O Primeiro Movimento

O clima na sala era de expectativa sufocante. As palavras de Celia pareciam pairar no ar, flutuando entre todos os presentes como uma ameaça não dita. Eu mantinha meu olhar fixo nela, tentando decifrar suas intenções. Ela sempre fora uma peça chave, uma jogadora habilidosa no tabuleiro de intrigas que cercava o ducado. Agora, suas palavras poderiam mudar tudo. O Duque, imóvel em sua cadeira, esperava por mais, mas seus olhos revelavam a impaciência de quem desejava agir logo.

“Continue”, ordenou o Duque com um aceno brusco, enquanto cruzava as mãos sobre a mesa, demonstrando aparente calma. O som de sua voz ecoou pelas paredes da sala, e todos os presentes sentiram a tensão aumentar. Ele tinha pressa de resolver a questão da traição e estava cada vez mais perto de fazer seu movimento.

Celia deu um passo à frente, agora no centro de toda a atenção. “As informações que obtive indicam que, nos últimos meses, alguém tem se infiltrado na confiança do Conselho. Alguém que conhece cada detalhe das nossas operações, das nossas reuniões e até dos nossos planos mais sigilosos. E esse traidor não está agindo sozinho... ele tem um aliado poderoso, alguém que você não esperava.”

A sala ficou em completo silêncio. Ninguém ousava interromper a revelação de Celia. Cada palavra que ela dizia era uma corda puxando mais apertado o laço ao redor do pescoço de todos os presentes. Eu sabia que ela estava preparando algo grande, mas a quem ela se referia? Estava claro que o Duque também estava tentando juntar as peças rapidamente.

Ela pausou, seus olhos varrendo cada um dos conselheiros na mesa, avaliando suas reações. Finalmente, voltou-se novamente para o Duque. “A pessoa que o trai não é um desconhecido, mas sim alguém muito próximo. Alguém que já esteve em sua confiança e agora pretende derrubá-lo de dentro.”

Os murmúrios começaram entre os conselheiros, alguns trocando olhares de nervosismo. O Duque, no entanto, manteve-se inabalável, embora seu olhar estivesse mais afiado do que antes. “Celia, vá direto ao ponto. Quem é o traidor?”

A expectativa era esmagadora. Eu sentia que estava prestes a descobrir algo importante, talvez até algo que poderia mudar minha própria posição no jogo. O que Celia diria? Estaria ela, de alguma forma, envolvendo-me nessa teia de traição? Eu deveria confiar nela ou preparar minha defesa?

Celia suspirou suavemente, antes de soltar a bomba que todos esperavam. “Roderick. O Conselheiro Roderick é o traidor.”

As palavras dela atravessaram a sala como uma faca. Todos os olhares se voltaram instantaneamente para Roderick, que até então permanecera quieto, observando. Seu rosto empalideceu por um breve momento, antes de se recompor. “Isso é um absurdo!”, ele gritou, levantando-se da mesa com força. “Eu jamais trairia o Duque ou este Conselho. Essas são acusações sem fundamento!”

O Duque permaneceu calmo, observando a reação de Roderick, mas sua expressão tornou-se mais sombria. Ele não era alguém que tomava tais acusações levianamente. Sabia que Celia não faria tal afirmação sem provas, ou ao menos sem algo que pudesse sustentar suas palavras.

“O que você tem para respaldar essa acusação, Celia?”, perguntou o Duque, sua voz agora muito mais controlada e fria. Ele estava testando o terreno, mas já havia suspeita em seu olhar.

Celia, que se manteve firme mesmo diante da explosão de Roderick, puxou um pequeno pergaminho de dentro de sua capa. “Aqui estão as provas, meu senhor. Documentos com a assinatura de Roderick, em transações ilegais com os inimigos do ducado. Ele estava vendendo informações valiosas em troca de promessas de poder.”

Os olhos de todos se arregalaram à medida que o pergaminho era entregue ao Duque. Ele abriu o documento lentamente, seus olhos correndo pelas linhas escritas. O silêncio que seguiu foi ainda mais denso. Sabia que, com ou sem provas, a mera acusação já havia plantado a semente da desconfiança. O simples fato de Celia estar tão confiante indicava que o jogo havia mudado.

“Esses documentos...”, o Duque murmurou enquanto lia, “são reais.”

Roderick, que ainda estava de pé, deu um passo para trás, sua expressão agora dominada pelo desespero. “Isso é uma armação! Alguém está tentando me incriminar! Eu juro pela minha honra, sou leal ao Duque, sou leal ao Conselho!”

Mas era tarde demais. O Duque se levantou de sua cadeira, e seu olhar severo caiu sobre Roderick como uma sentença de morte. “Lealdade?”, ele perguntou, sua voz carregada de desprezo. “Esses documentos dizem o contrário.”

Enquanto a tensão na sala aumentava, eu não podia deixar de analisar o que estava acontecendo. Se Roderick realmente estivesse traindo o Duque, então essa era a chance perfeita para removê-lo do jogo. Mas se ele fosse inocente e estivesse sendo usado como bode expiatório, isso significava que alguém — talvez Celia — estava manipulando o jogo de uma forma ainda mais astuta do que eu havia imaginado.

“Guardas!”, gritou o Duque, rompendo o silêncio. Em instantes, dois homens armados entraram na sala, prontos para seguir suas ordens. “Levem-no daqui. Ele será julgado por alta traição.”

Roderick tentou resistir, mas os guardas foram rápidos em segurá-lo. Ele gritou em protesto, sua voz desesperada ecoando pelos corredores enquanto era arrastado para fora da sala. “Isso é um erro! Eu não sou o traidor! Acreditem em mim!”

Mas, no fundo, todos sabíamos que as palavras de Roderick já não tinham peso. O Duque havia decidido, e agora, o destino dele estava selado.

Assim que a porta se fechou atrás de Roderick, o Duque voltou-se para o Conselho. “Que isso sirva de lição para todos. Traição não será tolerada neste ducado. A justiça prevalecerá, custe o que custar.”

Olhando para Celia, percebi que havia muito mais nessa história do que parecia. O que ela ganhava com a queda de Roderick? Quais eram seus verdadeiros planos? Era impossível dizer naquele momento, mas uma coisa era clara: o jogo estava longe de acabar, e novas alianças estavam sendo formadas nas sombras.

Com Roderick fora do caminho, o equilíbrio de poder mudava mais uma vez. Restava-me agora descobrir como eu me encaixava nessa nova ordem — e se Celia era uma aliada... ou apenas uma adversária com quem eu deveria ter mais cuidado.

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