Com a adrenalina ainda pulsando em nossas veias, decidimos que era hora de agir. Não podíamos nos dar ao luxo de hesitar; a incerteza da situação nos pressionava a buscar respostas. Enquanto o mundo exterior parecia calmo, dentro de nós havia um furacão de medo e determinação. Sabíamos que, se não agíssemos rapidamente, a criatura—ou o que quer que fosse—que nos perseguia poderia se manifestar a qualquer momento.
Sentados no chão da sala, cercados pelas sombras que pareciam se esticar em nossa direção, abrimos o laptop novamente e começamos a pesquisar mais a fundo sobre as lendas relacionadas ao skinwalker e as entidades que poderiam estar conectadas a ele. Cada clique do mouse parecia ecoar no silêncio da casa, um lembrete constante de que estávamos prestes a cruzar uma linha que não poderíamos voltar.
"Olha isso," meu amigo disse, enquanto seus olhos percorriam uma página que detalhava antigas tradições e rituais nativos. "Aqui fala sobre uma cerimônia que pode selar um espírito maligno. É uma prática raramente utilizada, porque geralmente envolve um grande sacrifício."
A menção ao sacrifício fez meu estômago revirar. Já havíamos perdido muito com a morte de Max, e a ideia de ter que sacrificar algo ou alguém novamente era insuportável. Mas a verdade era que, se aquela entidade estava realmente ligada ao skinwalker, talvez a única maneira de garantir nossa segurança fosse encontrar uma maneira de selar o que estava quebrado.
"Mas como vamos fazer isso? Não temos experiência com rituais antigos, e quem sabe o que acontecerá se falharmos?" eu retruquei, tentando manter a mente aberta, mas a ideia de falhar parecia quase insuportável.
"Precisamos encontrar um xamã ou alguém que conheça essas tradições. Alguém que possa nos ajudar a realizar o ritual corretamente." A determinação na voz dele era palpável, e eu sabia que ele estava certo. Era nossa única chance.
No entanto, encontrar alguém assim não seria fácil. Decidimos explorar as comunidades online e fóruns que discutiam folclore e tradições indígenas, na esperança de que alguém soubesse como ajudar. A primeira resposta que recebemos foi encorajadora: havia um xamã que se apresentava em um grupo local de redes sociais. Ele parecia ser bem respeitado na comunidade e tinha um conhecimento profundo sobre criaturas do folclore.
Com um pouco de hesitação, enviei uma mensagem explicando nossa situação e perguntando se poderíamos nos encontrar. Enquanto aguardávamos a resposta, a atmosfera na casa parecia ainda mais pesada. As sombras pareciam se mover, quase como se estivessem se alimentando do nosso medo. Olhei para o meu amigo, que também sentia a tensão, e decidimos que não poderíamos mais esperar.
"Acho que devemos ir ao lugar onde tudo começou", sugeri, a ideia surgindo de repente em minha mente. "Podemos investigar o sótão novamente. Precisamos entender mais sobre a origem do que enfrentamos."
Ele hesitou, mas a necessidade de respostas era mais forte. "Certo. Mas temos que ter cuidado."
Voltamos para o sótão, a escada rangendo sob nossos pés enquanto subíamos. A luz da lanterna iluminava as paredes cobertas de poeira, e o cheiro de madeira antiga pairava no ar. Ao entrarmos, encontramos o baú de metal ainda aberto, seus ossos já reduzidos a cinzas. O espaço estava envolto em uma quietude opressiva, e a sensação de que algo estava errado era mais forte do que nunca.
A primeira coisa que notei foi uma estranha marca no chão, próxima ao baú. Era como um círculo desenhado com algo semelhante a sangue seco, e dentro dele havia símbolos que não conseguia reconhecer. "O que é isso?" perguntei, apontando para o chão.
"Não tenho certeza", meu amigo respondeu, aproximando-se para examinar melhor. "Parece uma forma de sigilo, mas não sei o que significa."
A curiosidade nos levou a investigar ainda mais. Começamos a buscar em nossos telefones, tentando identificar os símbolos que encontramos no chão. Após alguns minutos de pesquisa, encontramos referências a um antigo ritual de invocação e selamento, muito parecido com o que havíamos lido anteriormente.
"Olha, aqui!" exclamei, enquanto um site carregava informações sobre práticas de proteção espiritual. "Esses símbolos podem estar ligados à proteção contra espíritos malignos. Se conseguirmos recriá-los, talvez possamos usar isso a nosso favor."
