O caminho de volta para minha casa parecia mais longo do que nunca. Cada passo era acompanhado de uma crescente sensação de pavor que apertava meu peito. Meu amigo andava ao meu lado, quieto, provavelmente tentando processar o que eu havia contado. Eu sabia que ele não acreditava completamente na história. Na verdade, eu não esperava que ele acreditasse. Skinwalkers eram lendas, histórias que, até então, eu também teria descartado como simples superstição. Mas agora, depois do que eu havia visto com meus próprios olhos, tudo mudou.
O silêncio entre nós era quase ensurdecedor, quebrado apenas pelo som de nossos passos na calçada e o ocasional farfalhar das árvores. Olhei ao redor constantemente, como se esperasse que aquela coisa—o skinwalker—aparecesse a qualquer momento, pronto para nos atacar. A rua estava deserta, com as luzes dos postes piscando de forma irregular, dando ao ambiente uma aura ainda mais sinistra. Cada sombra parecia uma ameaça oculta, e eu não conseguia me livrar da sensação de que estávamos sendo observados.
"Você tem certeza disso?", meu amigo finalmente quebrou o silêncio, sua voz baixa, mas cheia de dúvida. Eu sabia que ele ainda estava cético, mas também sabia que algo dentro dele estava começando a vacilar. Ele podia sentir que havia algo de errado, algo que não podia ser simplesmente explicado ou ignorado.
"Eu vi, cara... Eu vi com meus próprios olhos", respondi, minha voz tremendo um pouco. "Aquela coisa... não era o Max. Ele estava morto, e algo estava fingindo ser ele." Eu podia ver que ele queria acreditar que eu estava apenas confuso ou que tudo isso não passava de uma coincidência macabra. Mas havia algo nos meus olhos, na minha voz, que parecia estar começando a convencê-lo de que, talvez, apenas talvez, eu estivesse dizendo a verdade.
Quando finalmente chegamos à minha casa, o peso do ar ao redor parecia mudar. O lugar parecia diferente, como se algo maligno estivesse impregnado nas paredes, esperando para se revelar. Eu hesitei na entrada, minha mão pairando sobre a maçaneta da porta. O medo me dizia para correr, para não entrar. Mas eu precisava enfrentar isso. Precisávamos saber o que estava lá dentro.
"Você tem certeza?", meu amigo perguntou mais uma vez, agora claramente mais nervoso. A mudança em seu tom era palpável. Mesmo que ele não quisesse admitir, havia algo de profundamente errado naquela situação, e ele sabia disso.
Engoli em seco e girei a maçaneta. A porta se abriu com um rangido que ecoou pela noite silenciosa, e o interior da casa parecia ainda mais escuro do que eu lembrava. Tudo estava exatamente como eu havia deixado, exceto pela sensação de que algo espreitava nas sombras. As luzes estavam apagadas, e o silêncio absoluto dominava o ambiente. Meu coração batia tão forte que parecia ecoar pelos cômodos.
"Vamos acabar com isso logo", meu amigo sussurrou, entrando atrás de mim. Ele ligou a lanterna do celular, iluminando o chão à nossa frente. A luz cortou a escuridão, mas em vez de trazer conforto, apenas parecia intensificar a sensação de medo.
Nos movemos devagar pela casa, cada passo calculado, cada som amplificado pelo silêncio. Quando chegamos à cozinha, meu coração afundou no peito. O lugar onde o corpo de Max deveria estar estava limpo. Não havia sinal de sangue, nem do cadáver despedaçado que eu havia visto. Olhei em volta, tentando entender o que estava acontecendo. O que quer que estivesse ali antes, agora havia desaparecido.
"Tem certeza que você viu isso?" Meu amigo perguntou, visivelmente mais aliviado, mas ainda nervoso. "Não há nada aqui."
"Eu juro que estava aqui", insisti, sentindo o desespero subir dentro de mim. "Eu vi o corpo, e aquela coisa... estava aqui também."
Ele balançou a cabeça, obviamente sem saber o que pensar. "Talvez... você esteja exagerando? Pode ter sido a luz, o estresse. Eu sei que você está passando por muita coisa..."
Eu queria acreditar que era isso, queria que fosse uma explicação simples e lógica. Mas sabia que não era. Eu sabia o que tinha visto. Algo muito mais sombrio estava à espreita, algo que estava brincando comigo, mexendo com minha sanidade. O silêncio pesado da casa agora parecia opressor, como se o próprio ar estivesse envenenado pela presença daquela criatura.
De repente, ouvimos um som vindo da sala de estar. Um som suave, quase imperceptível, mas o suficiente para fazer nossos corações saltarem. Era um leve arranhar, como unhas rasgando a madeira. Eu troquei um olhar com meu amigo, e ele imediatamente apagou a lanterna. O medo estampado em seus olhos refletia o meu.
Ficamos parados por um momento, presos no silêncio, tentando ouvir qualquer outro som. O arranhar continuou, suave, mas constante, como se algo estivesse se movendo devagar, tomando seu tempo. Nós sabíamos que não estávamos sozinhos.
"Tem alguém aqui?", meu amigo murmurou, a voz baixa e hesitante. Nenhuma resposta veio, apenas o arranhar persistente que agora parecia cada vez mais próximo. Meu corpo ficou tenso, cada músculo pronto para correr, mas minhas pernas estavam congeladas no lugar. Sabia que não adiantaria correr.
De repente, algo se moveu na escuridão. Um vulto, rápido demais para ser visto com clareza, passou pelo corredor. Meu amigo deu um passo para trás, o pânico claramente visível em seu rosto. "O que diabos foi isso?", ele sussurrou, sem tirar os olhos do corredor vazio.
Eu não sabia. Eu não queria saber. Mas tinha que enfrentar o que quer que fosse. Peguei uma faca da cozinha, segurando-a com força, e comecei a caminhar em direção à sala de estar, onde o som vinha. Meu amigo hesitou por um segundo, mas acabou me seguindo, embora seus passos fossem pesados e cheios de medo.
Quando chegamos à sala, o que vimos fez meu sangue gelar. No canto da sala, a criatura estava lá—em pé, nas duas patas traseiras, como antes. Era idêntica a Max em cada detalhe, exceto pelos olhos. Aqueles olhos frios, vazios, que me observavam como se estivessem me julgando, avaliando o próximo movimento.
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Atualizado até capítulo 41
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