Torre controla não apenas o Inferno, mas a balança entre os mundos. Ela conecta todas as realidades, todas as dimensões. E para Bael, conquistar a Terra é o primeiro passo para garantir um acesso direto à Torre.

Harua franziu o cenho, apoiando o queixo na mão enquanto pensava.

— Faz sentido. Se ele controla a Terra, pode criar um fluxo interminável de caos, almas e energia. Isso o colocaria em uma posição de vantagem para desafiar qualquer um que se opusesse a ele, até mesmo Lúcifer.

Azaroth andou lentamente até uma cadeira próxima à lareira e se sentou, cruzando as pernas de forma elegante, mas imponente.

— Exatamente. Mas há um detalhe que Bael não considerou.

Harua sorriu levemente, já sabendo a resposta.

— Você.

Azaroth assentiu, um sorriso frio e calculista curvando seus lábios.

— Se na Torre há Aki Yamazaki para atrapalhar os planos de Lúcifer, aqui na Terra, eu sou o obstáculo para Bael.

Harua tomou outro gole de vinho antes de se inclinar para frente, seu tom mais sério.

— E como vamos lidar com isso? Não estamos falando de meia dúzia de demônios. Bael vai mandar tropas, espiões e talvez até outros Arque Duques para enfraquecer a resistência.

Azaroth tamborilou os dedos na lateral da poltrona, refletindo.

— Primeiro, consolidaremos nosso controle. A Rússia já é minha, mas precisamos expandir para garantir que não haja pontos fracos. Devemos estabelecer presença em outras regiões estratégicas.

— Você quer dizer Europa? — Harua perguntou.

— Não só Europa. A Ásia será essencial. Especialmente o Japão — respondeu Azaroth. — Algo me diz que o Japão terá um papel importante tanto na guerra na Terra quanto na Torre.

Harua assentiu, compreendendo a lógica de Azaroth.

— Certo. E quanto a Bael?

Azaroth se levantou, caminhando até a lareira e observando as chamas dançarem.

— Nós o faremos perceber que a Terra não é um playground para ele. Ele pode enviar tropas, mas nós responderemos com força esmagadora. Não recuaremos.

Harua sorriu, mostrando os caninos.

— Então, vamos começar a caçada.

Azaroth virou-se, olhando diretamente nos olhos de Harua, seu olhar frio e determinado.

— Não é apenas uma caçada, irmão. É a guerra pelo futuro deste mundo.

O som das chamas na lareira preencheu o silêncio entre eles, marcando o início de uma nova fase na luta pelo controle da Terra e da Torre. Azaroth sabia que o caminho seria longo e repleto de desafios, mas em seu coração gelado, havia uma única certeza: ele não permitiria que Bael ou qualquer outro demônio ousasse tomar o que ele já havia conquistado.

Naquele momento, os irmãos fizeram um pacto silencioso, um juramento de sangue para proteger a Terra, não por altruísmo, mas porque o mundo, com todos os seus defeitos, agora era parte do império que eles estavam construindo. E nada, nem mesmo um Arque Duque do Inferno, ficaria em seu caminho.

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