O brilho da luz da caixa parecia me consumir, como se eu estivesse sendo engolido por algo imenso e sem forma. O ar estava denso, e eu podia sentir cada respiração profunda como se fosse a última. O Arauto, com seu olhar penetrante, não desviava os olhos de mim. Suas palavras ecoavam na minha mente, reverberando como um mantra implacável.
“Prepare-se para o que vem a seguir.”
Eu não sabia o que ele queria dizer com isso, mas uma parte de mim já começava a entender. O poder que estava ao meu alcance não era algo que eu pudesse simplesmente pegar e usar. Ele exigia mais de mim do que eu estava disposto a dar. A caixa na minha frente emanava uma energia tão forte que parecia cortar minha alma, e eu sabia que o momento que eu estava vivendo agora não teria retorno.
O silêncio na sala era absoluto. Só o som da minha respiração e o bater do meu coração podiam ser ouvidos. Eu sentia a tensão no ar, como se o próprio tempo estivesse suspendido, esperando que eu tomasse uma decisão. Eu queria fugir. Queria correr para longe dali, mas algo me impedia. Era como se as paredes do Templo da Ascensão tivessem se fechado ao meu redor, e eu não tivesse mais escapatória.
Lyra estava atrás de mim, mas eu não a olhava. Eu sabia que ela estava observando cada movimento meu, cada gesto, mas havia algo em sua postura que me dizia que ela já sabia o que estava por vir. Ela não precisava me dizer nada, eu podia sentir a tristeza e o receio em seu olhar.
“Escolha com sabedoria”, o Arauto disse novamente, sua voz calma, mas cheia de autoridade.
Eu olhei para a caixa mais uma vez. Dentro dela, algo brilhava com uma intensidade ofuscante, uma luz dourada que parecia se distorcer à medida que eu a observava. Eu sabia que era a chave para a ascensão, para o poder absoluto que me permitiria proteger Anunaki e, ao mesmo tempo, mudar o curso da história.
Mas o preço... o preço estava me consumindo. O que eu teria que sacrificar? O que poderia valer a pena?
Eu olhei para Lyra, que estava agora a poucos passos de mim. Seus olhos estavam fixos em mim, como se quisesse me dizer algo. Ela sabia que não havia mais tempo. A decisão tinha que ser tomada.
— Akin... — a voz dela, baixa, quase quebrada, soou no ar. — Não faça isso. Não vale a pena. O poder... ele pode te destruir.
As palavras dela penetraram em mim, como se estivessem desafiando minha própria existência. Ela tinha razão. O poder era tentador, mas eu sabia que ele não vinha sem custos. Eu vi a maneira como Anunaki se transformara ao longo dos anos. O que começou como uma utopia, agora era uma sociedade dividida, onde a ganância e a sede de poder corroíam as estruturas mais fundamentais. Eu havia testemunhado isso, em cada rua, em cada esquina, onde aqueles em busca de poder se corromperam sem sequer hesitar.
Eu respirei fundo, tentando clarear minha mente, mas cada respiração parecia apenas me afundar mais profundamente no caos que se formava ao meu redor. Era como se o próprio Templo estivesse me testando, me desafiando a ser mais do que eu jamais imaginara ser.
— Akin, você sabe o que está em jogo aqui — disse o Arauto, interrompendo meu momento de indecisão. — O poder que você procura está em suas mãos, mas a escolha é sua. Você terá que decidir se vai avançar ou recuar. Não há caminho do meio.
A luz da caixa brilhou mais forte, quase cegante. Eu podia sentir as palavras do Arauto, como se fossem uma pressão em minha mente, empurrando-me para a decisão final.
Eu sabia que o que estava prestes a acontecer não era algo simples. Eu teria que sacrificar algo que, no fundo, eu não queria perder. Mas o que seria? A resposta não estava clara, e isso me assustava ainda mais.
— Akin, por favor... — Lyra falou novamente, agora com um tom mais urgente. Ela se aproximou ainda mais, quase tocando meu braço, como se quisesse me ancorar à realidade.
Eu não sabia o que fazer. A decisão estava me esmagando, e eu não conseguia mais distinguir o que era certo. O medo de perder minha humanidade estava se tornando mais forte do que qualquer desejo de poder.
Então, sem mais palavras, eu estendi a mão em direção à caixa.
A luz que emitiu quando meu dedo tocou o metal foi tão intensa que quase me fez cair. A sensação era como se o ar ao meu redor estivesse se distorcendo, e eu me vi imerso em um turbilhão de pensamentos e emoções. Eu não sabia se estava sendo puxado para o futuro ou se estava perdendo tudo o que eu já era.
E então, o silêncio.
Tudo parou por um segundo. O tempo pareceu se interromper, como se o universo tivesse suspendido sua marcha. Eu olhei para a caixa, agora vazia. A luz havia desaparecido, e algo mais estava em meu interior. Algo que não estava ali antes. Eu podia sentir, mas não sabia como descrever.
— Agora você está pronto — disse o Arauto, sua voz preenchendo o vazio.
O que eu sentia era como uma força invisível crescendo dentro de mim. Não era apenas poder, mas algo muito mais profundo, algo que me conectava ao próprio Templo, como se eu fosse agora parte dele. Eu podia sentir os limites da minha própria percepção se expandindo, e um sorriso involuntário se formou em meus lábios.
Mas não era só isso. Eu sentia algo mais, algo que se movia dentro de mim. Algo que se enroscava nas minhas entranhas, me dizendo que esse poder não viria sem um preço. O que eu havia sacrificado? Eu ainda não sabia.
Lyra estava em silêncio, seus olhos fixos em mim. Ela sabia que algo havia mudado. Eu podia ver o medo e a preocupação em seu olhar. Eu tinha tomado minha decisão, mas ela ainda estava presa em sua dúvida.
— Akin... o que aconteceu? — Ela finalmente perguntou, a voz trêmula.
Eu olhei para ela, com a mente fervilhando de emoções conflitantes.
— Eu não sei, Lyra. Mas algo dentro de mim mudou. Eu não sou mais o mesmo.
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Atualizado até capítulo 21
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