A excitação tomou conta de nós, mas logo foi acompanhada por um frio na barriga. Se estávamos certos, teríamos que desenhar os símbolos no chão e realizar um tipo de ritual de proteção. Mas havia um preço. Lemos que esses rituais frequentemente exigiam a presença de algo significativo, algo que representasse a pureza ou a vida.
"Você acha que podemos usar algo como uma oferta?" meu amigo perguntou, o medo evidente em sua voz.
"Talvez uma planta ou algo que tenha um significado especial. Mas temos que ter certeza de que seja algo que represente o que queremos proteger." Comecei a pensar em Max novamente, lembrando de sua lealdade e amor. Aquilo me deu uma ideia.
"Eu vou buscar algo que ele adorava", disse eu, determinado. "Volto em um instante."
Saí correndo da casa, enquanto a noite envolvia tudo em uma escuridão profunda. Corri até o quintal, onde sempre havia um canteiro de flores que Max adorava. Peguei uma pequena flor, a preferida dele, e voltei para o sótão. Meu coração pulsava, não só pela adrenalina, mas também pela esperança de que esse gesto fosse suficiente.
No sótão, começamos a recriar os símbolos no chão com giz e a flor colocada cuidadosamente no centro do círculo que havíamos formado. À medida que desenhávamos, uma sensação de tranquilidade começou a se espalhar pela sala, como se estivéssemos fazendo algo certo.
"Agora o que fazemos?", meu amigo perguntou, nervoso.
"Precisamos entoar algumas palavras de proteção. O que lemos sobre o ritual sugere que devemos nos conectar ao que estamos tentando proteger." Eu fechei os olhos, tentando me lembrar de uma oração que minha avó costumava dizer. Comecei a murmurar palavras em voz alta, implorando proteção para nós e para Max, pedindo que a escuridão fosse afastada.
"Eu vou tentar seguir seu ritmo", meu amigo disse, e juntos começamos a entoar as palavras. O som de nossas vozes parecia ecoar, ressoando nas paredes do sótão enquanto a tensão no ar começava a mudar. A atmosfera ficou mais densa, como se algo estivesse prestes a acontecer.
De repente, uma brisa fria soprou pelo espaço, e a lanterna começou a piscar. Eu olhei para meu amigo, e pude ver o medo em seu rosto. "O que foi isso?" ele perguntou, a voz trêmula.
"Continue!", ordenei, forçando-me a manter o foco. Mas enquanto falávamos, as sombras começaram a dançar de maneira errática, como se estivessem reagindo ao nosso chamado. Foi quando ouvimos um sussurro, quase inaudível, ecoando ao nosso redor.
As palavras que estávamos proferindo pareciam ter atraído a atenção de algo, e não era uma presença amigável. A sensação de que estávamos sendo observados crescia intensamente, e a sala parecia girar, as sombras se esticando e se contorcendo à nossa volta.
"O que está acontecendo?", meu amigo gritou, tentando se manter firme enquanto as sombras começavam a envolver nossas pernas, puxando-nos para o chão. "Nós precisamos parar! É perigoso!"
"Não! Precisamos terminar o que começamos!", respondi, a voz alta e cheia de determinação. Sabíamos que era arriscado, mas já estávamos muito envolvidos. Era agora ou nunca.
As sombras pareciam gritar, um som surdo que se misturava com nossas vozes, uma cacofonia de medo e desespero. "Max, esteja conosco!" eu clamei, e naquele instante, senti uma presença ao nosso redor, uma sensação de calor que se sobrepunha ao frio que dominava o sótão. Era como se a essência dele estivesse nos envolvendo, nos encorajando a continuar.
Com um último esforço, terminamos a entonação, e as sombras começaram a recuar, como se estivessem sendo repelidas por alguma força invisível. A sala iluminou-se momentaneamente, e então, tudo ficou em silêncio.
Respiramos fundo, nossos corações ainda acelerados, e o clima de tensão pareceu dissipar-se gradualmente. Havíamos feito algo, e enquanto olhávamos ao nosso redor, o círculo que desenhamos começou a brilhar com uma luz suave, quase etérea.
"Conseguimos", meu amigo murmurou, olhando maravilhado para a cena. "Parece que conseguimos."
Mas, como tudo na vida, nem tudo estava resolvido. Enquanto a luz do círculo brilhava, um eco distante de risadas malévolas começou a se manifestar nas paredes do sótão. Algo ainda estava lá, algo que não tinha sido completamente banido. O medo tomou conta novamente, e sabíamos que essa batalha estava longe de acabar.
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Atualizado até capítulo 41
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