A Revelação do Festival

O corredor parecia se estender infinitamente enquanto Isabella e eu corremos em direção à sala do Duque. O festival estava prestes a começar, e a ideia de que um plano para sabotá-lo pudesse estar em andamento me deixava em estado de alerta. Eu sabia que precisávamos ser rápidos e estratégicos; o destino do ducado dependia disso.

Quando finalmente chegamos à porta do salão onde o Duque estava se preparando para o evento, encontrei-a entreaberta, com a música alegre e as vozes animadas ecoando do interior. O contraste entre a festa que se desenrolava e a seriedade da situação que enfrentávamos era quase surreal. A alegria de todos os presentes tornava ainda mais urgente a nossa missão.

“Duque!” exclamamos ao entrar, interrompendo a conversa animada entre os nobres. O Duque estava vestido de maneira exuberante, mas sua expressão logo se transformou ao ver nossa gravidade. “O que aconteceu?”

“Precisamos falar agora, é uma questão de vida ou morte”, eu disse, mantendo o tom sério. O murmúrio nas proximidades silenciou enquanto todos se viraram para nos observar, curiosos e preocupados.

“O que é tão sério que interrompe nosso festival?” O Duque estava agora completamente atento, e uma sombra de preocupação cruzou seu rosto. Eu podia sentir o olhar dos nobres pesando sobre nós, e sabia que precisávamos expor a verdade, mas com cautela.

“Recebemos informações de que Roderick e seus aliados estão planejando um ataque durante o festival”, expliquei, tentando não deixar transparecer a urgência em minha voz. “Servos ouviram rumores sobre sabotagens e ações hostis. Precisamos agir imediatamente.”

Os rostos ao redor se tornaram tensos. O Duque olhou para mim, e eu podia ver a luta em seus olhos, entre a negação e a aceitação da gravidade da situação. “Você está certo sobre isso? É uma acusação séria, e não podemos agir sem provas.”

Isabella, percebendo a hesitação, interveio: “Precisamos nos preparar para qualquer eventualidade. Se não tomarmos precauções agora, podemos ser pegos de surpresa. As pessoas estão nas ruas, e qualquer sinal de desordem pode causar pânico.”

Um dos nobres, um homem alto com um olhar autoritário, se adiantou. “E se for apenas um boato? Cancelar o festival agora seria um desastre! As pessoas esperam por este evento, e a reputação do Duque também está em jogo.”

“Isso é o que eles querem que você pense!” eu exigi, frustrado. “Um festival de alegria pode se transformar em um campo de batalha em questão de minutos. Se não fizermos algo, a situação pode sair do controle!”

O Duque respirou fundo, pesando suas opções. Ele estava cercado por conselheiros e nobres que desejavam proteger suas próprias posições, mas a responsabilidade maior ainda estava sobre ele. “Célia, o que você pensa?” perguntou o Duque, voltando-se para a mulher que estava com ele.

Célia, ainda com um semblante de confiança, sorriu suavemente. “Vossa Graça, talvez seja prudente adotar um plano de contingência. Podemos prosseguir com o festival, mas aumentar a segurança e colocar vigias em pontos estratégicos. Isso nos dará a oportunidade de reagir caso algo aconteça.”

O Duque ponderou sobre suas palavras, e eu sabia que, de alguma forma, ela estava influenciando sua decisão. “Está certo. Vamos prosseguir com o festival, mas você, Conselheiro, e você, Isabella, devem permanecer em alerta e nos manter informados sobre qualquer desenvolvimento.”

Enquanto o Duque falava, um servente entrou apressadamente, ofegante e visivelmente preocupado. “Vossa Graça, há um problema no portão principal! Um grupo de indivíduos sem convites tentou entrar, e estão exigindo falar com você.”

O coração afundou dentro de mim. A situação estava se desenrolando mais rápido do que eu poderia imaginar. O Duque imediatamente se voltou para a porta. “Reúna a guarda! Que seja rapidamente resolvido!”

Enquanto ele se dirigia à saída, percebi que essa poderia ser a chance que Roderick esperava. “Vou com você”, eu disse, decidindo que não podia ficar de fora. Isabella me seguiu, e juntos nos dirigimos para o portão principal.

Ao chegarmos ao local, uma multidão de nobres e plebeus se aglomerava, tentando entender o que estava acontecendo. No centro da confusão estava um grupo de homens e mulheres, com a determinação em seus rostos que era difícil ignorar. Eles usavam vestes simples, mas a maneira como se comportavam sugeria que não eram apenas cidadãos comuns.

O líder do grupo, um homem com uma cicatriz no rosto, avançou. “Precisamos falar com o Duque! O povo exige saber a verdade! Estão ocultando o que realmente está acontecendo neste ducado!”

“Vocês não têm permissão para estar aqui!” gritou um dos guardas, mas a multidão se agitou, criando uma onda de inquietação. O Duque se aproximou, tentando restaurar a ordem.

“Cale-se!” gritei, percebendo que o grupo não era uma simples manifestação. Havia algo mais profundo na determinação deles. “O que vocês estão fazendo aqui?”

“O que estamos fazendo? Estamos lutando contra a corrupção! Roderick tem suas garras profundas neste ducado, e nós sabemos que você, Duque, está sendo manipulado!” O homem apontou diretamente para o Duque, seu olhar ardente.

“Isso é uma ofensa! Você não pode simplesmente entrar aqui e falar assim com seu Duque!”, um dos nobres disse, indignado.

Mas a multidão estava começando a se agitar. Outros começaram a murmurar em concordância com o líder, e o pânico se espalhou. O Duque, percebendo a situação, fez um gesto para que todos se calassem.

“Silêncio! Vamos ouvir o que eles têm a dizer”, ordenou o Duque, sua voz ressoando sobre a agitação. “O que você sabe sobre Roderick? Por que você está aqui?”

O homem respirou fundo, como se tivesse se preparado para este momento. “Estamos aqui porque não podemos mais viver com medo. Roderick e seus aliados querem derrubar sua liderança e implantar um regime de terror. O festival é apenas uma distração para encobrir suas ações. O povo está sofrendo enquanto você se distrai com festas!”

Os murmúrios cresceram na multidão, e eu podia sentir a tensão no ar. As palavras do homem eram como um fósforo aceso, inflamando os ânimos. O Duque olhou ao seu redor, seu semblante tornava-se mais severo.

“Se isso for verdade, precisamos agir. Se Roderick está tentando subverter a ordem, não podemos permitir que ele tenha sucesso. Mas isso precisa ser feito com sabedoria”, disse o Duque, já pensando em estratégias.

“Vossa Graça, talvez devêssemos fazer um discurso, esclarecer a situação para o povo e garantir que eles não se deixem levar por rumores”, sugeri, tentando manter o controle da situação.

O Duque assentiu, e enquanto ele se preparava para falar, eu percebi que Célia estava se afastando discretamente, como se estivesse se preparando para algo. Algo que eu não podia deixar passar. “Célia, onde você vai?” chamei, mas ela virou o rosto, desaparecendo na multidão.

Não podia deixá-la agir sozinha. “Isabella, vou atrás dela”, eu disse, determinado a descobrir o que ela estava planejando. Não podia deixar que ela se tornasse uma ameaça maior do que já era.

Enquanto o Duque começava a falar e tentava restaurar a confiança do povo, eu me afastava, seguindo o rastro de Célia na multidão. A tensão pairava no ar, e eu sabia que a noite ainda guardava surpresas que poderiam mudar o rumo do ducado para sempre.

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