O Eco das Sombras | Parte 1

O alívio que sentimos ao acreditar que havíamos afastado a presença do skinwalker foi rapidamente substituído pelo pânico. O eco distante de risadas, como se uma multidão invisível estivesse se divertindo às nossas custas, reverberava nas paredes do sótão. A luz que antes nos confortava agora parecia uma isca, atraindo o que quer que estivesse à espreita. O que começara como um ritual de proteção tornara-se um chamado involuntário, convidando as sombras de volta.

"Precisamos sair daqui!" meu amigo gritou, a voz tremendo de medo. Ele se movia inquietamente, procurando uma saída enquanto a luz do círculo parecia pulsar com uma energia cada vez mais intensa. A sensação de que estávamos sendo observados se intensificava, e era como se cada sombra na sala estivesse tomando forma, se contorcendo e se aproximando de nós.

"Não! Precisamos manter a calma", respondi, tentando controlar a situação. Olhei ao redor, buscando algo que pudesse nos ajudar. A flor que havia colocado no centro do círculo ainda permanecia intacta, seu perfume doce contrastando com a frieza do ambiente. "Se a luz está se fortalecendo, talvez seja um sinal de que ainda podemos nos proteger. Vamos nos concentrar nela."

Ele hesitou, mas a necessidade de agir o fez concordar. "Certo. O que precisamos fazer agora?"

"Continuar o que começamos", eu disse, segurando a flor com firmeza. "Precisamos reafirmar nossa intenção de proteger o que amamos. Se Max está aqui conosco, podemos usar isso a nosso favor."

Juntos, começamos a repetir as palavras que havíamos murmurado anteriormente, cada sílaba carregada com a emoção que sentíamos. A luz no círculo começou a brilhar mais intensamente, mas a risada continuava a ecoar, um som baixo e ameaçador que parecia se originar das próprias paredes. As sombras, antes voláteis, começaram a se tornar mais concretas, formando contornos vagos de figuras indistintas.

"Está ficando mais forte!" meu amigo exclamou, sua expressão misturando medo e fascínio. "O que está acontecendo?"

"Não podemos desistir!" gritei, enquanto a luz começava a criar um campo de força ao nosso redor. O calor que emanava dela era reconfortante, mas as sombras, agora bem definidas, pareciam formar uma barreira ao nosso redor, como se tentassem nos aprisionar.

"Se pudermos manter o foco, talvez consigamos expulsá-las de uma vez por todas", sugeri, minha voz carregada de determinação. "A flor, ela é um símbolo do que perdemos. Vamos usá-la como nossa âncora."

Ele assentiu, sua expressão tornando-se mais resoluta. "Vamos lá!"

Com isso, concentramos nossos pensamentos na flor, na essência de Max, na lealdade e no amor que ele nos oferecia. Cada vez que repetíamos as palavras, a luz parecia se intensificar, e as sombras recuavam, como se estivessem sendo repelidas por uma força invisível. Mas não era suficiente. Elas continuavam a girar ao nosso redor, ameaçando nos engolir.

Então, percebi que havia algo que ainda não tínhamos tentado. "Talvez precisemos trazer à tona a dor que sentimos pela perda de Max. Essa dor é poderosa, e podemos transformá-la em força."

"Como assim?" meu amigo perguntou, confuso.

"Precisamos aceitar a dor e usá-la para nos fortalecer. Vamos falar sobre o que Max significava para nós, tudo o que vivemos com ele. Isso pode fortalecer nosso chamado e intensificar a luz."

Ele respirou fundo, e começou a falar, a voz hesitante, mas firme. "Max era mais do que um cachorro. Ele era meu melhor amigo. Sempre esteve ao meu lado, especialmente nos momentos difíceis. Eu nunca imaginei que perderíamos ele assim."

Com suas palavras, um novo impulso de luz irrompeu do círculo, fazendo as sombras hesitarem. A atmosfera começou a mudar, como se um vento quente soprasse pelo sótão, levando as sombras consigo.

"Eu também!", eu disse, começando a compartilhar minhas memórias. "Max me ensinou sobre lealdade e amizade. Ele estava sempre pronto para brincar, para correr e para me confortar quando eu estava triste. Ele era puro e inocente."

Conforme falávamos, as risadas distantes começaram a se transformar em gritos, um som agudo de raiva e frustração. A energia da sala mudava, e a luz do círculo pulsava, revelando um brilho dourado, quase sagrado.

"Continue! Estamos quase lá!" eu incentivei, sentindo que a intensidade de nossas emoções estava moldando a situação. O círculo parecia ser um portal, e cada palavra que proferíamos era uma chave para fechá-lo.

Meu amigo começou a descrever a última vez que viu Max, a alegria em seus olhos enquanto brincava no parque. A intensidade de suas emoções começou a transcender o medo. "Ele sempre corria atrás das bolinhas e nunca desistia, não importa quantas vezes as perdesse."

"Isso!" gritei. "Essa é a essência de Max. Ele nunca desistiu, e nós também não podemos!" Eu me lembrei da primeira vez que ele veio para casa, o pequeno filhote balançando o rabo, e isso me fez sentir um impulso de esperança. "Max nos ensinou a lutar, a sermos corajosos!"

E assim continuamos, cada um compartilhando suas memórias, suas risadas e suas lágrimas. A luz cresceu ainda mais, e as sombras começaram a se desvanecer, como se fossem dissipadas por um raio de sol. O círculo se tornou um farol, ofuscante e quente, enquanto as risadas sombrias se transformavam em gritos de desespero, ressoando mais distantes a cada instante.

"Estamos fazendo isso!" meu amigo exclamou, sua voz carregada de emoção. "Estamos realmente fazendo isso!"

E então, quando a luz parecia prestes a alcançar seu ápice, um grito ensurdecedor ecoou pelo sótão, reverberando através de nós. As sombras, agora retorcidas de dor, começaram a se desfazer, e a risada maligna se transformou em um lamento distante.

"Está funcionando!" eu gritei, sem acreditar no que estávamos vendo. As sombras começaram a se dissolver em uma névoa escura, puxadas pela força do nosso amor e lembranças. O círculo de luz se expandiu, e em um último grito de liberação, as sombras desapareceram completamente, levando consigo o eco de seu riso.

Finalmente, o sótão ficou em silêncio, e a luz começou a se apagar lentamente, mas havia uma sensação de paz no ar. O calor que antes nos envolvia agora se transformou em um brilho suave e reconfortante.

"Conseguimos", meu amigo murmurou, a expressão de alívio estampada em seu rosto.

Olhei ao redor, o espaço agora completamente calmo. "Conseguimos. Mas precisamos ficar atentos. Isso pode não ter acabado."

Nós dois nos levantamos, ainda sem acreditar no que acabáramos de vivenciar. Mas agora, tínhamos a certeza de que, juntos, éramos mais fortes do que qualquer sombra. O espírito de Max ainda estava conosco, e essa força nos impulsionaria a continuar, não importa o que viesse a seguir.

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