Chapter 10

O portão se fechou com um estrondo atrás de nós, e a escuridão ao nosso redor engoliu toda a luz que ainda restava. Dentro da fortaleza de Anunaki, o ar era denso, carregado com um poder quase palpável. A cada passo que dávamos, o som das nossas botas ecoava de forma distorcida, como se as paredes da fortaleza estivessem vivas, observando cada movimento.

Lyra caminhava ao meu lado, seu corpo tenso, os olhos brilhando com um tipo de alerta que eu nunca tinha visto nela. Ela, que sempre parecia estar no controle, agora estava em constante vigilância. Eu também, sentia a necessidade de manter a guarda alta. Aqui, dentro dessas paredes, era como se estivéssemos em um território completamente desconhecido, onde nada era o que parecia ser.

Quando passamos por um corredor de pedras escuras, o ambiente parecia ainda mais opressor. Nenhum som, exceto o de nossos passos, se atrevia a invadir o espaço, e até o ar parecia carregado com uma energia densa. Olhei para Lyra e a vi absorvendo cada movimento, cada detalhe, como se estivesse esperando algo.

— Como você sabe o que esperar aqui? — perguntei em voz baixa, tentando não quebrar o silêncio mortal ao nosso redor.

Ela demorou um momento para responder, como se ponderasse se deveria ou não me dar uma explicação completa.

— Não tenho certeza do que vai acontecer, Akin — disse ela, sua voz quase um sussurro. — Mas o que eu sei é que aqui, neste lugar, todas as escolhas têm um preço. E o Templo da Ascensão... Ele é mais do que apenas um local de poder. Ele é um reflexo daquilo que está em jogo. Quem controla o templo controla não só Anunaki, mas todos os metahumanos.

Aquelas palavras ficaram ecoando na minha mente enquanto seguimos mais adentro da fortaleza. O que Lyra estava dizendo era mais do que apenas uma observação casual — ela estava me alertando sobre o que estava por vir. O Templo da Ascensão não era apenas um lugar sagrado para os metahumanos, mas também o coração pulsante de um poder imenso, um poder que poderia mudar o destino das potências. E agora, de alguma forma, eu estava sendo arrastado para dentro dessa guerra sem fim.

A jornada dentro da fortaleza parecia interminável. O ambiente se tornava cada vez mais opressor, e as sombras ao nosso redor pareciam se esticar como se tivessem vida própria. Eu mal conseguia ver a frente, mas Lyra parecia saber exatamente onde estava indo. Ela me guiava com uma precisão que me deixava inquieto. Como se ela já tivesse estado ali antes, como se soubesse o que esperar.

Quando finalmente chegamos a uma grande sala, o som de passos e murmúrios distantes nos fez parar. A sala era colossal, com paredes adornadas por símbolos que eu não conseguia entender. No centro, uma gigantesca plataforma se erguia, e, acima dela, um único feixe de luz irradiava de uma fonte invisível. A sensação de poder que emanava dali era insuportável.

Lá, na plataforma, estavam outros. Não eram muitos, mas sua presença foi suficiente para criar uma tensão palpável. Eles estavam em silêncio, mas eu podia sentir o peso de sua vigilância sobre nós. Cada olhar parecia medir nossa coragem, nossa determinação, como se estivessem avaliando se éramos dignos de estar ali.

O homem à frente deles se destacou. Ele usava uma capa negra, e sua presença parecia dominar o ambiente de forma imponente. Quando ele olhou para mim, seus olhos brilharam com uma intensidade fria, como se estivesse me analisando de uma maneira que não conseguia entender.

— Akin Manhiça, não é? — Sua voz cortou o silêncio, profunda e autoritária.

Eu o encarei, sem piscar. Havia algo em seu olhar que me incomodava, mas eu não podia demonstrar fraqueza. Eu já estava aqui, e não havia como voltar atrás.

— Sou eu — respondi, tentando manter a voz firme.

Lyra ficou atrás de mim, observando cada movimento, sua expressão um misto de apreensão e cautela. Eu podia ver que ela estava tensa, preparada para o pior. Ela sabia que algo grande estava prestes a acontecer, e que as respostas que eu procurava talvez fossem mais perigosas do que eu imaginava.

O homem à frente deu um passo à frente, e a sala inteira parecia respirar com ele. Ele estava em um nível diferente de poder. Eu podia sentir isso, como uma força invisível que se manifestava ao seu redor.

— Eu sou o Guardião do Templo da Ascensão. E você, Akin Manhiça, veio até aqui em busca de poder. Mas você sabe o que está pedindo? Você entende o que está em jogo?

Eu não hesitei. Não podia.

— Eu entendo que o que está em jogo aqui não é apenas o futuro de Anunaki, mas o futuro de todos os metahumanos. Eu vim até aqui porque há algo que precisa ser feito. Algo que ninguém mais está disposto a fazer. A Agartha... Eles não podem continuar manipulando todos como se fossem peças em um tabuleiro.

O Guardião observou-me em silêncio por um longo momento, como se estivesse avaliando minhas palavras, meu propósito. Ele não parecia surpreso. Ele parecia estar esperando por isso, como se já soubesse a razão pela qual eu havia chegado até ali.

— Você fala de poder como se fosse algo simples. Mas o que você está pedindo, Akin, não é apenas poder. É controle. E controle tem um preço. A pergunta é: você está disposto a pagar esse preço?

Eu respirei fundo. As palavras do Guardião faziam sentido, mas eu sabia o que estava em jogo. Ele não ia me dar respostas fáceis, e eu não estava aqui para receber respostas fáceis. Eu estava aqui para descobrir a verdade, não importa o que acontecesse.

— Eu estou pronto para pagar qualquer preço — disse, com firmeza.

O Guardião permaneceu em silêncio, sua expressão intransigente. Então, finalmente, ele falou.

— Muito bem. Vamos ver se você é realmente digno do que busca.

Com um gesto sutil, ele fez um sinal, e o ar ao redor de nós começou a mudar. A sala parecia se transformar, como se o próprio espaço estivesse se rearranjando ao nosso redor. As sombras cresceram, e o ambiente se tornou mais denso, mais intimidador.

A energia que fluía pelo templo parecia se intensificar, como se algo grande estivesse prestes a acontecer. Eu não sabia o que esperar, mas uma coisa era certa: a partir daquele momento, nada seria mais como antes.

A jornada para o poder estava apenas começando. E eu já sabia que não seria fácil. Não havia mais espaço para dúvidas. O destino de Anunaki, e de todas as potências, estava agora em minhas mãos.

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