Dentro da tenda improvisada, o silêncio reinava após a discussão inicial sobre a morte de Liam e a promessa de vingança contra Lúcifer. Foi então que Shigen, com seu porte imponente e sua voz grave, decidiu quebrar o silêncio. Ele se levantou, o olhar firme e decidido, cruzando os braços diante do peito enquanto todos os olhos se voltavam para ele.
— "Tenho algo a dizer." Sua voz soou como um trovão calmo, mas que carregava peso suficiente para silenciar qualquer murmúrio. Ele fez uma pausa, observando os rostos exaustos e feridos ao seu redor antes de continuar. "Eu não vou subir a Torre."
A declaração pegou todos de surpresa. Levi foi o primeiro a reagir, descrente.
— "O quê? Como assim, você não vai subir?!" Ele deu um passo à frente, o tom indignado. "Você é o mais forte entre nós! Se alguém deveria subir, é você!"
Shigen ergueu a mão, pedindo silêncio, e continuou com a mesma calma inabalável.
— "Meu dever não é dentro da Torre. Meu lugar é aqui, na Terra. Preciso garantir que nosso mundo sobreviva ao caos enquanto vocês avançam." Ele olhou para todos com seriedade. "Além disso, Harua e Seichiro desapareceram. Não sabemos o motivo ou onde estão, mas vou encontrá-los. Eles podem ser a chave para algo maior, algo que ainda não entendemos."
Os outros trocaram olhares, digerindo as palavras de Shigen. A responsabilidade de proteger o mundo era enorme, mas parecia algo que apenas ele poderia carregar. Aki, sentado calmamente, finalmente falou.
— "Isso faz sentido. Alguém precisa garantir que a Terra esteja segura enquanto avançamos." Ele olhou diretamente para Shigen. "Confio que você fará isso."
Shigen assentiu, mas antes que pudesse responder, Levi voltou sua atenção para Aki.
— "E você? O que vai fazer? Vai subir sozinho ou formar um grupo?"
Aki levantou-se, cruzando os braços, e respondeu com sua habitual expressão neutra.
— "Eu vou subir." Ele deu uma breve pausa, analisando o impacto de suas palavras. "Mas sozinho, pelo menos por enquanto."
Yuki franziu o cenho, surpresa.
— "Sozinho? Isso não é perigoso?"
Aki balançou a cabeça, sua voz calma, mas firme.
— "Não é sobre ser perigoso ou não. É sobre crescimento." Ele olhou para Levi, Yuki e Nick. "Vocês deveriam formar uma equipe e subir juntos. Trabalharão melhor assim e terão mais chances de sobreviver enquanto aprendem a confiar uns nos outros."
Levi bufou, visivelmente descontente.
— "E você acha que vai crescer mais subindo sozinho? Por que não ficamos juntos?"
Aki encarou Levi, seus olhos rosa brilhando com uma intensidade fria.
— "Porque é assim que deve ser." Ele deu um passo à frente, olhando para todos na sala. "Cada um de nós tem um caminho a seguir, um papel a desempenhar. Subir separados, ao menos no início, nos forçará a crescer individualmente. Mas isso não significa que não estaremos conectados."
Belzebu, que até então estava em silêncio, interveio.
— "E quanto a nós? O que sugere para mim e Marcos?"
Aki virou-se para ele, o olhar avaliativo.
— "Você e Marcos devem subir juntos. Vocês são fortes como uma dupla e têm habilidades complementares. Mas será melhor vocês formarem uma equipe separada do restante." Ele fez uma pausa, olhando para cada um deles novamente. "No entanto, há algo que quero que todos vocês façam."
Todos aguardaram em silêncio enquanto Aki continuava.
— "No andar 10, quero que todos se reúnam novamente." Ele enfatizou as palavras, sua voz carregada de autoridade. "Será o momento de avaliarmos nosso progresso, compartilhar informações e planejar os próximos passos. Até lá, cada grupo segue seu próprio caminho."
Nick, quieto até então, finalmente falou.
— "E se alguém não conseguir chegar até lá?"
Aki virou-se para ele, sua expressão séria.
— "Vocês vão chegar." Ele olhou para todos com intensidade. "E ninguém tem o direito de morrer. Isso é uma ordem."
Levi deu um passo à frente, o olhar desafiador.
— "E você? Vai prometer que não vai morrer?"
Aki encontrou o olhar de Levi, a tensão entre eles quase palpável.
— "Prometo." Ele disse, simples, mas com uma determinação que fez até mesmo Levi recuar.
O silêncio que se seguiu foi pesado, mas cheio de propósito. Cada um dos presentes sabia que o que vinha a seguir seria ainda mais perigoso do que tudo que já enfrentaram. Mas também sabiam que, juntos ou separados, tinham que seguir em frente.
Shigen foi o primeiro a sair, seguido por Belzebu e Marcos, que começaram a discutir seus próximos passos. Yuki, Levi e Nick começaram a planejar sua subida como um trio, enquanto Aki permaneceu em silêncio, contemplando os próximos desafios que enfrentaria sozinho. No fundo, uma única promessa ecoava em suas mentes:
"Ninguém tem o direito de morrer."
