Eu nasci em 2024, o último ano de paz na Terra. Cresci ouvindo histórias sobre como o mundo era antes da guerra, antes das mudanças, antes de tudo se transformar. Meus pais costumavam falar sobre parques cheios de crianças brincando, mercados lotados de cores e cheiros, e a tranquilidade de não temer o amanhã. Era uma realidade tão distante para mim quanto as cenas de Arcane, minha série favorita. Talvez seja por isso que eu me apegue tanto à história de Piltover e Zaun. Eles também eram mundos divididos, cheios de conflitos e incertezas.
Mas Anunaki é diferente. Nós não temos fome, nosso ar é puro, e a terra nos sustenta. Não somos como Agartha, onde a tecnologia domina, ou como Calodopseia, que perdeu sua humanidade em busca de conhecimento. Aqui, somos um só com a Terra, e talvez por isso eu sinta cada vibração do chão como se fosse minha própria respiração.
Hoje, a vibração era diferente.
— Akin, você vai ficar aí parado o dia todo? — Sefu gritou atrás de mim.
Eu virei a cabeça, sentindo o calor do sol no rosto. Ele era sempre o impaciente. Alto, musculoso, com uma barba rala que o fazia parecer mais velho do que realmente era. Seu rifle improvisado brilhava sob a luz, mas, sinceramente, eu sabia que ele não seria muito útil contra o que estávamos prestes a enfrentar.
— O chão está vibrando, Sefu — respondi, sem tirar os olhos da areia.
Ele bufou, ajeitando o rifle no ombro. — O chão sempre vibra. Você está tentando ganhar tempo porque sabe que o conselho nos mandou para uma missão suicida.
— Não é isso — murmurei. Eu me agachei, pressionando a palma da mão contra a areia quente. — Isso é diferente. É como se... algo estivesse se movendo.
— É, nós. Indo para Dagor. Agora, mexa-se!
Dagor ficava na fronteira de Anunaki. Era uma região desolada, onde a terra estava seca e as dunas pareciam se mover com o vento. Sempre achei que aquele lugar parecia um deserto vivo. As missões ali raramente terminavam bem.
Eu queria ignorar o tom autoritário de Sefu, mas havia algo no chão, algo que não estava certo. Antes que eu pudesse responder, uma explosão de areia nos engoliu.
O chão tremia como um tambor batendo freneticamente. Então, eu o vi: um colosso metálico emergindo das dunas, com olhos vermelhos brilhantes e garras afiadas como lâminas.
Um sentinela de Agartha.
— Corra! — gritei, me jogando para o lado enquanto a criatura avançava.
— Correr? — Sefu riu, apontando o rifle. — Eu vou é derrubar essa coisa.
— Não! — gritei. — Isso não é uma máquina comum!
Ele ignorou o aviso e puxou o gatilho. As balas ricochetearam na carcaça metálica do sentinela como se fossem pedrinhas jogadas contra uma muralha.
— Droga! — Sefu resmungou.
Eu me levantei e corri na direção dele. — Deixe isso comigo.
— Você? — Ele ergueu as sobrancelhas. — O que vai fazer? Socar a coisa?
Não respondi. Em vez disso, fechei os olhos e me concentrei. A terra respondeu imediatamente, como sempre fazia. Eu podia sentir o fluxo de energia sob meus pés, as camadas de areia e rocha esperando pelo meu comando.
Quando a criatura avançou novamente, eu levantei a mão, e o chão explodiu. Espinhos de pedra emergiram como lanças, cravando-se nas articulações do sentinela. Ele rugiu, tentando se libertar, mas eu não dei espaço para isso.
— Quem enviou você? — perguntei, aproximando-me com cuidado.
A criatura emitiu um som estranho, quase como uma risada, antes de explodir em uma nuvem de poeira e fragmentos metálicos.
Me joguei no chão, protegendo o rosto enquanto a onda de choque me atingia. Quando a poeira baixou, me levantei, ofegante.
— Isso foi só o começo — murmurei para mim mesmo.
— Você está bem? — Sefu voltou correndo, os olhos arregalados.
— Estou vivo, o que já é mais do que posso dizer daquela coisa — respondi, limpando a poeira das roupas.
Ele olhou para os destroços da criatura, depois para mim. — Isso foi... intenso.
— Precisamos contar ao conselho.
Sefu assentiu, mas havia preocupação em seu olhar. — Você acha que eles estavam atrás do...
— Do Coração de Gaia? — completei, olhando para o horizonte. — Tenho certeza disso.
O silêncio que se seguiu era pesado. O Coração de Gaia era o segredo mais bem guardado de Anunaki, e também o maior motivo de conflito entre as potências. Se Agartha estava enviando sentinelas para nosso território, era porque estavam desesperados.
— Vamos sair daqui antes que mandem mais — disse, começando a andar.
— Você acha que eles sabem? — perguntou Sefu, seguindo-me.
— Talvez. Ou talvez só estejam sondando. De qualquer forma, precisamos proteger o Coração a qualquer custo.
O caminho de volta foi silencioso, mas minha mente estava em turbilhão. O que Agartha realmente sabia? E por que agora?
A única certeza que tinha era que algo estava para acontecer. E não seria nada bom.
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Atualizado até capítulo 21
Comments
PH9sora
Estou gostando muito do início do livro!
2024-11-26
2
Jadson Augusto
muito bom esse capítulo
2024-11-26
1