No outro dia, todos estavam de pé e se preparando para o último dia no sítio. Ficariam até as seis da tarde. No refeitório, o café da manhã estava incrível, com uma variedade de opções: ovos mexidos e fritos, pães, frios, sucos, café, chocolate quente e até iogurte. Mas o que realmente estava sendo devorado era o pão de queijo.
— Bom dia — disse dona Ângela para a neta. — Cadê suas amigas?
— Bom, acho que daqui a pouco elas vêm. Estou preocupada com a Graziela, anda com umas dores fortes.
— Isso é por causa desse treino de vocês. Não sei por que vocês inventaram essa ideia de entrar para a polícia — respondeu dona Ângela, visivelmente incomodada.
— Não começa, vó — respondeu Tainá.
— Você sabe que é um trabalho perigoso, mal remunerado, e que a população não valoriza. É mais fácil queimarem pneus por um bandido do que pela vida de um bom policial.
— Eu sei, e talvez nem tenha tantos casos graves. É para a polícia legislativa, vó, e tem um bom salário.
— Mas pra isso você teria que ir para Brasília, e com todos esses protestos contra o legislativo, só daria problema.
— Vó…
— Vó nada. Sua mãe foi ser policial, ao invés de namorar e conhecer jovens da idade dela, e acabou morrendo cedo. Eu quero você bem e feliz.
— Quer saber? Perdi o apetite.
Tainá se levantou, aborrecida, e saiu andando. Graziela, que a avistou de longe ao lado de Theodora, estranhou.
— Ué, por que ela nos ignorou? — perguntou Graziela.
— Acho que ela não ignorou… parece estar brava com alguma coisa — disse Theodora.
— Depois eu falo com ela. Agora vou tomar um cafezinho, que tá com um cheiro maravilhoso.
— Posso ir falar com ela? — perguntou Theodora.
— Ué, agora pede permissão? — Graziela riu, meio surpresa.
Tainá avistou Theodora se aproximando.
— Bom dia — disse ela para Theodora, que imediatamente a abraçou com força, deixando Tainá meio sem reação.
— Aconteceu alguma coisa, Theodora?
— Sim… Não quero ir embora. Aqui é tão bom — respondeu Theodora, com um tom meio triste.
— Também não queria ir. Amanhã já é aquele ritmo de sempre… acordar cedo, trabalho, exercícios. Aqui, a gente é livre — disse Tainá, suspirando.
— Pois é, mas a vida normal nos chama — disse Theodora, compreensiva. — E você parecia brava quando saiu do refeitório.
— Estava um pouco, mas já passou…
— Aposto que foi meu abraço que te acalmou — brincou Theodora, rindo.
— Ah, sim, foi ele mesmo — disse Tainá, sorrindo, antes de puxá-la para um beijo. Theodora correspondeu com intensidade.
— Agora me deu até um arrepio! — comentou Theodora, rindo.
— Vem, vamos dar uma volta nas redondezas. Tem uma coisa que quero te mostrar.
Tainá levou Theodora até uma cachoeira escondida, e as duas ficaram lá, admirando a vista. Sem pensar muito, Theodora pulou na água e, animada, chamou Tainá.
— A água, a essa hora, deve estar gelada! — disse Tainá, hesitando.
— Tá nada, tá uma delícia! — respondeu Theodora, rindo.
Tainá pensou duas vezes, mas acabou pulando. Assim que caiu na água, fez uma careta.
— Ai, ai, ai… Você mentiu pra mim! A água tá gelada!
— Se eu falasse a verdade, você não viria — respondeu Theodora, puxando-a para perto e envolvendo Tainá em seus braços.
Tainá não resistiu e a beijou com desejo. As duas ficaram assim, trocando beijos e risadas na água por um bom tempo. Depois, saíram para se esquentar em uma pedra ao sol.
— Nossa, que frio! — disse Theodora, se encolhendo toda.
— Viu só o que você inventou, sua maluquinha? — brincou Tainá.
— Tô com muito frio… — respondeu Theodora, ainda tremendo.
— Assim você me deixa preocupada… — disse Tainá, notando que Theodora estava com os lábios roxos.
— Me abraça — pediu Theodora, tremendo.
Tainá a envolveu em um abraço sobre a pedra. Theodora começou a beijá-la de novo, e nenhuma das duas resistiu ao momento. O clima esquentou, e ali, na tranquilidade da cachoeira, elas se entregaram uma à outra com carinho e desejo, fizeram amor, sem presa.
Quando, finalmente, se deitaram uma ao lado da outra, ambas ofegantes, Tainá perguntou, sorrindo:
— O frio foi embora, Theodora?
— Com você acendendo meu fogo… — respondeu Theodora, rindo.
— Garota, garota… você é problema.
— Eu? — respondeu Theodora, rindo.
As duas voltaram para casa, ainda molhadas e risonhas, cada uma para seu quarto para tomar banho e se trocar.
— Onde vocês estavam? — perguntou Graziela, olhando para a irmã, desconfiada.
— Encontramos uma cachoeira perto daqui — respondeu Theodora.
— Você quer roubar minha amiga? — perguntou Graziela, franzindo o cenho.
— O quê?
— Isso mesmo que você ouviu. Antes, quem fazia isso era a Pamela, nossa prima. Agora você também?
— Não quero roubar amiga de ninguém! Só estou me divertindo um pouco. Foi você que me convenceu a vir aqui — disse Theodora, tentando se explicar.
— Mas você não desgruda dela. Ela está dando mais atenção pra você do que pra mim.
— Olha, Grazi, eu gosto de estar com ela, mas não estou roubando nada. Ela é sua amiga e vai continuar sendo. E, por favor, nunca me compare à Pamela.
Graziela olhou para a irmã , respirou fundo e, meio embaraçada, tentou mudar o assunto, mas a tensão entre as irmãs ficou no ar.
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Atualizado até capítulo 46
Comments
Maria Daguia
A sua irmã princesinha...não é tão princesinha assim...kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk
2024-11-28
1
Maria Daguia
Acho que Grazi vai ficar um pouquinho chocada quando souber...
2024-11-28
1
Allan Ricardo Araujo
aí Grazi se tu souber o que rola entre elas duas tu morreria não sei de felicidade ou de raiva
2024-11-06
4