O silêncio sombrio que envolvia a casa foi quebrado por um pensamento inquietante que surgiu em minha mente. Era como se, de repente, tudo o que havíamos pesquisado e as pistas que tínhamos começassem a se encaixar. Mas havia algo que continuava a me atormentar, um detalhe que eu não conseguia ignorar: o skinwalker não poderia ter assumido a forma de Max do nada. Havia um ponto de origem, algo que o atraiu até aqui, e aquela lembrança persistente de Max desaparecendo por algumas horas parecia ser a chave.
"Eu acho que precisamos olhar mais a fundo... dentro da casa", murmurei, minha voz carregada de incerteza. Meu amigo levantou os olhos do laptop, com uma expressão que misturava cansaço e preocupação. "Dentro da casa? Mas já não verificamos tudo? O que mais pode haver?"
Eu não sabia exatamente, mas algo dentro de mim dizia que a resposta estava mais perto do que pensávamos. Comecei a caminhar pela casa, revendo mentalmente cada canto, cada quarto. E foi então que algo quase imperceptível chamou minha atenção: o sótão. Durante toda a confusão e o terror das últimas horas, o sótão havia passado despercebido. Era um espaço que raramente usávamos—cheio de tralhas velhas, móveis empoeirados e lembranças esquecidas. Mas algo me dizia que ele guardava mais do que apenas antiguidades.
"Temos que subir lá", disse, apontando para a escada que levava ao alçapão do sótão. Meu amigo hesitou por um momento, mas assentiu. Estávamos ambos exaustos, mas o medo e a curiosidade nos impulsionavam a continuar.
Peguei uma lanterna e puxei a escada retrátil. O som metálico do mecanismo ecoou pela casa, criando uma atmosfera ainda mais tensa. O ar que saía do sótão era pesado e denso, como se aquele lugar estivesse selado por muito tempo, guardando segredos que não deveriam ser desenterrados.
Com a lanterna em mãos, subi lentamente, cada degrau rangeando sob meu peso, o coração batendo forte no peito. Quando finalmente passei pela abertura, a escuridão parecia engolir tudo ao meu redor. O feixe da lanterna iluminava apenas pequenas porções do ambiente de cada vez, revelando móveis cobertos com lençóis brancos, caixas antigas empilhadas e uma densa camada de poeira sobre tudo. Era difícil acreditar que algo relevante estivesse escondido ali.
"Tem certeza que vamos encontrar algo aqui?" meu amigo perguntou de baixo, sem subir ainda. "Isso parece... só um monte de velharias."
Eu também não tinha certeza, mas havia algo no ar, uma sensação de desconforto, de que algo estava fora do lugar. Continuei iluminando o espaço com a lanterna, tentando ignorar o arrepio que subia pela minha espinha.
E foi então que a luz capturou algo. No canto mais distante do sótão, atrás de uma pilha de caixas velhas, havia algo que parecia deslocado, como se tivesse sido movido recentemente. Era uma espécie de baú de madeira, grande e antigo, com inscrições que não consegui reconhecer à primeira vista. A curiosidade aumentou, e me aproximei, ajoelhando-me ao lado do baú.
"Tem algo aqui", gritei para meu amigo, que finalmente decidiu subir. Ele parecia nervoso, mas também curioso. "O que é isso?"
"O baú", respondi, passando a mão pela tampa coberta de poeira. "Parece muito antigo. E essas marcas..." Olhei mais de perto, e então vi algo que me fez congelar. As inscrições na madeira, que a princípio pareciam apenas desenhos antigos, eram na verdade símbolos que eu havia visto antes—nas pesquisas que fizemos sobre skinwalkers. Eram símbolos de proteção... ou de maldição.
"Isso não parece certo", meu amigo disse, com um tom sombrio na voz. "Devemos abrir?"
Fiquei em silêncio por alguns segundos. Havia uma parte de mim que queria sair correndo, fugir daquilo antes que fosse tarde demais. Mas outra parte sabia que, para encontrar respostas, precisávamos abrir aquele baú.
Respirei fundo, coloquei a lanterna de lado e lentamente levantei a tampa. O rangido do baú ecoou pelo sótão, e quando a tampa finalmente se abriu, um cheiro forte e fétido invadiu o ar. Dentro, coberto por panos sujos e manchas escuras, havia uma caixa menor, de metal, e ao lado dela, algo que me fez engasgar: uma coleira. A coleira de Max.
"Isso... isso é de Max!" exclamei, puxando a coleira para fora. Ela estava suja de terra e com manchas de sangue seco, como se tivesse sido enterrada e desenterrada. Meu amigo olhou para aquilo, perplexo, antes de se inclinar sobre a caixa de metal. "E o que tem aqui dentro?"
Com cuidado, abrimos a pequena caixa de metal. Dentro dela, havia ossos. Pequenos ossos. O sangue gelou em minhas veias. Ossos de um animal pequeno, possivelmente de um cachorro. O terror aumentou quando percebi que aqueles ossos não eram antigos. Eram recentes. Muito recentes.
"Esses são os ossos de Max...?" perguntei, a voz falhando. Mas não havia como confirmar aquilo ali, naquele momento. O que sabíamos era que algo muito errado estava acontecendo, e o skinwalker havia assumido a forma de Max usando alguma ligação sombria com a verdadeira essência do meu cachorro.
"Eu acho que o skinwalker... ele matou o Max verdadeiro e assumiu o lugar dele", disse meu amigo, a voz carregada de horror. "Mas por que guardar os ossos aqui? O que mais isso significa?"
As perguntas se acumulavam, mas uma coisa era certa: o skinwalker estava usando aquele baú, aqueles ossos, e possivelmente os símbolos no sótão, como parte de um ritual, uma forma de sustentar sua conexão com a casa e comigo. E, de alguma maneira, ele sabia que eu iria descobrir.
Enquanto segurava a coleira e olhava para os ossos, senti uma presença atrás de mim. O ar ao meu redor parecia esfriar instantaneamente, e meu coração disparou mais uma vez. Lentamente, virei-me com a lanterna tremendo em minhas mãos, iluminando as sombras ao redor.
Ali, nas profundezas do sótão, a figura estava de pé, olhando diretamente para mim. O skinwalker havia voltado.
A luz da lanterna tremulava enquanto seus olhos frios, sem vida, se encontravam com os meus. Ele não precisava de palavras para transmitir sua mensagem. Eu havia ido longe demais.
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Atualizado até capítulo 41
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