Após o abraço, Theodora sugeriu que elas se deitassem na grama do campo para ver as estrelas. Assim, as duas ficaram lado a lado, em silêncio, aproveitando a presença uma da outra.
— Posso te perguntar uma coisa? — disse Tainá, quebrando o silêncio.
Theodora se virou na direção dela e começou a fazer carinho em seus cabelos.
— Claro, pode falar.
— Você disse que tem uma namorada... Pelo que a Grazi falava de você, imaginei outra coisa. A garota popular da escola, namorando o cara mais bonito… — Tainá comentou, hesitante.
— Não entendi sua pergunta. Seja mais direta — disse Theodora, a voz suave enquanto acariciava o rosto de Tainá.
— Você é… o quê? Lésbica? Bissexual? Ou...?
— Sou lésbica — respondeu Theodora, rindo. — Minha irmã acha que eu, toda delicada, jamais gostaria de mulher. Ela nem imagina que você também não é… — provocou com um sorriso.
— Mas eu não sou... — sussurrou Tainá.
— Ah, é? Quando te perguntei sobre já ter ficado com homens, você fez uma cara de nojo. Eu sou boa em captar micro expressões — disse Theodora, provocando.
— Pra mim, isso é pseudociência — respondeu Tainá, divertida. — Eu acredito em linguagem corporal, mas micro expressões já acho um exagero.
— Então, me diz… eu sou a primeira mulher por quem você sente atração? — perguntou Theodora, olhando nos olhos de Tainá.
— É… confuso — Tainá admitiu, ainda deitada, e levantado e sentando na grama, e Theodora a acompanhou. — Sempre achei que fosse mais uma fantasia do que uma orientação. Eu não menti quando disse que já tive outros relacionamentos com rapazes… Eu gostava de alguns, sentia desejo, e era bom. Mas… nunca me apaixonei de verdade. Sempre achei que eu era como minha mãe. Ela se casou com meu pai sem amar, queria uma família, e ele parecia o homem certo…
— Poxa, Tatá… — disse Theodora, dando um beijo no ombro de Tainá, em um gesto de carinho.
— E você ama sua namorada? Desculpa a pergunta, se for invasiva pode desconsiderar… — disse Tainá, meio sem jeito.
— Não, não tem problema — respondeu Theodora, com um leve suspiro. — Eu… amo sim. Mas, às vezes, é complicado.
— Complicado como? — perguntou Tainá, curiosa.
— Eu estava esperando ela se sentir pronta, sabe? Ela tinha medo de perder a virgindade. E, depois, eu também fiquei com receio… Medo de não ser boa o suficiente, de não conseguir fazer esse momento especial pra ela. Ela é muito especial pra mim — disse Theodora, com uma pontinha de tristeza.
— Não acha que desperdiçou esse momento especial comigo, em vez de ter sido com ela? — perguntou Tainá, sentindo uma leve culpa.
— Não. Porque, desde que te vi engasgada com isotônico, com medo de ser descoberta, era você que eu queria.
Tainá sorriu e se virou na direção de Theodora, selando seus lábios em um beijo terno. As duas se deitaram novamente no campo, sob as estrelas.
— Você é louca… mas muito linda — disse Tainá, sorrindo para Theodora.
Depois de um tempo em silêncio, elas voltaram a conversar.
— Você está fazendo faculdade de quê? A Grazi comentou, mas acho que não prestei muita atenção — perguntou Tainá.
— Estou fazendo moda. Minha mãe diz que vou passar fome, mas meu pai me apoia, além da Grazi, claro — respondeu Theodora com um sorriso.
— Que legal. Se é o seu sonho, vai em frente — disse Tainá, admirando a determinação de Theodora.
— E você pensa mesmo em entrar para a polícia? — perguntou Theodora, curiosa.
— Sim... Já tentei para a militar e a civil antes de me formar, mas… eu passo nas provas escritas, e na prática, não, eu sei que deveria desistir, mas..— Tainá hesitou.
— Mas...? — Theodora incentivou, percebendo a dúvida nos olhos dela.
— Não quero tirar esse orgulho dos meus pais. É o presente que posso dar a eles.
— Seus pais não estão vivos, né?
— Não, morreram ainda jovens.
— Foi um acidente?
— Foram envenenados. Um parente nosso estava envolvido em coisas erradas, e meu pai o denunciou. Pouco tempo depois, a esposa desse parente foi em casa e ofereceu um bolo… — Tainá parou, as lembranças claramente dolorosas.
— Eu… não sei o que dizer… Você deve ter sofrido muito.
— Sim, mas minha avó sofreu mais ainda… Eu não chorei no dia, e as pessoas diziam que eu era insensível, que tinha coração de pedra.
— As pessoas podem ser insensíveis… Às vezes, não conseguimos processar esse tipo de notícia de imediato. Isso não significa que você não amava seus pais — disse Theodora, fazendo carinho em Tainá, tentando confortá-la.
As duas ficaram em silêncio, deitadas na grama, até adormecerem. Horas depois, no meio da madrugada, Theodora acordou com frio.
— Ei… Tainá, vamos. Tá frio aqui — sussurrou Theodora, puxando Tainá suavemente.
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Atualizado até capítulo 46
Comments
Maria Daguia
Aí já era
É hora de se entregar
O amor não espera
Só deixa o tempo passar...
2024-11-28
1
Maria Daguia
O que começou por curiosidade, transformou-se em amor e cumplicidade😍😍😍😍😍😍😍😍
2024-11-28
2
Allan Ricardo Araujo
aiaiaiaiaiai só quero vê Theodora se tu ama mesmo tua namorada pq a Tainá já fez morada no teu coração
2024-11-06
1