Chapter 16

Eu não sabia mais o que pensar. A aliança entre as potências estava prestes a desmoronar, e com isso, meu mundo também. As palavras do Arauto ainda ressoavam em minha mente: "O poder que você carrega pode destruir Anunaki ou salvá-la." Não era mais apenas uma questão de força. Era sobre controle, sobre saber quando agir e, talvez, sobre saber quando se render.

À medida que o dia passava e a situação se agravava, eu comecei a sentir o peso do que estava por vir. O poder que eu carregava não era algo que eu pudesse controlar facilmente. Eu estava começando a entender isso, mas era tarde demais. As potências estavam observando, e eu sabia que qualquer movimento meu poderia ser a última peça para acender a chama da guerra.

Lyra ainda estava em silêncio desde o nosso último confronto. Eu via sua expressão em meu rosto refletida em suas ações, mas ela não sabia o que eu estava passando. Eu não sabia se deveria continuar tentando protegê-la ou se deveria afastá-la para que ela não se visse envolvida no que estava por vir.

Tudo estava se tornando cada vez mais nebuloso.

Fui chamado para uma reunião com o Conselho Supremo de Anunaki, onde as lideranças de nossa potência discutiam as últimas movimentações das outras potências e o papel de cada um. A cada palavra que eles diziam, a pressão aumentava. A conversa girava em torno de um único assunto: o poder que eu tinha dentro de mim.

Aquele poder não era algo que eu poderia simplesmente entregar. Se Agartha conseguisse controlá-lo, não haveria mais chances para Anunaki. Eu sabia disso. O Arauto sabia disso. E agora eu também sabia que, se deixasse isso escapar das minhas mãos, a guerra seria inevitável.

Eu cheguei ao salão onde a reunião seria realizada, e ao entrar, o silêncio se instalou. O Conselho Supremo estava reunido em torno de uma mesa de vidro, suas expressões solenes, mas carregadas de apreensão. Eu me sentei na cadeira reservada para mim, e a tensão no ar era palpável.

— Akin Manhiça — começou o Arauto, sua voz sem emoção, mas com um peso que parecia envolver toda a sala. — Sabemos o que você está passando, mas precisamos ser claros: sua decisão é o que vai definir o futuro de Anunaki.

Eu olhei para ele, tentando não deixar transparecer o conflito que se passava dentro de mim. Todos estavam me observando, esperando que eu tomasse a frente e dissesse algo. Mas o que eu poderia dizer? Eu estava completamente perdido.

— Eu sei — finalmente falei, minha voz soando mais calma do que eu imaginava. — Eu entendo o que está em jogo. Mas vocês também precisam entender uma coisa: não sou mais a mesma pessoa que antes. O poder dentro de mim não é algo que eu possa simplesmente controlar ou usar da forma que vocês imaginam. Ele é mais forte do que todos nós.

Os olhares dos conselheiros se intensificaram, e um murmúrio percorreu a sala. Eles não esperavam essa resposta. Talvez eu tivesse esperado algo mais... heroico. Mas a verdade era que o peso da responsabilidade estava esmagando minha capacidade de agir racionalmente.

— E o que você sugere, então? — perguntou uma das lideranças de Anunaki, uma mulher de olhar severo, com cabelos prateados e uma expressão implacável. — Que fiquemos à mercê das outras potências enquanto você busca um equilíbrio impossível para controlar o poder?

Eu respirei fundo. Sabia que as palavras dela tinham razão, mas não queria admitir. Ninguém queria ouvir a verdade. A verdade de que eu não sabia o que fazer.

— Eu não sei. — Minha resposta soou como um sussurro, mas foi suficiente para que todos na sala a ouvissem.

O silêncio seguiu-se, pesado. O Conselho Supremo começou a se entreolhar, como se ponderassem se poderiam confiar em mim, ou se estavam lidando com uma bomba prestes a explodir. Finalmente, o Arauto quebrou o silêncio.

— O que você faz a seguir, Akin, não é apenas uma escolha pessoal. A pressão que você está enfrentando vai definir o destino de Anunaki, mas também o nosso futuro. Agartha não vai parar. Eles estão dispostos a ir até o fim.

Eu sabia o que ele queria dizer. A guerra entre as potências estava prestes a começar, e todos sabiam disso. Eu era a chave para evitar que isso acontecesse, ou para acelerar o colapso total.

— Eu não posso fazer isso sozinho — disse eu, olhando para todos os presentes. — Não sou um herói. Sou apenas um homem tentando entender o que é certo. Mas eu vou fazer o que for necessário para garantir a sobrevivência de Anunaki. Para garantir que as pessoas que eu amo tenham uma chance.

Aquelas palavras, embora faladas com firmeza, mal escondiam o medo que eu sentia por dentro. O poder dentro de mim não era uma bênção. Era uma condenação. E, à medida que as palavras ecoavam na sala, eu sabia que minha jornada estava longe de terminar.

Depois da reunião, eu saí da sala, sentindo a pressão aumentar. Lyra ainda não tinha me procurado, e o medo de que ela estivesse se afastando de mim só aumentava. Eu sabia que não poderia ficar com ela. Eu sabia que minha vida estava indo por um caminho onde ela não poderia seguir.

Mas, ao mesmo tempo, havia algo que me mantinha preso. Algo que eu não sabia explicar. O vínculo entre nós dois era forte demais para ser quebrado facilmente. E, se a guerra realmente começasse, o que eu faria? O que restaria de mim se eu perdesse o controle?

Eu precisava de respostas. E, para isso, teria que fazer uma escolha que mudaria tudo.

Foi quando ouvi uma batida na porta do meu quarto. Era Lyra.

Eu a encarei, e ela parecia mais determinada do que nunca. Eu sabia que, por mais que eu tentasse empurrá-la para longe, ela não iria desistir. Ela sempre seria a força que me puxava de volta para a humanidade que eu estava perdendo.

— Eu preciso falar com você — ela disse, sua voz suave, mas firme.

Eu respirei fundo, tentando encontrar as palavras certas. Mas o que eu poderia dizer? Ela estava certa em querer lutar ao meu lado, mas eu estava me afundando em algo que eu sabia que não poderia controlar.

— Eu sei — respondi, minha voz carregada de emoções não ditas. — Eu só... não sei se sou o homem que você pensa que eu sou.

Lyra me olhou por um longo momento, os olhos dela refletindo uma mistura de dor e compreensão. Ela sabia que estava perdendo uma parte de mim, mas também sabia que, por mais que eu tentasse afastá-la, ela nunca iria se afastar de mim.

— Akin — ela disse, sua voz baixa, mas cheia de significado. — Eu amo você. Não importa o que aconteça. Eu estarei ao seu lado.

Essas palavras ecoaram em minha mente, e, pela primeira vez em muito tempo, senti uma centelha de esperança. Talvez eu ainda tivesse uma chance. Talvez o poder que eu carregava pudesse ser controlado, desde que eu não estivesse sozinho.

Mas antes que eu pudesse responder, o som de um alarme preencheu o ambiente. O aviso de que a guerra estava chegando. E, com isso, o fim de uma era.

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