Tainá não sabia se sentia um misto de alegria ou dor por vê-lo. Suas pernas perderam a força.
— Rui... — disse, e logo o abraçou.
— Como você está? Olha só, está uma mulher linda. — Ele respondeu, retribuindo o abraço.
Os dois ficaram presos naquele abraço, até se sentarem na grama.
— Você quer mesmo entrar para a polícia? — Ele perguntou, sorrindo.
— Sim. E eu soube que você pediu baixa no exército.
— Sim, vou ser sincero... só aceitei entrar para as forças armadas para poder ficar longe dos meus pais.
— Eu entendo. — Ela falou, compreensiva.
— Lembra de quando éramos obrigados a ir àquelas convenções chatas e homenagens da polícia? Nós, crianças, ficávamos horas ouvindo discursos e mais discursos. — Ele recordou, nostálgico.
— E você me arrastava para fora dessas festas, e a gente ficava do lado de fora. — Ela respondeu, rindo, embora as lembranças trouxessem o peso do passado.
— E eu te ensinando coisas sem sentido,e inútil, como a competição de cuspe. — Ele falou, rindo, e ela riu também.
— Isso era bem nojento. — Ela comentou, com uma mistura de repulsa e riso.
— Verdade, mas nojento mesmo era ver meu pai fazendo discursos moralistas. — Disse ele, com amargura.
Os dois suspiraram fundo e ficaram em silêncio por um tempo, apreciando a paisagem.
— A gente poderia ter sido muito feliz, o que acha? — Ele disse, tentando encontrar o olhar de Tainá, que desviou, mas respondeu com a voz pesada.
— Talvez.
Depois de relembrar o passado doloroso, Tainá foi para casa e encontrou a avó sentada na sala, assistindo à novela.
— Olá, boa noite, vó, vou tomar um banho e esticar minhas pernas.
— Tem comida na geladeira, esquenta no micro-ondas. — Disse a avó. Depois, inquieta, Dona Ângela falou: — Fiquei sabendo que o "Rui" te procurou, isso é verdade?
— Hum... Sim. Quem te disse?
— Foi o Fagner.
Tainá não disse nada, mas a avó não se conteve.
— E?... — perguntou Ângela, querendo saber mais.
— E o quê, vó?
— Vocês conversaram? — Dona Ângela parecia preocupada.
— Sim.
— Sobre o quê? — perguntou, já desesperada.
— Sobre nada.
Tainá foi ao quarto pegar uma toalha nova na gaveta, enquanto a avó andava de um lado para o outro.
— Fala logo, vó. Está me dando agonia a senhora assim.
— Se eu falar, você vai ficar irritada.
— Já estou irritada com você zanzando perto de mim, parecendo um mosquito. — Respondeu Tainá, demonstrando seu incômodo.
— Vocês vão... sabe?
— Não, não sei, seja mais direta, vó.
— Voltar.
Tainá deu uma risada sarcástica, com um toque de dor, e olhou para a avó.
— Não... Voltar ao quê? — Disse ela, com raiva.
— Eu sei, eu te conheço, você está novamente balançada.
— Não, não estou. E a senhora não me conhece. — Falou, amarga.
— Minha filha, eu fiz tudo isso para te proteger. — Disse a avó, num sussurro de súplica.
— Claro que fez, vozinha. — Tainá respondeu com ironia.
— Fiz sim, e foi pensando em você.
— Não, fez por você... pelo seu medo de estar na boca do povo. Fala a verdade.
— Mas el... — Dona Ângela tentou continuar, mas foi interrompida.
— Não, não quero mais falar sobre isso com você. — Disse Tainá, pegando a toalha e saindo.
Depois do banho, a avó de Tainá contou que Graziela havia sido internada às pressas.
Ao chegar no hospital, Tainá descobre que a amiga estava com uma hérnia de disco que comprimira o nervo ciático, e os médicos indicaram que ela precisava de uma cirurgia.
Tainá correu para o quarto onde Graziela estava.
— Amiga, já era para mim, nunca vou poder entrar para a polícia — disse Graziela, arrasada.
— Você terá outras chances, Grazi.
— Não sei se terei tantas chances assim... — respondeu Graziela, limpando as lágrimas que deslizavam enquanto ela permanecia deitada na cama.
— Você vai ficar bem logo, logo.
Graziela chorava, sentindo que sua única oportunidade estava escapando. Depois de anos sonhando, tudo parecia desmoronar no último instante.
Tainá passou a noite ao lado da amiga, dividida entre a preocupação com ela, as responsabilidades das provas que se aproximavam e a inesperada volta de Rui. A presença dele trazia lembranças intensas do passado, mas também o alívio de reviver os dias incríveis ao lado de Theodora.
“Como eu queria estar nos seus braços hoje”, pensou Tainá, sem reprimir os sentimentos como costumava fazer.
— E as novidades? — perguntou Graziela, trazendo Tainá de volta à realidade .
— Bom, minha empresa me obrigou a me candidatar a uma vaga de supervisora. Agora tenho que ficar até mais tarde para um treinamento; somos três concorrendo.
— Você deve estar adorando — brincou Graziela.
— Nossa, e como! Quer saber da última? Rui está de volta.
Graziela ficou em silêncio por um momento, processando a informação.
— Como ele está?
— Está bem... eu acho — respondeu Tainá, hesitante.
— Que furacão passou por nós, né? — comentou Graziela.
— Espero que seja rápido e não nos cause muitos problemas desta vez — disse Tainá, suspirando.
Graziela pegou o celular.
— Olha o que tenho aqui: uma foto de nós três — disse, mostrando uma foto dela, de Tainá e de sua irmã. Ela deslizou o dedo na tela. — E essa aqui... só você e a minha irmã. Eu até te mandaria, mas você só usa SMS e não WhatsApp! Quem ainda usa isso? — Grazi riu, e Tainá pegou o celular da amiga para ver melhor a foto de Theodora.
O olhar de Tainá se deteve na imagem, com um misto de saudade e um carinho quase palpável.
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Atualizado até capítulo 46
Comments
Maria Daguia
Cuide logo de sua vida, Tainá!!
2024-11-30
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Maria Daguia
Ou sua Vó vai estragar tudo!!!!
2024-11-30
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