As Sombras do Passado

Sentados à mesa, o ambiente estava carregado de uma expectativa quase palpável. A mulher nos observava com um olhar profundo, como se estivesse pesando cada palavra que estava prestes a dizer. O cheiro do chá quente envolvia a sala, mas não conseguia dissipar a tensão que permeava o ar. “Quando você busca a verdade, muitas vezes não está preparado para o que encontra”, ela começou, sua voz suave e sombria.

“Tudo começou há muitos anos, em uma pequena vila nas montanhas. Acreditava-se que, por aqui, as tradições eram mantidas e que os antigos ensinamentos eram respeitados. As pessoas viviam em harmonia com a natureza e respeitavam os espíritos que a cercavam. Porém, como em muitas histórias, a avareza e a ambição trouxeram o caos.”

Ela fez uma pausa, observando nossas reações. “Um grupo de homens decidiu desafiar os limites do que era sagrado. Eles invocaram forças que não podiam controlar, e em troca de poder e riquezas, abriram a porta para algo maligno. Os skinwalkers surgiram desse ato de arrogância. A transformação deles não era apenas física; eles eram a representação do que o ser humano pode se tornar quando se afasta do respeito e da compaixão.”

Enquanto ela falava, senti um arrepio percorrer minha espinha. A conexão entre os eventos do passado e o que estávamos enfrentando agora parecia inegável. “O que aconteceu com o grupo de homens?”, perguntei, já ansioso para entender o desfecho daquela história.

“Alguns desapareceram, enquanto outros nunca foram os mesmos. Os skinwalkers começaram a se infiltrar nas comunidades, imitando aqueles que amavam e aqueles que temiam. Eles se alimentavam da dor e do sofrimento, e a vida na vila nunca mais foi a mesma. Aqueles que sobreviveram falavam em sussurros, temendo o que poderia ocorrer se alguém descobrisse a verdade.”

A mulher se levantou e caminhou até uma prateleira, retirando um pequeno livro desgastado. “Isso foi escrito por um dos sobreviventes. Ele registrou o que viu e como a escuridão se espalhou. Um aviso para aqueles que estivessem dispostos a ouvir.”

Ela se virou e colocou o livro na mesa, abrindo-o em uma página que mostrava um desenho antigo de um skinwalker. A figura era uma combinação grotesca de humano e animal, com olhos penetrantes e um sorriso distorcido que parecia se mover sob o papel. “A arte de imitar é uma das habilidades mais poderosas que possuem. Eles não apenas tomam a forma física, mas também se alimentam das memórias e emoções da vítima, manipulando o que é mais precioso para nós.”

Fiquei pensando sobre a descrição que a mulher fez. O que vi na cozinha poderia ser muito mais do que uma simples transformação; poderia ser uma forma de manipulação, algo que atacava não apenas o corpo, mas a alma. “E como podemos nos proteger?”, perguntei, sentindo a urgência em minha voz.

“A proteção começa com o conhecimento e a compreensão do que enfrentamos. Você precisa aprender a reconhecer os sinais. A primeira coisa é observar os comportamentos. Skinwalkers tendem a imitar aqueles que conhecem, mas haverá sempre algo de errado. Um olhar vazio, uma atitude estranha. Eles são predadores, e o medo é sua maior fonte de poder.”

Ela fez uma pausa, permitindo que suas palavras se instalassem em nós. “Se você sentir que algo não está certo, confie em sua intuição. Você pode usar símbolos de proteção que são antigos, como ervas e cristais. E, acima de tudo, lembre-se de que a força da sua intenção pode ser uma defesa poderosa.”

Ouvindo suas instruções, percebi que havia uma luz de esperança entre as sombras. O conhecimento poderia nos dar as ferramentas que precisávamos. “E sobre aqueles que já foram atacados? Há alguma maneira de ajudá-los?”

“A luta contra os skinwalkers não é apenas física. É espiritual. Muitas vezes, as almas que eles afetam ficam perdidas, presas entre dois mundos. Se você puder ajudá-las a encontrar paz, talvez possa enfraquecer os skinwalkers. Isso é arriscado, mas pode ser a única maneira de acabar com o ciclo de dor.”

Sentindo que estávamos recebendo informações valiosas, eu e meu amigo trocamos olhares, cientes de que o que estávamos prestes a fazer seria perigoso. “Precisamos encontrar uma maneira de ajudar Max e descobrir quem ou o que o matou”, eu disse, a determinação crescendo dentro de mim.

“Para isso, você deve estar preparado para enfrentar suas próprias sombras. A escuridão que se aproxima não será apenas externa. Ela invadirá suas mentes e corações”, advertiu a mulher, e seu olhar tornou-se severo.

Em um instante, o tempo parecia parar. O peso das palavras dela ressoava em mim. Era como se ela tivesse tocado uma corda sensível em minha alma. “Estamos prontos para enfrentar isso”, meu amigo afirmou, com uma firmeza que refletia nossa determinação coletiva.

A mulher assentiu lentamente. “Então, o que resta é ir até onde o mal se alimenta e desafiá-lo. Preparem-se para a jornada, pois o que está por vir não é para os fracos de coração.”

A conversa se desdobrava como um fio de esperança em meio ao terror que nos cercava. Sabíamos que estávamos prestes a entrar em uma batalha que testaria não apenas nossa coragem, mas também nossa humanidade.

Enquanto a noite avançava e o luar se filtrava através das janelas, a casa se tornava um refúgio temporário em meio ao caos. A presença da mulher era um lembrete de que a força vinha não apenas do conhecimento, mas da união. Era hora de unir nossas vozes e lutar contra o que nos ameaçava, não apenas em nome de Max, mas por todas as almas perdidas que clamavam por libertação.

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