Chapter 17

Eu sentia o peso do mundo nos ombros, mais do que nunca. A guerra já não era apenas uma ameaça distante. Ela estava aqui, ao alcance de nossos dedos, pronta para desatar os horrores que todos temiam. Cada passo que eu dava parecia ser o último, uma aposta final em um jogo que não escolhi jogar.

O poder dentro de mim, que antes parecia uma chama controlada, agora era um inferno sem restrições. Às vezes, sentia que estava à beira de ceder, de deixar que esse poder me consumisse e arrastasse tudo ao meu redor para a escuridão. E Lyra... Ela ainda estava aqui. Ela me amava, mas cada dia que passava, eu me tornava mais uma ameaça para ela.

Não pude mais ignorar isso. Eu era o fogo prestes a queimar tudo o que tocava.

Após o alarme de guerra, o Conselho Supremo de Anunaki havia convocado uma reunião urgente. Eu estava lá, mais uma vez, sentindo a pressão esmagadora de um futuro que parecia estar se desintegrando antes dos meus olhos.

— O que faremos agora, Akin? — A pergunta do Arauto cortou o ar. Seu olhar estava mais grave do que o normal, mais pesado com a responsabilidade do que ele jamais deixaria transparecer.

Eu não sabia o que responder. A verdade é que estava perdido, completamente sem rumo. Não sabia mais qual era meu papel neste tabuleiro de xadrez. Se me movesse de forma errada, tudo poderia se perder.

— Precisamos de um plano — minha voz soou mais firme do que me sentia. — Não podemos simplesmente esperar. A ameaça de Agartha já está aqui.

O Arauto olhou para os outros membros do Conselho, e, em silêncio, eles começaram a discutir possíveis ações. O barulho das conversas se misturava ao som do vento lá fora, como se o próprio planeta estivesse respirando profundamente, à espera de uma decisão.

Eu me afastei um pouco da mesa, tentando processar tudo. Cada parte de mim desejava ser algo diferente, ser um homem que tomasse as rédeas da situação. Mas quem eu era agora? Quem eu me tornaria se o poder em meu interior fosse libertado?

A sala parecia girar quando os pensamentos tomaram conta de mim. Eu não sabia mais se seria capaz de controlar o poder ou se ele controlaria a mim. O que significava ser um líder, se isso significava destruir tudo o que eu amava?

E então, uma voz suave, mas firme, cortou o turbilhão de pensamentos.

— Akin.

Eu me virei para ver Lyra, que estava na porta da sala. Ela tinha o olhar firme, mas seus olhos brilhavam com uma mistura de preocupação e determinação. Eu não sabia o que ela estava fazendo ali, mas, naquele momento, sua presença era como um alicerce para o caos em minha mente.

— Lyra, o que está fazendo aqui? — perguntei, tentando esconder a vulnerabilidade que tomava conta de mim.

Ela entrou na sala com passos firmes, ignorando os olhares de surpresa e julgamento dos conselheiros.

— Eu não poderia ficar longe de você — ela disse, e seus olhos estavam carregados de uma decisão que eu não sabia como encarar.

O Arauto fez um gesto com a mão, e a sala se silenciou.

— O que você quer, Lyra? — perguntou ele, sua voz carregada de um ceticismo sutil.

— Eu preciso falar com Akin — ela respondeu, com uma coragem que me fez querer correr até ela e pedir desculpas por tudo.

Eu não sabia o que fazer. Eu queria gritar, afastá-la, mas ao mesmo tempo, a ideia de perder sua presença era insuportável. Ela estava mais do que nunca envolvida nesse jogo perigoso. A única coisa que eu sabia era que, por mais que eu tentasse protegê-la, a guerra chegaria até ela. Até nós dois.

— Akin — ela continuou, agora olhando diretamente para mim, sem hesitar. — Eu não vou permitir que você se destrua por medo do que pode acontecer. Você é mais do que isso. Eu sei que você é mais forte do que acha. E, se me permitir, vou estar ao seu lado, enfrentando o que vier.

Eu quase não conseguia falar. Era como se uma parte de mim soubesse que, ao aceitar sua ajuda, eu estava comprometendo ainda mais o meu destino. Eu queria estar sozinho. Eu queria enfrentar isso sem arrastar ninguém para minha queda.

— Você não entende — eu disse, minha voz rouca. — O poder dentro de mim é destrutivo. Se eu não conseguir controlá-lo, ele nos consumirá.

— Mas se você se afastar de mim, de todos, o que restará de você? — perguntou Lyra, e suas palavras me atingiram com a força de uma tempestade. — Você já não tem mais escolhas, Akin. Já está aqui. E se você se deixar levar por esse medo, não haverá volta.

Eu a olhei, tentando processar o que ela dizia. Ela estava certa. Eu já havia feito minha escolha ao nascer com esse poder, ao aceitar minha condição. Eu não podia fugir para sempre. Não poderia continuar escondido atrás de um medo que me paralisava.

Antes que eu pudesse responder, o som de uma explosão distante ecoou pelos corredores, como um lembrete de que a guerra não esperava mais por nós.

O Arauto se levantou abruptamente.

— Isso foi de Agartha — ele disse com uma frieza imperturbável. — Eles estão atacando nossas fronteiras.

Eu senti o ar se comprimir ao redor de mim. Era agora ou nunca. A guerra tinha começado.

Lyra me olhou nos olhos, sem palavras, mas com um entendimento profundo. Eu sabia o que ela queria dizer, e, ao fazer isso, senti uma parte de mim finalmente tomar a decisão que precisava ser tomada.

Eu não podia mais fugir.

— Vamos — disse eu, com uma determinação renovada. — Vamos defender Anunaki. E eu não vou deixar que ninguém perca mais nada por minha causa.

Lyra sorriu, e, pela primeira vez em muito tempo, eu senti que podia respirar. Nós não estávamos mais sozinhos.

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