Londres estava coberta por uma fina névoa enquanto Azaroth e Harua caminhavam pelas ruas sombrias em direção ao esconderijo da gangue London Bridge. Os dois avançavam com passos firmes, seus olhos cintilando com uma determinação implacável. O destino final era claro: Belphegor, também conhecido como Xavier, o Pecado da Preguiça, deveria ser eliminado.
Azaroth sabia que Xavier não era um inimigo comum. Como um dos Sete Pecados, ele possuía uma astúcia e visão além do que qualquer humano ou demônio comum poderia alcançar. E, para o desgosto de Azaroth, Xavier já estava um passo à frente.
Enquanto caminhavam pelas ruelas desertas, Harua sentiu algo estranho. Um silêncio pesado os envolvia, e, ao olhar para o irmão, Azaroth apenas assentiu, como se já esperasse o que estava por vir.
De repente, uma voz ecoou nas sombras.
— Bem-vindos a Londres, irmãos. — A voz era preguiçosa, arrastada, mas com uma ameaça implícita. — Faz tempo que espero por vocês.
Harua franziu a testa. Ele sabia de quem era aquela voz.
— Xavier... — sussurrou Harua, com a mão já repousando no cabo de sua espada.
Azaroth permaneceu impassível, observando a escuridão ao redor.
A voz continuou, agora mais próxima.
— Ou melhor... Belphegor. Você realmente achou que poderia vir aqui sem ser notado? Você não é o único que possui olhos e ouvidos. Alguém já previu sua vinda. — A figura de Xavier se revelou ao longe, sentado em uma poltrona de couro vermelho no meio da rua deserta, como se estivesse esperando há séculos. — O garoto... Aki. Ele me avisou que, quando ele não estivesse mais na Terra, algum idiota tentaria controlar tudo. Eu só não sabia que esses idiotas seriam vocês dois.
Harua cerrou os dentes. A menção de Aki despertou algo nele. O garoto sempre parecia estar um passo à frente, mesmo não estando presente fisicamente.
Xavier levantou-se lentamente, esticando os braços com um suspiro.
— Não gosto de fazer esforços desnecessários, mas... vocês me obrigaram a isso.
Antes que Harua pudesse responder, tiros começaram a chover de todos os lados. Um verdadeiro dilúvio de balas disparadas pelos membros da London Bridge, posicionados nas janelas, telhados e becos ao redor.
Mas Harua estava preparado.
— Vamos ver do que vocês são capazes. — Com um movimento rápido, ele desembainhou suas duas espadas, cada lâmina brilhando com um brilho mortal sob a luz fraca dos postes.
As balas vieram rápidas, mas Harua era mais rápido. Suas espadas se moveram com uma precisão quase sobre-humana, desviando e cortando cada bala que vinha em sua direção. As lâminas dançavam no ar, criando um escudo impenetrável ao redor dele e de Azaroth.
O som metálico das balas sendo desviadas ecoou pela rua, enquanto os atiradores da gangue olhavam com choque e medo. Eles nunca haviam visto algo assim. Cada disparo que faziam era neutralizado com uma destreza inacreditável.
Azaroth permaneceu imóvel, observando com um leve sorriso de aprovação.
— Impressionante como sempre, Harua.
Harua, ainda focado nos tiros, sorriu levemente.
— Isso é tudo que eles têm? Achei que seria mais difícil.
Xavier observava a cena com um olhar entediado, mas uma faísca de preocupação passou por seus olhos. Ele sabia que Harua era poderoso, mas subestimá-los tinha sido um erro.
— Então... vocês são mais fortes do que eu esperava. — Ele estalou os dedos, e os tiros cessaram por um momento.
O silêncio voltou a tomar conta da rua, mas era um silêncio tenso, como a calma antes de uma tempestade.
Xavier deu alguns passos à frente, agora a poucos metros de distância.
— Talvez seja hora de eu lidar com isso pessoalmente.
Azaroth deu um passo à frente, seus olhos vermelhos brilhando com uma intensidade ameaçadora.
— Você nunca deveria ter existido neste mundo, Xavier. Seu lugar é no inferno, não na Terra. E hoje, eu o mandarei de volta para onde pertence.
Xavier riu, mas a risada era forçada, quase nervosa. Ele sentia o poder irradiando de Azaroth, e, pela primeira vez em muito tempo, ele sabia que a preguiça não seria uma saída dessa vez.
— Vamos ver se você consegue, Deus-Rei Vampiro. — Com essas palavras, Xavier ergueu as mãos, e uma energia sombria começou a envolver seu corpo.
Harua posicionou-se ao lado de Azaroth, suas espadas prontas para a batalha.
— Azaroth... ele é meu. Quero cortar essa arrogância dele com minhas próprias mãos.
Azaroth assentiu.
— Como quiser, irmão. Mas certifique-se de que ele não tenha tempo para descansar. Demônios preguiçosos tendem a ser os mais traiçoeiros.
Harua avançou em direção a Xavier, as suas espadas brilhando como raios de luz em meio à escuridão. A batalha estava prestes a começar, e talvez a London Bridge logo aprenderia que havia forças no mundo que não podiam ser subestimadas.
Harua avançou com velocidade e precisão, suas espadas em mãos formando um arco de luz prateada enquanto cortava o ar em direção a Belphegor. O demônio do Pecado da Preguiça permaneceu imóvel por um instante, como se fosse incapaz de reagir, mas nos segundos finais, ele ergueu um braço preguiçoso e uma barreira de sombras se ergueu diante dele, repelindo o ataque inicial de Harua com um som estridente.
