Eu nunca pensei que chegaria ao ponto de sentir como se minha alma estivesse sendo corroída. O que antes parecia ser uma oportunidade, agora parecia mais uma maldição. O poder dentro de mim, que eu acreditava que me tornaria mais forte, agora parecia estar se tornando uma prisão. Cada respiração era mais difícil de controlar. Cada pensamento, uma luta para manter a sanidade.
Eu me vi deitado em uma cama fria no quartel-general de Anunaki, cercado por paredes de aço e vidro, a cidade luminosa e imperturbável de Anunaki estendendo-se à minha volta. Mas eu não conseguia sentir. O vazio em mim se expandia mais e mais. Eu havia tocado algo que não deveria, algo que agora me controlava.
E lá estava Lyra, como sempre, ao meu lado, mas ao mesmo tempo distante. Seus olhos estavam cansados, e ela não parecia mais como a mulher que eu conhecia. A dor que ela carregava era visível, e tudo o que eu podia fazer era olhar para ela, sem saber o que dizer. As palavras estavam presas na minha garganta, mas eu sabia que nada do que eu falasse faria diferença. A decisão estava tomada, e as consequências começavam a se manifestar de maneiras que eu não conseguia entender.
— Akin — ela começou, a voz suave, mas carregada de uma tristeza que parecia atravessar tudo o que existia. — Você não pode ignorar o que está acontecendo dentro de você. O poder está crescendo, e você está se afastando de tudo o que era.
Eu não sabia como responder. Ela estava certa, eu sabia. Eu sentia isso em cada fibra do meu ser. Mas havia algo mais, algo que me mantinha em movimento, que me fazia continuar. A necessidade de proteger meu povo, de proteger Anunaki, era maior que qualquer coisa. E eu não sabia como fazer isso sem o poder que eu agora possuía.
— Eu sei, Lyra — falei finalmente, minha voz rouca, quase sem vida. — Eu sinto isso. Mas não há mais volta. O que eu fiz foi necessário.
Ela balançou a cabeça, e por um momento, eu vi o brilho da esperança desaparecer de seus olhos. Ela sabia, assim como eu, que o preço do poder era mais alto do que qualquer um poderia imaginar.
— Você está se perdendo, Akin — disse ela, a voz fraca, mas carregada de um peso imenso. — Isso não é mais sobre proteger ninguém. Isso é sobre você, sobre o que você está se tornando.
Eu olhei para ela, tentando entender o que ela queria dizer, mas as palavras estavam turvas, confusas. Eu queria acreditar que ela estava errada, que eu estava fazendo o que precisava ser feito, mas a dor que sentia em meu peito não podia ser ignorada. Eu estava mudando, e não sabia como voltar atrás.
De repente, a porta do quarto se abriu com um estrondo, e eu olhei para cima, vendo o Arauto entrar. Ele estava calmo, mas seus olhos estavam carregados de uma intensidade que eu não podia ignorar.
— Akin — ele disse, sua voz grave e autoritária, como se ele fosse o próprio peso do mundo. — O que você fez não tem mais volta. O poder que você tocou não é algo que se controle com facilidade. Você sabe disso, não sabe?
Eu não pude responder. O que ele estava dizendo era a verdade, mas não era algo que eu queria aceitar. O poder dentro de mim era como uma chama que queimava cada vez mais forte, e eu não sabia como apagá-la.
— Eu não posso voltar atrás — disse, a dor em minha voz agora mais evidente. — O que foi feito não pode ser desfeito.
O Arauto se aproximou, sua expressão inexpressiva. Ele parecia saber mais do que estava disposto a dizer, mas havia algo em sua postura que me fez sentir como se ele estivesse observando uma peça de xadrez em movimento. Cada um de nós era uma peça em seu jogo.
— O que você precisa entender, Akin — disse ele, mais suave agora — é que esse poder não foi dado a você para seu próprio benefício. Foi dado a você porque alguém sabia que você não teria escolha. A partir de agora, você será uma arma. E como toda arma, você será usada, e depois descartada, se não aprender a controlar o que há dentro de você.
Eu sentia um nó se apertando em meu estômago. As palavras dele ressoavam de uma forma que me fazia sentir como se eu estivesse sendo sugado para um abismo sem fim. A dor que ele descrevia não era só física. Era emocional, mental. O poder que eu possuía estava me destruindo, e eu não sabia como parar.
— O que eu devo fazer? — Perguntei, minha voz quebrada. — Como controlar isso?
O Arauto olhou para mim com uma expressão impassível.
— Você vai precisar aprender a controlar seus próprios demônios, Akin. E você vai precisar de ajuda. Não há como fazer isso sozinho.
Aquelas palavras ficaram comigo, ecoando em minha mente. Eu precisava de ajuda. Mas de quem? Quem poderia me ajudar quando eu me tornara algo além do que eu era? Quem poderia me ajudar a controlar o poder que agora dominava minha vida?
Lyra se aproximou, colocando a mão em meu ombro. Seus olhos estavam gentis, mas também tristes. Ela sabia o que estava acontecendo, e mais uma vez, eu percebi que ela estava certa. Eu não podia fazer isso sozinho. Eu não podia fazer nada sozinho.
— Eu estou aqui para você, Akin — ela disse, a voz suave. — Não importa o que aconteça, eu estarei aqui para ajudá-lo.
Eu olhei para ela, sentindo uma onda de gratidão, mas também de culpa. Eu a estava afastando, a estava colocando em risco com a minha busca por poder. Mas, ao mesmo tempo, ela era a única coisa que ainda me fazia sentir humano, a única conexão real que eu tinha com o mundo que estava começando a desmoronar.
O silêncio entre nós se estendeu por um longo momento. Mas algo começou a mudar em mim. Eu não estava mais completamente perdido. Eu ainda tinha algo pelo qual lutar. Lyra. Anunaki. E, mais do que tudo, minha própria humanidade. Eu tinha que encontrar uma maneira de controlar o poder que agora corria em minhas veias.
Mas eu sabia, no fundo, que não seria fácil. O custo seria mais alto do que qualquer um de nós poderia imaginar.
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Atualizado até capítulo 21
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