A porta que se abriu diante de nós emanava uma luz intensa, quase hipnotizante. Era como se estivéssemos à beira de um abismo profundo, onde tudo o que conhecíamos estava prestes a ser desmantelado. Olhei para meu amigo, e seus olhos refletiam a mesma mistura de medo e determinação que eu sentia. Com um último suspiro, entramos juntos.
Ao atravessarmos o portal, a luz nos envolveu, e um turbilhão de cores começou a girar ao nosso redor. O chão sob nossos pés desapareceu, e uma sensação de leveza tomou conta de nossos corpos, como se estivéssemos flutuando em um espaço entre mundos. Por um breve momento, tudo ao nosso redor se tornou indistinto, e então, de repente, caímos em um lugar completamente diferente.
O cenário que se desdobrava diante de nós era ao mesmo tempo belo e aterrador. Um bosque encantado, mas envolto em sombras escuras, cercava-nos. As árvores eram altas e majestosas, mas suas folhas pareciam secas e murchas, como se a vida estivesse sendo drenada. Um ar de tristeza permeava o ambiente, e os sons da natureza eram abafados, criando uma atmosfera opressiva.
“Estamos em algum lugar entre os mundos”, disse meu amigo, com a voz trêmula. “Este deve ser o domínio dos skinwalkers.”
Concordei com um gesto, meu coração batendo forte. A sensação de que estávamos sendo observados era palpável, como se olhos invisíveis nos seguissem em cada movimento. “Precisamos nos concentrar. Lembre-se do que a mulher nos disse sobre as sombras. Temos que enfrentar o que está dentro de nós.”
À medida que caminhávamos pelo bosque, os sussurros começaram. Eram ecos de vozes que pareciam vir de todos os lados, misturando-se com o som do vento. “O que são essas vozes?”, perguntei, tentando identificar o que estávamos ouvindo.
“São lembranças, provavelmente de pessoas que estiveram aqui antes de nós. Elas podem ser testemunhas ou advertências”, respondeu meu amigo, com um olhar preocupado. “Precisamos ter cuidado.”
Decidimos seguir um caminho que se estendia entre as árvores. Cada passo parecia ser um convite para o desconhecido. Logo, encontramos uma clareira iluminada por uma luz pálida que emanava de uma pedra central. O ambiente estava adornado com símbolos e runas, e a energia ao nosso redor pulsava como um coração vivo.
“É aqui que a batalha se desenrola”, murmurei, aproximando-me da pedra. A sensação de que estávamos prestes a desvendar algo importante me encheu de esperança, mas a ansiedade também começou a se acumular em meu estômago.
Quando nos aproximamos da pedra, as vozes ficaram mais claras. Elas ecoavam histórias de perda, dor e desespero. Eu podia sentir a tristeza acumulada no ar, e em um instante, um dos rostos começou a se materializar na luz. Era uma mulher, sua expressão era de angústia e apelo.
“Ajude-me”, ela sussurrou, sua voz cheia de desespero. “Estou presa entre os mundos. Os skinwalkers me levaram para longe. Você precisa libertar minha alma!”
“Como podemos fazer isso?” perguntei, desesperado para ajudar. “O que devemos fazer?”
A mulher começou a se desvanecer, mas suas palavras ecoaram em nossa mente. “Enfrentem suas sombras. Somente assim poderão encontrar a verdade. Somente assim poderão libertar as almas presas aqui.”
Foi então que percebi que a batalha não seria apenas física, mas também uma luta contra nossos próprios medos. Olhei para meu amigo, e em seu rosto, vi a mesma compreensão. “Nós temos que enfrentar o que está dentro de nós”, disse ele, sua determinação crescente. “Essa é a única maneira de resgatar Max e essas almas perdidas.”
Com isso, a clareira começou a tremer, e a luz da pedra pulsou mais intensamente. As sombras ao nosso redor começaram a se contorcer, formando formas ameaçadoras. Seres deformados, reminiscências de nossos piores medos, começaram a emergir das sombras.
“Eles estão aqui”, eu disse, a voz embargada pelo medo. “Precisamos nos preparar!”
Concentrando-me, lembrei-me das ervas e dos símbolos que a mulher havia nos dado. Com um gesto rápido, tirei uma das ervas do bolso e a segurei firme. “Em nome da luz e da verdade, eu invoco a proteção!”, gritei, e uma onda de energia começou a se formar ao nosso redor.
As criaturas das sombras hesitaram por um momento, mas logo avançaram em nossa direção. Meu coração batia acelerado, e cada passo delas ecoava como um tambor de guerra. O medo queria me paralisar, mas a determinação crescia dentro de mim.
“Não vamos desistir!”, gritei para meu amigo. “Precisamos lutar!”
A luta começou, e cada ataque que lançávamos parecia dissipar um pouco das sombras, mas logo eram substituídas por mais criaturas, uma maré interminável de nossos piores temores. Era uma batalha de resistência, uma luta pela nossa própria luz.
“No entanto, não é só isso”, meu amigo disse enquanto lutávamos. “Precisamos conectar nossas intenções com o que queremos alcançar. Temos que nos concentrar na libertação dessas almas!”
Fechando os olhos, fiz o que me pediram. Concentrei-me em Max, no que ele significava para nós, na amizade e no amor que compartilhávamos. Assim que fiz isso, uma luz dourada começou a brilhar em meu peito, e percebi que as sombras estavam se afastando.
“Sim! Isso mesmo!”, gritou meu amigo. “Deixe a luz brilhar!”
A luz se expandiu ao nosso redor, e as criaturas começaram a recuar, mas a batalha ainda não havia terminado. Precisávamos permanecer focados, continuando a lutar enquanto nos conectávamos com a energia ao nosso redor.
Finalmente, com um grito coletivo, direcionamos nossa luz para a pedra central, e a energia que emanava dela começou a pulsar em resposta. As sombras se contorceram e gritaram, como se estivessem sendo queimadas pela luz que havia surgido de dentro de nós.
“Agora, libertem as almas!”, meu amigo gritou. Com um movimento poderoso, direcionamos nossa intenção e amor para a mulher que havia aparecido anteriormente.
Ela começou a se materializar completamente, e quando finalmente a luz a envolveu, uma onda de energia percorreu a clareira. As sombras gritaram e se dissiparam, e a mulher sorriu, seus olhos cheios de gratidão.
“Obrigada… vocês libertaram minha alma”, ela disse antes de se desvanecer na luz.
Assim que a escuridão foi dispersa, a clareira tornou-se calma e iluminada. O ar estava cheio de um silêncio reconfortante. Havíamos vencido a primeira batalha, mas a luta estava longe de terminar. Olhei para meu amigo, sabendo que o caminho à frente ainda seria difícil, mas também cheio de esperança. A luz dentro de nós havia se fortalecido, e juntos, estávamos prontos para enfrentar o que ainda estava por vir.
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Atualizado até capítulo 41
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