— Nada mal, espadachim. — Belphegor sorriu preguiçosamente, os olhos brilhando com um vermelho profundo enquanto a energia das sombras ao redor dele se expandia como uma névoa corrosiva. — Mas você está lutando comigo... e eu sou o pecado que jamais se cansa.
Harua recuou alguns passos, observando cada movimento do adversário com cuidado. Ele sabia que Belphegor não era um oponente a ser subestimado. A preguiça, para ele, era apenas fachada. Por trás daquela aparência letárgica, escondia-se um estrategista calculista, alguém que sempre mantinha o controle de suas ações. Cada passo que Belphegor dava era pensado com precisão cirúrgica, e ele jamais gastava energia desnecessária.
Harua sabia que isso seria uma luta de resistência e inteligência.
— Não importa quão preguiçoso você seja, não vou perder para alguém que vive das sobras dos outros — Harua disse, girando as espadas em um movimento circular, concentrando sua energia nelas.
Harua avançou novamente, desta vez alternando a direção de seus ataques. Ele sabia que um oponente como Belphegor não responderia a ataques diretos. O segredo estava em mudar o ritmo, forçá-lo a sair da zona de conforto.
As lâminas cortaram horizontalmente em direção ao torso do demônio, mas Belphegor inclinou o corpo para trás com uma facilidade que parecia preguiçosa, como se estivesse evitando o golpe por mero capricho.
— Tsc... você é rápido. — Harua ajustou sua postura. — Mas vamos ver até quando.
Belphegor ergueu a mão direita e, com um gesto suave, conjurou uma série de lanças de sombras que surgiram do chão, disparando em direção a Harua em ângulos diferentes. Não eram ataques poderosos, mas obrigavam Harua a desviar constantemente, gastando energia e foco.
Harua esquivou-se da primeira, da segunda... mas a terceira o forçou a bloquear com uma das espadas, o que o deixou momentaneamente aberto.
Belphegor aproveitou a abertura. Ele se moveu com uma velocidade surpreendente, um chute preciso acertando o peito de Harua, lançando-o para trás com força. O vampiro deslizou pelo asfalto, mas firmou os pés antes de cair.
Uma linha fina de sangue escorria pelo canto da boca de Harua.
— Você não está no mesmo nível que eu, espadachim. — Belphegor esticou os braços, como se estivesse entediado. — Você luta com o corpo... mas essa batalha é mental.
Harua Respirou Fundo.
Ele sabia que o demônio estava certo. Força bruta não bastaria ali. Ele precisava pensar em algo.
Harua lançou uma de suas espadas ao ar, distraindo momentaneamente Belphegor, e, com a mão livre, conjurou um círculo mágico sob seus pés — uma técnica que ele raramente usava. O círculo brilhou intensamente antes de liberar uma rajada de vento cortante em todas as direções.
Belphegor foi atingido pela rajada, suas sombras sendo temporariamente dissipadas. Mas ao invés de recuar, ele apenas riu.
— Então você também tem truques, Harua. Mas... não o suficiente.
Harua recuperou a espada lançada no ar e correu em direção a Belphegor, aproveitando o breve momento de vantagem. Ele desferiu um golpe vertical poderoso, concentrando toda sua força na lâmina. Se acertasse, poderia partir o demônio ao meio.
Mas Belphegor não estava onde Harua esperava.
Num piscar de olhos, ele apareceu ao lado de Harua, como se tivesse se teletransportado, e sussurrou ao seu ouvido:
— Preguiça não é só não agir... é agir sem ser visto.
Uma explosão de energia sombria atingiu Harua de lado, arremessando-o violentamente contra a parede de um prédio próximo.
Harua caiu no chão com força, cuspindo sangue. O impacto havia quebrado várias costelas. Ele tentou se levantar, mas Belphegor já estava ali, parado sobre ele, com um olhar calmo e superior.
— Você é forte, eu admito. Mas a diferença entre nós dois é simples. Você gasta energia demais. Eu? — Belphegor estalou os dedos, e mais lanças de sombras apareceram ao redor de Harua. — Eu apenas observo... e espero. E, no momento certo, ataco.
As lanças dispararam em direção a Harua, que, mesmo ferido, conseguiu bloquear algumas, mas não todas. Uma das lanças perfurou sua perna, outra seu ombro. Harua caiu de joelhos.
Belphegor cruzou os braços.
— No final das contas, Harua, o que você esperava? Que poderia vencer um estrategista como eu com força bruta e velocidade? Tolos sempre caem no mesmo erro. A força física é inútil sem estratégia.
Harua respirou fundo, o sangue manchando suas roupas. Sua mente corria com pensamentos. Ele estava perdendo, mas ainda não havia desistido.
Ele olhou para cima, encarando Belphegor nos olhos.
— Você está certo... mas se tem uma coisa que meu irmão me ensinou... é que a vitória não pertence a quem espera. Pertence a quem luta até o fim.
Belphegor inclinou a cabeça, intrigado.
— Ainda quer lutar? Mesmo assim? Você não aprendeu nada...
Mas Harua sorriu.
— Você está certo. Eu aprendi algo importante... que a preguiça não vence a persistência.
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Atualizado até capítulo 28
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