Após a conversa com a bibliotecária, a atmosfera dentro da biblioteca se tornara mais pesada. O peso das palavras dela ainda pairava sobre nós, como um manto de incerteza. O conhecimento que buscávamos poderia ser a chave para enfrentarmos a ameaça que ainda nos cercava. Mas, ao mesmo tempo, nos perguntávamos: até onde éramos capazes de ir para proteger a memória de Max e a nós mesmos?
Com o passar das horas, deixamos a biblioteca com uma pilha de livros e anotações, prontos para investigar mais a fundo. O céu estava nublado, e uma leve brisa soprava, como se a natureza estivesse em sintonia com nossas preocupações. O que antes parecia ser apenas um folclore agora se transformava em uma possível realidade sombria.
“Precisamos encontrar alguém que já tenha passado por isso”, sugeri enquanto caminhávamos em direção ao parque onde costumávamos brincar com Max. “Alguém que tenha testemunhado a verdadeira face dos skinwalkers.”
O parque estava deserto, uma estranha sensação de abandono pairava no ar. A grama verde e as árvores robustas, que antes eram cenário de risadas e brincadeiras, agora pareciam guardar segredos obscuros. O lugar exalava uma nostalgia amarga. A visão do banco onde Max costumava se deitar me fez parar.
“Vamos sentar por um momento”, disse meu amigo, percebendo a mudança em meu tom. Sentei-me, e logo ele se juntou a mim. “Lembra de todas aquelas vezes que estávamos aqui com ele? Ele sempre corria atrás das folhas e pulava na água. Era como se ele soubesse como aproveitar a vida ao máximo.”
“Sim, eu lembro”, respondi, a dor da perda invadindo meu coração. “E é por isso que não posso deixar que o que aconteceu com ele fique impune. Precisamos fazer algo a respeito.”
“Eu também quero fazer isso. Não só por Max, mas por todos que possam estar em perigo.” A determinação nos olhos dele era contagiante, e me senti revigorado.
Após alguns momentos de silêncio, olhei para ele e disse: “Precisamos falar com pessoas na cidade. Encontrar aqueles que também ouviram histórias. Talvez haja mais a ser descoberto aqui do que pensamos.”
Concordamos em ir até a loja de antiguidades que havia sido mencionada em um dos livros. Diziam que o proprietário era um colecionador de histórias e que tinha um conhecimento vasto sobre a cidade e seus mitos. A loja ficava na rua principal, em um edifício antigo que parecia ter sido esquecido pelo tempo. As janelas empoeiradas e a porta de madeira rangente nos saudaram enquanto entrávamos.
A loja estava repleta de objetos antigos, cada um contando sua própria história. Estatuetas, fotografias desbotadas e livros empoeirados ocupavam cada canto. O ar estava impregnado de um cheiro de madeira e cera. O proprietário, um homem idoso com um olhar perspicaz, estava organizando alguns itens atrás do balcão.
“Bem-vindos, jovens”, ele disse com um sorriso cansado. “O que os traz a este lugar repleto de memórias?”
Explicamos nossa busca e mencionamos os skinwalkers e as histórias que havíamos ouvido. Assim que a palavra “skinwalker” saiu de nossos lábios, a expressão do homem mudou, como se tivesse sido atingido por uma lembrança distante.
“Ah, os skinwalkers”, ele murmurou, olhando para o vazio. “Uma história antiga, cheia de dor e perda. Muitas pessoas têm medo de falar sobre eles, mas as histórias são reais, muito reais.”
“Você já conheceu alguém que enfrentou um skinwalker?” perguntei, esperançoso de que ele tivesse respostas.
“Sim, conheci”, ele respondeu, sua voz carregada de melancolia. “Uma mulher na cidade, há muitos anos. Ela perdeu seu filho para uma dessas criaturas. O que restou dela foi apenas um eco de sua dor. Desde então, ela vive isolada, temendo que a mesma tragédia se repita.”
Intrigado, fizemos perguntas sobre a mulher e onde poderíamos encontrá-la. O homem hesitou, mas finalmente deu-nos uma direção, mencionando que ela morava nos arredores da cidade, em uma pequena casa à beira de um lago.
“Tenham cuidado”, ele alertou. “Essas histórias costumam ter consequências. As sombras podem seguir aqueles que se atrevem a falar.”
Sentimos um arrepio ao ouvir suas palavras, mas a determinação em nosso coração não diminuiu. Sabíamos que o que estávamos fazendo era arriscado, mas não poderíamos nos afastar agora. O destino de Max e a segurança da cidade estavam em nossas mãos.
Deixamos a loja com uma nova missão. O dia já estava escurecendo quando pegamos o caminho para a casa da mulher. A estrada estava deserta, e a vegetação ao redor parecia mais densa, como se estivesse se fechando sobre nós. A cada passo, o ar ficava mais frio, e uma sensação de desconforto se instalava.
“Estamos perto”, meu amigo sussurrou, olhando para o mapa no celular. “A casa deve estar logo ali.”
Finalmente, avistamos uma pequena cabana, envolta por árvores altas e sombras densas. O lago refletia a luz do luar, mas a beleza do cenário era ofuscada pela inquietude que nos acompanhava. O silêncio era pesado, e parecia que até a natureza estava presa em uma tensão palpável.
Bati na porta, e um momento depois, uma mulher de aparência cansada e olhar profundo apareceu. Seu cabelo grisalho caía em ondas sobre os ombros, e seus olhos pareciam carregar a sabedoria de muitas experiências difíceis.
“Quem são vocês?”, ela perguntou, sua voz rouca e cautelosa.
“Viemos em busca de respostas”, respondi, tentando manter a calma. “Sobre skinwalkers e a sua história.”
Ela hesitou por um momento, avaliando-nos com um olhar perspicaz. “Entre”, disse por fim, abrindo a porta e nos convidando a entrar.
Assim que cruzamos a entrada, o cheiro de ervas e fumaça de madeira nos envolveu. A casa era simples, mas havia um ar de ancestralidade no lugar. Várias velas queimavam em um altar improvisado, e imagens de animais e plantas adornavam as paredes.
“Vocês vieram buscar a verdade, não é?” A mulher disse, enquanto nos oferecia chá. “Muitos não estão preparados para o que encontram.”
“Precisamos saber o que você sabe”, eu insisti. “Não só por nós, mas por todos que podem estar em perigo.”
Ela olhou para nós com um misto de compaixão e dor. “As sombras nunca esquecem. Elas se alimentam do medo, da tristeza e da perda. A história que carrego em meu coração é pesada, mas talvez seja a única maneira de você entender o que está prestes a enfrentar.”
Enquanto nos sentávamos à mesa, percebemos que estávamos prestes a ouvir uma história que poderia mudar tudo. As respostas que buscávamos poderiam ser mais profundas e mais sombrias do que jamais imaginamos. Era hora de encarar a verdade — e as consequências dela.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 41
Comments