O skinwalker estava ali, à espreita, parado em meio à escuridão do sótão. Seus olhos vazios e inumanos fixaram-se em mim com uma intensidade gelada, como se estivesse avaliando seu próximo movimento. O ar ao meu redor parecia congelar, e eu mal conseguia respirar, cada segundo passando como uma eternidade enquanto meu coração martelava no peito. Estava diante da criatura que havia tirado a vida de Max, e agora, sentia que era minha vez.
Meu amigo, que estava ao meu lado, demorou a perceber a ameaça que se aproximava. Quando finalmente se virou, seu corpo congelou em choque. A figura diante de nós parecia uma caricatura grotesca do Max que conhecíamos. Os traços eram quase perfeitos, mas distorcidos de maneira que, ao focar neles, uma sensação de desconforto profundo se instalava.
"Corra!", foi tudo o que consegui gritar, a voz saindo rouca e entrecortada. Num impulso, empurrei meu amigo na direção da escada, tentando nos afastar o mais rápido possível daquela abominação. A adrenalina pulsava, e descemos correndo do sótão, tropeçando pelos degraus e caindo no corredor estreito da casa.
A casa, que antes parecia um refúgio, agora se tornava uma prisão. Cada cômodo, cada canto escuro parecia abrigar a ameaça invisível daquele skinwalker. A criatura não nos perseguia com pressa, mas seus passos arrastados podiam ser ouvidos ecoando pelos corredores, o som de suas garras roçando o chão de madeira. Havia algo aterrorizante na maneira calma e calculada com que se movia, como se soubesse que mais cedo ou mais tarde nos alcançaria.
Tranquei a porta do quarto e tentei pensar em um plano. A mente girava, buscando qualquer saída, qualquer chance de sobrevivência. "O que fazemos agora?" perguntou meu amigo, ainda sem fôlego, com o rosto pálido de terror.
O sótão, o baú, os ossos de Max... Tudo isso estava interligado de alguma forma. Sabíamos, pelos relatos que havíamos lido, que os skinwalkers tinham um ponto fraco: sua ligação com a forma que assumiam. Desmascará-los, expô-los de alguma maneira, poderia romper essa conexão. Mas o problema era: como fazer isso sem ser morto primeiro?
"Precisamos interromper o ritual", murmurei, pensando em voz alta. "De alguma forma, aquele baú, os ossos... é o que mantém essa coisa aqui. Se conseguirmos destruir tudo aquilo, talvez a conexão com o Max se quebre."
"Mas como vamos chegar lá de novo?" Ele estava certo. A criatura estava nos cercando, e a cada minuto que passava, o medo de que fôssemos encurralados aumentava. "Temos que ser rápidos, mais rápidos do que ele."
Lembrei-me da foto no meu celular, da imagem do skinwalker de pé, ameaçador, mas com sua forma começando a desmoronar. Talvez, se expuséssemos aquela imagem para a criatura, ela perdesse sua força. Era um tiro no escuro, mas era o único plano que tínhamos.
"Vou mostrar isso pra ele", disse, pegando o celular com a foto. "Se for verdade que ele perde poder quando é desmascarado, isso pode nos dar tempo para destruir o que quer que esteja mantendo ele aqui."
"Você está louco? Isso é arriscado demais!", meu amigo balançou a cabeça, o medo evidente em seus olhos. "E se não funcionar?"
"Se não funcionar, estamos mortos de qualquer jeito", respondi, minha voz mais firme do que me sentia por dentro. "Ou a gente tenta, ou ele nos pega aqui, encurralados."
Decidimos que precisávamos atraí-lo para fora. O skinwalker era inteligente, mas se pudéssemos manipulá-lo, talvez tivéssemos uma chance. Abri a porta do quarto, com meu celular em mãos, e começamos a descer silenciosamente pelo corredor. O som dos passos da criatura ecoava mais perto agora, mas ainda não nos via. A adrenalina bombeava em minhas veias, cada movimento calculado, cada respiração presa, enquanto esperávamos o momento certo para agir.
O corredor se alongava em nossa frente, escuro e claustrofóbico, com sombras dançando nas paredes. O skinwalker estava próximo, seus passos ecoando pesadamente. Então, num instante, ele surgiu no final do corredor, uma silhueta ameaçadora que nos observava com aqueles olhos vazios. O terror me invadiu, mas segurei firme o celular, ativando a lanterna para iluminar a foto no visor.
"Ei, você!", gritei, tentando chamar sua atenção. A criatura se virou lentamente, e seu olhar caiu sobre a tela do celular. Por um segundo, tudo parou. Os olhos do skinwalker se arregalaram, como se tivesse sido pego de surpresa. A forma dele começou a vacilar, as bordas de seu corpo borrando e se distorcendo.
"Agora!" gritei para meu amigo.
Corremos em direção ao sótão, enquanto a criatura cambaleava, confusa, tentando manter sua forma. Sabíamos que o tempo era curto. Quando chegamos ao sótão, subimos rapidamente e nos apressamos para o canto onde o baú estava. Não havia tempo a perder.
"Destrua os ossos!", gritei, enquanto puxava a caixa de metal de dentro do baú e a jogava no chão. Os ossos espalharam-se pelo chão de madeira, e meu amigo, sem pensar duas vezes, começou a pisoteá-los, esmagando-os sob os pés. O barulho era grotesco, mas sabíamos que precisávamos destruir cada fragmento.
Do lado de fora, os rugidos de fúria do skinwalker reverberavam pela casa. A criatura estava perdendo o controle, e isso só aumentava nossa urgência. Peguei a coleira de Max, o último elo, e a joguei no fogo de uma antiga lareira que havia no sótão. As chamas cresceram rapidamente, consumindo o objeto com um brilho sinistro.
Foi nesse momento que sentimos a mudança. O ar ficou mais leve, como se a presença opressiva tivesse desaparecido. O rugido da criatura se tornou um gemido distante, e os passos pesados cessaram.
Descemos, cautelosamente, e encontramos a casa vazia. O skinwalker havia sumido.
A tensão ainda pairava no ar, mas sabíamos que, pelo menos por agora, havíamos sobrevivido.
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Atualizado até capítulo 41
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