O medo me impulsionava como nunca antes. Corri pelas ruas sem rumo, sem destino claro. Meus pés batiam contra o asfalto, minha respiração estava pesada e irregular. O mundo ao meu redor parecia uma névoa distante enquanto minha mente girava, tentando processar tudo o que havia acontecido. Meu cachorro, Max, estava morto, e uma criatura, um skinwalker, estava usando a forma dele. A realidade era tão insuportável que minha mente resistia a aceitá-la completamente. Mas o horror daquela imagem—Max sem cabeça, sem patas—não me deixava outra escolha. Isso era real.
Eu precisava de ajuda, mas a quem recorrer? A quem eu poderia contar essa história sem parecer completamente louco? A imagem da criatura imitando Max ainda estava viva na minha mente. O jeito como ela se movia, como tentava me enganar com sua aparência familiar, era um pesadelo vívido que não me abandonaria tão cedo. Agora, mais do que nunca, eu precisava descobrir como lidar com o que estava à solta. E, mais importante, eu precisava sobreviver.
Minhas pernas já estavam começando a fraquejar após o que parecia uma eternidade correndo, e finalmente desacelerei, olhando em volta para me localizar. Eu estava em um parque, o silêncio envolvia o local como um manto sufocante, contrastando fortemente com o caos que se desenrolava dentro de mim. Por um momento, minha mente ficou vazia. Sentei-me em um banco de madeira, tentando regular minha respiração. O ar da noite era fresco, mas não trazia nenhum consolo. Cada sombra, cada farfalhar de folhas parecia uma ameaça. Era como se o mundo ao meu redor estivesse conspirando para me manter em um estado de terror constante.
Enquanto tentava acalmar os pensamentos, minha mente retornou à única coisa que eu tinha como prova do que havia acontecido: a foto. Tirei meu celular do bolso, minhas mãos ainda tremendo de leve, e olhei para a tela. A foto estava lá, mas de repente parecia menos concreta, menos real. Poderia aquilo ser apenas uma ilusão? Uma coincidência estranha de como a luz e a sombra interagiam com Max naquele momento? Não. Eu sabia o que tinha visto. O que estava na minha casa não era meu cachorro.
Por mais difícil que fosse, eu precisava voltar à casa, precisava confrontar o que estava acontecendo. Minha mente lutava contra essa ideia, mas no fundo, eu sabia que fugir para sempre não era uma opção. Se aquela criatura estava em minha casa, ela poderia estar esperando por mim, e eu precisava saber mais. Eu precisava de respostas, ou então esse terror me consumiria por completo.
Antes de tomar qualquer decisão precipitada, decidi fazer algo que parecia o mais lógico naquele momento: pesquisar sobre o que eu estava enfrentando. Peguei o celular e digitei “skinwalker” na barra de busca. Diversos resultados apareceram, a maioria lendas e histórias sobre seres que podiam se transformar em animais, predadores astutos que usavam essas formas para se aproximar de suas vítimas. As histórias vinham principalmente de tribos nativo-americanas, e a maioria delas falava de uma habilidade sombria e amaldiçoada, transmitida através de rituais proibidos.
Conforme eu lia, minha cabeça latejava. Os relatos eram assustadoramente semelhantes ao que eu havia vivenciado. As descrições do skinwalker – sua habilidade de imitar perfeitamente a aparência de um animal familiar, seu comportamento predatório e o terror que ele causava em quem o encontrava – faziam sentido à luz do que eu havia presenciado. Isso só confirmava meus medos: o que estava em minha casa não era uma simples ilusão. Era algo real, algo terrível, e estava me caçando.
Por mais que as lendas fornecessem algum contexto, elas não traziam soluções. Não havia uma fórmula clara para se livrar de um skinwalker, apenas histórias de vítimas que tinham sido caçadas e, em muitos casos, nunca mais vistas. Eu não podia permitir que esse fosse meu destino.
Levantei-me do banco com um novo senso de urgência. Eu não estava preparado para encarar essa criatura, mas precisava armar um plano. Não podia mais fugir indefinidamente. Ainda assim, retornar à minha casa sem nenhuma preparação seria uma sentença de morte. Decidi que precisava de ajuda. Mas a quem pedir? Minha primeira ideia foi voltar à casa do meu amigo. Ele era a única pessoa que poderia, de alguma forma, entender a gravidade da situação, mesmo que não acreditasse em tudo o que eu contasse.
Minhas pernas ainda estavam pesadas, mas comecei a caminhar em direção à casa dele. Ao longo do caminho, tentei pensar em como poderia explicar o que estava acontecendo. Eu sabia que a história soava absurda, mas precisava que alguém acreditasse em mim, ou pelo menos me ajudasse a pensar claramente. O medo e o isolamento estavam começando a me consumir, e sem um plano, eu estava condenado.
Ao chegar à casa do meu amigo, toquei a campainha com urgência. O tempo parecia se arrastar até que finalmente ouvi passos do outro lado da porta. Quando ele abriu, seus olhos estavam arregalados, claramente surpreso por me ver ali, tão tarde da noite e com uma expressão de pânico evidente no rosto. “Cara, o que está acontecendo? Você está bem?”, ele perguntou, a preocupação em sua voz era palpável.
Eu tentei falar, mas as palavras ficaram presas na minha garganta. Não sabia por onde começar. Como explicar o inexplicável? “Você lembra do que eu te falei antes? Sobre o Max?” Ele assentiu, meio confuso. “Eu... Eu acho que ele está morto. Mas tem algo que está fingindo ser ele... um skinwalker.” As palavras pareciam pesadas, como se cada uma carregasse o peso do absurdo que era essa situação.
Ele me olhou, claramente sem saber o que pensar. “Um... skinwalker? Cara, o que você está falando? Isso não pode ser real.” Claro, ele não acreditava. Quem acreditaria? Mas eu sabia que precisava convencê-lo. Peguei meu celular e mostrei a foto. “Eu tirei isso... essa coisa estava em pé, me olhando. Eu vi o corpo do Max. Ele está morto, mas essa coisa ainda está lá, se passando por ele.”
Ele olhou para a foto, franzindo a testa. “Isso é estranho... Mas... e se você estiver vendo coisas? Você está exausto, pode ter sido apenas um mal-entendido...” A descrença era óbvia. Eu não podia culpá-lo, mas ao mesmo tempo, eu sabia que não estava alucinando. “Eu preciso de ajuda”, insisti, com a voz desesperada. “Eu não sei o que fazer. Se você não acredita em mim, pelo menos venha comigo. Precisamos ver o que está acontecendo.”
Ele hesitou por um momento, mas no fim, concordou. “Tudo bem. Vamos ver isso juntos, mas se não houver nada lá, você precisa prometer que vai descansar, ok?” Eu concordei, mesmo sabendo que o que íamos enfrentar era muito mais do que qualquer um de nós poderia imaginar.
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Atualizado até capítulo 41
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