O crepúsculo finalmente havia se instalado sobre o castelo, tingindo os céus com tons profundos de laranja e vermelho. A tensão era palpável enquanto eu me dirigia à reunião convocada pelo Duque. Cada passo que eu dava pelos corredores frios parecia ecoar pela pedra, como um aviso silencioso de que a tempestade estava prestes a desabar. O Conselho não se reunia frequentemente, e quando o fazia, o clima no castelo mudava. Havia um ar de antecipação, uma tensão que se infiltrava em cada canto, e hoje não seria diferente.
Meu coração batia mais forte do que eu gostaria de admitir. Eu estava acostumado a manipulações, a jogos de poder nos bastidores, mas agora tudo parecia mais real, mais perigoso. O Duque estava em vantagem, ao menos por enquanto. Ele tinha a força do seu título e a percepção de controle. Porém, o que ele não sabia era que, por trás das cortinas, a trama já estava sendo tecida de maneira a puxar o tapete debaixo de seus pés.
Enquanto atravessava o corredor que levava à grande sala do Conselho, os rostos que me encaravam refletiam algo incomum: temor. Servos e guardas sabiam que algo estava para acontecer, mas poucos conheciam os detalhes. O próprio ar parecia estar carregado de eletricidade, como se o castelo inteiro estivesse à beira de um colapso iminente. Abri as portas da sala com um movimento deliberado, tentando manter a calma exterior enquanto enfrentava o inevitável.
Dentro da sala, o Conselho já estava reunido. O Duque estava sentado no centro, sua presença imponente dominando o espaço, como uma sombra pesada que sufocava todos ao redor. Ao seu lado, os conselheiros mais antigos, rostos conhecidos que haviam servido fielmente por anos, pareciam divididos entre o desconforto e a cautela. Eles sabiam que algo estava fora do lugar, mas ainda não tinham certeza do que era.
Assim que entrei, o Duque me encarou, seus olhos estreitos avaliando cada movimento meu. Ele parecia calmo, quase relaxado, mas o brilho nos seus olhos traía a verdade: ele sabia que algo estava errado, e estava prestes a atacar.
"Vejo que todos estão presentes", ele disse com uma voz baixa, porém carregada de autoridade. "É raro convocar o Conselho com tão pouco aviso, mas creio que todos aqui entendam a gravidade da situação."
O silêncio caiu sobre a sala enquanto os conselheiros esperavam suas palavras. Eu permaneci em pé, próximo ao final da longa mesa, sem me sentar. O jogo estava em andamento, e eu precisava de uma visão clara de todos os envolvidos.
"O motivo desta reunião", continuou o Duque, "é simples: há traidores entre nós. Homens e mulheres que tramam contra mim e contra tudo o que este ducado representa. Eles pensam que podem esconder seus movimentos nas sombras, mas eu lhes digo... a luz sempre alcança até os cantos mais escuros."
Eu permaneci imóvel, mantendo minha expressão neutra. Sabia que o Duque jogaria essa carta. Ele sempre soube manipular o medo como uma arma, usando suas palavras para minar a confiança daqueles que ousassem desafiar sua autoridade. O verdadeiro teste seria ver quem ao redor da mesa começaria a mostrar sinais de fraqueza.
O Duque levantou-se de sua cadeira, andando devagar pela sala, seus olhos passando por cada um dos conselheiros, até que finalmente se voltaram para mim. Ele parou, ficando a poucos metros de onde eu estava.
"E alguns desses traidores", ele disse, com um tom mais incisivo, "estão mais perto do que poderíamos imaginar."
O silêncio na sala era opressor. Todos aguardavam o próximo movimento do Duque, mas eu sabia que ele estava esperando uma reação minha. Ele queria me intimidar, ver se eu cederia à pressão. No entanto, segui o jogo, mantendo meu olhar fixo no dele, sem desviar. Cada segundo que passava era uma batalha mental, e eu não estava disposto a ser o primeiro a ceder.
"Você tem algo a dizer, meu caro conselheiro?", o Duque perguntou, sua voz gotejando com falsa cordialidade.
"Minha lealdade sempre esteve com o ducado", respondi calmamente. "Se há traidores, como diz, devemos eliminá-los para garantir a segurança de todos. Ninguém está acima da lei ou da justiça."
O Duque sorriu, mas era um sorriso sem calor, sem vida. "Sim, a justiça...", ele repetiu, quase para si mesmo. "Vamos ver quanto tempo mais essa lealdade durará, não é?"
Antes que eu pudesse responder, a porta da sala se abriu de maneira abrupta, e um dos guardas entrou apressadamente. Ele se aproximou do Duque e sussurrou algo em seu ouvido, rápido e baixo. Eu mal pude ouvir as palavras, mas sabia que qualquer interrupção daquele tipo era significativa.
O Duque assentiu brevemente, e o guarda deixou a sala. Ele voltou-se para o Conselho, com um novo brilho de malícia em seus olhos. "Parece que as sombras estão se movendo mais rápido do que eu esperava", disse, voltando a sentar-se. "No entanto, asseguro-lhes que, quando esta noite terminar, a verdadeira face da traição será revelada."
Seu olhar voltou a mim, e naquele momento eu soube: ele tinha algo preparado, algo que poderia virar o jogo a seu favor.
Os conselheiros começaram a murmurar entre si, trocando olhares preocupados. O ambiente estava ficando cada vez mais tenso, e todos pareciam estar aguardando o momento em que o caos iria eclodir. Eu precisava agir antes que o Duque desse o golpe final. Minha mente corria, tentando encontrar uma brecha, uma maneira de virar aquela situação a meu favor.
Mas antes que eu pudesse fazer qualquer movimento, a porta da sala se abriu novamente. Desta vez, foi Celia quem entrou, com a mesma calma e confiança de sempre. Seus olhos me encontraram por um breve segundo, e eu soube que ela tinha algo importante a relatar.
"Celia", o Duque disse com um leve aceno de cabeça. "Você traz notícias?"
Ela olhou ao redor da sala, examinando os rostos antes de falar. "Eu trago informações que podem mudar o rumo desta reunião, Vossa Graça."
Eu prendi a respiração, esperando pelo que viria a seguir. Celia era minha aliada, mas também uma jogadora astuta. O que ela tinha nas mãos poderia determinar o futuro de todos nós naquela sala.
"A traição que você busca... pode estar mais próxima do que imagina", ela disse, lançando um olhar direto ao Duque.
O silêncio se instalou novamente, enquanto todos os olhos se voltavam para ela, esperando a revelação. A tensão no ar estava insuportável. Sabia que, naquele momento, o próximo movimento seria decisivo.
***Faça o download do NovelToon para desfrutar de uma experiência de leitura melhor!***
Atualizado até capítulo 21
Comments