— Não faça isso, Theodora… você tem um compromisso — disse Tainá, ajudando Theodora a se recompor.
— Me desculpa… É melhor eu subir, até breve Tainá. Disse Theodora, ainda inconformada, com sua própria decisão.
Theodora então decidiu subir para o quarto de sua irmã, deixando uma onde de desejo em Tainá.
" Tainá tenha juízo". Falava para si mesmo, indo embora.
(...)
Depois daquele momento intenso, Tainá sentiu que precisava de um tempo para si mesma. As manhãs começavam cedo, com o despertador insistente, lembrando-a das obrigações. Ela seguia para o trabalho, onde permanecia até as 5h30, participando de treinamentos para a "tão sonhada vaga de supervisora". 😒
Assim que chegava em casa, não se demorava; trocava de roupa rapidamente e ia para a praça, onde costumava treinar. Fazia dias que não via Rui, desde aquele beijo que ainda pairava na sua memória como uma cena gravada.
" Theodora, Rui, aí ao onde fui me meter". pensava ela constantemente.
Com os fones de ouvido bem ajustados, e tênis bem amarrados, ela iniciava a corrida, entregando-se ao ritmo da música que a guiava pelos cantos do bairro. Seus passos ressoavam sobre o chão ainda molhado pela recente garoa, que deixava poças em cada canto, pois em são Paulo, a semana estava chuvosa. e era impossível não molhar os pés, desviando apenas das maiores.
Sua respiração sempre começava a se descompassar, acompanhando o cansaço que tomava conta de seu corpo.
Após um tempo, parava para recuperar o fôlego, sentindo o ar fresco, invadir seus pulmões, ficava apenas quieta, deixando-se envolver pelo silêncio do início da noite.
Quando chegava em casa, tomava um banho rápido, apressada, antes que a avó tivesse chance de lhe dar outras broncas.
Naquele dia, porém, Graziela havia recebido alta do hospital, e Tainá havia prometido visitá-la, mesmo com o receio de reencontrar Theodora.
Parou no mercado, comprando o pudim favorito de Grazi, um pequeno gesto de carinho, para sua amiga.
A caminho da casa de Grazi, a chuva fina era observada por ela sobre a iluminação artificial dos postes à noite, gotas tão delicadas, caiam sobre seu rosto, refrescando-a, já que apensar de estar chovendo, o calor ainda estava presente em são Paulo.
Ao se aproximar da casa de Grazi, Tainá avistou Rui com um buquê de flores e uma caixa de chocolates, e um olhar tímido.
Ela parou, surpresa, observando-o com curiosidade.
— Rui?
— Me desculpa pelo beijo e por ter forçado a barra — disse ele, com um olhar contrito, a voz baixa, quase sussurrada pelo vento.
— Essas flores e chocolates são para mim? — perguntou ela, com uma ponta de surpresa e incredulidade em seu tom.
Ele corou, desviando o olhar, e respondeu, quase tropeçando nas palavras:
— Não, são para a Graziela. Já que você vai vê-la, pode entregar para ela.
Tainá ergueu uma sobrancelha, desconfiada.
— Por que você mesmo não entrega? Esta é a casa dela… Você veio vê-la, não veio? Ou estava só esperando por mim?
— Esperando você? Não… — Ele ficou ainda mais vermelho, e um sorriso nervoso escapando.
— Então vamos entregar para ela juntos.
Ela bateu à porta, e Theodora a atendeu, lançando-lhe um olhar tímido, como quem evita o confronto. Tainá sorriu discretamente, compreendendo os motivos do desconforto.
— Esse É Rui, ele veio para visitar Grazi.
— Tudo bem entra. disse sem graca Theodora
— Oi, Grazi! — disse ela ao entrar, segurando o pudim nas mãos como um tesouro precioso. — Trouxe seu doce favorito.
— Amiga, você é maravilhosa! — Graziela respondeu, radiante, lançando-lhe um olhar de gratidão. Então, notou a presença de Rui, que, acanhado, acenava para ela, sem jeito.
— Olha só quem está aqui — disse Tainá, apontando para Rui. — Ele veio te ver e trouxe chocolates e flores.
— Ah… obrigada! — Graziela murmurou, surpresa, um leve rubor surgindo em suas bochechas.
— Theodora, faça um café para nossos convidados — pediu Graziela, sorrindo.
— Deixa que eu faço — disse Tainá, dirigindo-se à cozinha. — O Rui tem muita conversa para colocar em dia com você, afinal, são velhos amigos, não é? — completou, lançando um olhar sínico para Rui, já que ela sabia que as flores e chocolates não era para Graziela.
Enquanto Tainá fazia o café, Theodora se aproximou para ajudar.
— Quer ajuda? Perguntou ela.
— Acho que quero sim. Eu me sinto meio perdida aqui, olha que já fiz café, almoço e janta aqui com a Grazi — falou Tainá, meio desorientada.
— Eu vou deixar o açúcar, o café e o coador à mão — respondeu Theodora, procurando os itens e os colocando na mesa.
Em um descuido, Theodora esqueceu de fechar a porta do armário superior e, ao se virar, quase bateu a cabeça. Porém Tainá atenta a impediu, fechando a porta rapidamente, aproximando-se de seu corpo.
— Você ia bater a cabeça — disse Tainá em um tom suave.
— Tainá... — murmurou Theodora, a voz baixa e fraca pela proximidade entre elas.
— O que foi... — sussurrou Tainá, sua voz carregada de desejo.
Os rostos estavam próximos, e a respiração delas se tornou mais rápida.
— Eu quero um beijo seu — confessou Theodora, ardendo de paixão.
— Théo, eu não posso… e você também sabe que não pode. Se fizermos isso, vamos nos arrepender— disse Tainá, quase relutante.
— Tainá, Não diga não... — A respiração de Theodora se intensificou, e ela encostou o rosto no de Tainá, deixando suas respirações se misturarem. — Eu sei que você quer tanto quanto eu.
— Eles estão na sala… e se vierem aqui? — sussurrou Tainá, preocupada.
— Só um último beijo. Depois eu prometo me afastar de você — murmurou Theodora, com os lábios quase tocando os de Tainá.
Tainá empurrou Theodora suavemente contra o armário, deixando as mãos deslizarem pelo rosto dela, aproximando-se ainda mais. No momento em que o beijo estava prestes a acontecer, ouviram a voz de Babi rindo na sala, quebrando o clima. Uma mistura de culpa e raiva invadiu Theodora.
— Me desculpa… Eu sei que fui eu quem pediu por isso, mas eu não posso… — disse ela, com o coração ainda acelerado e a voz embargada pelo desejo.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 46
Comments
Maria Daguia
Coincidência demais ambos aparecerem quase ao mesmo tempo pra estragar tudo...🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬
2024-11-30
1
Maria Daguia
Só acho que Babi tá jogando no mesmo time do embuste Rui
2024-11-30
2
Maria Fabiana
que incoveniente essa Babi misericórdia.
2024-11-14
1