O tempo parecia parar. O ar ao nosso redor ficou denso, carregado com uma eletricidade invisível, enquanto os olhos da criatura—daquele skinwalker—ficavam cravados em nós. Seu corpo, tão familiar e ao mesmo tempo distorcido, estava em pé sobre duas patas, como se zombasse da própria natureza do que deveria ser. Cada detalhe era perfeito: o pelo, a forma do corpo, até mesmo a curva das orelhas de Max, meu cachorro. Mas aqueles olhos... aqueles olhos não pertenciam a Max. Eram frios, sem alma, e me observavam com uma fome sombria e desumana.
Eu podia ouvir a respiração rápida e irregular do meu amigo ao meu lado. Ele estava tão paralisado quanto eu, incapaz de desviar o olhar da coisa que estava diante de nós. A sala parecia apertar-se ao nosso redor, o silêncio quebrado apenas pelo leve som do vento batendo contra as janelas e pela respiração ofegante que ecoava entre nós. O skinwalker não se moveu imediatamente, e isso foi o que mais me aterrorizou—ele estava nos observando, esperando, como se quisesse ver o que faríamos a seguir. Como um predador brincando com suas presas.
Minha mão, ainda segurando a faca da cozinha, tremia tanto que mal conseguia mantê-la firme. O metal frio parecia inútil diante do que estávamos enfrentando. Um pensamento me atravessou como um raio: será que isso era real? Será que eu estava preso em algum tipo de pesadelo do qual não conseguia acordar? Tudo ao meu redor parecia ter uma qualidade surreal, mas os batimentos acelerados do meu coração e o suor frio descendo pela minha testa eram muito reais. Não havia mais como negar.
"Isso... isso não pode ser real", sussurrou meu amigo, sua voz rouca e cheia de incredulidade. Ele estava visivelmente abalado, os olhos arregalados, e a mão que segurava o celular tremia. A luz da lanterna tremulava no chão, fazendo as sombras ao redor dançarem de forma errática, criando uma atmosfera ainda mais sinistra.
O skinwalker finalmente deu um passo à frente, o som de suas patas ecoando no chão de madeira. Um arrepio correu por minha espinha. Era como se o próprio ambiente estivesse conspirando para nos aprisionar naquele momento de puro terror. A coisa que usava a forma de Max inclinou a cabeça de forma curiosa, como se estivesse tentando decidir o que fazer conosco. Seu movimento era inquietante—não havia hesitação, apenas um controle frio e calculado, como se soubesse exatamente o efeito que tinha sobre nós.
"Não pode ser... Max?", eu disse, num impulso irracional, minha voz saindo mais alta do que eu pretendia. Claro que não era Max, mas a ideia de que ele poderia estar ali, de alguma forma, me trouxe uma faísca de esperança insana. O skinwalker não respondeu. Em vez disso, um som baixo e gutural, algo entre um rosnado e um riso distorcido, ecoou de sua garganta. Era como se estivesse debochando de mim, zombando da minha tentativa desesperada de trazer meu cachorro de volta.
Sem aviso, a criatura se lançou em nossa direção com uma velocidade assustadora. O tempo pareceu desacelerar enquanto meus instintos gritavam para eu correr, mas minhas pernas pareciam presas ao chão. Meu amigo gritou, tentando se mover para longe, mas seu corpo estava tão rígido quanto o meu. Tudo o que consegui fazer foi erguer a faca em um gesto patético de defesa, esperando por um impacto que nunca veio.
No último segundo, o skinwalker parou, sua face horrível a poucos centímetros de mim. Pude sentir o calor de sua respiração, um cheiro acre e fétido que encheu o ar ao meu redor. Seus olhos, agora fixos nos meus, eram poços negros de malevolência, e por um momento, eu senti que estava olhando diretamente para o abismo.
Um som—uma batida forte na porta da frente—quebrou a tensão mortal no ar. A criatura recuou rapidamente, como se algo a tivesse interrompido. Sua cabeça virou-se em direção à porta, os músculos do corpo se contraindo como se estivesse pronta para atacar novamente. Mas, em vez disso, ela deu alguns passos para trás, seus olhos nunca deixando os meus, até que finalmente desapareceu nas sombras da sala, seu corpo se dissolvendo na escuridão como se nunca tivesse estado lá.
Por um breve momento, tudo ficou em silêncio. A casa, antes tomada por uma sensação de opressão, parecia ter soltado um suspiro coletivo de alívio. A batida na porta se repetiu, desta vez mais insistente. Eu e meu amigo trocamos um olhar confuso e aterrorizado, sem saber o que fazer a seguir. Eu estava exausto, física e mentalmente, mas sabia que não podia simplesmente ignorar o que havia acontecido.
"Quem... quem é?" gritei, a voz falhando enquanto caminhava lentamente em direção à porta. Minhas pernas pareciam feitas de chumbo, cada passo exigindo um esforço monumental. Meu amigo ficou parado, sem dizer uma palavra, seus olhos ainda fixos no lugar onde o skinwalker havia desaparecido.
A porta rangeu ao ser aberta, revelando a figura de uma pessoa parada na entrada. Minha mente ainda estava a mil, e demorei um segundo para reconhecer o rosto. Era um dos vizinhos, um homem de meia-idade que morava na casa ao lado. Seu rosto estava pálido, e ele parecia tão assustado quanto eu. "Eu... ouvi gritos", disse ele, a voz tremendo. "Está tudo bem aqui?"
Eu queria responder, mas as palavras não saíam. Meu corpo ainda estava em estado de choque, e tudo o que consegui fazer foi balançar a cabeça, tentando parecer convincente. "Estamos bem", meu amigo disse, sua voz firme, mas com um tremor subjacente. "Foi só... um mal-entendido."
O vizinho olhou para nós com desconfiança, claramente não convencido, mas depois de um momento, ele assentiu lentamente. "Se precisarem de algo, sabem onde me encontrar", disse ele, antes de se afastar, deixando-nos sozinhos novamente com o peso do que acabara de acontecer.
Quando a porta se fechou, a tensão no ar voltou a se instalar, como se a presença do skinwalker ainda estivesse de alguma forma conosco. Sabíamos que aquilo não havia acabado. Eu sabia que, em algum lugar nas sombras, aquela criatura ainda estava nos observando, esperando o momento certo para atacar novamente.
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Atualizado até capítulo 41
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