E assim Aki foi em direção a torre, e ao entrar na torre, Aki foi imediatamente envolvido por uma luz branca que o cegou momentaneamente. Quando seus olhos se ajustaram, ele percebeu que estava em uma sala completamente branca, impecavelmente limpa, sem uma única imperfeição nas paredes ou no chão. No centro, havia uma mesa longa e minimalista, com duas cadeiras opostas. Sentado em uma delas estava um homem cuja presença irradiava uma sofisticação inquietante.
A aparência do homem era um contraste intrigante com o ambiente: ele possuía pele escura que parecia absorver a luz ao seu redor, cabelos negros e cacheados com algumas mechas caindo suavemente sobre o rosto. Um de seus olhos brilhava em um tom avermelhado, quase como se houvesse uma chama viva dentro dele, enquanto o outro era profundamente humano e expressivo. Ele usava óculos de armação dourada, presos por longas correntes que se conectavam a brincos decorativos nas orelhas, com pequenas franjas douradas que balançavam levemente quando ele movia a cabeça.
Seu traje era meticulosamente refinado: uma camisa branca de mangas longas com punhos ajustados, complementada por uma gravata preta perfeitamente alinhada. Um colete vermelho escuro, ricamente texturizado, abraçava seu torso, com botões dourados reluzindo suavemente sob a luz. Um casaco preto repousava sobre seus ombros de maneira deliberadamente casual, e um relógio dourado adornava seu pulso esquerdo. Suas mãos, cobertas por luvas pretas ajustadas, estavam unidas sobre a mesa, os dedos entrelaçados, enquanto ele observava Aki com um sorriso calmo e calculado.
— "Bem-vindo à Torre, Aki Yamazaki," disse ele, sua voz baixa e melodiosa, carregada de uma autoridade que parecia inata. "Sou Dionísio, um deus, e o administrador desta torre dos andares 1 ao 10. Estes níveis pertencem ao domínio do Olimpo, e será sob minhas regras que você prosseguirá."
Aki, mantendo sua postura sempre neutra, aproximou-se da mesa sem pressa, os olhos rosados brilhando intensamente contra a luz da sala. Ele puxou a cadeira diante de Dionísio e sentou-se, cruzando os braços e encarando o deus sem esboçar qualquer reação óbvia.
— "E o que exatamente você quer comigo?" perguntou Aki, sua voz tão fria quanto a expressão em seu rosto.
Dionísio sorriu, como se esperasse exatamente essa pergunta.
— "Oh, eu não 'quero' nada, jovem Yamazaki. Estou aqui para informá-lo." Ele ajustou os óculos com um gesto elegante antes de continuar. "O Olimpo governa os primeiros dez andares da Torre. Aqui, não há caos sem controle. Cada desafio é meticulosamente planejado, cada luta um teste deliberado de força, inteligência e... resiliência emocional." Ele enfatizou as últimas palavras, inclinando-se levemente para frente. "Você, claro, se destaca como um dos favoritos. Uma anomalia com muito potencial."
Aki permaneceu em silêncio, seus olhos cravados nos de Dionísio, avaliando cada palavra.
— "O que me interessa," continuou Dionísio, seus lábios formando um sorriso sutil, "é como você vai navegar nesses desafios. Sua... frieza emocional é fascinante, para dizer o mínimo. Mas me pergunto," ele inclinou a cabeça, o olho vermelho brilhando ainda mais intensamente, "até onde isso vai durar. Todos quebram eventualmente, Aki. Mesmo aqueles que se julgam impenetráveis."
Aki estreitou os olhos, sua expressão inalterada.
— "Se está tentando me provocar, está perdendo seu tempo," disse ele calmamente. "Já vi coisas piores do que você pode imaginar."
Dionísio deu uma risada baixa, um som que parecia ecoar pela sala branca.
— "Ah, mas não se trata de provocar, meu caro. É apenas uma observação... e um aviso." Ele se levantou lentamente, a luz da sala destacando os detalhes intrincados de suas roupas. "A partir deste ponto, você está oficialmente no domínio do Olimpo. Cada andar será um reflexo de nossa glória, mas também de nossos caprichos."
Ele deu a volta na mesa, parando ao lado de Aki. Sua presença era avassaladora, mas Aki permaneceu imóvel, como uma rocha enfrentando a maré.
— "Boa sorte, jovem guerreiro," disse Dionísio, com um sorriso que misturava charme e ameaça. "Vou observar com muito interesse enquanto você avança. E lembre-se... até mesmo os deuses caíram uma vez."
Com um estalar de dedos, a sala branca desapareceu em um borrão de luz, deixando Aki sozinho em um vasto corredor que parecia se estender infinitamente. As portas do primeiro andar estavam à sua frente, brilhando com um tom dourado enquanto inscrições antigas reluziam em suas superfícies.
Sem hesitar, Aki deu o primeiro passo em direção ao desconhecido, com a promessa de vingança e força queimando silenciosamente dentro de si.
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Atualizado até capítulo 28
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