Chapter 13

O Templo da Ascensão estava silencioso, como uma caverna deserta onde o eco da minha respiração parecia amplificado. O que acabara de acontecer dentro daquela sala parecia impossível. Eu não estava mais apenas em Anunaki. Eu estava dentro de algo muito maior, algo que se estendia além das paredes daquele templo e penetrava até os recantos mais profundos da minha alma.

O poder que eu havia tocado não era só um símbolo de força. Ele se enraizava em mim, se ligando ao meu ser de maneira que eu não sabia como controlar. Sentia-o pulsando dentro de minhas veias, fazendo meu coração bater mais rápido, minha mente mais clara, mas, ao mesmo tempo, me deixando vulnerável de uma maneira que eu não entendia.

Lyra estava ali, parada a uma distância, observando-me como se eu fosse um estranho. Ela sabia, assim como eu, que nada mais seria como antes. O que eu havia feito, o que eu havia tocado, não poderia ser desfeito. Eu estava marcado, mais do que jamais imaginara.

— Você não percebe o que fez, Akin — disse ela, a voz suave, mas carregada de uma tristeza que quase me cortou. — Isso… isso não é o que você pensava que seria.

Eu respirei fundo, tentando manter a calma, mas meu corpo tremia. A luz que emitiu da caixa ainda estava comigo, como se parte da essência daquilo tivesse se fundido em meu ser. O poder estava crescendo dentro de mim, e eu sentia a necessidade de libertá-lo, de testá-lo, mas havia algo que me impedia.

— Eu sei o que estou fazendo, Lyra — respondi, a voz firme, mas com uma pitada de incerteza que eu não pude esconder. — Eu não posso voltar atrás agora.

Eu olhei para a caixa, agora vazia sobre o altar. A força que emanava dela havia desaparecido, mas algo de muito mais profundo havia se instalado em mim. Uma sensação de controle. De superioridade.

Mas junto com isso, um vazio. O peso da escolha estava se tornando insuportável. Eu sabia que havia algo errado, mas não conseguia mais ver claramente o que era. O que eu tinha alcançado era como uma linha tênue entre o poder absoluto e a perdição.

— Você não tem mais controle sobre isso, Akin — disse Lyra, seu olhar fixo no meu rosto, como se estivesse tentando enxergar além da fachada de confiança que eu estava tentando manter. — Esse poder... ele vai te consumir.

Eu a olhei nos olhos, tentando entender o que ela queria dizer. Ela estava com medo, e isso eu podia sentir. Mas havia algo mais. Algo que ela sabia, algo que eu não sabia.

— O que você está dizendo? — perguntei, minha voz baixa. — Eu já tomei minha decisão. Não há mais volta.

Lyra deu um passo em minha direção, mas ainda assim manteve a distância. Seus olhos estavam marejados, mas ela parecia determinada.

— O poder não é o que você imagina, Akin. Ele não vai te dar o controle sobre os outros. Ele vai te controlar. E quando você perceber o que perdeu, vai ser tarde demais.

Eu queria reagir, dizer que ela estava errada, mas as palavras não saíam. Algo dentro de mim, uma pequena voz, estava começando a duvidar do que eu havia feito. Era como se o próprio Templo estivesse sussurrando para mim, pedindo que eu reconsiderasse.

— Você não entende. Eu não tenho escolha, Lyra. Anunaki precisa de mim. Eu preciso disso para proteger as pessoas. Para garantir que não passemos por mais uma guerra. Para que não precisemos mais viver com o medo constante do amanhã.

Ela balançou a cabeça lentamente, como se estivesse tentando absorver minhas palavras, mas sua expressão não mudou. A preocupação, a dor, estavam ali, claras como o dia. Ela sabia que eu estava mentindo para mim mesmo.

— Você acha que proteger Anunaki vai fazer tudo isso valer a pena? — perguntou ela, a voz suavizada pela dor. — O que você vai perder no caminho? O que vai acontecer com aqueles que você ama, com você mesmo? Não há poder que compense o preço da perda de sua própria humanidade.

Suas palavras atingiram meu coração como uma flecha. Eu queria negar. Queria dizer que ela estava errada, que o sacrifício valeria a pena, mas havia uma parte de mim que estava começando a questionar. Eu sabia que ela estava certa, mas eu não queria admitir isso. O que eu havia tocado, o poder que eu agora possuía, era a chave para tudo. Eu não podia deixar isso escapar.

— Eu não vou deixar ninguém sofrer mais, Lyra — disse com mais intensidade. — E se for preciso sacrificar algo para garantir isso, então que seja.

Lyra me olhou com um olhar de tristeza profunda. Ela parecia querer me tocar, mas algo a impedia. Eu sabia o que ela queria dizer, mas eu não estava pronto para ouvir.

A tensão no ar era palpável. A decisão estava tomada, mas o que eu não sabia era que ela não era apenas minha. Ela afetaria todos ao meu redor, começando por Lyra.

O silêncio voltou a tomar conta da sala, mas agora ele não era apenas vazio. Era pesado. Eu podia sentir o peso daquilo que eu havia feito, e, ao mesmo tempo, sentia que era tarde demais para voltar atrás. O que eu tinha feito era irreversível.

De repente, uma voz interrompeu o silêncio.

— O que você fez, Akin, não tem volta — disse o Arauto, aparecendo na entrada da sala. Ele estava com os olhos fixos em mim, e sua expressão era enigmática, como se já soubesse o que viria. — Agora, você está mais do que pronto para o que está por vir.

Eu o olhei, e naquele instante, soube que não estava mais em controle. O poder dentro de mim estava se tornando algo que eu não podia controlar. Eu olhei para Lyra mais uma vez, e vi o medo em seus olhos.

Ela sabia o que eu ainda não tinha percebido: o que quer que eu tenha tocado não era apenas uma fonte de poder. Era uma sentença de morte.

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