A cena diante de mim era impossível de processar. Max, ou o que parecia ser Max, estava ali, ao meu lado, com o rabo balançando, como se tudo estivesse normal. Mas ao mesmo tempo, o verdadeiro Max – o corpo despedaçado, sem cabeça nem patas – jazia no chão. O choque fez meu estômago se revirar, e por um momento, senti como se o mundo ao meu redor estivesse girando, como se eu estivesse prestes a desmaiar. Isso não podia ser real. Não podia ser verdade. Mas, de alguma forma, era.
Aquela coisa que estava ao meu lado não era meu cachorro. Sabia disso com cada fibra do meu ser, mas ainda assim, ela continuava agindo como se fosse Max. Seus movimentos eram idênticos, seu comportamento parecia o mesmo, mas os olhos... os olhos me traíam. Havia algo errado com eles, algo que não era de um animal, mas de algo muito mais sombrio, algo consciente, algo maligno. O olhar não era de um cachorro, mas de uma criatura que usava aquela forma como uma máscara, como um disfarce para enganar e manipular.
Minhas pernas tremiam, e uma onda de adrenalina tomou conta do meu corpo. Eu precisava sair dali, precisava pensar. Meu primeiro instinto foi correr, mas algo dentro de mim me dizia que qualquer movimento brusco poderia desencadear uma reação da criatura. Ela se movia calmamente ao meu redor, ainda abanando o rabo, como se estivesse esperando por algo – talvez pela minha próxima ação, talvez pelo momento certo para atacar. Cada segundo ao lado dela parecia uma eternidade.
Tentei manter a calma, respirar fundo e agir de maneira calculada. "Max?", chamei, esperando por qualquer reação que pudesse confirmar minhas suspeitas. A criatura inclinou a cabeça, como se estivesse tentando entender o que eu estava dizendo, mas não respondeu como Max faria. Meu coração batia mais forte a cada segundo, e comecei a dar passos lentos para trás, em direção à porta, sem desviar os olhos dela.
A tensão no ar era quase insuportável, e cada movimento parecia errado, como se eu estivesse sendo observado por algo muito mais inteligente do que eu poderia compreender. Por um momento, a criatura parou de balançar o rabo e apenas me olhou, diretamente nos olhos. A sensação era de ser despido, de ser analisado por algo que via muito mais do que apenas minha presença física. Eu estava sendo avaliado, e o que quer que fosse aquilo, parecia estar decidindo o que fazer a seguir.
Quando cheguei perto da porta, o som da madeira rangendo sob meus pés ecoou pela casa, e a criatura finalmente se moveu. Ela deu um passo em minha direção, e, por um segundo, o ar pareceu congelar ao meu redor. Eu sabia que estava prestes a acontecer algo. Não tinha mais como fugir da realidade que estava diante de mim: aquela coisa não era Max. Não era um cachorro. E, acima de tudo, não era amigável.
Num instante de desespero, girei a maçaneta e corri para fora de casa, sem olhar para trás. Minha respiração estava acelerada, e o medo queimava em meu peito. Corri o mais rápido que pude, como se minha vida dependesse disso, porque no fundo, eu sabia que dependia. A criatura não me seguiu imediatamente, mas eu não iria arriscar. Atravessei o jardim e saí pelo portão, meus pés mal tocando o chão enquanto eu corria para longe da casa.
Quando finalmente parei para recuperar o fôlego, já estava a algumas quadras de distância. O som do meu coração batendo nos ouvidos era ensurdecedor, e a adrenalina fazia minhas mãos tremerem incontrolavelmente. Olhei ao redor, esperando ver a criatura me perseguindo, mas não havia sinal dela. Pelo menos, por enquanto, eu estava seguro.
Porém, a realidade ainda pairava sobre mim. Eu tinha deixado algo terrível dentro de casa, algo que usava a forma do meu cachorro para me enganar. E agora, além do horror de ter visto meu fiel companheiro morto, despedaçado, eu estava lidando com uma criatura que havia tomado sua forma. Mas o que era aquilo? Um impostor, uma sombra, uma criatura mítica como os antigos falavam? A palavra que ecoava na minha mente era clara, apesar de eu não querer acreditar: Skinwalker.
Os relatos de skinwalkers eram lendas antigas, contadas por povos nativos, histórias de bruxos que podiam mudar de forma, se transformando em animais para enganar e caçar suas presas. Sempre achei que fossem apenas mitos, mas agora, à luz do que vi, essas histórias tomaram uma nova forma, mais sombria e assustadora. Eu estava diante de algo muito mais antigo e perigoso do que poderia imaginar. Um ser que assumira a forma do meu amigo mais próximo, com intenções que eu ainda não compreendia totalmente.
Eu precisava de respostas, precisava entender o que estava acontecendo e como lidar com isso. Mas, mais do que tudo, precisava sobreviver.
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Atualizado até capítulo 41
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