Por volta das 20 horas, todos estavam no refeitório, e a sopa estava sendo servida. O clima estava pesado, e era difícil dizer quem estava de pior humor: Graziela, arrastada pela irmã para o jantar, ela não queria estava com muita dor, Theodora, ainda ressentida com a briga com Tainá, ou Tainá, dividida entre a discussão com Theodora e o desconforto de ter Fagner ali, trazido por sua avó.
Graziela sentou-se com Theodora de um lado da mesa, enquanto Tainá ficou do outro, com dona Ângela e Fagner ao seu lado. Tainá tentava não olhar para Theodora, mas seus olhos acabavam voltando para ela, que a ignorava, claramente irritada.
— Essa sopa tá muito boa, mas amanhã vamos organizar o pessoal para fazer um hot dog, só a juventude — sugeriu Graziela, tentando descontrair. Os mais velhos haviam feito sopa e agora era a vez deles.
— Então tô fora, já fiz minha parte hoje, eu ajudei a descascar oslegumes — disse Tainá, rindo, mas logo percebendo o olhar irritado de Theodora.
— Pode deixar, eu e a Theodora cuidamos disso — afirmou Graziela. — E você, Fagner, que não fez nada, vai ter que ajudar.
— Eu não cozinho, tô fora! Peçam algo de macho — respondeu Fagner, em tom machista, fazendo Theodora revirar os olhos.
— Bom, meu pai era policial, mas antes disso, trabalhava lavando pratos em uma pizzaria, e meu pai era um homem de verdade. Então, você fica com a louça — disse Tainá, colocando os pratos sujos à frente dele.
— Eu… Eu não vou lavar isso! — protestou Fagner.
— Tainá, deixa de ser mal-educada. Fagner é nosso convidado. Por que você não lava, enquanto nós, mais velhas, vamos descansar? — interferiu dona Ângela, tentando apaziguar.
— Tá bom, não vou quebrar por isso — disse Tainá, com um suspiro.
— Eu te ajudo — ofereceu Graziela, embora estivesse claramente dolorida dos exercícios.
— Pode deixar, Graziela. Eu dou conta.
— Eu ajudo a Tainá — disse Theodora, inesperadamente.
Na cozinha, Tainá lavava enquanto Theodora secava os pratos. O silêncio entre as duas era tenso, e Tainá tentava iniciar uma conversa trivial.
— A água tá meio gelada… aqui no sítio, de dia é quente, mas à noite esfria— disse Tainá, buscando um jeito de quebrar o gelo.
— Aham — respondeu Theodora, secamente.
— Esse pano já está bem molhado… vou pegar outro pra você — Tainá continuou, tentando ser útil.
— Tudo bem.
Tainá pegou um pano novo e, ao entregá-lo, olhou nos olhos de Theodora, mas Theodora desviou o olhar.
— Eu... — começou Tainá, hesitante.
— Eu o quê? Quer me beijar? Porque fica aí me encarando… — provocou Theodora.
— Não, eu não ia te beijar. Só queria… tentar um contato visual — respondeu Tainá, um pouco sem jeito.
— Pra quê? Você vive evitando a todo custo, então continue assim — retrucou Theodora, irritada.
— Theodora, quero pedir desculpas pelo que aconteceu mais cedo… Eu fui… eu não devia ter te beijado, nem ter ido tão longe. Me desculpa.
Theodora ficou ainda mais irritada.
— O quê? Se era pra pedir desculpas, deveria ser por ter sido uma babaca comigo, e não por me beijar. Desde que nos conhecemos, isso foi a coisa mais… mais gentil e sincera que você fez. Porque fora os beijos, você só tem uma babaca.
— Então, você não está com raiva do que aconteceu entre nós? — perguntou Tainá, baixinho.
— Não… e você sabe que não — disse Theodora, com um sorriso provocador. — Só você está … porque, apesar de tudo, gostou.
— Você não perde a mania de me provocar, né? — disse Tainá, com um sorriso no rosto.
— Nem um pouco. E se tá com medo que eu queira algo sério, relaxa. Eu tenho uma namorada… Quer dizer, estamos meio afastadas, mas logo vamos voltar — Theodora respondeu.
— Mas você disse que era a primeira vez com uma mulher! — Tainá falou, confusa.
— Eu quis dizer que foi a primeira vez fazendo sexo com mulher. Mas já tive namoros, sim. Conheci a Babi aos 14, e estamos juntas desde então — explicou Theodora.
Tainá balançou a cabeça, agora entendendo melhor.
— E nunca fizeram nada? Vocês são jovens, eu pensaria que…
— Ah, porque somos jovens e "imaturas"? — Theodora provocou, levantando uma sobrancelha.
— Eu… — Tainá hesitou, mas antes que pudesse responder, Theodora perguntou:
— E você? Já teve experiências com algum cara?
— Alguns… — respondeu Tainá, enquanto as duas se aproximavam. Tainá estava encostada na parede, e o ar entre elas parecia mais quente.
— E gostou? — Theodora perguntou, curiosa.
— Alguns foram bons, outros nem tanto — Tainá respondeu com um tom leve, embora o ambiente estivesse carregado de tensão.
— Não me diga que foi com o Fagner? — perguntou Theodora, quase com um toque de ciúme.
— Com ele? Não, cruzes! — Tainá respondeu, soltando uma risada divertida.
— E me diz… foi melhor do que o nosso momento? — Theodora questionou, os olhos cheio de curiosidade.
— Ai, você quer me provocar mesmo! — Tainá disse, sorrindo, mas divertida.
— Quero só saber se o que tivemos foi “regular” pra você — Theodora confessou, de leve.
— Foi a melhor experiência que eu já tive. Tá satisfeita? — Tainá admitiu, sem rodeios.
— Não… Se você achasse mesmo, não fugiria de mim desse jeito — disse Theodora, fingindo uma expressão triste.
Tainá deu uma risada e se aproximou ainda mais, ficando cara a cara com Theodora. As respirações de ambas estavam entrecortadas pela proximidade.
De repente, Graziela entrou na cozinha e olhou para as duas, que estavam muito próximas uma da outra.
— Oxi, por que vocês estão assim tão perto? Parece até que iam se beijar! — Graziela disse com uma expressão surpresa e uma risada. — Aliás, alguma de vocês tem remédio pra dor? Minhas costas estão me matando.
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Atualizado até capítulo 46
Comments
Maria Daguia
Tinha que ter uma empata foda!!!!!🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬🤬
2024-11-28
1
Cecília De Lima
empata foda/Facepalm/
2025-04-02
0
Nath❤️🤞🏻
manooo, kkkkkkkkkkkk na melhor hr 🤣🤣🤣
2024-12-04
1