O som dos passos na escuridão ainda ecoava pelos corredores, e eu podia sentir o peso da tensão aumentando a cada segundo. O Guardião havia nos deixado em um ponto crucial da fortaleza, onde as paredes pareciam respirar, e o ar se tornava mais espesso a cada movimento. Lyra estava ao meu lado, ainda tão quieta quanto uma sombra, mas eu sabia que o que estava prestes a acontecer não a deixaria indiferente.
O poder dentro daquela sala parecia se infiltrar em minha mente, tocando uma parte de mim que eu não sabia que existia. Aquilo não era apenas uma batalha física, ou política, ou até mesmo espiritual. Era uma batalha psicológica, algo que ameaçava a sanidade de quem fosse tocado por seu poder. E eu estava agora no centro disso, em busca de uma resposta que talvez nem quisesse encontrar.
— Akin — a voz de Lyra soou, baixa e tensa. — O que você está fazendo?
Eu a olhei rapidamente, sabendo exatamente o que ela queria dizer, mas sem saber como responder. Ela sabia que eu estava em um ponto de virada, uma linha tênue entre o que era certo e o que era necessário. Não existiam respostas fáceis aqui, nem um caminho claro. Cada passo que eu dava me aproximava mais do abismo.
— Eu não sei, Lyra — disse finalmente, minha voz soando mais fraca do que eu queria. — Eu só sei que não podemos deixar que Agartha tome controle. Isso é maior do que nós. Maior do que qualquer um de nós.
Ela olhou para mim, seu olhar penetrante e profundo, como se tentasse ver além de mim, até a essência do que eu estava sentindo. Ela sabia que, por mais que eu falasse com convicção, algo dentro de mim estava se desfazendo. Eu estava começando a duvidar, começando a questionar minha própria motivação.
— Akin... — Ela começou, mas a frase foi interrompida por um ruído distante. Algo estava vindo, algo grande.
Um grupo de figuras encapuzadas surgiu à nossa frente, com passos silenciosos, como se não quisessem ser notados. Eu não os tinha ouvido se aproximando, mas agora que estavam ali, o ambiente parecia ainda mais tenso. O Guardião tinha nos deixado para trás, mas esses novos visitantes pareciam ser mais uma prova de que nada em Anunaki poderia ser feito sem observação.
— Você finalmente chegou até nós, Akin Manhiça — disse uma das figuras, a voz profunda e autoritária. — O Templo da Ascensão não oferece respostas a todos. Muitos vêm em busca de poder, mas poucos são dignos de obtê-lo.
A figura que falava deu um passo à frente, retirando seu capuz para revelar um rosto que eu reconhecia de alguma forma. Ele tinha o olhar frio e calculista de um líder, alguém que não acreditava em fraqueza, nem em compaixão. Ele era um dos mais altos líderes de Anunaki, um nome que os murmúrios das ruas haviam mencionado, mas que poucos ousavam citar abertamente.
— Eu sou o Arauto. E você, Akin, terá que provar seu valor se quiser realmente ascender aqui — disse ele com um sorriso enigmático, que não alcançava seus olhos.
Eu não sabia se estava preparado para o que ele estava sugerindo, mas uma coisa era certa: o que quer que fosse, eu não tinha outra escolha. O destino de Anunaki estava nas minhas mãos, e eu havia feito minha escolha.
— O que precisa ser feito? — perguntei, tentando esconder qualquer sinal de dúvida que ainda pudesse habitar minha mente.
O Arauto fez um gesto com a mão, e uma das figuras ao fundo se adiantou, segurando uma caixa pequena e ornamentada. Quando ele a abriu, uma luz intensa brilhou de dentro, iluminando nossos rostos com uma energia que eu não conseguia entender.
— O preço de subir ao poder — o Arauto continuou, com uma calma assustadora — é a perda de algo precioso. Você terá que sacrificar algo de grande valor para obter o que busca. Esse é o único caminho para ascensão. A luz que você vê na caixa não é apenas um símbolo de poder, mas uma prova de que você está pronto para enfrentar o que vem.
Eu olhei para Lyra, que parecia cada vez mais incomodada, seu rosto pálido à luz daquela estranha energia. Ela sabia o que aquilo significava, o sacrifício implícito, mas não disse nada. Ela sabia que era um teste, que se eu não passasse, as consequências seriam desastrosas.
— O que você escolherá, Akin Manhiça? — o Arauto perguntou, sua voz cortando o ar com uma frieza assustadora.
Eu olhei para a luz na caixa e senti uma pressão crescente dentro de mim. O poder era tentador, mas o preço que ele exigia... Eu sabia que esse momento mudaria tudo. Eu tinha que tomar uma decisão, e não havia como voltar atrás.
— Eu aceito o desafio — disse, minha voz firme, sem vacilar.
O Arauto assentiu com um sorriso satisfeito.
— Muito bem. Prepare-se para o que vem a seguir.
Sem mais palavras, ele fez um sinal, e as figuras começaram a se mover, cercando-me com a energia da fortaleza. Eu podia sentir os olhos deles em mim, observando cada movimento, esperando minha reação. O poder, agora, estava ao meu alcance. Mas eu sabia que, quanto mais próximo dele eu chegava, mais eu tinha a perder.
Lyra me tocou no ombro, um gesto rápido e sem palavras. Ela estava tão longe de mim agora, e isso me preocupava. Algo estava acontecendo, algo que ela não queria que eu soubesse. Mas o que fosse, eu teria que lidar com isso sozinho. Eu sabia que a verdade não seria mais uma questão de escolha, mas de sobrevivência.
A luz na caixa brilhou mais forte, quase ofuscante, e a sala ficou em silêncio absoluto. Algo estava prestes a acontecer, e eu estava preparado para pagar o preço, não importava o custo.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 21
Comments